Rafael Barbas vai deixar a
Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua no final de 2026, depois de quatro temporadas
que marcaram o seu crescimento enquanto ciclista. Aos 18 anos, chegou à equipa
no primeiro ano de sub-23, agora, prepara-se para assinar um contrato de dois
anos com a Team Caja Rural-Seguros RGA, formação espanhola do escalão Pro Team.
A mudança representa a
concretização de um caminho pensado para desenvolver jovens talentos e
aproximá-los do ciclismo profissional. Rafael Barbas foi o primeiro corredor a
cumprir esse percurso desde a criação da parceria entre a ACR Roriz Landeiro
Cycling Academy e a Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua, uma ligação que, no ano
seguinte, ganhou forma através de um protocolo destinado a promover, todos os
anos, a passagem de jovens das escolas de formação para o alto nível.
Quatro anos depois, o ciclista
prepara-se para correr nas principais provas do calendário internacional. A
equipa de Mortágua olha para a sua saída com orgulho, reconhecendo no percurso
de Barbas o resultado de uma relação construída com trabalho, dedicação e
compromisso.
“Foram quatro anos de muitas
aprendizagens e de muitos bons momentos. Penso que foi aqui que cresci e
aprendi realmente o que é ser ciclista. Felizmente, ao longo do meu percurso,
tive sempre pessoas muito boas à minha volta, e aqui não foi exceção. Não poderia
ter tido mais sorte no lugar onde passei os meus quatro anos de sub-23”,
explica Rafael Barbas. Se tivesse de resumir este período em poucas palavras os
ciclista natural da Guarda, escolheria três: “aprendizagem, amizades e equipa”.
A evolução de Rafael Barbas
não aconteceu de forma repentina. Foi construída durante quatro temporadas,
através de um processo acompanhado de perto pela equipa e marcado por uma
adaptação progressiva às exigências do ciclismo de alto nível. Gustavo Veloso,
diretor desportivo da Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua, recorda a chegada do
corredor e destaca a maturidade demonstrada desde os primeiros dias:
“O Barbas entrou na equipa há
quatro épocas, vindo diretamente da ACR Roriz Landeiro Cycling Academy, no
escalão de júnior. Desde o primeiro dia mostrou que tinha algo especial. Era um
pouco tímido no início, mas muito observador e com uma grande capacidade para
aprender rapidamente. Desde essa altura, conseguiu conciliar os estudos com o
ciclismo. Os dois primeiros anos de sub-23 foram sobretudo de adaptação à
categoria, tanto nas corridas como no trabalho diário: os treinos, o descanso,
a alimentação e tudo aquilo que significa ser um ciclista profissional.
E fez esse caminho sem deixar
os estudos de lado, o que dá ainda mais valor ao que conseguiu. Estudar
Medicina e, ao mesmo tempo, ser ciclista profissional demonstra uma grande
maturidade e uma enorme capacidade de sacrifício.
Fomos avançando degrau a
degrau, com calma, mas sempre a trabalhar. Este ano, os frutos desse percurso
começaram a aparecer. O contrato que agora consegue é merecido e resulta do seu
sacrifício, da sua consistência e das suas capacidades físicas e mentais.”
A chegada
à Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua
A primeira experiência na
Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua permanece como uma das memórias mais fortes
da carreira do corredor. Ainda jovem e a dar os primeiros passos no escalão
sub-23, Barbas encontrou um ambiente competitivo muito diferente daquele que
conhecia.
Chegou a Mortágua com apenas
18 anos e entrou diretamente numa estrutura profissional, rodeado por
corredores mais velhos e com maior experiência. O contexto, admite, foi
inicialmente intimidante. Havia novas exigências, outras responsabilidades e um
ritmo de trabalho que obrigava a crescer depressa.
“A experiência que mais me
marcou foi, provavelmente, a minha chegada à equipa no primeiro ano de sub-23.
Ainda tinha 18 anos e, de repente, estava integrado numa equipa profissional,
onde todos eram mais velhos do que eu e tinham muita experiência. No início,
estar naquele meio foi um pouco assustador”, recorda.
O receio inicial acabou por
dar lugar à confiança. A forma como foi recebido pelos colegas e por toda a
estrutura permitiu-lhe encontrar o seu espaço e construir uma ligação que ainda
hoje guarda.
“Todos me fizeram sentir em
casa, e levo essas memórias comigo para sempre.”
Vitórias
para guardar
Ao longo de quatro temporadas,
Rafael Barbas acumulou momentos importantes, mas há vitórias que ocupam um
lugar especial na sua memória. Entre elas está o triunfo alcançado na Volta a
Portugal deste ano, ao lado de Leangel Linarez e João Matias, uma conquista que
teve um significado particular por ter acontecido na sua primeira participação
na prova. Ganhar na Volta a Portugal, perante o público e a dimensão de uma das
corridas mais importantes do calendário nacional, deu outro peso à Vitória.
