terça-feira, 28 de abril de 2026

“Resultados Prólogo da Volta à Romandia 2026: Dorian Godon vence; Ivo Oliveira volta a ficar com o mel nos lábios; Pogacar o melhor dos favoritos”


Por: Miguel Marques

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O prólogo da Volta à Romandia de 2026 trouxe uma surpresa, esta tarde em Villars-sur-Glâne, com Dorian Godon a vencer graças a uma exibição surpreendentemente dominante, mesmo num pelotão com Tadej Pogacar.

O campeão nacional francês de estrada somou a quarta vitória World Tour da época, mais uma para a INEOS Grenadiers, equipa que tem colhido amplos dividendos desde a contratação do sprinter francês.

Foi um prólogo ondulado de 3 quilómetros, a abrir com uma descida e a incluir uma subida final de 1,1 quilómetros. As pendentes não eram excessivas, cenário ideal para homens de prólogos e classicomans, que tinham que debitar muitos watts num curto espaço temporal.

 

Pogacar ganha balanço na luta pela geral

 

Godon não partia entre os principais favoritos, mas impôs-se com uma prestação que lhe deu 6 segundos sobre Ivo Oliveira e Jakob Söderqvist. Tadej Pogacar foi quinto no dia, a 7 segundos, mas terminou como o melhor entre os candidatos à classificação geral. Primoz Roglic ficou a 1 segundo do compatriota e Florian Lipowitz a 3. Oscar Onley foi o grande derrotado, cedendo 28 segundos para o grande favorito à geral.

“Voltar a vencer a Volta a França” - INEOS Grenadiers anuncia novo patrocínio multimilionário e camisola com a Netcompany”


Por: Miguel Marques

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A INEOS Grenadiers quer voltar ao topo e, pela primeira vez desde 2019, a equipa britânica vai mudar de patrocinador principal. A partir da Volta a Itália de 2026, haverá novo equipamento e, com o objetivo de regressar ao topo da modalidade e voltar a vencer a Volta a França, também um novo nome: Netcompany INEOS Cycling Team.

“Estou muito satisfeito por dar as boas-vindas à Netcompany à equipa de ciclismo, estabelecendo uma nova parceria de longo prazo que ajudará a criar as condições certas para alcançarmos mais sucesso”, afirmou o CEO da equipa, Jim Ratcliffe, em comunicado de imprensa. “Esta colaboração traz recursos, tecnologia e capacidades adicionais, tanto na vertente de performance como na operacional, para dar à equipa a capacidade de competir de forma consistente ao mais alto nível do desporto”.

Há vários meses que circulavam rumores sobre a entrada de um novo patrocinador, alegadamente com um orçamento anual de 20 milhões de euros a ser distribuído ao longo de cinco épocas. No total, um investimento de 100 milhões de euros por parte da empresa de logística. Isto inclui também um novo jersey a estrear na Corsa Rosa, mostrado no vídeo de anúncio.

A partir da Volta a Itália de 2026, a INEOS Grenadiers passa a chamar-se Netcompany INEOS Cycling Team e o patrocinador manter-se-á até ao final da temporada de 2030. Espera-se que a Netcompany substitua a INEOS como patrocinador principal em 2027, enquanto a TotalEnergies também ascenderá a estatuto de patrocinador principal, depois de se tornar patrocinador menor a partir da Volta a França de 2025.

 

O que é a Netcompany?

 

A empresa dinamarquesa atua no mercado da logística e utiliza e desenvolve de forma intensiva um programa de IA chamado PULSE. É aplicado nas áreas de gestão e logística. Na Dinamarca, desenvolveu um novo sistema de cobrança de dívidas para a Autoridade Tributária Dinamarquesa e uma nova plataforma de comunicação para as escolas do país; além disso, presta serviços a alguns dos maiores aeroportos da Europa.

A parceria também deverá beneficiar a equipa britânica na tomada de decisões e na gestão logística, num desporto onde os mais pequenos detalhes podem fazer a diferença.

