Por: José Morais
O Tour de França viveu uma
quarta‑feira abrasadora no clima e na
estrada marcada por uma fuga colossal, uma vitória esmagadora de Mads Pedersen
e uma mudança dramática na liderança geral, agora nas mãos de Torstein Træen.
Calor
sufocante, ritmo explosivo
Carcassonne despertou com 38
graus, e o pelotão mal teve tempo de respirar antes de mergulhar numa etapa que
prometia fogo desde o quilómetro zero. Movistar e Caja Rural, unidas pelo
vermelho de San Fermín, deram o toque folclórico antes da guerra real começar.
Os ataques surgiram de
imediato, secos e violentos, até que uma fuga monumental de 34 ciclistas
finalmente se consolidou. Entre eles, nomes de peso como Mads Pedersen, Biniam
Girmay, Michael Matthews e Kévin Vauquelin. Espanha também marcou presença com
força: Castrillo, García Pierna, Oliveira, Molenaar e Nicolau.
Com Pogacar de amarelo e
Vingegaard vigilante, mas passivos, a vantagem disparou até aos sete minutos.
No sprint intermédio, Girmay e Philipsen somaram pontos enquanto Pedersen
reforçava a sua ambição pela camisola verde.
A fuga
deixa de ser amizade
No Col de Coudons, a harmonia
evaporou. Tratnik e Vacek apertaram o ritmo, e cada ciclista passou a medir
forças individualmente. Movistar tentou incendiar a corrida com sucessivos
ataques de Oliveira, Castrillo e García Pierna.
Em Montségur, Castrillo voltou
a atacar, acompanhado por Frigo e García Pierna. Foi aí que Torstein Træen
entrou no jogo, farejando a possibilidade real de vestir o amarelo virtual.
Mads Pedersen,
sempre protegido por Simmons e Vacek, mantinha-se como uma sombra ameaçadora:
se chegasse à frente, o triunfo seria inevitável.
O trem da
Lidl‑Trek não
descarrila
A 24 km da meta, restavam dez
sobreviventes na fuga. Simmons e Vacek continuavam a trabalhar como locomotivas
para Mads Pedersen, enquanto Træen mantinha o olhar fixo na liderança geral.
A 15 km do fim, Foix ainda se
escondia, mas a história já estava escrita nas pernas: Mads Pedersen era o mais
forte. No caos final, o dinamarquês esperou o instante perfeito e lançou um
ataque seco, incontestável, que lhe garantiu uma vitória brilhante três anos
depois do seu último triunfo no Tour.
Atrás dele, Castrillo e Frigo
tentaram quebrar o domínio da Lidl‑Trek,
mas a equipa americana manteve um controlo frio e impecável. Raúl García
Pierna, gigante na reta final, conquistou um valioso terceiro lugar.
Um Tour a
ferver e não só pelo calor
A etapa prometia surpresas e
cumpriu: vitória esmagadora, fuga histórica e mudança na liderança geral. O
Tour está quente, muito quente e não apenas por causa dos termómetros.

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