sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

“Clube de Ciclismo de Tavira revela nova designação para 2026”


Por: Ivan Silva

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A temporada de 2026 marcará um momento determinante na história da formação algarvia. A equipa passa a competir oficialmente com a designação Team Tavira / Crédito Agrícola, numa mudança que simboliza não apenas um novo ciclo institucional, mas também um reforço estratégico para enfrentar os desafios crescentes do ciclismo moderno. A anterior designação, que ao longo dos últimos anos esteve associada a diferentes patrocinadores e projetos regionais, dá agora lugar a um naming que pretende consolidar estabilidade e visão a médio prazo.

Esta nova identidade reforça a ligação entre o emblema de Tavira e o grupo bancário português Crédito Agrícola, que assume um papel central no financiamento e desenvolvimento da estrutura. Num contexto cada vez mais competitivo no escalão Continental, onde as exigências logísticas, técnicas e desportivas aumentam temporada após temporada, a entrada de um parceiro sólido representa um passo essencial para garantir sustentabilidade.

 

Tavira respira ciclismo

 

Fundado em 1979, o Clube de Ciclismo de Tavira é uma das estruturas mais antigas em atividade contínua no pelotão português. Ao longo de mais de quatro décadas, a equipa construiu uma identidade própria, profundamente enraizada na região do Algarve, mas com ambições que sempre ultrapassaram fronteiras locais. A presença habitual nas principais provas do calendário nacional tornou-se uma imagem de marca da formação, assim como a capacidade de revelar e desenvolver talento.

Ao longo da sua história, o projeto de Tavira foi palco de afirmação para diversos ciclistas que encontraram na estrutura algarvia a plataforma ideal para crescer. Num pelotão nacional muitas vezes condicionado por limitações orçamentais, a equipa destacou-se como um verdadeiro viveiro, apostando na formação e na consolidação técnica dos seus corredores. Essa vocação formadora continuará a ser um dos pilares estratégicos na nova fase que se inicia.

Com o naming Team Tavira / Crédito Agrícola, a estrutura procura mais do que uma simples mudança estética. O objetivo passa por assegurar maior robustez financeira, permitindo uma preparação mais estruturada ao longo da temporada, melhor planeamento competitivo e condições logísticas ajustadas às exigências atuais. No ciclismo contemporâneo, onde a evolução tecnológica, a análise de dados e o acompanhamento científico são determinantes, a estabilidade orçamental é um fator crítico.

O apoio do Crédito Agrícola surge assim como uma base essencial para reforçar competitividade. A capacidade de recrutar ciclistas com ambição, investir em equipamento de qualidade e estruturar calendários de competição equilibrados será determinante para que a equipa possa disputar vitórias nas provas nacionais e marcar presença consistente em eventos internacionais do panorama ibérico.

A nova fase mantém, contudo, a matriz identitária que sempre caracterizou a formação algarvia. Tavira continua a ser o epicentro do projeto, preservando a ligação ao território e à comunidade local. Essa relação próxima com a região constitui um elemento diferenciador no pelotão português, onde a identidade geográfica desempenha frequentemente um papel relevante na mobilização de apoios e na construção de imagem.

"Daqui a 10 anos não há gente que queira ser ciclista, nem há ciclistas" Portugal caminha para o abismo”


Por: Ivan Silva

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O ciclismo português atravessa um momento de reflexão profunda. Três jovens ciclistas anunciaram recentemente a retirada da modalidade, justificando a decisão com a falta de condições e com um cenário que consideram pouco favorável à continuidade de uma carreira profissional.

As palavras que deixaram, marcadas por frustração e desencanto, não surgem isoladas. Pelo contrário, encaixam num padrão que se tem vindo a acentuar nos últimos anos: nas últimas cinco épocas, 30 corredores com menos de 25 anos abandonaram as equipas continentais portuguesas.

