Por: José Morais
O antigo diretor desportivo da
extinta W52-FC Porto, Nuno Ribeiro, manifestou disponibilidade para voltar a
prestar declarações em tribunal caso o processo Prova Limpa regresse à primeira
instância, na sequência da decisão do Tribunal da Relação do Porto que
determinou a repetição do julgamento.
A posição foi transmitida pelo
advogado Tiago Batista Máximo, que garantiu que o ex-responsável da equipa
pretende colaborar com a Justiça dentro dos limites legais, contribuindo para o
completo esclarecimento dos factos e para uma decisão judicial sustentada e
rigorosa.
A nova fase do processo surge
depois de o Tribunal da Relação considerar inválida a utilização, em
julgamento, das declarações prestadas por Nuno Ribeiro através da leitura de um
documento previamente preparado. A decisão resultou de um recurso apresentado
por Adriano Quintanilha e pela Associação Calvário Várzea Clube de Ciclismo,
entidade que esteve na origem da formação portista.
Apesar de discordar
parcialmente da interpretação jurídica adotada pela Relação relativamente ao
seu depoimento, Nuno Ribeiro mantém a intenção de colaborar no apuramento da
verdade. Segundo o seu advogado, o mais relevante nesta etapa é assegurar que
todos os factos sejam avaliados com transparência, rigor e respeito pelas
garantias processuais.
O antigo diretor desportivo
pretende continuar a acompanhar o desenrolar do caso com serenidade e confiança
no funcionamento das instituições judiciais, reforçando a sua disposição para
colaborar não apenas neste processo, mas também em quaisquer procedimentos em
que venha a ser chamado a intervir.
Condenações
marcaram o desfecho da primeira instância
Recorde-se que, em 12 de
dezembro de 2025, o Tribunal de Penafiel condenou Adriano Quintanilha e Nuno
Ribeiro a penas efetivas de quatro anos e nove meses de prisão no âmbito do
processo Prova Limpa, um dos maiores casos de doping da história recente do ciclismo
português, envolvendo 26 arguidos entre dirigentes e antigos corredores.
Na sentença, o tribunal
concluiu que Adriano Quintanilha desempenhou um papel central na implementação
do esquema de dopagem dentro da equipa, sendo apontado como um dos principais
responsáveis pela sua estruturação e financiamento.
As declarações agora
consideradas problemáticas pela Relação remontam a 18 de novembro de 2024.
Nesse dia, Nuno Ribeiro falou pela primeira vez em julgamento, tendo solicitado
que os restantes arguidos não estivessem presentes durante o seu depoimento, alegando
estar sujeito a pressões e ameaças.
Durante a audiência, o
vencedor da Volta a Portugal de 2003 afirmou que existia recurso sistemático a
práticas de doping ao longo da temporada e acusou o então proprietário da
equipa de incentivar e financiar esses métodos. Ao mesmo tempo, rejeitou ter sido
o responsável máximo pelo esquema, sustentando que apenas teve conhecimento dos
factos e que permaneceu na estrutura por dependência profissional e financeira.
Além de Quintanilha e Ribeiro,
vários antigos ciclistas da W52-FC Porto foram condenados a penas suspensas
inferiores a dois anos e meio, entre eles João Rodrigues, Rui Vinhas, Ricardo
Mestre, Samuel Caldeira, Daniel Mestre, José Neves, Ricardo Vilela, Joni
Brandão, José Gonçalves, Jorge Magalhães e André Freitas.
A repetição do julgamento
poderá agora reabrir um dos processos mais mediáticos do ciclismo nacional,
voltando a colocar sob análise judicial factos que marcaram profundamente a
modalidade em Portugal.

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