Por: José Morais
A Figueira Champions Classic
voltou a sorrir a Portugal. Num final eletrizante, empurrado pelo vento
atlântico e pelo entusiasmo de milhares de adeptos, António Morgado confirmou o
estatuto de homem do momento e conquistou, pelo segundo ano consecutivo, a
clássica da Figueira da Foz, batendo o espanhol Alex Aranburu num sprint a dois
carregado de tensão.
O triunfo reforçou um dia
perfeito para a UAE Team Emirates - XRG, que já tinha celebrado horas antes com
Marc Soler a vitória na geral da Volta a Múrcia. Uma dobradinha que sublinha o
domínio da formação dos Emirados neste início de temporada.
Vento,
ataques e um circuito impiedoso
A corrida começou com uma fuga
tipicamente portuguesa combativa e destemida protagonizada por Rafael Reis,
Pedro Pinto, Diogo Narciso, Diogo Pinto e Daniel Viegas. Mas o verdadeiro
espetáculo estava guardado para o circuito final: três voltas duríssimas, duas
subidas por volta e rajadas de vento que partiram o pelotão em mil pedaços.
Os ataques sucederam-se,
primeiro na frente e depois desde o grupo principal, num jogo de xadrez em alta
velocidade. A seleção decisiva aconteceu já na última volta, quando um grupo de
elite se destacou na subida mais exigente do traçado. Morgado, atento e frio,
respondeu sempre presente.
Duelo
ibérico para a história
A cerca de seis quilómetros da
meta, Aranburu lançou o primeiro golpe. Morgado respondeu pouco depois, no
ponto mais inclinado, isolando-se com o basco. Os dois entenderam-se na frente,
mas o português assumiu a maior parte do trabalho, consciente de que o título
se decidiria ao milímetro.
No sprint final, Aranburu
arrancou primeiro. Morgado, empurrado pela multidão, resistiu, acreditou e
voltou a acelerar nos últimos metros, cruzando a meta em apoteose e revalidando
o título de forma épica. Pau Martí completou o pódio, enquanto Tomás Contte foi
o melhor português do pelotão nacional, em 25.º lugar.
Um sinal
claro para 2026
Com apenas 21 anos, António
Morgado não só confirma o seu enorme potencial como deixa um aviso claro ao
pelotão internacional: a Figueira da Foz já tem dono e o futuro do ciclismo
português passa, cada vez mais, pelas suas pernas.

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