“Enquanto empresa europeia líder em tecnologia de IA, que luta pela soberania digital da Europa, unir forças com a equipa de ciclismo mais bem-sucedida da era moderna e a única equipa World Tour do Reino Unido é uma oportunidade única”, acrescentou o CEO da Netcompany, André Rogaczewski.

“Esta parceria apoia a nossa ambição estratégica de acelerar o crescimento em toda a Europa, demonstrando o impacto de tecnologia de ponta e de IA ao mais alto nível do desporto. Em conjunto, queremos possibilitar decisões mais inteligentes, reforçar a vantagem competitiva e ajudar a equipa a voltar a vencer a Volta a França”.

 

Geraint Thomas e Dave Brailsford entusiasmados com a nova parceria

 

“Vi em primeira mão o quanto o desporto evoluiu. Mas o que não mudou foi a importância de fazer bem o básico e dar atenção aos pormenores. É isso que, em última análise, leva ao sucesso na estrada”, acrescentou Geraint Thomas.

“Da minha parte, trata-se de criar um ambiente em que os ciclistas possam concentrar-se totalmente em correr, enquanto a equipa à sua volta está ligada e a tomar as melhores decisões possíveis. Se acertarmos nesse equilíbrio, fará uma diferença real quando mais importa”.

O diretor da equipa, Dave Brailsford, também comentou a mudança, defendendo que “tem a ver com criar as condições para vencer a Volta a França”. Seria um passo significativo para a INEOS, que dominou as Grandes Voltas na década de 2010, mas que nos últimos anos ficou atrás de equipas como a UAE Team Emirates - XRG e a Team Visma | Lease a Bike, apesar de manter um orçamento elevado.

“Esta é uma das parcerias mais significativas no ciclismo, um verdadeiro voto de confiança não só na nossa equipa, mas também no próprio desporto. É um momento marcante para nós e assinala o início de um novo capítulo […] Isto é mais do que um patrocínio, é uma parceria com propósito. Traz estabilidade a longo prazo, dando-nos a base para investir na performance ao longo do tempo, construindo os alicerces para vencer e continuar a vencer”.

“Resultados 3a etapa da Volta à Turquia 2026: Iván Sosa vence a etapa rainha e quebra jejum de 3 anos e meio”


Por: Miguel Marques

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A 3.ª etapa da Volta à Turquia prometia ser decisiva para a geral, e cumpriu. Na íngreme chegada em alto a Kiran, Iván Sosa assinou a melhor prestação de montanha do dia e colocou a Equipo Kern Pharma na liderança da corrida.

A fuga formou-se com Jonas Rickaert, Rudolf Remkhi e Mustaka Tekin. O trio nunca preocupou verdadeiramente o pelotão, que guardou todas as balas para a subida final a Kiran - 9 quilómetros a 9,7%. Remkhi foi o último resistente a ser alcançado, ainda com 32 quilómetros por percorrer.

No arranque da ascensão decisiva, Sergio Samitier (Cofidis) atacou de imediato, mas o movimento foi curto devido ao forte ritmo da TotalEnergies, que parecia trabalhar para Jordan Jegat. A dureza da subida cedo colocou vários favoritos em dificuldades, como Byron Munton e Abel Balderstone, afastados da luta pelo topo.

A 5 quilómetros da meta, Kamiel Bonneu mexeu no pelotão e Iván Sosa respondeu. Pouco depois, o colombiano isolou-se com um andamento que ninguém conseguiu igualar. Era uma subida muito exigente, em que a gestão de esforço foi determinante: enquanto alguns começavam a ceder, outros recuperavam terreno com rapidez.

A 2 quilómetros do fim, Sosa dispunha de 15 segundos sobre Alessandro Fancellu, com Nicolas Breuillard e o colega de equipa de Fancellu, Bonneu, a 20. O colombiano, leve como uma pena, foi o mais forte do dia e venceu a etapa, mas apenas por alguns segundos face ao renascido Sebastien Berwick, que cortou a meta muito perto. Nicolas Breuillard foi terceiro, enquanto Jordan Jegat cedeu por completo no final. O primeiro ciclista de equipas worldtour foi Nikolas Vinokourov, da XDS Astana, em 6º. Ainda faltam etapas duras para os trepadores e o triunfo de Sosa na geral está longe de estar garantido.