O pelotão nacional, tradicionalmente reconhecido pela sua capacidade de resistência e pela paixão que move os seus protagonistas, tem-se transformado, nas palavras de muitos intervenientes, num verdadeiro ‘cemitério’ de jovens carreiras.

 

Ferreira, Gonçalves e Sousa

 

Hélder Gonçalves, José Sousa e António Ferreira são apenas os exemplos mais recentes de um fenómeno que levanta sérias interrogações sobre o modelo atual. Todos decidiram desistir do sonho profissional, invocando falta de condições, desmotivação e ausência de perspectivas de evolução.

A tendência não é nova, mas tornou-se particularmente visível no final da temporada passada. Hélder Gonçalves, de 25 anos, e José Sousa, de 26, anunciaram com poucos dias de diferença o fim das respetivas carreiras. As publicações que partilharam revelaram desilusão com o rumo do ciclismo português e expuseram um mal-estar que já circulava nos bastidores do pelotão.

Semanas depois, foi a vez de António Ferreira, também de 25 anos, pendurar a bicicleta. O seu abandono acentuou a percepção de que o problema não se trata de casos isolados, mas de um padrão que se repete e que compromete a renovação geracional.

Os números são elucidativos. Nas últimas cinco épocas, três dezenas de ciclistas com menos de 25 anos abandonaram as equipas continentais portuguesas. Alguns deixaram definitivamente o ciclismo, optando por seguir outras carreiras profissionais. Outros mantiveram-se ligados à modalidade, mas em formações amadoras, afastando-se do circuito profissional. Em qualquer dos casos, o resultado é o mesmo: o pelotão perde juventude, perde talento e perde potencial de desenvolvimento.

Em declarações à agência Lusa, o agora engenheiro de software não escondeu a tristeza perante esta realidade. Considerou lamentável que corredores “com muita qualidade e jovens que supostamente deveriam estar agora a atingir a maturidade máxima no desporto” tenham decidido acabar a carreira.

“Neste momento, a única coisa que devemos fazer é perceber porque é que os atletas novos desistiram. Há alguns casos que foi mesmo por saturação máxima, mas sei que há atletas, meus colegas, que tinham todo o prazer e gostavam de continuar, mas é impensável. As equipas que estiveram envolvidas nesses processos deviam perceber o que é que deveriam melhorar, se deveriam ter dado mais ou menos condições, o que aconteceu”, defendeu.

As palavras apontam para uma necessidade urgente de introspeção. A decisão de abandonar uma modalidade tão exigente como o ciclismo raramente é tomada de forma leviana. Exige ponderação, implica abdicar de anos de sacrifício e de investimento pessoal, e representa, muitas vezes, o fim de um projeto de vida iniciado na adolescência.

 

Anos de sacrifício para quê?

 

Também ouvido pela Lusa, José Sousa deixou críticas claras à estrutura do ciclismo nacional. Para o antigo ciclista, não basta apontar responsabilidades individuais, é preciso uma análise abrangente que envolva equipas, federação e organizadores.

“Isto também é um mal que não é de agora e que se vai resolver daqui a um ou dois anos. Isto foram erros, na minha opinião, que foram cometidos, que nos trouxeram onde estamos agora”, afirmou. A sua leitura é de que o problema resulta de decisões acumuladas ao longo do tempo, que fragilizaram a base formativa e reduziram as oportunidades para os mais jovens.

José Sousa foi ainda mais direto ao abordar a aposta na juventude. Na sua perspetiva, neste momento, essa aposta é “zero”. E deixou um aviso que soa a alerta estratégico: dentro de 10 anos, “não há gente que queira ser ciclista, nem há ciclistas, nem há matéria-prima para trabalhar”.

O antigo corredor recordou o seu percurso e a evolução das provas de formação para ilustrar a mudança de paradigma. “Em 2018, quando subi a profissional, ainda como sub-23 no Miranda-Mortágua, a Volta a Portugal do Futuro tinha uma dimensão que tem agora, se calhar, uma corrida normal de profissionais. Morreu um bocadinho a Volta a Portugal do Futuro e, depois, […] muitos diretores fazem as equipas [sub-23] para encher os bolsos e não é para formar os miúdos”, denunciou.

