Por: José Morais
Tadej Pogacar enfrentou uma
das jornadas mais duras deste Tour de France não por causa das montanhas, mas
devido ao calor sufocante que voltou a castigar a França, com temperaturas a
rondar os 40 graus. O esloveno, que partiu para a etapa como líder, acabou por
perder a camisola amarela depois de uma tirada marcada pela resistência ao
clima e pela estratégia das equipas rivais.
Um Tour
disputado dentro de um forno
A onda de calor que atravessa
o país tem transformado cada etapa numa batalha adicional. O pelotão rola
durante as horas de maior exposição solar, e a tirada desta terça-feira, ainda
nos Pirenéus, tornou-se um teste físico extremo.
Logo ao quilómetro zero,
Pogacar percebeu que o dia seria diferente:
“Comecei com uma dor de cabeça
forte. Pensei que ia ser um dia muito complicado”, admitiu após a chegada.
A equipa UAE tentou minimizar
os efeitos do calor com banhos constantes de água fria, passando bidões entre
corredores e despejando-os uns sobre os outros para manter a temperatura
corporal controlada.
Estratégia,
desgaste e uma fuga decisiva
Com o calor a ditar ritmos
mais contidos, a etapa ficou marcada pela estratégia das equipas que apostaram
na fuga. A Lidl-Trek, especialmente agressiva, colocou três ciclistas na
frente, obrigando o pelotão a gerir esforços.
Pogacar reconheceu que a UAE
optou por controlar, sem entrar em esforços desnecessários:
“Sabíamos que, se a Trek
colocasse homens na frente, a fuga podia decidir a etapa. Mantivemos a calma e
tentámos não gastar energia.”
A estratégia permitiu ao
esloveno terminar sem grandes quebras, mas não foi suficiente para segurar a
liderança geral, que mudou de dono ao final da quarta etapa.
O Tour
mais quente dos últimos anos?
Com previsões de temperaturas
ainda mais elevadas nos próximos dias, cresce a preocupação sobre o impacto do
calor extremo no rendimento dos ciclistas e na segurança das etapas. O Tour
está a transformar-se numa prova de resistência não apenas física, mas também
climática.