“É um lugar que levarei para sempre no coração” - Nairo Quintana conquista vitória no regresso à Volta às Astúrias, terá sido a última da carreira?”


Por: Miguel Marques

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Nairo Quintana voltou a deixar a sua marca nas estradas do norte de Espanha ao selar um terceiro título absoluto na Volta às Astúrias, uma corrida que se tornou palco de eleição para exibir classe e resistência e que marcou o seu regresso às vitórias pela primeira vez desde 2022.

Este triunfo não é apenas mais um troféu no vasto palmarés, mas um testemunho da sua longevidade competitiva e inteligência tática no pelotão profissional. No domingo, ao serviço da Movistar, o trepador colombiano teve de dominar um final tenso, com ataques incessantes da UAE desde cedo, desenhados para quebrar a resistência do colombiano.

Ainda assim, Quintana mostrou que a experiência é um escudo robusto contra a impaciência da nova geração, gerindo ritmos e diferenças com a precisão de um veterano que conhece cada centímetro do asfalto asturiano.

A etapa decisiva esteve longe de ser um passeio para o homem de Boyacá. A agressividade dos rivais obrigou a Movistar a manter mão firme na corrida, anulando qualquer movimento que pudesse pôr em risco a camisola de líder.

Depois de cortar a meta e confirmar o sucesso, alicerçado no triunfo da segunda etapa, Quintana deixou claro que a batalha exigiu o máximo e que o desfecho resultou de um plano executado na perfeição pelos seus companheiros.

 

Nairo Quintana mandou como um campeão

 

O corredor sublinhou a complexidade tática do dia, explicando que “foi espetacular. Trabalhámos bem como equipa, controlámos bem e sabíamos que a UAE vinha com intenções”. Para lá de mais um triunfo individual, o líder da formação navarra mostrou o lado generoso ao tentar orientar os jovens da equipa.

Quintana abraçou o papel de mentor sem perder o instinto competitivo: “Quis reconhecer o trabalho da equipa, o que o Diego Pescador tinha feito, e quis dar-lhe uma mão para chegar ao pódio. A coisa baralhou-se um pouco no final, mas mantivemos o controlo e depois conseguimos pô-lo no pódio também”.

Esta foi a primeira vitória de Quintana desde a Volta aos Alpes Marítimos 2022, antes da suspensão por tramadol e do regresso à Movistar em 2024. Esta é a última temporada de Quintana no pelotão, como anunciou na Volta a Catalunha, e está a fechar a carreira em alta.

Um dos pilares desta última etapa foi Pelayo Sánchez, que resgatou uma ‘Vueltina’ discreta nas rampas de El Padrún. O asturiano, a correr em casa, foi peça-chave a neutralizar as ofensivas rivais e a abrir caminho ao pódio para o seu líder.

Quintana não poupou elogios ao esforço do corredor local, que iniciou aqui a época, valorizando em especial o renascimento pessoal após uma série de problemas físicos nos últimos meses.

 

Mudança geracional com Diego Pescador?

 

Para o colombiano, ver um colega brilhar depois da adversidade é tão gratificante como a vitória na geral. Nesse sentido, o vencedor da corrida asturiana assinalou que “a verdade é que ele vinha de lesões, de uma fase má, e ver como correu hoje, o trabalho que fez, vinha motivado nas estradas de casa, e para nós foi brilhante como equi

Esta coesão e o sacrifício coletivo foram as bases sobre as quais Quintana construiu a sua autoridade nesta edição, prova de que o ciclismo continua a ser um desporto de confiança absoluta.

Este triunfo no Principado carrega também um adeus emocional. Com 17 temporadas no topo do ciclismo mundial, Nairo Quintana sabe que algumas das suas presenças em certas corridas começam a ser as últimas da carreira profissional.

 

O Condor despede-se

 

Como o percurso da próxima Volta a Espanha não visitará as Astúrias, esta edição da Volta às Astúrias foi a sua última grande data com uma das massas adeptas mais apaixonadas e fiéis do mundo. Fiel à sua humildade, o colombiano aproveitou os holofotes para deixar uma mensagem de profunda gratidão aos fãs que gritaram o seu nome em cada subida.