As declarações deixam transparecer a percepção de que o ciclismo de formação perdeu protagonismo e qualidade competitiva. Se as provas destinadas a sub-23 deixam de representar um verdadeiro laboratório de desenvolvimento, a transição para o escalão profissional torna-se mais abrupta e menos sustentada.

 

Cândido Barbosa admite precariedade

 

A Federação Portuguesa de Ciclismo acompanha com preocupação esta realidade. Em declarações à Lusa, o presidente Cândido Barbosa admitiu estar “efetivamente” inquieto com “alguma precariedade” na modalidade, “desde logo na formação”.

“Não têm ‘nascido’ novos atletas. Temos a pirâmide demasiado alta, porque temos campeões da Europa, campeões do Mundo e campeões olímpicos, e não temos uma base sustentável”, avaliou o dirigente. A imagem da pirâmide demasiado alta é esclarecedora: o topo apresenta resultados de excelência, mas a base não acompanha o mesmo ritmo de crescimento.

Cândido Barbosa reconheceu ainda que o ciclismo português precisa de se “atualizar”, embora tenha sublinhado que o país está a “exportar ciclistas” para “o mais alto nível como nunca esteve”. Este contraste, entre sucesso internacional e fragilidade interna, evidencia uma dualidade difícil de gerir.

Sobre a vaga de retiradas precoces, o presidente da federação considerou que o fenómeno poderá ter também “a ver um pouco com a geração”. Ainda assim, deixou uma crítica estrutural: “O ciclismo português não está de todo a acompanhar o que é a evolução do ciclismo lá fora. Por isso é que estamos a fazer um trabalho na base”.

O desafio, portanto, não é apenas reter talentos, mas modernizar processos, criar condições de estabilidade e garantir percursos progressivos que permitam aos jovens ciclistas acreditar que vale a pena insistir. O ciclismo é uma modalidade de maturação tardia, onde muitos atletas atingem o pico competitivo depois dos 25 ou 26 anos. Quando jovens abandonam antes dessa fase, o sistema perde investimento e reduz o seu próprio potencial de sucesso futuro.

 

Um alerta que já tem anos

 

A síntese do que aconteceu é clara: três jovens ciclistas decidiram abandonar a modalidade por falta de condições e por desmotivação perante um modelo que consideram pouco sustentável. O que está em causa, porém, vai muito além de casos individuais. Trata-se de um sinal de alerta sobre a formação, o apoio estrutural e a capacidade do ciclismo português em acompanhar a evolução internacional.

Se a aposta na juventude continuar a ser percecionada como “zero”, o risco é real: a médio prazo, o pelotão poderá enfrentar uma escassez de talentos formados internamente. E quando a base enfraquece, todo o edifício competitivo fica ameaçado. O momento exige autocrítica, planeamento e ação concreta. Caso contrário, o ‘cemitério’ de jovens carreiras poderá continuar a crescer, silenciosamente, temporada após temporada.

“Resultados Volta a Múrcia 1ª etapa - Marc Soler vence isolado após a UAE dominar o caos dos ventos laterais”


Por: Ivan Silva

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O vento soprou com enorme força hoje na Volta à Região de Múrcia e uma etapa com apenas pequenas ascensões desfez por completo o pelotão, revelando-se decisiva para a classificação geral. Marc Soler venceu a etapa e assumiu a liderança depois de a UAE Team Emirates - XRG ter controlado com mestria o caos em corrida.

A etapa em Múrcia esteve em risco devido aos ventos fortíssimos que varriam o traçado previsto. Foram retirados cerca de 100 quilómetros e a etapa avançou, mas com apenas 83 quilómetros em disputa. Porém, a curta distância não impediu o impacto.

