Por: Miguel Marques
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Nairo Quintana voltou a deixar
a sua marca nas estradas do norte de Espanha ao selar um terceiro título
absoluto na Volta às Astúrias, uma corrida que se tornou palco de eleição para
exibir classe e resistência e que marcou o seu regresso às vitórias pela
primeira vez desde 2022.
Este triunfo não é apenas mais
um troféu no vasto palmarés, mas um testemunho da sua longevidade competitiva e
inteligência tática no pelotão profissional. No domingo, ao serviço da
Movistar, o trepador colombiano teve de dominar um final tenso, com ataques
incessantes da UAE desde cedo, desenhados para quebrar a resistência do
colombiano.
Ainda assim, Quintana mostrou
que a experiência é um escudo robusto contra a impaciência da nova geração,
gerindo ritmos e diferenças com a precisão de um veterano que conhece cada
centímetro do asfalto asturiano.
A etapa decisiva esteve longe
de ser um passeio para o homem de Boyacá. A agressividade dos rivais obrigou a
Movistar a manter mão firme na corrida, anulando qualquer movimento que pudesse
pôr em risco a camisola de líder.
Depois de cortar a meta e
confirmar o sucesso, alicerçado no triunfo da segunda etapa, Quintana deixou
claro que a batalha exigiu o máximo e que o desfecho resultou de um plano
executado na perfeição pelos seus companheiros.
Nairo
Quintana mandou como um campeão
O corredor sublinhou a
complexidade tática do dia, explicando que “foi espetacular. Trabalhámos bem
como equipa, controlámos bem e sabíamos que a UAE vinha com intenções”. Para lá
de mais um triunfo individual, o líder da formação navarra mostrou o lado generoso
ao tentar orientar os jovens da equipa.
Quintana abraçou o papel de
mentor sem perder o instinto competitivo: “Quis reconhecer o trabalho da
equipa, o que o Diego Pescador tinha feito, e quis dar-lhe uma mão para chegar
ao pódio. A coisa baralhou-se um pouco no final, mas mantivemos o controlo e
depois conseguimos pô-lo no pódio também”.
Esta foi a primeira vitória de
Quintana desde a Volta aos Alpes Marítimos 2022, antes da suspensão por
tramadol e do regresso à Movistar em 2024. Esta é a última temporada de
Quintana no pelotão, como anunciou na Volta a Catalunha, e está a fechar a carreira
em alta.
Um dos pilares desta última
etapa foi Pelayo Sánchez, que resgatou uma ‘Vueltina’ discreta nas rampas de El
Padrún. O asturiano, a correr em casa, foi peça-chave a neutralizar as
ofensivas rivais e a abrir caminho ao pódio para o seu líder.
Quintana não poupou elogios ao
esforço do corredor local, que iniciou aqui a época, valorizando em especial o
renascimento pessoal após uma série de problemas físicos nos últimos meses.
Mudança
geracional com Diego Pescador?
Para o colombiano, ver um
colega brilhar depois da adversidade é tão gratificante como a vitória na
geral. Nesse sentido, o vencedor da corrida asturiana assinalou que “a verdade
é que ele vinha de lesões, de uma fase má, e ver como correu hoje, o trabalho
que fez, vinha motivado nas estradas de casa, e para nós foi brilhante como
equi
Esta coesão e o sacrifício
coletivo foram as bases sobre as quais Quintana construiu a sua autoridade
nesta edição, prova de que o ciclismo continua a ser um desporto de confiança
absoluta.
Este triunfo no Principado
carrega também um adeus emocional. Com 17 temporadas no topo do ciclismo
mundial, Nairo Quintana sabe que algumas das suas presenças em certas corridas
começam a ser as últimas da carreira profissional.
O Condor
despede-se
Como o percurso da próxima
Volta a Espanha não visitará as Astúrias, esta edição da Volta às Astúrias foi
a sua última grande data com uma das massas adeptas mais apaixonadas e fiéis do
mundo. Fiel à sua humildade, o colombiano aproveitou os holofotes para deixar
uma mensagem de profunda gratidão aos fãs que gritaram o seu nome em cada
subida.
A sua ligação a esta terra vai
além do desporto, como expressou após a corrida: “Vou continuar a pedalar por
aqui, vou continuar a vir com amigos. Não sei se voltaremos a correr aqui, mas
o meu imenso obrigado por todo o carinho que nos deram, por todo o apoio, por
virem para a estrada, por me incentivarem sempre. É um lugar que levarei sempre
no coração”.
Quintana sai das Astúrias com
a camisola de vencedor e a satisfação de ter honrado a profissão, agradecendo
até aos meios de comunicação pelo papel na ligação ao público: “Obrigado a
todos, imensamente, também à televisão, que faz um trabalho especial de
transmitir tudo o que nós ciclistas fazemos para emocionar as pessoas, para
emocionar todos os adeptos”.

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