Por: José Morais
O espanhol Juan Ayuso
consolidou esta sexta-feira a liderança na Volta ao Algarve, ao terminar na
segunda posição o contrarrelógio individual da terceira etapa, disputado em
Vilamoura, num percurso de 19,5 quilómetros. O corredor da Lidl-Trek apenas foi
superado pelo especialista italiano Filippo Ganna (Ineos Grenadiers),
considerado um dos melhores do mundo na disciplina.
Com este resultado, Ayuso
ganhou 37 segundos ao português João Almeida (UAE Emirates), que concluiu o
exercício individual no 10.º lugar e manteve a terceira posição da
classificação geral, agora a 44 segundos do camisola amarela. Na segunda
posição segue o jovem francês Paul Seixas (Decathlon AG2R), a apenas sete
segundos da liderança, deixando tudo em aberto para as etapas decisivas.
“A UAE
vai tentar algo”
Apesar da vantagem confortável
sobre João Almeida, Ayuso não dá a corrida por decidida e antevê movimentações
da formação dos Emirados nas derradeiras dificuldades montanhosas.
“É uma diferença já
considerável e só resta um dia realmente duro, mas a UAE tem uma equipa muito
forte e de certeza que vão tentar algo. Não vão ficar sem tentar e temos de
estar atentos”, afirmou o espanhol no final da etapa.
O líder da geral espera
igualmente forte oposição de Paul Seixas na última tirada, que termina na
exigente subida ao Alto do Malhão, agendada para domingo. “Vendo como o Paul
esteve forte hoje e depois de ter vencido na Fóia, acredito que no último dia vai
colocar pressão. As diferenças são curtas e ainda há muito para jogar”,
sublinhou.
Derrota
“contra um dos melhores do mundo”
No que diz respeito ao
contrarrelógio, Ayuso mostrou-se satisfeito com o desempenho, apesar de ter
falhado a vitória por escassos cinco segundos para Ganna.
“A equipa foi-me dando
referências ao longo do percurso, sobretudo comparando com o tempo do meu
colega Jacob Söderqvist, que tinha feito um registo muito competitivo. Saber
quase ao quilómetro como estava a evoluir ajudou-me a gerir o esforço. Perder
por cinco segundos custa sempre, mas quando é contra um dos melhores do mundo,
não há drama”, comentou.
Questão
das camisolas gera exceção
O contrarrelógio de Vilamoura
ficou ainda marcado por uma situação particular: apenas o líder da
classificação da montanha, Tomas Contte (Aviludo), competiu com a respetiva
camisola azul. Ayuso não envergou a amarela, tal como Paul Seixas não utilizou
as cores distintivas das classificações da juventude e dos pontos.
O espanhol explicou que a
decisão resultou de um entendimento entre equipas, organização e União Ciclista
Internacional (UCI), permitindo que os líderes corressem com os seus fatos
específicos de contrarrelógio.
“As equipas investem muito
tempo e dinheiro no desenvolvimento destes fatos. Para garantir igualdade de
condições, foi-nos permitido utilizá-los. Agradeço ao organizador por
compreender que esta também é uma corrida de preparação e que é importante
testar material para os grandes objetivos da época”, concluiu Ayuso.
Com apenas uma etapa de
montanha pela frente, a Volta ao Algarve promete emoção até aos últimos metros,
com Ayuso na frente, mas sob ameaça de um ataque concertado da UAE e da
juventude irreverente de Seixas na decisiva rampa do Malhão.

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