Por: Ivan Silva
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
Pode visualizar este artigo
em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/nao-poder-terminar-a-carreira-como-queria-e-doloroso-antigo-ciclista-da-visma-continua-com-dificuldades-em-aceitar-o-fim-forcado-da-sua-carreira
A realidade da reforma ainda
está a assentar para Amund Jansen, com o antigo corredor da Team Visma | Lease
a Bike a admitir que a forma como a sua carreira terminou continua a pesar
semanas depois de se afastar da modalidade.
Numa publicação no Instagram
após competir na prova de ski alpino em Pierra Menta, o norueguês expôs o
impacto emocional de uma carreira que não chegou ao seu desfecho natural.
“Não poder retirar-me nos meus
próprios termos, mas por circunstâncias que não controlo, é muito doloroso”,
escreveu, em claro contraste com o tom descontraído da publicação que confirmou
a sua retirada no início deste ano.
Essa mensagem anterior,
acompanhada por imagens a esquiar na montanha, deixava antever um novo
capítulo. Agora, a realidade subjacente ganhou contornos mais nítidos.
Uma
carreira moldada pelo sacrifício, não pelos holofotes
A saída de Grondahl Jansen do
pelotão seguiu-se a uma fase final difícil, que já apontava para um futuro
incerto. Após o regresso a uma estrutura escandinava com a Uno-X Mobility para
a época de 2025, o seu tempo na equipa durou apenas um ano, sendo libertado no
final de outubro.
Embora não tenha havido de
imediato um anúncio de retirada, a ausência de novo contrato e a publicação
subsequente nas redes sociais confirmaram que a sua carreira profissional
chegara ao fim aos 31 anos.
Durante grande parte da
carreira, Grondahl Jansen trabalhou em prol dos outros. Depois de se estrear
como profissional na LottoNL-Jumbo, mais tarde Team Visma | Lease a Bike,
tornou-se uma peça de confiança numa das equipas mais estruturadas do pelotão, integrando
comboios de sprint e apoiando líderes como Primoz Roglic. Disputou várias
edições da Volta a França e contribuiu para a força coletiva que marcou a
ascensão da equipa.
As suas oportunidades próprias
foram menos frequentes, mas existiram. Em 2019, conquistou o título nacional
norueguês de fundo e, dias depois, venceu a terceira etapa do ZLM Tour. Esses
triunfos permanecem como momentos individuais marcantes numa carreira
construída na fiabilidade e no trabalho de equipa.
De um
final forçado a uma nova direção
Os capítulos finais, contudo,
foram tão moldados pelos contratempos como pelos resultados. A passagem pela
estrutura australiana que se tornou Team Jayco AlUla foi fortemente
condicionada por problemas de saúde recorrentes, incluindo questões na artéria femoral
que obrigaram a múltiplas operações e limitaram a continuidade em competição.
Essas circunstâncias acabaram
por conduzir a um desfecho que, como o próprio admite, não esteve nas suas
mãos.
“Não há dúvida de que esta
corrida, com o meu amigo Rusty Woods, foi o melhor psicólogo que poderia ter
encontrado”, acrescentou, ao refletir sobre a participação na Pierra Menta,
onde já começou a canalizar o seu instinto competitivo para uma nova disciplina.
“Agora é tempo de transitar para a vida após o desporto (profissional).”
É uma mudança que parece
avançar fisicamente, mas que, como sugerem as suas palavras, ainda está a ser
processada mentalmente. Para um corredor cuja carreira foi definida pela
dedicação aos objetivos coletivos e pela resiliência perante a adversidade, o mais
difícil não foi sair de cena, mas aceitar a forma como esse momento chegou.

Sem comentários:
Enviar um comentário