A sua ligação a esta terra vai além do desporto, como expressou após a corrida: “Vou continuar a pedalar por aqui, vou continuar a vir com amigos. Não sei se voltaremos a correr aqui, mas o meu imenso obrigado por todo o carinho que nos deram, por todo o apoio, por virem para a estrada, por me incentivarem sempre. É um lugar que levarei sempre no coração”.

Quintana sai das Astúrias com a camisola de vencedor e a satisfação de ter honrado a profissão, agradecendo até aos meios de comunicação pelo papel na ligação ao público: “Obrigado a todos, imensamente, também à televisão, que faz um trabalho especial de transmitir tudo o que nós ciclistas fazemos para emocionar as pessoas, para emocionar todos os adeptos”.

“Danilo Di Luca sem filtros - “Não matei ninguém. Uma suspensão vitalícia é desproporcionada”


Por: Miguel Marques

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Danilo Di Luca, vencedor da Volta a Itália e da Liege-Bastogne-Liege em 2007, voltou a falar abertamente sobre a carreira, o ciclismo moderno e a suspensão vitalícia por doping. Numa entrevista ao jornal espanhol AS, o antigo corredor italiano foi frontal, incisivo e sem intenção de reescrever o passado.

Com 49 anos, vive em Pescara e trabalha no segmento de bicicletas de alto padrão. Continua, porém, a seguir o ciclismo com a mesma intensidade dos tempos de competição, apesar do peso de estar banido para sempre da modalidade que o tornou célebre.

 

“Liège foi a corrida mais bonita da minha carreira”

 

Apesar de ter conquistado a Volta a Itália em 2007, Di Luca admite que o triunfo na Liege-Bastogne-Liege, no mesmo ano, ocupa um lugar especial.

“As minhas memórias estão intactas. Foi, sem dúvida, a corrida mais bonita que venci nos meus anos de profissional”.

O italiano explicou que precisou de nove anos até finalmente vencer a Clássica belga depois de a disputar pela primeira vez como profissional. “Quando a corri pela primeira vez, disse logo a mim próprio: mais cedo ou mais tarde tenho de ganhar isto”.

Em 2004, esteve perto, mas um problema físico impediu-o até de partir.

“Nesse ano fui quarto na Amstel Gold Race, terceiro na La Flèche Wallone, e acreditava que podia ganhar Liège. Mas na noite anterior tive um problema de próstata e não corri”.

Quando finalmente triunfou, sentiu que fechara um ciclo inacabado. “Era a pedra que faltava para construir a casa”.

 

Volta a Itália? “A emoção da Liège foi maior”

 

Mesmo tendo vencido a maior corrida italiana, Di Luca coloca o Monumento das Ardenas acima do Giro em termos emocionais.

“Para um italiano, o Giro é tudo. A corrida mais importante do mundo. Mas escolho Liège porque todas as emoções se concentram num só dia”.

Sobre a primeira Grande Volta do ano, disse que já sabia que a vitória estava ao alcance antes do final.

“No meu caso, soube muito antes que ia ganhar. Já o sentia nos dias que antecederam a chegada a Milão”.

 

Vencer Pogacar? “Neste momento é impossível”

 

Questionado sobre jovens talentos capazes de desafiar Tadej Pogacar, Di Luca foi direto ao falar de Paul Seixas.

“Por agora, não. Talvez possa ser segundo quando Pogacar estiver presente. Ganhar quando o Tadej não corre, sim”.

Depois sublinhou o nível atual da estrela eslovena. “Bater o esloveno neste momento é impossível. Talvez quando começar o seu declínio, dentro de alguns anos”.

 

“Os ciclistas de hoje são robots”

 

Um dos momentos mais fortes da entrevista surgiu quando comparou o ciclismo moderno com a sua era. Para Di Luca, o desporto perdeu espontaneidade e humanidade. “Os ciclistas de hoje são robots”.