“Tenho muitos momentos de que
me lembro com carinho. Provavelmente, a vitória com o Linarez e o Matias, este
ano, na Volta a Portugal, foi um dos mais importantes. Foi uma das minhas
primeiras vitórias com a equipa e significou muito consegui-la na minha
primeira Volta a Portugal. Ver tudo aquilo que uma vitória naquela prova
representa tornou o momento ainda mais especial.”
A viagem à Venezuela, em 2025,
também ficou gravada na memória. Longe de casa, num cenário competitivo
diferente, Barbas conseguiu a primeira vitória da carreira: “Não posso esquecer
a nossa ida à Venezuela no ano passado, onde conquistei a minha primeira
vitória. Foi, sem dúvida, um momento muito especial.”
Mais do que resultados ou
quilómetros acumulados, Barbas deixa Mortágua com um conjunto de aprendizagens
que considera imprescindíveis para o futuro. Durante quatro anos, aprendeu a
lidar com diferentes tipos de corrida, a compreender melhor o próprio corpo e a
responder às exigências de uma equipa profissional.
Entre todas essas lições, há
uma que destaca: saber ouvir. Para um jovem corredor, escutar quem tem
experiência pode fazer a diferença entre avançar sozinho e encontrar um caminho
mais seguro.
“Levo muitas aprendizagens
comigo. Aqui aprendi muito e cresci como ciclista. É impossível enumerá-las
todas, mas uma das mais importantes é saber ouvir as pessoas certas, aquelas
que estão presentes para nos ajudar e ensinar.”
Essa capacidade de ouvir foi
sendo construída em cada treino, em cada competição e em cada conversa dentro
da equipa. É também uma ferramenta que levará para o próximo capítulo da
carreira.
Um salto
há muito esperado
A mudança para a Team Caja
Rural-Seguros RGA representa uma viragem importante. Depois de quatro anos
dedicados à formação e ao crescimento dentro da Tavfer - Ovos Matinados -
Mortágua, Rafael Barbas terá agora a oportunidade de competir e enfrentar algumas
das provas mais exigentes do calendário internacional.
O contrato de dois anos surge
como a recompensa por um trabalho desenvolvido com paciência, mas também como
um desafio de maior dimensão. O corredor sabe que encontrará um nível
competitivo mais alto, novas corridas e outras responsabilidades. Ainda assim,
encara a mudança com ambição e vontade de aproveitar cada oportunidade.
“É uma mudança muito
importante. Sempre trabalhei para, um dia, conseguir dar este salto, e esse dia
finalmente chegou. Sinto que é a recompensa pelo trabalho que tenho vindo a
fazer nos últimos anos e tenho de estar muito orgulhoso disso.”
Gustavo Veloso, menciona que
o percurso do Rafael Barbas é também uma
referência daquilo que se pode alcançar com trabalho, dedicação e compromisso.
Durante os últimos quatro anos, mostrou que o crescimento se faz dia após dia,
e que os objetivos podem tornar-se realidade quando existe vontade para os
perseguir: “Na nova equipa, terá a oportunidade de continuar a crescer, com
acesso a um calendário internacional de alto nível e a melhores condições para
prosseguir o seu caminho. Para mim, é um orgulho vê-lo sair e continuar a
evoluir. Ver os seus sonhos a concretizar-se só nos pode deixar orgulhosos. A
partir de agora, será um exemplo para os jovens que chegam à equipa e uma
inspiração para aqueles que ainda têm dúvidas sobre se conseguirão alcançar os
seus próprios sonhos no ciclismo profissional. Será, também, uma referência que
nós, treinadores, poderemos apresentar-lhes: a prova de que o trabalho
desenvolvido nas equipas continentais portuguesas pode abrir portas para o mais
alto nível.”
A nova camisola abrirá as
portas do ciclismo internacional e permitirá a Barbas correr em cenários que,
até agora, conhecia sobretudo à distância: “É uma grande oportunidade de poder
correr lá fora, nas melhores provas do mundo. Espero estar à altura, fazer as
coisas bem e, acima de tudo, desfrutar muito do processo.”
Na Tavfer-Ovos
Matinados-Mortágua, fica o primeiro corredor formado através da parceria com a
ACR Roriz Landeiro Cycling Academy a completar este percurso. Na estrada,
Rafael Barbas leva quatro anos de aprendizagem, amizades e trabalho. O próximo
destino será a defender as cores da Team Caja Rural-Seguros RGA.
Fonte: Equipa Ciclismo Tavfer - Ovos Matinados
- Mortágua