Por: José Morais
A Marc Soler confirmou este
sábado mais um triunfo para a UAE Team Emirates - XRG ao vencer a Volta a
Múrcia, numa edição profundamente condicionada por condições meteorológicas
extremas. A segunda e última etapa acabou neutralizada, com o pelotão a
disputar apenas um curto-circuito urbano em Santomera, sem contagem de tempos,
depois de rajadas violentas de vento terem tornado impossível a continuação da
corrida em segurança.
Os sinais de alerta já tinham
surgido na jornada inaugural. Inicialmente prevista para uma distância bem
superior, a 1.ª etapa foi drasticamente reduzida para apenas 83 quilómetros.
Ainda assim, o vento cruzado foi suficiente para provocar cortes sucessivos no
pelotão e lançar o caos na corrida. A UAE soube ler o cenário melhor do que
ninguém e aproveitou a confusão para impor a sua força coletiva, assinando uma
dobradinha com Soler e Julius Johansen, que deixou a concorrência em clara
dificuldade.
Entre os principais
prejudicados esteve Tom Pidcock, que terminou a etapa a perseguir, sem
conseguir anular a vantagem do duo da UAE. O britânico era apontado como um dos
grandes candidatos a atacar na chamada “etapa rainha”, que incluía duas subidas
decisivas e prometia mexer com a classificação geral. No entanto, o cenário
acabou por ser bem diferente do esperado.
Antes mesmo de chegarem às
dificuldades montanhosas, os corredores foram surpreendidos por rajadas tão
fortes que vários acabaram literalmente empurrados para fora da estrada. Um
vídeo captado a partir do carro da Unibet Rose Rockets mostrou imagens impressionantes:
ciclistas parados na berma, com bicicletas atravessadas, lutando apenas para se
manterem de pé perante a força do vento.
Perante a situação, a
organização não teve alternativa senão agir. Numa comunicação oficial,
anunciou: “Devido aos fortes ventos e sendo impossível continuar em segurança,
o pelotão deslocar-se-á para Santomera para percorrer um circuito urbano
neutralizado de 10 quilómetros. Os tempos não serão registados, mas as
camisolas serão atribuídas”. Mais tarde, acabou por se esclarecer que nem
sequer haveria vencedor de etapa, com os corredores a completarem apenas uma
volta ao circuito, atrás do carro do diretor de corrida.
Com esta decisão, Marc Soler
confirmou matematicamente a vitória na classificação geral, num triunfo que
espelha não só a sua boa forma, mas também a capacidade da UAE em controlar
situações-limite e adaptar-se ao imprevisto.
O vento tem sido, aliás, o
grande protagonista negativo do calendário ciclístico nos últimos dias. A
corrida feminina Setmana Ciclista Valenciana foi mesmo cancelada, enquanto a
Figueira Champions Classic viu o seu percurso ser alterado, não só devido ao
vento, mas também às consequências da chuva intensa que se fez sentir em
Portugal nas últimas semanas.
Entretanto, noutro ponto da
Europa, o ciclismo prepara-se para enfrentar um desafio bem diferente. Apesar
de se realizar conforme previsto, o Tour de la Provence poderá terminar com um
cenário invernal, sendo esperado que os corredores cheguem à meta com neve na
Station de Lure, numa demonstração clara de como a meteorologia está a marcar,
de forma decisiva, o início da temporada.

Sem comentários:
Enviar um comentário