O arranque ondulado e em ligeira subida viu ataques fortes desde o quilómetro zero e, com os cortes provocados pelos abanicos, os mais fortes ficaram na dianteira. Com pouco mais de 10 quilómetros percorridos, a Movistar tinha três homens na fuga com Raul García Pierna, Jefferson Alveiro Cepeda e Juan Pedro López, acompanhados pelos UAE Marc Soler e Julius Johansen; Quinten Hermans, Héctor Alvaréz, Luca Paletti e Kamil Gradek. Pouco depois, Tim Wellens atacou a partir do pelotão e conseguiu fazer a ponte para o grupo da frente.

O grupo de 10 construiu vantagem sobre um pelotão onde a perseguição nunca se organizou na perfeição, devido às mudanças de direção e a um vento que não cedia. Ainda assim, houve corredores que quase não colaboraram na cabeça, perante a superioridade numérica de UAE e Movistar, e a UAE acabou por atacar com Soler e Johansen, que assumiram o comando da corrida. As médias foram altíssimas e o duo manteve a diferença enquanto o pelotão se partia em abanicos.

Soler teve carta branca para vencer, após Johansen assumir a maior fatia do trabalho, e, na última colina antes de Yecla, o espanhol arrancou para conquistar a etapa, a oitava da equipa nesta temporada, apesar de Tadej Pogacar e Isaac del Toro ainda não terem iniciado os seus calendários. Johansen resistiu para o segundo lugar, enquanto Tom Pidcock foi terceiro, abrindo diferença na subida final, onde a Bahrain Victorious tinha colocado vários homens até então.

“Resultados Tour de la Provence 1ª etapa - Van Rysel Roubaix assina vitória de deixar a boca aberta, com Arnaud Tendon a impor-se após fuga de cortar a respiração”


Por: Ivan Silva

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A equipa francesa Van Rysel Roubaix tem sido muito ativa nas primeiras corridas do calendário gaulês, mas hoje acertou em cheio. Em 2025 não somara qualquer vitória e, esta sexta-feira, na Volta da Provença, voou para o triunfo com Arnaud Tendon, que venceu a etapa após uma fuga que resistiu por um triz ao pelotão.

A etapa inaugural partiu de Marselha, com pequenas subidas logo de início. Eram 163 quilómetros a percorrer e a fuga do dia formou-se com cinco homens: Arnaud Tendon, Jonas Walton, Mattia Bais, Bailey McDonald e David Zanutta. A INEOS Grenadiers e a Lidl-Trek assumiram a maior fatia do trabalho atrás, e uma escapada que à partida não parecia ameaçadora começou a provocar suores frios no pelotão.

A chuva complicou a perseguição e, com algumas descidas no percurso, não foi possível montar uma caçada perfeita. A 18 quilómetros da meta, Tendon e Bais mantiveram um ritmo altíssimo na dianteira e os outros três, em momentos distintos, já não conseguiram aguentar-se na cabeça de corrida. Sob chuva torrencial, o duo entrou no último quilómetro ainda na frente, com o pelotão em cima.

Restavam apenas 2 segundos, mas bastaram. Arnaud Tendon foi o mais forte dos dois sobreviventes na frente e conquistou uma vitória de etapa emotiva. Bais foi segundo, enquanto atrás Luke Lamperti sprintou para o terceiro lugar.

“Três dicas sobre o consumo de proteína no dia-a-dia do triatleta”


Por: Joana Santos Romão (CP: 4894N)*

No triatlo, onde coexistem endurance, força e elevado volume de treino, a proteína desempenha um papel fundamental na recuperação, adaptação muscular e prevenção de lesões. Apesar disso, muitos triatletas continuam a ingerir proteína em quantidades insuficientes ou mal distribuídas ao longo do dia.

