quinta-feira, 15 de outubro de 2026

“INEOS afunda em turbulência: Patrocinador pode sair e cresce a debandada de ciclistas”


Por: José Morais

A época que prometia marcar o renascimento da INEOS Grenadiers está a transformar-se numa das fases mais conturbadas da história recente da equipa britânica. Apesar da entrada da empresa dinamarquesa Netcompany como co-patrocinadora e do regresso de Dave Brailsford a um papel de maior influência, os resultados desportivos ficaram muito aquém das expectativas, desencadeando uma onda de incerteza que ameaça o futuro do projeto.

 

Saídas importantes agravam o cenário

 

A perda de Filippo Ganna para a Lidl-Trek tornou-se o símbolo de um mercado de transferências particularmente difícil para a formação britânica. O italiano decidiu abandonar a equipa antes do término do contrato, mas não é caso único. Andrew August, considerado uma das jovens promessas da estrutura, também seguiu outro caminho, enquanto Ben Turner e Sam Welsford optaram por abandonar um projeto que continua sem encontrar estabilidade.

Para compensar as baixas, a INEOS garantiu as chegadas de Clément Champoussin, Harold Tejada, James Shaw, Joseph Blackmore e Markel Beloki. No entanto, nenhum destes nomes surge como uma contratação capaz de mudar, por si só, o rumo competitivo da equipa.

 

Falta um líder para voltar ao topo

 

Oscar Onley apresenta-se como uma das figuras mais promissoras do plantel, mas continua sem oferecer garantias consistentes para liderar a equipa nas maiores corridas por etapas. A mesma dúvida paira sobre corredores como Thymen Arensman, Kévin Vauquelin ou Egan Bernal.

Grande parte da esperança deposita-se agora em Benjamin Noval, campeão mundial júnior, que dará o salto diretamente para o WorldTour na próxima temporada. Ainda assim, a evolução de um jovem talento nunca é uma certeza, aumentando as dúvidas sobre a capacidade competitiva da equipa a médio prazo.

 

O caso Seixas expõe as fragilidades do projeto

 

Segundo várias informações vindas dos bastidores do ciclismo internacional, a saída de Ganna poderá estar relacionada com a intenção da INEOS de libertar margem financeira para tentar contratar Paul Seixas no futuro.

Contudo, o jovem francês é atualmente apontado a vários projetos ambiciosos e não existe qualquer garantia de que veja a equipa britânica como o destino ideal para a sua carreira. A realidade é que a INEOS já não exerce a mesma atração que tinha nos tempos dominantes da Sky, quando era vista como o destino mais desejado do pelotão.

 

Influência de agentes e patrocinadores gera críticas

 

Outra questão que levanta preocupação internamente prende-se com a crescente influência de agentes e patrocinadores nas decisões desportivas. Algumas das recentes contratações estão ligadas ao empresário Giuseppe Acquadro, cujo relacionamento próximo com Dave Brailsford tem sido alvo de comentários no meio velocipédico.

Ao mesmo tempo, os patrocinadores procuram promover corredores de mercados estratégicos, nomeadamente França, Dinamarca e Colômbia, criando uma pressão adicional nas escolhas da equipa e limitando a liberdade do departamento desportivo.

 

TotalEnergies pondera abandonar a equipa

 

Os problemas não se limitam ao plano competitivo. De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, a TotalEnergies estará a avaliar a possibilidade de terminar o seu envolvimento com a equipa, o que representaria uma perda financeira superior a 10 milhões de euros.

A situação torna-se ainda mais delicada porque Jim Ratcliffe não demonstra intenção de aumentar o investimento pessoal na estrutura. Pelo contrário, o proprietário da INEOS procura reduzir gradualmente o esforço financeiro, obrigando a equipa a encontrar novas fontes de financiamento.

 

Ambiente interno gera crescente descontentamento

 

Nos bastidores, vários elementos da estrutura admitem que a chegada da Netcompany não provocou a transformação esperada. As críticas apontam para um modelo de gestão altamente centralizado em Dave Brailsford, onde existe pouca margem para debate ou contestação das decisões tomadas.

Mesmo a entrada de Geraint Thomas numa função de ligação entre direção e ciclistas ainda não produziu mudanças significativas, segundo fontes próximas da equipa.

