Por: José Morais
Aos 19 anos, recém-chegada ao
Movistar Team e ao exigente universo do World Tour, Paula Ostiz representa uma
nova geração de ciclistas que preferem construir o futuro com calma, longe da
ansiedade que tantas vezes consome talentos precoces. A navarra fala devagar,
pensa antes de responder e parece ter decidido que o ritmo da sua carreira não
será imposto pelo barulho exterior.
Uma
promessa que não quer saltar etapas
Paula Ostiz chega ao mais alto
nível depois de um 2025 brilhante, mas mantém os pés firmes no chão. “Ainda sou
muito jovem”, repete como quem estabelece um pacto consigo mesma. A mudança
para o World Tour trouxe velocidade, exigência e ciclistas que não perdoam um
metro, mas ela não se deixa engolir pela urgência.
Aprender absorver cada detalhe
das corridas.
Ajudar cumprir ordens,
trabalhar para a equipa.
Crescer sem atalhos, sem
pressa.
São os três verbos que ela
repete como um mantra para sobreviver num pelotão que muda de ritmo e de regras
quando se entra na elite.
A
adaptação invisível
O salto não é apenas físico. É
cultural, linguístico, logístico. Ostiz admite que o inglês ainda é um
obstáculo, mas nada que não se resolva com tempo. As espanholas da equipa
funcionam como porto seguro. “Estou feliz, e isso é o que importa”, resume.
A elite onde “todos
andam”
Acostumada a vencer nas
categorias jovens, Paula Ostiz percebeu rapidamente que o World Tour é outro
planeta. “Há muito nível, toda a gente anda”, diz com uma simplicidade que
revela maturidade. Aqui, talento não basta é preciso cabeça, paciência e
coragem.
Quando lhe perguntam que tipo
de ciclista é, ela sorri:
“Ainda é cedo para
saber.”
Não quer rótulos. Não quer
atalhos. Quer descobrir-se.
Objetivos
no horizonte
O Mundial e o europeu estão no
radar, mas a prioridade é clara: a equipa. “É assim que se ganha espaço numa
equipa grande”, afirma. Sem barulho, sem promessas vazias.
Uma
geração que começa a explodir
Paula Ostiz observa o ciclismo
feminino espanhol com entusiasmo: “Estão a aparecer ciclistas muito boas.”
Entre elas, Paula Blasi, nome que desperta expectativas. Paula Ostiz elogia,
mas pede calma:
“Paula Blasi tem um potencial
incrível, mas não precisa de pressão. Quando estás tranquila, as coisas
acontecem.”
Ciclismo
em tempos de calor extremo
Sobre o debate dos limites
físicos em ondas de calor, Ostiz não dramatiza: “Temos de nos adaptar.”
Simples, direta, sem certezas absolutas outra virtude rara.
E quando o tema é Pogacar, não
há rodeios:
“Hoje, Tadej Pogacar é
imbatível.”
A jovem
que sabe onde quer chegar
Paula Ostiz fala pouco, mas
diz muito. Não quer ser empurrada para a frente antes do tempo. Não quer ser
definida por outros. Não quer prometer o que ainda está a aprender. E talvez
seja exatamente isso que a torna tão interessante: uma ciclista de 19 anos que
ainda não sabe quem será…, mas sabe perfeitamente como quer chegar lá.