A primeira dica é garantir uma ingestão diária adequada. A evidência científica indica que triatletas beneficiam de ingestões superiores à população geral, situando-se geralmente entre 1,4 e 2,0 g de proteína por kg de peso corporal por dia. Em fases de maior carga de treino, défice energético ou perda de peso, estas necessidades podem ser ainda mais elevadas. Uma ingestão insuficiente compromete a recuperação, aumenta o risco de perda de massa muscular e reduz a tolerância ao treino.

A segunda dica é distribuir a proteína ao longo do dia. Consumir grandes quantidades apenas numa refeição não é a estratégia mais eficaz. A síntese proteica muscular é otimizada quando a proteína é ingerida de forma regular, idealmente a cada 3–4 horas, com doses moderadas em cada refeição. Pequenos-almoços pobres em proteína ou longos períodos sem ingestão são erros comuns que limitam a adaptação ao treino.

A terceira dica passa por privilegiar fontes de alta qualidade. Proteínas completas, ricas em aminoácidos essenciais e leucina — como ovos, peixe, carne magra, laticínios ou combinações vegetais bem estruturadas — são particularmente eficazes na recuperação muscular. Suplementos proteicos podem ser úteis pela praticidade, mas não substituem uma alimentação equilibrada. No triatlo, a proteína deve ser encarada como um suporte diário consistente e não apenas como algo “pós-treino”.

– Founder of ROMÃO sports nutrition*

– Performance nutritionist*

Fonte: Federação Triatlo Portugal

“José Sousa diz adeus ao pelotão aos 26 anos: o retrato de um ciclismo em crise”


Por: José Morais

O ciclismo nacional perde mais um rosto jovem. Aos 26 anos, José Sousa decidiu colocar um ponto final numa carreira profissional que prometia mais tempo e outras conquistas, mas que acabou travada por um conjunto de fatores estruturais, financeiros e emocionais que, segundo o próprio, tornaram impossível continuar.

Depois de oito temporadas no pelotão, o ciclista optou por “encostar a bicicleta” no final de uma época marcada por problemas de saúde e por um calendário competitivo limitado, que lhe retirou margem de negociação para renovar contrato. A decisão, amadurecida ao longo de 2024, foi tornada pública a 29 de novembro, através das redes sociais, num texto onde já se percebia uma rutura profunda com a modalidade.

 

Instabilidade como regra

 

A precariedade dos contratos foi um dos pontos centrais na decisão. No ciclismo português, os vínculos anuais continuam a ser a norma, dificultando qualquer planeamento de vida fora da estrada. Com novas responsabilidades pessoais casamento, casa e contas fixas, Sousa sentiu que a modalidade já não lhe oferecia a mínima segurança financeira.

A situação agravou-se após uma época discreta, que o deixou dependente de propostas consideradas pouco dignas para um atleta profissional. Sem poder negocial e perante salários baixos, a saída acabou por ser encarada como a única solução para não ficar “parado” à espera de uma oportunidade que podia nunca surgir.

 

Relação desgastada com as equipas

 

Integrado na Anicolor-Tien21, o corredor sentiu que o seu crescimento competitivo entre 2023 e 2024 não teve o reconhecimento esperado. A exclusão de provas-chave, como a Volta a Portugal, teve um impacto psicológico determinante e alterou de forma irreversível a forma como passou a olhar para o ciclismo.

Antes disso, havia construído o percurso na Miranda-Mortágua, em 2018, e passado cinco épocas na Oliveirense, onde consolidou a sua presença no pelotão nacional. Entre os principais resultados, ficam a medalha de bronze na prova de fundo sub-23 dos Nacionais de 2020 e a vitória numa etapa do Grande Prémio Douro Internacional, em 2023.

 

Um ciclismo que perdeu brilho

 

Para além da experiência pessoal, Sousa deixa críticas mais amplas ao estado do ciclismo em Portugal. Na sua visão, a modalidade perdeu carisma, competitividade e capacidade de renovação. Dirigentes, organizadores e estruturas mantêm-se praticamente inalterados há anos, criando um ambiente pouco propício à inovação.