 

Muitas vitórias, pouco impacto

 

Embora a INEOS tenha somado 36 vitórias ao longo da temporada, os triunfos de maior relevo foram escassos. Os melhores resultados em grandes voltas resumem-se ao quarto lugar de Thymen Arensman e ao sexto posto de Oscar Onley na Vuelta, números modestos para uma equipa habituada a lutar pelas maiores conquistas do ciclismo mundial.

A combinação de resultados abaixo das expectativas, dificuldades financeiras, possíveis perdas de patrocinadores e um crescente desconforto interno deixa a INEOS perante uma das maiores crises da sua história recente, sem que se vislumbre, para já, uma solução capaz de inverter o rumo dos acontecimentos.

“Tour arrisca apagar o brilho de Paris: Montmartre pode desaparecer da edição de 2027”


Por: José Morais

A possibilidade de o Tour de França eliminar a subida de Montmartre na última etapa de 2027 está a gerar forte controvérsia entre adeptos e especialistas. Depois de transformar a chegada a Paris num dos momentos mais emocionantes das últimas edições, o circuito que atravessa as icónicas ruas da capital francesa poderá dar lugar ao regresso de um sprint tradicional nos Campos Elísios.

Segundo informações avançadas pela imprensa francesa, o percurso oficial do Tour de 2027, que será revelado nos próximos dias, poderá excluir a Côte de la Butte Montmartre. Caso se confirme, a decisão representará uma mudança significativa numa fórmula que devolveu espetáculo, imprevisibilidade e agressividade competitiva à derradeira etapa da mais prestigiada corrida do ciclismo mundial.

Desde a sua introdução, inspirada pelo sucesso alcançado nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, a subida de Montmartre alterou por completo a dinâmica da chegada à capital. Os seus 1,1 quilómetros de extensão, combinados com setores empedrados e uma descida técnica, abriram espaço para ataques de clássicos, homens da classificação geral e sprinters resistentes, transformando aquilo que durante décadas foi uma simples celebração protocolar numa verdadeira batalha pela vitória.

As edições de 2025 e 2026 comprovaram o sucesso da aposta. Primeiro foi Wout van Aert a surpreender Tadej Pogačar e a conquistar uma vitória memorável. Um ano depois, Mathieu van der Poel repetiu a receita ao resistir ao regresso dos velocistas após um duelo emocionante com o campeão esloveno. Em ambos os casos, a etapa final tornou-se um dos pontos altos da corrida.

No entanto, a discussão em torno da classificação geral parece estar no centro da polémica. A ASO pretendia que a luta pelos lugares da geral permanecesse viva até ao último dia, mas os ciclistas têm defendido a neutralização dos tempos antes das passagens por Montmartre. Em 2025, as condições meteorológicas justificaram a decisão. Já em 2026, sem chuva e sem circunstâncias extraordinárias, a classificação voltou a ser congelada, situação que gerou críticas de quem considera que uma Grande Volta deve ser disputada até ao último quilómetro.

Caso Montmartre seja removido, os dois últimos dias da prova poderão favorecer os velocistas, significando que a luta pela camisola amarela ficaria, na prática, decidida após a 19.ª etapa.

Contudo, o cenário está longe de ser definitivo. Horas depois de surgirem notícias sobre a possível exclusão da subida parisiense, o jornal francês Le Parisien avançou informações contrárias, citando várias fontes que garantem a permanência do circuito no Tour de França de 2027. O aumento das audiências televisivas e o enorme entusiasmo do público nas ruas são apontados como argumentos fortes para manter uma fórmula que conquistou os adeptos.

A resposta definitiva chegará com a apresentação oficial do percurso. Até lá, permanece a dúvida: irá o Tour preservar uma das suas maiores inovações recentes ou regressar a um final mais tradicional, mas muito menos emocionante?

Aquela que poderá ser a rota do Tour de France 2027 começa a ganhar forma e promete uma edição marcada pela diversidade de terrenos, pela passagem histórica pelas Ilhas Britânicas e por uma intensa batalha nas montanhas francesas. Segundo o percurso provisório divulgado por várias fontes especializadas, a Grande Boucle deverá arrancar na Escócia, atravessar a Inglaterra e o País de Gales, antes de regressar a França para três semanas de competição que culminarão, como manda a tradição, nos Champs-Élysées, em Paris.