No seu entender, tudo gira em torno de números, dados e controlo total. “O que interessa agora são os valores: watts, quilómetros, quanto comeram durante a corrida…”

Em contraste, descreveu o pelotão do seu tempo como mais imprevisível. “Éramos mais humanos. Olhávamos mais para os rivais do que para os números. Era mais bonito para os adeptos. Havia ataques a cem quilómetros da meta, havia improvisação”.

Acredita também que hoje é mais fácil antecipar os vencedores. “Se o Pogacar está lá, ganha”.

 

Itália e Espanha ficaram para trás

 

Di Luca manifestou ainda preocupação com o declínio do ciclismo em países historicamente dominantes, como Itália e Espanha.

“Há muito pouco com que trabalhar. Tudo mudou. Não há competitividade”.

Segundo o italiano, a raiz do problema está na formação. “Tudo começa na base, com a federação.”

Deixou depois uma frase marcante sobre a realidade no seu país. “Se uma criança diz ao pai que quer começar a andar de bicicleta, o pai diz que não”.

Para Di Luca, o ciclismo vive hoje sobretudo na Bélgica. “Estive na Volta à Flandres e continua tudo igual: o público, a paixão, a aura. Em Itália tudo mudou”.

 

“Sem doping teria ganho muito mais”

 

Uma das declarações mais controversas surgiu quando voltou a uma opinião que já expressara: acredita que teria alcançado ainda mais sem recorrer ao doping.

“Sem doping, o campeão brilha ainda mais. Com doping tudo fica mais plano, mais equilibrado”.

No seu entender, as substâncias proibidas reduziram o fosso natural entre o talento de elite e os corredores comuns. “Sem isso, a diferença entre um campeão e um corredor normal é muito maior”.

Di Luca foi suspenso várias vezes por infrações de doping e foi banido para sempre em 2013. Continua a considerar a punição excessiva. “Passados treze anos, continuo sem entender a suspensão vitalícia”.

Prosseguiu. “Na vida todos cometemos erros. Depois chega. Não matei ninguém. Trabalho, tenho família… O resto é desproporcionado. Sou uma boa pessoa”.

 

“Sinto-me um artista”

 

No final da entrevista, refletiu sobre a sua personalidade e a forma como canalizou raiva e frustração ao longo da carreira.

“Sim, exatamente. De certa maneira, sinto-me um artista”.

Uma frase que resume a figura contraditória que Danilo Di Luca continua a ser: talentoso, controverso, punido e incapaz de falar com neutralidade sobre o desporto que o tornou famoso.

“WHOOP UCI Mountain Bike World Series: Quatro especialidades, cinco meses de ação de alto nível”


A corrida começa neste fim de semana

 

A WHOOP UCI Mountain Bike World Series está prestes a entrar em sua quarta temporada, reunindo quatro especialidades de mountain bike para mais um ano de corridas cheias de ação. Com 14 finais de semana de corrida em nove países em três continentes, a série começará na Ásia no início de maio e terminará na América do Norte em outubro, onde os campeões gerais da Copa do Mundo UCI serão coroados em pista curta cross-country (XCC), cross-country Olympic (XCO), downhill (DHI) e enduro (EDR).

A WHOOP UCI Mountain Bike World Series 2026 reúne as Copas do Mundo UCI para cada especialidade e incluirá um total de nove etapas para XCO, XCC e DHI, e seis para EDR.

As competições de XCO, XCC e DHI começarão na primeira rodada da série neste fim de semana (1-3 de maio) em Mona YongPyong (Coreia do Sul), enquanto os especialistas em EDR se reunirão pela primeira vez no final do mês (29-31 de maio). A estreia da temporada acontecerá em Loudenvielle-Peyragudes (França), que também servirá como a segunda etapa para os pilotos da DHI.