Essa estagnação reflete-se também no desinteresse dos próprios ciclistas em participar ativamente na resolução de problemas coletivos. Enquanto representante da equipa na Associação de Ciclistas, Sousa recorda reuniões com fraca adesão e pouca vontade de discutir temas como segurança em corrida ou pagamento de prémios.

 

Pressão externa e concorrência desigual

 

Outro fator apontado é a crescente entrada de ciclistas estrangeiros, muitos deles com passagem pelo World Tour, que aceitam competir em Portugal por valores residuais ou apenas em troca de material. Esta realidade cria uma concorrência difícil para os corredores nacionais, que veem as equipas optar por soluções mais baratas, mesmo que isso implique desvalorizar talento local.

Num mercado já frágil, pedir o salário mínimo praticado na modalidade torna-se, muitas vezes, inviável face a atletas dispostos a correr apenas pela oportunidade de relançar a carreira.

 

O futuro fora da bicicleta

 

Apesar da saída precoce, José Sousa não corta laços com o ciclismo. Assume sentir saudades da competição, mas garante não estar arrependido. Mantém-se ligado à modalidade através do trabalho como massagista na NSN, do World Tour e integra também o projeto InGamba, dedicado a experiências de ciclismo de luxo.

Visto de fora, acredita ter tomado a melhor decisão possível. Financeira, emocional e psicologicamente, entende que continuar a competir nas atuais condições seria insustentável. A sua história acaba por ser mais do que um caso individual: é um sinal de alerta sobre a dificuldade crescente em ser ciclista profissional em Portugal mesmo quando o talento e a vontade ainda existem.

“Dorsal número um para João Almeida na Volta ao Algarve e assume estatuto de principal favorito”


Por: José Morais

A Volta ao Algarve volta a reunir parte da elite do ciclismo mundial entre 18 e 22 de fevereiro, e fá-lo com um português no centro das atenções. João Almeida envergará o dorsal número 1, sinal claro do estatuto que lhe é reconhecido no pelotão internacional e da ambição de conquistar pela primeira vez a corrida algarvia.

O corredor da UAE Team Emirates chega motivado depois do segundo lugar em 2025, apenas batido pelo então dominante Jonas Vingegaard, este ano ausente da prova. Sem o dinamarquês, Almeida surge como uma das grandes referências de uma lista de pré-inscritos que confirma um Algarve de luxo e altamente competitivo.

Entre os principais rivais destaca-se Juan Ayuso, um dos talentos mais promissores do ciclismo mundial e colega de equipa de João Almeida na formação dos Emirados. A presença de ambos eleva o nível da luta pela geral e promete uma disputa intensa, sobretudo nos terrenos que tradicionalmente decidem a corrida.

O percurso volta a ser exigente e equilibrado, com três momentos-chave a poderem definir o vencedor: as chegadas em alto à Fóia e ao Malhão, decisivas para os trepadores; e o contrarrelógio individual, onde os candidatos à geral terão de mostrar solidez e capacidade contra o relógio.

Para além dos favoritos à vitória final, a Volta ao Algarve contará com vários nomes de relevo. O jovem Paul Seixas, uma das revelações da última temporada, é uma aposta forte da Decathlon AG2R La Mondiale. Já a INEOS Grenadiers apresenta um bloco de grande qualidade, com destaque para Filippo Ganna, referência mundial no contrarrelógio e potencial protagonista nas etapas planas e no esforço individual.

A Red Bull–BORA–hansgrohe não traz Remco Evenepoel, mas aposta em alternativas sólidas como Florian Lipowitz e Daniel Martínez, ambos com capacidade para discutir a classificação geral. Já a EF Education–EasyPost confia na experiência e combatividade de Richard Carapaz, vencedor do Giro e presença habitual nos grandes duelos em montanha.