A partida estaria marcada para 2 de julho, em Edimburgo, com uma ligação até Carlisle, naquele que seria o primeiro de três dias em solo britânico. O segundo dia conduziria o pelotão de Keswick até Liverpool, enquanto a terceira etapa ligaria Welshpool a Cardiff, encerrando a abertura internacional da prova.

Após um primeiro dia de descanso e a transferência para França, a corrida retomaria em Cherbourg-en-Cotentin, com um contrarrelógio ou etapa em circuito. Seguir-se-ia uma travessia da Bretanha e do centro do país, passando por locais emblemáticos como Plumelec, Angers, Blois e o majestoso Castelo de Chambord.

A primeira grande chegada em altitude surgiria na 9.ª etapa, com final no temível Grand Colombier, uma das ascensões mais duras dos Alpes franceses. Depois do segundo dia de descanso, os corredores enfrentariam uma sequência montanhosa que incluiria etapas entre Annecy, Sallanches, Cluses e Les Saisies, prometendo selecionar os candidatos à vitória final.

A segunda semana ofereceria algum equilíbrio entre etapas para trepadores e jornadas destinadas aos velocistas, passando por cidades como Valence, Montpellier, Mende, Rodez e Albi, antes de a caravana chegar ao sudoeste francês.

Já na última semana, os olhos voltariam a centrar-se nos candidatos à geral. Um contrarrelógio em Toulouse abriria a fase decisiva, seguido de uma etapa até Pau e, logo depois, de uma chegada em altitude no exigente Col de Portet, em Saint-Lary-Soulan, um dos cenários mais seletivos dos Pirenéus.

A 19.ª etapa permanece ainda envolta em mistério, sendo atualmente a única jornada sem detalhes conhecidos. No entanto, tudo indica que poderá desempenhar um papel crucial na luta pela Camisola Amarela antes da derradeira transferência para Libourne e da consagração final em Paris, a 25 de julho.

 

Possível percurso do Tour de France 2027

 

1.ª etapa (2 de julho): Edimburgo - Carlisle

 2.ª etapa (3 de julho): Keswick - Liverpool

 3.ª etapa (4 de julho): Welshpool - Cardiff

 

5 de julho: Dia de descanso

 

4.ª etapa (6 de julho): Cherbourg-en-Cotentin - Cherbourg-en-Cotentin

 5.ª etapa (7 de julho): Pontorson - Plumelec

 6.ª etapa (8 de julho): Vannes - Angers

 7.ª etapa (9 de julho): Blois - Chambord

 8.ª etapa (10 de julho): Bourges - Le Creusot

 9.ª etapa (11 de julho): Parc des Oiseaux - Grand Colombier

 

12 de julho: Dia de descanso

 

10.ª etapa (13 de julho): Annecy - Sallanches

 11.ª etapa (14 de julho): Cluses - Les Saisies

 12.ª etapa (15 de julho): Chambéry - Valence

 13.ª etapa (16 de julho): Aubenas - Montpellier

 14.ª etapa (17 de julho): Montpellier - Mende

 15.ª etapa (18 de julho): Rodez - Albi

 

19 de julho: Dia de descanso

 

16.ª etapa (20 de julho): Toulouse - Toulouse

 17.ª etapa (21 de julho): Toulouse - Pau

 18.ª etapa (22 de julho): Pau - Saint-Lary-Soulan (Col de Portet)

 19.ª etapa (23 de julho): Por anunciar

 20.ª etapa (24 de julho): Maubourguet - Libourne

 21.ª etapa (25 de julho): Paris Champs-Élysées

 

Se este percurso se confirmar, o Tour de France 2027 combinará uma Grande Partida inédita nas Ilhas Britânicas com uma segunda metade de corrida particularmente montanhosa, onde Alpes e Pirenéus deverão voltar a decidir o vencedor da mais prestigiada prova do ciclismo mundial.

“Reviravolta no caso prova limpa: Nuno Ribeiro disponível para voltar a depor se julgamento for eeaberto”


Por: José Morais

O antigo diretor desportivo da extinta W52-FC Porto, Nuno Ribeiro, manifestou disponibilidade para voltar a prestar declarações em tribunal caso o processo Prova Limpa regresse à primeira instância, na sequência da decisão do Tribunal da Relação do Porto que determinou a repetição do julgamento.

