sábado, 14 de fevereiro de 2026

“Tenho de voltar a encontrar esse entusiasmo pela Volta a França” Lider da Q36.5 já tem o seu pensamento em julho”


Por: Ivan Silva

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Tom Pidcock já correu a Volta a França em três ocasiões, a mais recente em 2024, marcada por um conflito interno com a INEOS Grenadiers. Nunca atingiu a melhor forma e acabou por abandonar prematuramente. É uma corrida da qual não guarda muitas boas memórias, mas espera reencontrar o nível de quando venceu no Alpe d’Huez em 2022.

“A mudança para esta equipa foi algo enorme para mim. Fisicamente, tenho o que tenho. Isso não muda, mas a forma de o tirar de dentro de nós – o novo nível de motivação, a nova confiança nas pessoas à minha volta, mas também a confiança que elas têm em mim – é muito poderosa”, disse Pidcock ao The Observer. O britânico, desde que saiu da INEOS, recuperou a melhor motivação e forma.

2025 foi talvez o melhor ano da sua carreira, falando apenas de estrada, com pódios na Strade Bianche, Flèche Wallonne e Giro dell’Emilia; várias vitórias ao longo da época, incluindo em corridas por etapas; e até a estreia no pódio de uma Grande Volta, na Volta a Espanha, onde finalmente provou ser capaz de gerir três semanas, terminando no topo mesmo com apoio bastante modesto da Pinarello Q36.5 Pro Cycling Team.

Os seus resultados foram o principal motor na recolha de pontos UCI da equipa, que garantiu à formação suíça convites para todas as corridas World Tour este ano. A Volta a França está no calendário e é um grande objetivo para o britânico.

“Preciso de redescobrir esse entusiasmo pela Volta. Há uma pressão e expectativas enormes de fora, mas também internas, das equipas. Na nossa equipa, acho que será diferente. O meu principal objetivo é ir lá para me divertir e desfrutar, e penso que isso trará sucesso”, descreve. “Obviamente, vamos ter de treinar até não poder mais”.

 

Sem limite definido para até onde Pidcock pode chegar

 

Pidcock tem, claro, um passado misto na Volta. Venceu em 2022 quando teve liberdade; mas a edição de 2023 foi marcada por uma tentativa de geral que não resultou; e em 2024 queria simultaneamente um papel livre e a liderança para a geral, algo que lhe foi negado. Embora a equipa britânica já não tivesse capacidade para lutar pelos primeiros lugares, Pidcock nunca teve o apoio desejado. A sua preparação, frequentemente a misturar BTT com estrada, também foi muitas vezes vista como pouco ideal para uma corrida de três semanas.

Assim, apesar do terceiro lugar na Vuelta no último verão, evitou falar de um objetivo concreto ou de uma posição específica, para já. “Vamos estar na melhor forma possível. Mas acho que, se conseguirmos ir e aproveitar o stress da Volta, isso ajudará a mudar a minha mentalidade para o que deve ser. Estou confiante de que a minha equipa me pode colocar num bom patamar em termos de forma física”, acrescenta. “E mentalmente, diria que sou muito forte, para ser honesto. E a pressão não me afeta muito”.

A Volta é um animal diferente quando comparada com a Vuelta e, embora neste momento não sinta o melhor em relação a ela, há cinco meses para que isso aconteça. Pidcock passou três semanas em altitude no Chile em janeiro, um arranque de época pouco habitual. Inicia hoje a sua temporada na Volta à Região de Múrcia “Costa Cálida”.

“A maior corrida do mundo (a Volta, nd.r.). É a corrida que me inspirou quando era jovem. Provavelmente inspira milhões de outras crianças, mas para correr, não é a mais agradável. Esperemos que possamos mudar isso. Antes, não estava ao nível de lutar por um pódio. Quando estás apenas a lutar para ficar no top 10, custa-me encontrar motivação para isso e ter de batalhar três semanas. É esgotante.”

Assim, o seu regresso à Volta a França será uma incógnita, a descobrir ao longo da corrida. “Não sei onde está o teto, enquanto antes andava a bater no teto há alguns anos. Agora estamos a explorar, a ver o que podemos fazer de diferente, como podemos melhorar. Estamos a explorar novos limites e não temos medo de falhar.”

