Por: Miguel Marques
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Remco Evenepoel é um dos
talentos mais proeminentes desta geração e a sua carreira foi profundamente
moldada pelo período na Soudal - Quick-Step. O seu pai, Patrick Evenepoel,
falou sobre os motivos da saída, as novas dinâmicas e as dificuldades que se seguiram
à queda de dezembro de 2024.
“Tivemos de aprender, sem
dúvida. No início talvez quisesse interferir demasiado. Mas o que é que
esperavam? O Remco tinha dezanove anos quando passou a profissional. E eu
próprio tinha estado dentro desse ambiente do ciclismo. Sabia como era preciso
ser forte para se aguentar ali”, declarou Evenepoel sénior em entrevista ao Het
Nieuwsblad.
Foi uma ascensão ao mundo do
ciclismo que redefiniu o que parecia possível e abriu a tendência de promover
diretamente juniores ao pelotão de elite no ciclismo moderno. Um salto
delicado, não só pelo exigente fator físico.
“Sobretudo no passado era
muito fácil ser ludibriado, havia tanta gente em quem não se podia confiar.
Hoje isso melhorou, sem dúvida. Mas, como pais, assumimos automaticamente esse
papel de proteção”, explica. “Não queremos que o nosso filho se magoe. Agora
sei que isso já não é necessário. Que o Remco é suficientemente forte e sabe
muito bem o que quer. Mas foi uma evolução”.
“Não somos os únicos. Muitas
vezes mando uma mensagem ao Adrie van der Poel (pai de Mathieu van der Poel). É
igual para ele. Na fase inicial com o Mathieu esteve muito mais envolvido. Se
hoje lhe dá um conselho, a reação é logo ‘o que é que tu sabes disso?’. Eles
fazem o seu próprio plano”.
O início de Evenepoel na Red
Bull - BORA - Hansgrohe tem sido impressionante, vencendo praticamente tudo o
que podia - o CRI por equipas, o Trofeo Serra de Tramuntana e o Trofeo Andratx
no Challenge Mallorca; além do contrarrelógio, etapa rainha e classificação
geral na Volta à Comunidade Valenciana. Forte apoio da equipa e um inverno
ideal colocaram-no a abrir a época em grande forma.
“É diferente. Na Soudal
Quick-Step conhecíamos toda a gente. Se o Remco precisava de algo do armazém,
íamos lá num instante. Ao chegar a uma corrida, íamos para o autocarro,
cumprimentávamos todos. Isso acabou. Há mais distância. Literal e
figurativamente. Mas talvez seja melhor?”
“Pode dizer-se assim. Antes
talvez estivéssemos demasiado em cima. Ou éramos bons demais amigos de algumas
pessoas. Agora há outros que tratam mais dele”, justifica Patrick. “Quando falo
com o Remco já quase nunca é sobre o lado desportivo. Como vai o treino? Como
foi a corrida? No passado eu fazia essas perguntas. Hoje sei que não sou o seu
preparador nem treinador. Há outras pessoas para isso. Não me perguntem nada
sobre o programa dele. Leio nos jornais como toda a gente”.
Saída da
Quick-Step e queda de dezembro de 2024
Na Soudal - Quick-Step o
ambiente era familiar, mas podia ter-se tornado rotina e deixado de ser a
melhor opção para evoluir. “Nada contra a Quick-Step. Continuo a dizer o que
sempre disse: ele teve lá sete anos magníficos. Mas, para melhorar, o Remco sentiu
que precisava de um novo passo”.
“Gosto de comparar com o
Kompany e o Lukaku no Anderlecht. O coração deles estará sempre no Anderlecht.
Mas também saíram para dar um passo na carreira. É o mesmo com o Remco e a
Quick-Step. Um ar novo, um novo ambiente, nova motivação, isso faz-lhe bem”.
Nas transmissões vê-se um
Evenepoel motivado, sem problemas recentes de lesões ou doenças. “Que ele ganhe
com facilidade tão cedo no ano não me surpreende. Na Soudal Quick-Step era
igual. Quando fazia um bom inverno, aparecia logo. Como neo-pro já foi o melhor
jovem em janeiro em San Juan. E há uns anos foi segundo na Volta à Comunidade
Valenciana”.
“Só que agora é diferente. A
última vez que vimos o Remco foi na véspera de Natal. Já me pareceu muito
descontraído. Isso só se acentuou. Vejo-o na televisão, nas mensagens diárias,
ou quando falo com ele. É como se lhe tivesse saído um peso de cima”.
Isto é especialmente
significativo tendo em conta que, há 12 meses, Evenepoel estava num momento
mental muito difícil após a queda de dezembro, da qual resultaram várias
fraturas e um atraso considerável no arranque da época.
“Sabem no que pensei muitas
vezes nas últimas semanas? Neste exato período há um ano e em como o Remco
estava em baixo. Perdemo-lo mesmo como pessoa. Juntamente com a Oumi saiu desse
vale. E ver como está feliz agora, como se sente bem, isso é muito mais
importante do que as prestações. Para um pai, dá uma satisfação imensa. Nenhuma
vitória se compara”.

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