A posição foi transmitida pelo advogado Tiago Batista Máximo, que garantiu que o ex-responsável da equipa pretende colaborar com a Justiça dentro dos limites legais, contribuindo para o completo esclarecimento dos factos e para uma decisão judicial sustentada e rigorosa.

A nova fase do processo surge depois de o Tribunal da Relação considerar inválida a utilização, em julgamento, das declarações prestadas por Nuno Ribeiro através da leitura de um documento previamente preparado. A decisão resultou de um recurso apresentado por Adriano Quintanilha e pela Associação Calvário Várzea Clube de Ciclismo, entidade que esteve na origem da formação portista.

Apesar de discordar parcialmente da interpretação jurídica adotada pela Relação relativamente ao seu depoimento, Nuno Ribeiro mantém a intenção de colaborar no apuramento da verdade. Segundo o seu advogado, o mais relevante nesta etapa é assegurar que todos os factos sejam avaliados com transparência, rigor e respeito pelas garantias processuais.

O antigo diretor desportivo pretende continuar a acompanhar o desenrolar do caso com serenidade e confiança no funcionamento das instituições judiciais, reforçando a sua disposição para colaborar não apenas neste processo, mas também em quaisquer procedimentos em que venha a ser chamado a intervir.

 

Condenações marcaram o desfecho da primeira instância

 

Recorde-se que, em 12 de dezembro de 2025, o Tribunal de Penafiel condenou Adriano Quintanilha e Nuno Ribeiro a penas efetivas de quatro anos e nove meses de prisão no âmbito do processo Prova Limpa, um dos maiores casos de doping da história recente do ciclismo português, envolvendo 26 arguidos entre dirigentes e antigos corredores.

Na sentença, o tribunal concluiu que Adriano Quintanilha desempenhou um papel central na implementação do esquema de dopagem dentro da equipa, sendo apontado como um dos principais responsáveis pela sua estruturação e financiamento.

As declarações agora consideradas problemáticas pela Relação remontam a 18 de novembro de 2024. Nesse dia, Nuno Ribeiro falou pela primeira vez em julgamento, tendo solicitado que os restantes arguidos não estivessem presentes durante o seu depoimento, alegando estar sujeito a pressões e ameaças.

Durante a audiência, o vencedor da Volta a Portugal de 2003 afirmou que existia recurso sistemático a práticas de doping ao longo da temporada e acusou o então proprietário da equipa de incentivar e financiar esses métodos. Ao mesmo tempo, rejeitou ter sido o responsável máximo pelo esquema, sustentando que apenas teve conhecimento dos factos e que permaneceu na estrutura por dependência profissional e financeira.

Além de Quintanilha e Ribeiro, vários antigos ciclistas da W52-FC Porto foram condenados a penas suspensas inferiores a dois anos e meio, entre eles João Rodrigues, Rui Vinhas, Ricardo Mestre, Samuel Caldeira, Daniel Mestre, José Neves, Ricardo Vilela, Joni Brandão, José Gonçalves, Jorge Magalhães e André Freitas.

A repetição do julgamento poderá agora reabrir um dos processos mais mediáticos do ciclismo nacional, voltando a colocar sob análise judicial factos que marcaram profundamente a modalidade em Portugal.

“Bomba no ciclismo: 71 cx-membros acusam a Picnic PostNL de ambiente de medo, pressão extrema e silenciamento interno”


Por: José Morais

Uma investigação conduzida pelos meios de comunicação holandeses NOS e In de Waaier lançou uma sombra pesada sobre a equipa Picnic PostNL. Setenta e um antigos ciclistas e funcionários denunciaram alegadas práticas de intimidação, controlo excessivo e um ambiente laboral que, segundo vários testemunhos, terá afetado profundamente a saúde mental de quem integrou a estrutura.

As acusações surgem numa altura particularmente delicada para a formação neerlandesa, apenas um dia após alcançar a sua primeira vitória da temporada no World Tour e quando atravessa uma das fases mais difíceis da sua história em termos desportivos.

 

Testemunhos revelam clima de medo e falta de liberdade

 

Os relatos recolhidos descrevem uma cultura interna caracterizada por uma forte centralização das decisões, alegadamente liderada pelo diretor-geral Iwan Spekenbrink e pelo diretor desportivo Rudi Kemna. Diversos antigos elementos da equipa afirmam que qualquer opinião contrária à linha definida pela direção era mal recebida e podia ter consequências na carreira dos atletas.