“Perdemo-lo mesmo enquanto pessoa” - Pai de Remco Evenepoel sobre as dificuldades que a queda de 2024 lhe trouxe”


Por: Miguel Marques

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Remco Evenepoel é um dos talentos mais proeminentes desta geração e a sua carreira foi profundamente moldada pelo período na Soudal - Quick-Step. O seu pai, Patrick Evenepoel, falou sobre os motivos da saída, as novas dinâmicas e as dificuldades que se seguiram à queda de dezembro de 2024.

“Tivemos de aprender, sem dúvida. No início talvez quisesse interferir demasiado. Mas o que é que esperavam? O Remco tinha dezanove anos quando passou a profissional. E eu próprio tinha estado dentro desse ambiente do ciclismo. Sabia como era preciso ser forte para se aguentar ali”, declarou Evenepoel sénior em entrevista ao Het Nieuwsblad.

Foi uma ascensão ao mundo do ciclismo que redefiniu o que parecia possível e abriu a tendência de promover diretamente juniores ao pelotão de elite no ciclismo moderno. Um salto delicado, não só pelo exigente fator físico.

“Sobretudo no passado era muito fácil ser ludibriado, havia tanta gente em quem não se podia confiar. Hoje isso melhorou, sem dúvida. Mas, como pais, assumimos automaticamente esse papel de proteção”, explica. “Não queremos que o nosso filho se magoe. Agora sei que isso já não é necessário. Que o Remco é suficientemente forte e sabe muito bem o que quer. Mas foi uma evolução”.

“Não somos os únicos. Muitas vezes mando uma mensagem ao Adrie van der Poel (pai de Mathieu van der Poel). É igual para ele. Na fase inicial com o Mathieu esteve muito mais envolvido. Se hoje lhe dá um conselho, a reação é logo ‘o que é que tu sabes disso?’. Eles fazem o seu próprio plano”.

O início de Evenepoel na Red Bull - BORA - Hansgrohe tem sido impressionante, vencendo praticamente tudo o que podia - o CRI por equipas, o Trofeo Serra de Tramuntana e o Trofeo Andratx no Challenge Mallorca; além do contrarrelógio, etapa rainha e classificação geral na Volta à Comunidade Valenciana. Forte apoio da equipa e um inverno ideal colocaram-no a abrir a época em grande forma.

“É diferente. Na Soudal Quick-Step conhecíamos toda a gente. Se o Remco precisava de algo do armazém, íamos lá num instante. Ao chegar a uma corrida, íamos para o autocarro, cumprimentávamos todos. Isso acabou. Há mais distância. Literal e figurativamente. Mas talvez seja melhor?”

“Pode dizer-se assim. Antes talvez estivéssemos demasiado em cima. Ou éramos bons demais amigos de algumas pessoas. Agora há outros que tratam mais dele”, justifica Patrick. “Quando falo com o Remco já quase nunca é sobre o lado desportivo. Como vai o treino? Como foi a corrida? No passado eu fazia essas perguntas. Hoje sei que não sou o seu preparador nem treinador. Há outras pessoas para isso. Não me perguntem nada sobre o programa dele. Leio nos jornais como toda a gente”.

 

Saída da Quick-Step e queda de dezembro de 2024

 

Na Soudal - Quick-Step o ambiente era familiar, mas podia ter-se tornado rotina e deixado de ser a melhor opção para evoluir. “Nada contra a Quick-Step. Continuo a dizer o que sempre disse: ele teve lá sete anos magníficos. Mas, para melhorar, o Remco sentiu que precisava de um novo passo”.

“Gosto de comparar com o Kompany e o Lukaku no Anderlecht. O coração deles estará sempre no Anderlecht. Mas também saíram para dar um passo na carreira. É o mesmo com o Remco e a Quick-Step. Um ar novo, um novo ambiente, nova motivação, isso faz-lhe bem”.

Nas transmissões vê-se um Evenepoel motivado, sem problemas recentes de lesões ou doenças. “Que ele ganhe com facilidade tão cedo no ano não me surpreende. Na Soudal Quick-Step era igual. Quando fazia um bom inverno, aparecia logo. Como neo-pro já foi o melhor jovem em janeiro em San Juan. E há uns anos foi segundo na Volta à Comunidade Valenciana”.

“Só que agora é diferente. A última vez que vimos o Remco foi na véspera de Natal. Já me pareceu muito descontraído. Isso só se acentuou. Vejo-o na televisão, nas mensagens diárias, ou quando falo com ele. É como se lhe tivesse saído um peso de cima”.

