Por: José Morais
Ainda a recuperar da queda que
pôs fim antecipado à sua temporada de 2026 na Volta a Espanha, Tadej Pogacar já
começou a desenhar o próximo capítulo da carreira. O campeão esloveno revelou
que a UAE Emirates-XRG lhe apresentou três possíveis programas competitivos
para 2027, cabendo-lhe agora escolher qual o rumo a seguir.
A revelação foi feita durante
uma sessão virtual promovida pela plataforma MyWhoosh, a partir da sua
residência no Mónaco, que reuniu milhares de participantes. Pogacar explicou
que a estrutura da equipa já delineou diferentes cenários para a próxima época,
mas garantiu que a decisão está longe de estar fechada.
“Recebi três propostas de
calendário e quero estudá-las com atenção. É uma escolha importante e não quero
tomar uma decisão precipitada. Tudo deverá ficar definido em dezembro, durante
o próximo estágio da equipa”, afirmou o vencedor de cinco edições do Tour de
França.
Embora mantenha reserva quanto
ao plano final, o líder da UAE deixou claro que algumas provas fazem
praticamente parte do seu ADN competitivo. O Tour de França surge novamente
como prioridade absoluta, tal como várias clássicas de primavera e o UAE Tour,
corrida onde já construiu uma forte ligação ao longo dos últimos anos.
A competição realizada nos
Emirados Árabes Unidos poderá, aliás, voltar a marcar o arranque da sua
campanha em grandes objetivos. No entanto, existe também a hipótese de
antecipar a estreia de 2027 para janeiro, no Tour Down Under, prova australiana
onde deu os primeiros passos no WorldTour. Os responsáveis da corrida continuam
a trabalhar para garantir a presença de algumas das maiores figuras do ciclismo
internacional, entre elas o nome de Pogacar.
Tour,
Mundial e Vuelta no centro da estratégia
Se a primeira metade da
temporada continua em avaliação, a segunda parte do ano parece estar muito mais
definida. O esloveno pretende concentrar as suas ambições em três grandes
metas: Tour de França, Campeonatos do Mundo e Volta a Espanha.
Numa visão cada vez mais clara
do que pretende alcançar, Pogacar admite que a Vuelta poderá ganhar prioridade
em detrimento do Giro d'Italia, apesar da preferência pessoal pela corrida
italiana. A explicação é simples: a prova espanhola continua a ser a única
Grande Volta que lhe falta conquistar.
O desafio promete ser
particularmente exigente. Depois de tentar alcançar um histórico sexto triunfo
na Grande Boucle, seguirá para os Campeonatos do Mundo de Haute-Savoie, num
percurso extremamente duro e montanhoso, antes de enfrentar a Vuelta apenas alguns
dias mais tarde.
Apesar da exigência física de
um calendário desta dimensão, Pogacar não demonstra preocupação com o traçado
do Tour de França de 2027. Para o esloveno, a essência da corrida mantém-se
inalterável independentemente das cidades escolhidas para as partidas e
chegadas.
“O Tour será sempre o Tour. Há
montanha, contrarrelógio, vento, jornadas armadilhadas e três semanas de
desgaste extremo. É a corrida mais difícil do mundo e obriga-nos a estar
preparados para qualquer cenário”, resumiu.
Recuperação
avança e segurança continua em debate
Longe da competição desde o
acidente sofrido em Espanha, Pogacar já regressou ao trabalho no rolo e
assegura que a recuperação decorre dentro das expectativas. O encontro virtual
na MyWhoosh serviu precisamente para quebrar a rotina dos treinos e voltar a
interagir com os adeptos.
Ao olhar para o incidente que
interrompeu a sua época, o esloveno recusou apontar responsabilidades à
organização da corrida, classificando a situação como um episódio típico das
exigências do ciclismo de alta competição.
Ainda assim, considera que a
modalidade deve continuar a refletir sobre os desafios relacionados com a
segurança do pelotão. Com velocidades cada vez mais elevadas e percursos cada
vez mais exigentes, Pogacar acredita que existe margem para melhorar procedimentos
e condições de corrida, garantindo maior proteção aos atletas das gerações
futuras.
Entre a recuperação física, a
escolha do calendário e a ambição de completar a coleção das Grandes Voltas, o
inverno de 2026 promete ser decisivo para definir o rumo de uma das maiores
estrelas do ciclismo mundial.