Com um elenco internacional de alto nível, um percurso seletivo e um português a liderar as expectativas, a Volta ao Algarve volta a afirmar-se como uma das corridas mais prestigiadas do início da época europeia e um palco ideal para João Almeida tentar escrever, finalmente, o seu nome na lista de vencedores.

“Primeira corrida do ano, primeiro grande desafio de 2026: Figueira Champions Classic”


A edição deste ano da Figueira Champions Classic disputa-se já a 14 de fevereiro, sábado, na Figueira da Foz, afirmando-se, na sua 4.ª edição, como a clássica de um dia mais icónica em Portugal. Integra o circuito UCI Pro Series, na categoria 1. Pro, atraindo algumas das equipas e corredores mais competitivos do pelotão internacional.

O tiro de partida será dado junto à Torre do Relógio, na Avenida 25 de Abril, na Figueira da Foz, às 11h45. Antes do regresso ao mesmo ponto para a meta, o circuito final inclui uma contagem de 1.ª categoria na exigente ascensão da Rua do Parque Florestal (2,1 km), logo seguida da subida de Enforca Cães (0,9 km, 2.ª categoria). O pelotão enfrentará este duplo encadeado de montanha por três vezes, num desenho de corrida que promete ataques, cortes e decisões ao ritmo do vento vindo do mar.

No total, a edição de 2026 da Figueira Champions Classic apresenta 192,7 km e 2.120 metros de desnível positivo, um terreno que mistura longos troços rápidos com zonas técnicas e um final explosivo para quem chegar ainda com forças.

Estarão presentes 24 equipas, cada uma com 7 corredores, perfazendo um pelotão de 168 ciclistas alinhados à partida, prontos para transformar a marginal da Figueira da Foz num painel de cor, velocidade e nervosismo pré-primavera.

A Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua apresenta o seguinte alinhamento: Bruno Silva, Gonçalo Carvalho, Leangel Linarez, Rafael Barbas, Lois de Jesus e duas estreias absolutas no pelotão profissional, ambos com apenas 18 anos: Diego Lopez e Simão Lucas. Uma oportunidade de aprendizagem, de crescimento e de sentir o impacto real da alta competição.

 

Declarações de Xavier Silva, manager da equipa: 

“Os objetivos são os de sempre numa corrida como esta: mostrar as cores da equipa, fazer com que saibam que estamos na competição e deixar o nosso nome nas conversas do pelotão. Queremos que os nossos corredores, sobretudo os mais jovens, saiam desta prova com mais confiança, mais experiência e a sensação de que podem enfrentar qualquer ritmo.”

A prova terá transmissão em direto nos seguintes canais: Eurosport 2, a partir das 15h00; Sport TV 5, a partir das 14h30. Acompanhem a Tavfer - Ovos Matinados- Mortágua neste dia de competição.

Fonte: Equipa Ciclismo Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua

“Pelotão de luxo na 52.ª Volta ao Algarve”


A 52.ª Volta ao Algarve, que decorre entre 18 e 22 de fevereiro, voltará a contar com um pelotão de luxo, que confirma o estatuto da prova como uma das mais prestigiadas do calendário Pro Series. Com 24 equipas confirmadas, o pelotão será liderado por 12 formações World Tour, que vão trazer até às estradas algarvias alguns dos melhores ciclistas do Mundo.

A lista de participantes provisória vem confirmar alguns dos nomes mais antecipados. Desde logo, o quarteto português da UAE Team Emirates- XRG. A melhor equipa do Mundo em 2025 apresenta-se no Algarve com João Almeida, um dos principais candidatos à vitória geral depois do segundo lugar de 2025, época em que brilhou, tendo também sido segundo na Vuelta. Estão também confirmados os gémeos Ivo e Rui Oliveira e o jovem António Morgado.