 

XCO e XCC: formações de estrelas, mas sem Maxwell

 

Olhar para trás, para o pódio geral de 2025, ajuda a preparar o cenário para a Copa do Mundo UCI XCO 2026. Uma coisa é certa: o título geral da Elite Feminina mudará de mãos, já que Samara Maxwell (NZL), que venceu em 2025, não estará competindo este ano. Jenny Rissveds (SWE) terminou a última temporada logo atrás de Maxwell, após ir de força em força ao longo das rodadas. A atual campeã mundial da UCI e Alessandra Keller (SUI), que terminou em terceiro lugar na Copa do Mundo XCO da UCI no ano passado e no Campeonato Mundial da UCI, sem dúvida buscará aproveitar a ausência de Maxwell.

Na categoria Elite Masculina, o vencedor da temporada passada, Christopher Blevins (EUA), venceu Martín Vidaurre Kossmann (CHI) e ficou em segundo, enquanto Luca Martin (FRA) terminou a temporada em terceiro lugar.

Um lembrete das estrelas da Copa do Mundo do XCC do ano passado: Blevins completou a dobradinha à frente de Martin e Charlie Aldridge (GBR). Na classificação feminina Elite, Evie Richards (GBR) conquistou o título geral da Copa do Mundo UCI XCC, com Jenny Rissveds (SWE) e Alessandra Keller (SUI) novamente completando o pódio.

 

DHI e EDR: as estrelas do ano passado podem se repetir?

 

Na categoria Elite Masculina DHI, Jackson Goldstone (CAN) teve uma temporada memorável em 2025, conquistando cinco vitórias, incluindo uma vitória em casa na etapa final em Mont-Sainte-Anne, garantindo o título geral da UCI DHI World Cup, à frente do altamente premiado Loïc Bruni (FRA), com Luca Shaw (EUA) em terceiro.

A competição Elite Feminina DHI garantiu o terceiro título consecutivo da Copa do Mundo UCI para Valentina Höll, apesar de não ter vencido até a penúltima rodada. A austríaca foi muito pressionada pelo talento emergente Gracey Hemstreet (CAN) e pela ressurgente Tahnée Seagrave (GBR), que terminaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente.

O polonês Sławomir Łukasik venceu três das sete etapas para garantir o título geral da Copa do Mundo UCI EDR 2025 masculina, à frente do ex-campeão Jesse Melamed (CAN) e Charles Murray (NZL). A britânica Ella Conolly venceu três vezes consecutivas, conquistando o título geral feminino de 2025, à frente de Simona Kuchyňková (SVK) e Nadine Ellecosta (ITA).

 

Adições frescas e favoritos dos fãs

 

O calendário deste ano abrange uma variedade de formatos, com algumas rodadas focadas exclusivamente na resistência, outras na gravidade, e muitas combinando ambos. Uma forte variedade de locais já estabelecidos também será apresentada, incluindo Nové Město na Moravě (Tchéquia) para cross-country e Val di Fassa - Trentino (Itália) para enduro. Dois locais receberão corridas em todos os quatro formatos: Saalfelden-Leogang Salzburgerland (Áustria), La Thuile - Valle d'Aosta (Itália) e Haute-Savoie (França).

Novidade para 2026, a Corrida da Coreia do Sul, que abre a temporada, em Mona YongPyong, sediará as primeiras etapas da Ásia da Copa do Mundo UCI para XCO e XCC. Também será a primeira vez em 25 anos que uma Copa do Mundo UCI para DHI será realizada no continente.

Soldier Hollow, em Midway, Utah (EUA), antigo local olímpico que foi a casa dos treinamentos da medalhista de prata olímpica de Paris 2024, Haley Batten, é outra novidade no calendário da WHOOP UCI Mountain Bike World Series. Sediando as penúltimas etapas do XCO e XCC, o local já está gerando empolgação entre pilotos e torcedores.

Sediadora da rodada final da WHOOP UCI Mountain Bike World Series 2026, Lake Placid (Nova York, EUA) retorna ao calendário para sua segunda participação na série, com seus locais olímpicos. O evento do primeiro fim de semana de outubro será o confronto final para os atletas de XCO, XCC e DHI. A Copa do Mundo UCI para EDR chega ao fim com a sexta e última etapa em Morillon, Haute-Savoie (França), em meados de agosto.

