Por: José Morais
A exclusão da Bardiani CSF 7
do grupo das 30 melhores equipas do ranking da UCI continua a gerar polémica e
ameaça transformar-se num caso jurídico internacional. A histórica formação
italiana falhou a permanência no Top 30 e vê agora comprometida a presença nas
Grandes Voltas da próxima época, incluindo o Giro d’Italia, numa situação que
coloca em causa o próprio futuro da equipa.
O principal alvo das críticas
é a Euskaltel-Euskadi, formação basca que protagonizou uma recuperação
surpreendente nos últimos meses da temporada. Apostando num calendário
alternativo e somando pontos em provas disputadas em diferentes continentes, a
equipa conseguiu ultrapassar vários rivais diretos e assegurar um lugar entre
as 30 formações melhor classificadas da UCI.
A estratégia não convenceu
Bruno Reverberi, responsável máximo da Bardiani, que lançou acusações duras
contra a Euskaltel e a formação italiana Solution Tech. Em declarações ao
podcast Bla Bla Bike, o dirigente garantiu acreditar que existiu coordenação
entre equipas e organizadores de corridas para beneficiar determinados projetos
e prejudicar diretamente a estrutura italiana.
Segundo Reverberi, algumas
provas terão sido utilizadas de forma estratégica para permitir a acumulação de
pontos decisivos, nomeadamente uma corrida realizada no Panamá. O dirigente
sustenta que determinadas equipas tiveram acesso privilegiado a oportunidades
competitivas enquanto outras ficaram afastadas da luta pelos pontos necessários
para garantir a permanência entre a elite.
“Fomos prejudicados por um
sistema que favoreceu interesses específicos. Houve corridas organizadas de uma
forma que nos deixou sem capacidade de resposta”, afirmou o veterano
responsável italiano, que não esconde o descontentamento com aquilo que considera
ter sido uma clara desigualdade competitiva.
A Bardiani diz já ter
comunicado as suas preocupações à União Ciclista Internacional e admite avançar
para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS/CAS). Reverberi garante que a equipa
reuniu documentação sobre o caso e considera que a situação merece uma
investigação aprofundada.
No final da temporada, a
Euskaltel conseguiu dar um salto significativo no ranking mundial,
ultrapassando a linha de corte necessária para assegurar um lugar entre as 30
melhores equipas. Essa ascensão acabou por deixar a Bardiani fora das posições
que garantem o acesso privilegiado às principais competições do calendário
internacional.
Enquanto a equipa basca
celebra uma das maiores recuperações do ano, a formação italiana prepara-se
para uma batalha fora da estrada, convencida de que a luta pelo Top 30 não foi
decidida apenas pelos resultados desportivos. A polémica promete continuar nos
próximos meses e poderá mesmo chegar aos tribunais, num caso que está a dividir
opiniões no mundo do ciclismo profissional.