Um dos momentos mais aguardados será a estreia de Juan Ayuso. O espanhol irá estrear-se pela Lidl-Trek, naquele que será também o seu primeiro confronto com a antiga equipa. Terá a companhia de Derek Gee- West, quarto classificado do último Giro d’Italia e uma das principais contratações entre as equipas do World Tour.


A confirmação chega igualmente para Paul Seixas, uma das maiores promessas do ciclismo mundial, que irá competir pela primeira vez em Portugal, país onde tem raízes. A novidade na Decathlon CMA CGM Team prende-se com a confirmação de Matthew Riccitello, quinto classificado da última Vuelta que não corre no Algarve desde 2021.

A INEOS Grenadiers apresenta-se no Algarve em grande força. Além de Filippo Ganna, segundo classificado em 2023 e presença assídua desde então, a formação britânica irá contar com os dois principais reforços para a nova temporada: Oscar Onley e Kévin Vauquelin. Nota ainda para o regresso de Thymen Arensman depois de um ano em que festejou duas vitórias no Tour de France.

No caso da Red Bull-BORA-hansgrohe, Florian Lipowitz é o nome a destacar. O alemão de 25 anos vai estrear-se na prova algarvia depois de uma época em que foi terceiro no Tour de France. Terá a companhia de nomes como Daniel Martínez, que venceu a edição de 2023 e fez pódio sempre que esteve presente na Algarvia, Jan Tratnik, terceiro em 2024, ou Jordi Meeus, vencedor de uma etapa em 2025.

A lista conta ainda com estrelas como Richard Carapaz (EF Education - EasyPost) – o antigo vencedor do Giro d’Italia só competiu no Algarve em 2017 – e o bicampeão do Mundo Julian Alaphilippe (Tudor Pro Cycling Team). Paul Magnier (Soudal Quick-Step), segundo ciclista com mais vitórias em 2025 também vai estar presente, tal como os jovens Arnaud De Lie e Jarno Widar (Lotto-Intermarché).

Apesar de não constar na lista provisória de inscritos – os nomes podem e devem sofrer alterações até à partida -, há um último nome que merece destaque. A Alpecin-Premier Tech confirmou esta quarta-feira que Jasper Philipsen irá estar na partida da 52.ª Volta ao Algarve. Será o regresso de um dos melhores sprinters do Mundo à prova algarvia, onde só competiu em 2019.

 

Equipas Participantes

 

World Teams:

Alpecin-Premier Tech (Bélgica), Decathlon CMA CGM Team (França), EF Education-EasyPost (EUA), Ineos Grenadiers (Grã-Bretanha), Lidl-Trek (Alemanha), Lotto Intermarché (Bélgica), NSN Cycling Team (Suíça), Red Bull-Bora-hansgrohe (Alemanha), Soudal Quick-Step (Bélgica), Team Jayco AlUla (Austrália), Team Picnic PostNL (Países Baixos) e UAE Team Emirates XRG (Emirados Árabes Unidos)

 

Pro Teams:

Caja Rural-Seguros RGA (Espanha), Pinarello-Q36.5 Pro Cycling Team (Suíça) e Tudor Pro Cycling Team (Suíça)

Equipas Continentais: Anicolor/Campicarn (Portugal), Aviludo-Louletano- Loulé (Portugal), Credibom/LA Alumínios/Marcos Car (Portugal), Efapel Cycling (Portugal), Feira dos Sofás-Boavista (Portugal), Feirense Beeceler (Portugal), Gi Group Holding Simoldes-UDO (Portugal), Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua (Portugal) e Team Tavira (Portugal)

 

Etapas

18/02 | Vila Real de Santo António – Tavira | 183,5 km | 12h00-16h27 19/02 | Portimão – Alto da Fóia | 147,2 km | 12h45-16h25

20/02 | Vilamoura – Vilamoura (CRI) | 19,5 km | 13h05 (provisório) 21/02 | Albufeira – Lagos | 175,1 km | 11h00-15h20

22/02 | Faro – Alto do Malhão | 148,4 km | 12h05-15h42

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
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