 

Calendário da Série Mundial de Mountain Bike WHOOP UCI 2026

 

1-3 de maio – Corrida da Coreia do Sul – XCO, XCC, DHI

22-24 de maio – Nové Město Na Moravě (CZE) – XCO, XCC

28-31 de maio – Loudenvielle-Peyragudes (FRA) – DHI, EDR

11-14 de junho – Saalfelden-Leogang Salzburgerland (AUT) – XCO, XCC, DHI, EDR

19-21 de junho – Lenzerheide (SUI) – XCO, XCC, DHI

26-28 de junho – Val di Fassa-Trentino (ITA) – EDR

3-5 de julho – La Thuile-Valle d'Aosta (ITA) – XCO, XCC, DHI, EDR

10-12 de julho – Pal Arinsal (AND) – XCO, XCC, DHI

17-19 de julho – Aletsch Arena-Bellwald, Valais (SUI) – EDR

14-16 de agosto – Morillon, Haute-Savoie (FRA) – EDR

20-23 de agosto – Les Gets, Haute-Savoie (FRA) – XCO, XCC, DHI

19-20 de setembro – Soldier Hollow, Midway, Utah (EUA) – XCO, XCC

25-27 de setembro – Whistler Mountain Bike Park, Colúmbia Britânica (CAN) – DHI

2-4 de outubro – Locais Olímpicos de Lake Placid, Nova York (EUA) – XCO, XCC, DHI

Fonte: UCI

“Flávio Pacheco é o 11.º classificado no contrarrelógio que inaugurou a segunda Taça do Mundo de Paraciclismo”


Flávio Pacheco terminou na 11.ª posição, na categoria H4, o contrarrelógio individual da Taça do Mundo de Paraciclismo, que começou hoje em Gistel, na Bélgica. Esta foi a primeira prestação da Seleção Nacional na competição, que termina dia 1 de maio, sexta-feira.

A prova foi realizada num percurso de cerca de 20,4 quilómetros (duas voltas a um circuito de 10,2 quilómetros), marcado por um traçado muito plano e exposto ao vento, características que tendem a favorecer atletas mais corpulentos e com maior capacidade de produzir potência absoluta.

A medalha de ouro foi para o francês Joseph Fritsch, que concluiu o percurso em 28m27s, seguindo-se a prata para o austríaco Thomas Fruhwirth e o bronze ficou com o britânico Callum Russell. Flávio Pacheco gastou mais 05m01s do que o vencedor para concluir a prova.

Num contexto pouco favorável às características do atleta português, a estratégia passava por lutar por um lugar dentro do top-10. Flávio Pacheco esteve muito próximo desse objetivo, terminando à porta dos dez primeiros, num desempenho competitivo perante um pelotão internacional de elevado nível.


“Apesar do resultado ficar ligeiramente aquém da meta definida, a prestação revela consistência e capacidade de adaptação num percurso que não beneficiava o perfil de Flávio Pacheco, deixando indicações positivas para as restantes provas da competição”, referiu o Selecionador Nacional de Paraciclismo, Telmo Pinão.

“Destaco também a participação de Luís Xavier, na sua estreia em C5, e de Paulo Teixeira, em C3, que realizam amanhã os seus contrarrelógios. A nossa presença aqui teve também uma intenção estratégica clara: angariar o maior número de pontos possível para o ranking das nações, que é determinante no caminho para a qualificação paralímpica”, sublinhou o responsável técnico da Seleção Nacional de Paraciclismo.

 

Programa competitivo para os próximos dias (hora portuguesa):

 

CONTRARRELÓGIO INDIVIDUAL

 

Dia 29 de abril, quarta-feira, 14h00: Paulo Teixeira» 20,4 km (2 voltas)

Dia 29 de abril, quarta-feira, 14h00: Luís Xavier» 20,4 km (2 voltas)

 

PROVA DE FUNDO

 

Dia 30 de abril, quinta-feira, 15h00: Flávio Pacheco» 61,2 km (6 voltas)

Dia 1 de maio, sexta-feira, 13h45: Paulo Teixeira» 71,4 km (7 voltas)

Dia 1 de maio, sexta-feira, 16h15: Luís Xavier» 81,6 km (8 voltas)

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
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