Entre os casos mais marcantes está o de Martijn Tusveld, antigo corredor da equipa, que revelou ter perdido a confiança para expressar as suas opiniões após contestar opções táticas durante o Giro de Itália de 2020. Segundo o próprio, esse episódio marcou uma mudança profunda na forma como passou a ser tratado dentro da estrutura.

Tusveld afirmou que, a partir desse momento, optou por deixar de questionar decisões e limitar-se a cumprir instruções. O ex-ciclista chegou mesmo a admitir que atravessou um período de depressão e que enfrentou pensamentos relacionados com automutilação durante os últimos anos da sua ligação à equipa.

 

Mudanças após o triunfo de Dumoulin

 

Vários depoimentos apontam para uma transformação significativa da cultura interna após a conquista do Giro de Itália de 2017 por Tom Dumoulin.

Adriaan Helmantel, antigo treinador do vencedor da prova italiana, recorda que a comunicação entre corredores e treinadores passou a ser rigidamente controlada. Segundo a sua versão, qualquer diálogo relevante deveria passar previamente pela administração, reduzindo a autonomia dos profissionais que trabalhavam diretamente com os atletas.

Para Helmantel, a nova filosofia privilegiava uma abordagem excessivamente hierarquizada e afastava os corredores dos processos de decisão relacionados com o seu próprio rendimento.

 

Acusações de desumanização dos atletas

 

Muitos dos testemunhos coincidem numa crítica recorrente: a ausência de flexibilidade e de atenção às necessidades individuais dos corredores.

Antigos membros da equipa descrevem um ambiente em que os protocolos eram considerados mais importantes do que as circunstâncias pessoais de cada atleta. Alguns chegaram mesmo a afirmar que os ciclistas eram tratados como peças substituíveis dentro de um sistema altamente controlado.

Um antigo corredor relatou que pediu apoio psicológico à estrutura e recebeu como resposta uma demonstração de desconfiança em relação à utilidade desse acompanhamento. Outros asseguram que procuraram ajuda especializada apenas depois de abandonarem a equipa.

 

Nicolas Roche confirma experiência difícil

 

O irlandês Nicolas Roche, que representou a equipa nas últimas temporadas da sua carreira, também deu a conhecer a sua experiência.

Segundo Roche, os primeiros tempos foram positivos, mas a situação alterou-se significativamente a partir de 2020. O antigo profissional recorda episódios em que foi repreendido por realizar sessões de treino diferentes das planeadas pela equipa, apesar de acreditar que essas adaptações eram benéficas para a sua preparação.

Na sua opinião, o ciclismo exige capacidade de adaptação permanente e não pode ser gerido exclusivamente através de protocolos rígidos ou modelos teóricos.

 

Crise desportiva agrava pressão sobre a estrutura

 

As revelações surgem num momento em que a Picnic PostNL enfrenta uma acentuada quebra competitiva. Depois de anos de sucesso e de passar pela equipa talentos como Tom Dumoulin, Marcel Kittel, Jai Hindley, Felix Gall, Marc Hirschi ou Thymen Arensman, a formação neerlandesa ocupa atualmente os últimos lugares da hierarquia do World Tour.

O fraco desempenho da equipa alimentou recentemente especulações sobre uma eventual descida voluntária ao escalão Pro Team, cenário que acabou por ser rejeitado pela direção.

 

Confronto com jornalistas gera polémica

 

A investigação ganhou ainda maior dimensão devido à forma como elementos da equipa terão reagido à presença dos jornalistas responsáveis pela reportagem.

Segundo os autores da investigação, a tentativa de obter esclarecimentos na sede da formação acabou por ser marcada por momentos de tensão, com relatos de comportamentos hostis e confrontos verbais dirigidos aos repórteres.

 

Picnic anuncia investigação independente

 

Perante a repercussão das denúncias, a Picnic PostNL divulgou um comunicado no qual rejeita a imagem retratada pela investigação, mas reconhece a gravidade das alegações apresentadas.

A equipa informou que irá promover uma investigação independente para avaliar como a cultura organizacional é vivida internamente e verificar se essa realidade corresponde aos valores que pretende defender.

A formação neerlandesa afirmou ainda que pretende compreender por que motivo alguns colaboradores e atletas se sentiram inseguros ou entenderam não ter tido espaço suficiente para expressar as suas preocupações, garantindo total colaboração no processo de análise que agora será iniciado.