Isto é especialmente significativo tendo em conta que, há 12 meses, Evenepoel estava num momento mental muito difícil após a queda de dezembro, da qual resultaram várias fraturas e um atraso considerável no arranque da época.

“Sabem no que pensei muitas vezes nas últimas semanas? Neste exato período há um ano e em como o Remco estava em baixo. Perdemo-lo mesmo como pessoa. Juntamente com a Oumi saiu desse vale. E ver como está feliz agora, como se sente bem, isso é muito mais importante do que as prestações. Para um pai, dá uma satisfação imensa. Nenhuma vitória se compara”.

“Marc Soler confirma triunfo da UAE numa Volta a Múrcia marcada pelo caos do vento”


Por: José Morais

A Marc Soler confirmou este sábado mais um triunfo para a UAE Team Emirates - XRG ao vencer a Volta a Múrcia, numa edição profundamente condicionada por condições meteorológicas extremas. A segunda e última etapa acabou neutralizada, com o pelotão a disputar apenas um curto-circuito urbano em Santomera, sem contagem de tempos, depois de rajadas violentas de vento terem tornado impossível a continuação da corrida em segurança.

Os sinais de alerta já tinham surgido na jornada inaugural. Inicialmente prevista para uma distância bem superior, a 1.ª etapa foi drasticamente reduzida para apenas 83 quilómetros. Ainda assim, o vento cruzado foi suficiente para provocar cortes sucessivos no pelotão e lançar o caos na corrida. A UAE soube ler o cenário melhor do que ninguém e aproveitou a confusão para impor a sua força coletiva, assinando uma dobradinha com Soler e Julius Johansen, que deixou a concorrência em clara dificuldade.

Entre os principais prejudicados esteve Tom Pidcock, que terminou a etapa a perseguir, sem conseguir anular a vantagem do duo da UAE. O britânico era apontado como um dos grandes candidatos a atacar na chamada “etapa rainha”, que incluía duas subidas decisivas e prometia mexer com a classificação geral. No entanto, o cenário acabou por ser bem diferente do esperado.

Antes mesmo de chegarem às dificuldades montanhosas, os corredores foram surpreendidos por rajadas tão fortes que vários acabaram literalmente empurrados para fora da estrada. Um vídeo captado a partir do carro da Unibet Rose Rockets mostrou imagens impressionantes: ciclistas parados na berma, com bicicletas atravessadas, lutando apenas para se manterem de pé perante a força do vento.

Perante a situação, a organização não teve alternativa senão agir. Numa comunicação oficial, anunciou: “Devido aos fortes ventos e sendo impossível continuar em segurança, o pelotão deslocar-se-á para Santomera para percorrer um circuito urbano neutralizado de 10 quilómetros. Os tempos não serão registados, mas as camisolas serão atribuídas”. Mais tarde, acabou por se esclarecer que nem sequer haveria vencedor de etapa, com os corredores a completarem apenas uma volta ao circuito, atrás do carro do diretor de corrida.

Com esta decisão, Marc Soler confirmou matematicamente a vitória na classificação geral, num triunfo que espelha não só a sua boa forma, mas também a capacidade da UAE em controlar situações-limite e adaptar-se ao imprevisto.

O vento tem sido, aliás, o grande protagonista negativo do calendário ciclístico nos últimos dias. A corrida feminina Setmana Ciclista Valenciana foi mesmo cancelada, enquanto a Figueira Champions Classic viu o seu percurso ser alterado, não só devido ao vento, mas também às consequências da chuva intensa que se fez sentir em Portugal nas últimas semanas.

Entretanto, noutro ponto da Europa, o ciclismo prepara-se para enfrentar um desafio bem diferente. Apesar de se realizar conforme previsto, o Tour de la Provence poderá terminar com um cenário invernal, sendo esperado que os corredores cheguem à meta com neve na Station de Lure, numa demonstração clara de como a meteorologia está a marcar, de forma decisiva, o início da temporada.

“Resultados 2ª etapa do Tour de la Provence 2026: Matthew Riccitello vence a etapa rainha na Station de Lure à frente do regressado Carlos Rodríguez”


Por: Miguel Marques

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Matthew Riccitello começou da melhor forma a sua passagem pela Decathlon CMA CGM Team e, esta tarde, venceu a 2ª etapa do Tour de la Provence. Na etapa rainha, a INEOS Grenadiers assumiu o controlo, mas a formação francesa acabou por ter o corredor mais forte do dia.

