Por: José Morais
A Vuelta ganhou finalmente um
dia de rebeldia: a fuga vingou, a Uno‑X
assinou um histórico 1‑2 e
Andreas Leknessund ergueu os braços no alto de Aramón Valdelinares, numa etapa
marcada por caos, ataques sucessivos e um golpe duro no grupo dos candidatos à
geral.
A sétima etapa da Vuelta a España transformou-se num campo de batalha desde o quilómetro zero. Com 149,8 km entre Vall d’Alba e a subida final a Valdelinares, a corrida explodiu assim que a bandeira baixou. Wout van Aert, Andreas Leknessund e Milan Vader foram os primeiros a incendiar o dia, abrindo caminho para uma sucessão de ataques que espalhou o pelotão pela estrada.
A UAE tentou controlar, mas a
corrida estava fora de qualquer guião. Na primeira ascensão, El Remolcador,
apenas Van Aert e Leknessund resistiram ao trio inicial, enquanto atrás deles
se formava uma fuga volumosa com nomes como Pedersen, Dunbar, Johannessen,
Sosa, Bilbao e Turner. Pouco depois, Dunbar, Lutsenko e Tobias Johannessen
juntaram-se aos dois homens da frente, formando um quinteto que rapidamente
ganhou espaço.
A vantagem disparou para quase dois minutos sobre os perseguidores e mais de sete sobre o pelotão. Van Aert ainda aproveitou para vencer o sprint intermédio, aproximando-se de Pogacar na luta pela classificação por pontos. Mas o foco estava na frente: a fuga estava destinada a decidir a etapa.
Na aproximação a Valdelinares,
o cenário estabilizou até Leknessund decidir que era hora de homenagear o
falecido rei da Noruega. A sete quilómetros do topo, lançou um ataque seco,
abriu espaço e nunca mais olhou para trás. O norueguês, que já acumulava cinco
segundos lugares na temporada, finalmente encontrou o dia perfeito.
Johannessen, companheiro de
equipa, controlou o ritmo atrás dele e ainda conseguiu distanciar Van Aert nos
metros finais, garantindo o duplo da Uno‑X. O
belga, apesar de perder o segundo lugar, saiu com o objetivo cumprido: assumiu
a liderança da classificação por pontos. Para a Uno‑X, o feito foi monumental
vitórias nas três Grandes Voltas do ano, incluindo a primeira da sua história
na Vuelta, tudo isto na estreia da equipa no WorlTour.
Enquanto isso, no grupo dos
favoritos, a Decathlon acelerou e deixou Pogacar isolado. Felix Gall aproveitou
o momento para endurecer a subida, levando consigo apenas Pogacar e Enric Mas.
O esloveno respondeu com um ataque feroz, deixando Gall e Mas para trás. Mais
atrás, Kuss, Roglic e Onley chegaram juntos, tentando limitar danos num dia que
virou a classificação de pernas para o ar.



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