“Milan Fretin voa para a vitória na China e Magnier vê o triunfo escapar por um drama mecânico Afonso Eulálio continua a liderar montanha”


Por: José Morais

Milan Fretin voltou a mostrar toda a sua velocidade ao conquistar a terceira etapa do Tour of Guangxi, numa jornada de 211 quilómetros entre Jingxi e Bama. O ciclista belga da Cofidis impôs-se num sprint eletrizante e somou a nona vitória da sua carreira profissional, deixando para trás Frits Biesterbos (Picnic PostNL) e Jordi Meeus (Red Bull-Bora-hansgrohe), que completaram o pódio da etapa.

O final ficou, contudo, marcado por um episódio decisivo envolvendo Paul Magnier. O líder da classificação geral, que procurava novo sucesso após vencer a etapa inaugural e terminar em segundo na tirada anterior, viu as suas ambições ruírem nos instantes finais quando um problema mecânico o impediu de disputar o sprint. O francês perdeu o encaixe do pé no pedal numa fase crucial da corrida e ficou fora da luta pela vitória.

Entre os portugueses, Afonso Eulálio manteve intacta a camisola da montanha. O corredor da Bahrain Victorious integrou o pelotão principal até à meta e conservou a liderança desta classificação secundária. Também Rui Oliveira, da UAE Emirates, concluiu a etapa no grupo principal.

A corrida ganhou vida logo nos quilómetros iniciais, quando Jasha Sütterlin e Julius Johansen lançaram uma ofensiva que viria a ser reforçada por Tobias Bayer e pelo chinês Wang Ruidong. O quarteto conseguiu construir uma vantagem interessante, mas o pelotão controlou a situação e anulou a fuga a cerca de 25 quilómetros da chegada.

Nos quilómetros finais, as equipas Bahrain Victorious e Soudal Quick-Step assumiram as despesas da perseguição e do posicionamento. A formação belga preparou cuidadosamente o lançamento de Magnier, colocando vários corredores na frente para controlar a aproximação à meta.

Já dentro do último quilómetro, a velocidade aumentou significativamente. Juan Sebastián Molano tentou surpreender a concorrência ao iniciar o sprint ainda longe da linha de chegada, mas Fretin respondeu de forma categórica. Com uma aceleração poderosa pelo lado oposto da estrada, o belga ultrapassou os rivais e cortou a meta em primeiro lugar.

Enquanto Fretin celebrava mais um triunfo importante da temporada, Magnier assistia impotente ao desfecho da etapa, vítima de um contratempo mecânico que transformou uma possível vitória numa oportunidade perdida. Afonso Eulálio, por sua vez, continua a dar cartas na competição chinesa ao preservar a liderança da classificação da montanha.

“Diogo Narciso e Daniela Campos em prova no segundo dia do Campeonato do Mundo de Pista”


Fotos: Beatriz Silva / FPC (Arquivo - Estágio Pré-Mundial)

No segundo dia do Campeonato do Mundo de Pista, em Xangai, na China, Diogo Narciso e Daniela Campos foram os dois representantes da Seleção Nacional, nas disciplinas de scratch e eliminação, respetivamente.

Diogo Narciso completou as 40 voltas ao velódromo de Xangai, num total de 10 quilómetros, na 14.ª posição. A prova masculina de scratch foi vencida pelo britânico Matthew Bostock, que se sagrou Campeão do Mundo.

“O Diogo Narciso abordou muito bem a prova, quer do ponto de vista tático, quer do ponto de vista técnico, sabendo resguardar-se numa corrida que, desde o início, foi muito movimentada e intensa. Na fase final, na sequência do forte ataque do atleta britânico que viria a vencer, o Diogo teve a iniciativa de atacar juntamente com o atleta do Cazaquistão, mas não foi possível fechar o espaço, acabando ambos por ser absorvidos pelo pelotão. Apesar de não ter sido bem-sucedida, a ação que tivemos nesse momento crucial da corrida foi bem executada, exigindo um elevado desgaste físico. Já na abordagem ao sprint final, que decidiu os restantes lugares do pódio, o Diogo teve a serenidade e o foco necessários para lutar até ao fim pelo melhor resultado possível nas condições em que se encontrava, fazendo uma prova muito boa”, explica Gabriel Mendes.