A etapa decorreu como previsto, apesar do frio intenso na Station de Lure, uma ascensão de 13,7 quilómetros a 6,4% coberta de neve. A estrada foi limpa de manhã, permitindo a passagem do pelotão.

Após a partida em Forcalquier, formou-se uma fuga de seis com Diego Pablo Sevilla, Declan Irvine, Mathis Le Berre, Gustav Wang, Baptiste Gillet e Esteban Foucher. O pelotão controlou sem grandes dificuldades e anulou-a a 12 quilómetros da meta, ao início da subida final. A INEOS Grenadiers assumiu a dianteira do grupo e lançou todo o arsenal para impor um ritmo demolidor.

Dorian Godon, Axel Laurance e Andrew August trabalharam de forma significativa e, quando Brandon Rivera acelerou, só poucos conseguiram seguir, a fazer lembrar o antigo “comboio Sky”. Carlos Rodríguez desferiu então o ataque esperado a 3,3 quilómetros do fim. Inicialmente saiu isolado, mas Matthew Riccitello conseguiu fechar o espaço pouco depois. O norte-americano não colaborou e, com a desaceleração, os seus colegas Brandon Rivera e Aurélien Paret-Peintre começaram, respetivamente, a aproximar-se.

Contudo, Rodríguez manteve-se na dianteira e não permitiu a junção. Riccitello lançou o sprint primeiro e, no final muito técnico, foi o corredor da Decathlon CMA CGM a impor-se a Rodríguez, com Rivera a fechar em terceiro. Há que destacar este resultado do espanhol, que, apesar de não ter ganho, dá excelentes indicações depois de largos meses sem competir (desde o abandono no Tour 2025). Riccitello segue para a última etapa na liderança da geral, com o triunfo final bem encaminhado.

“António Morgado reina na Figueira da Foz e escreve nova página dourada do ciclismo nacional”


Por: José Morais

A Figueira Champions Classic voltou a sorrir a Portugal. Num final eletrizante, empurrado pelo vento atlântico e pelo entusiasmo de milhares de adeptos, António Morgado confirmou o estatuto de homem do momento e conquistou, pelo segundo ano consecutivo, a clássica da Figueira da Foz, batendo o espanhol Alex Aranburu num sprint a dois carregado de tensão.

O triunfo reforçou um dia perfeito para a UAE Team Emirates - XRG, que já tinha celebrado horas antes com Marc Soler a vitória na geral da Volta a Múrcia. Uma dobradinha que sublinha o domínio da formação dos Emirados neste início de temporada.

 

Vento, ataques e um circuito impiedoso

 

A corrida começou com uma fuga tipicamente portuguesa combativa e destemida protagonizada por Rafael Reis, Pedro Pinto, Diogo Narciso, Diogo Pinto e Daniel Viegas. Mas o verdadeiro espetáculo estava guardado para o circuito final: três voltas duríssimas, duas subidas por volta e rajadas de vento que partiram o pelotão em mil pedaços.

Os ataques sucederam-se, primeiro na frente e depois desde o grupo principal, num jogo de xadrez em alta velocidade. A seleção decisiva aconteceu já na última volta, quando um grupo de elite se destacou na subida mais exigente do traçado. Morgado, atento e frio, respondeu sempre presente.

 

Duelo ibérico para a história

 

A cerca de seis quilómetros da meta, Aranburu lançou o primeiro golpe. Morgado respondeu pouco depois, no ponto mais inclinado, isolando-se com o basco. Os dois entenderam-se na frente, mas o português assumiu a maior parte do trabalho, consciente de que o título se decidiria ao milímetro.

No sprint final, Aranburu arrancou primeiro. Morgado, empurrado pela multidão, resistiu, acreditou e voltou a acelerar nos últimos metros, cruzando a meta em apoteose e revalidando o título de forma épica. Pau Martí completou o pódio, enquanto Tomás Contte foi o melhor português do pelotão nacional, em 25.º lugar.

 

Um sinal claro para 2026

 

Com apenas 21 anos, António Morgado não só confirma o seu enorme potencial como deixa um aviso claro ao pelotão internacional: a Figueira da Foz já tem dono e o futuro do ciclismo português passa, cada vez mais, pelas suas pernas.

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
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