Daniela Campos, por sua vez, foi 19.ª na prova feminina de eliminação, tendo sido a quinta atleta a ser eliminada. A belga Lotte Kopecky foi a mais forte em prova e sagrou-se Campeã do Mundo.

“A Daniela Campos iniciou a prova na frente do grupo. No entanto, fruto da dinâmica da corrida, perdeu rapidamente posições, ficando mais na retaguarda. Ainda conseguiu reposicionar-se bem, com uma movimentação para a frente do grupo, mas voltou a não conseguir segurar um lugar que a protegesse do risco de eliminação. Acabou por descair novamente, ficando na retaguarda e na parte interior do pelotão, o que não lhe permitiu reposicionar-se entre voltas de eliminação, acabando por ser eliminada. Existem aspetos técnicos e táticos a melhorar, mas importa frisar que foi apenas a segunda prova de eliminação que fez em contexto de Campeonatos do Mundo, apresentando ainda uma margem significativa para melhorar a sua capacidade de resposta neste tipo de evento”, analisa o Selecionador Nacional de Pista.

A Seleção Nacional regressa à competição durante a madrugada desta sexta-feira, com Maria Martins (omnium), Ivo Oliveira (perseguição individual) e Miguel Salgueiro (corrida por pontos). As provas serão transmitidas em direto na RTP2, na Eurosport2 e na HBO Max.

 

Programa da Seleção Nacional*

 

Quarta-feira, 14 de outubro

11h59 | Scratch feminino - Maria Martins

 

Quinta-feira, 15 de outubro

11h30 | Eliminação feminina - Daniela Campos

12h30 | Scratch masculino - Diogo Narciso

 

Sexta-feira, 16 de outubro

05h35 | Omnium feminino (Scratch) - Maria Martins

05h57 |Perseguição Individual masculina (qualificação) - Ivo Oliveira

07h37 | Omnium feminino (Tempo Race) - Maria Martins

10h05 | Corrida por Pontos masculina - Miguel Salgueiro

11h07 | Omnium feminino (Eliminação) - Maria Martins

12h15 | Perseguição Individual masculina (finais) - Ivo Oliveira

12h40 | Omnium feminino (Corrida por Pontos) - Maria Martins

 

Sábado, 17 de outubro

05h27 | Omnium masculino (Scratch) - Iúri Leitão

08h05 | Omnium masculino (Tempo Race) - Iúri Leitão

12h01 | Omnium masculino (Eliminação) - Iúri Leitão

13h23 | Omnium masculino (Corrida por Pontos) - Iúri Leitão

 

Domingo, 18 de outubro

06h59 | Corrida por Pontos feminina - Daniela Campos

07h45 | Eliminação masculina - Diogo Narciso

09h03 | Madison masculino - Iúri Leitão e Ivo Oliveira

*Horários de Portugal Continental

“VII Aquatlo Jovem da Amadora”


Dia 1 novembro

 

O VII Aquatlo Jovem da Amadora realiza-se no dia 1 de novembro, dando assim continuidade à aposta municipal para o desenvolvimento da modalidade de Triatlo no município.

Trata-se de uma prova integrada no Campeonato Jovem de Lisboa e Alto Alentejo, composta por dois segmentos, Natação e Corrida, que decorrerá nas instalações da Piscina Municipal da Reboleira e zona envolvente. O fato do segmento de natação ser realizado em piscina e o segmento de corrida num percurso acessível com trânsito cortado, cria condições de segurança favoráveis aos escalões mais jovens e à iniciação da modalidade.

O VII Aquatlo Jovem da Amadora é uma organização da Federação de Triatlo de Portugal, em parceria com a Câmara Municipal da Amadora e apoio do Clube de Natação da Amadora.

A abertura do secretariado está prevista para as 08h00 e o início da prova às 09h30, com o escalão de Benjamins masculinos.

A cerimónia de entrega de prémios realiza-se previsivelmente às 12h30.

Inscrições até 28 de outubro: https://www.federacao-triatlo.pt/ftp2015/competicoes/inscricoes-em-provas/

Enquadrado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Fonte: Câmara Municipal Amadora

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
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  • Registado: Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº: 125457
  • Proprietário e Editor: José Manuel Cunha Morais
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  • Fotografia e Vídeo: José Morais, Helena Morais
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