sexta-feira, 6 de novembro de 2026

“Mercado fecha-se e reforma ganha força: Futuro de Primoz Roglic entra em fase decisiva”

Por: José Morais

O cenário para Primoz Roglic em 2027 tornou-se consideravelmente mais limitado depois de cair por terra uma das hipóteses mais credíveis para prolongar a carreira. A Pinarello-Q36.5 afastou-se definitivamente da corrida pelo esloveno, com as negociações entre ambas as partes a terminarem sem entendimento, reduzindo ainda mais as opções disponíveis para o antigo vencedor de Grandes Voltas.

A equipa suíça, que continua a consolidar o seu projeto desportivo em torno de Tom Pidcock, optou por seguir outro caminho no planeamento do plantel para a próxima temporada. Depois de reforçar significativamente a sua estrutura com várias contratações já confirmadas, a formação helvética deixou de considerar prioritária a integração do experiente corredor esloveno.

A saída da Red Bull-Bora-hansgrohe abriu espaço para diversos cenários, mas, ao longo dos últimos meses, as alternativas foram diminuindo. A Visma | Lease a Bike chegou a avaliar a possibilidade de um regresso de Roglic à estrutura onde alcançou alguns dos maiores sucessos da sua carreira, mas acabou por não avançar. Também a Lotto-Intermarché manifestou interesse e apresentou uma proposta concreta, embora as conversações não tenham resultado num acordo.

Outras equipas acompanharam a situação com atenção. A Unibet Rose Rockets estudou a possibilidade de contratar o veterano antes da Vuelta a Espanha, enquanto a Tudor nunca demonstrou verdadeira disposição para entrar na disputa pelo corredor.

Perante um mercado cada vez mais restrito, a continuidade de Roglic no pelotão profissional parece longe de estar garantida. Aos 37 anos, e apesar de continuar competitivo ao mais alto nível, o esloveno enfrenta uma das decisões mais importantes da sua carreira. A segunda posição na Vuelta a Espanha e a conquista do título europeu de contrarrelógio provaram que continua capaz de lutar por resultados de relevo, mas isso poderá não ser suficiente para assegurar um projeto à altura das suas ambições.

Os sinais deixados pelo próprio atleta também alimentam as dúvidas quanto ao futuro. Na despedida da Il Lombardia, última prova disputada com as cores da Red Bull-Bora-hansgrohe, Roglic admitiu que cada corrida pode representar um adeus inesperado ao ciclismo profissional.

Enquanto o mercado continua a definir os últimos movimentos, o esloveno prepara-se para marcar presença no Taiwan Masters Ride, agendado para 9 de novembro. Numa fase em que as oportunidades começam a escassear, os próximos dias poderão ser determinantes para perceber se Roglic ainda encontrará lugar no pelotão em 2027 ou se se aproxima o capítulo final de uma carreira que marcou uma geração.

“Eddy Merckx rende-se a Tadej Pogacar: “Está num patamar que eu nunca alcancei”


Por: José Morais

A comparação entre gerações volta a incendiar o mundo do ciclismo, mas para Eddy Merckx a discussão parece ter chegado ao fim. O lendário campeão belga reconhece que Tadej Pogacar está a redefinir os limites da modalidade e admite que o esloveno já ultrapassou tudo o que alguma vez imaginou ver sobre uma bicicleta.

As declarações fazem parte de “Anatomia de um G.O.A.T.”, documentário dedicado ao fenómeno esloveno, que estreia este sábado no Eurosport 2 e ficará igualmente disponível na plataforma HBO Max. No filme, Merckx não esconde a admiração pelo atual campeão, destacando a sua forma agressiva de correr e a capacidade de transformar cada corrida num espetáculo imprevisível.

Segundo o belga, Pogacar devolveu ao ciclismo uma atitude ofensiva que parecia ter desaparecido do pelotão moderno. Os seus ataques constantes obrigam adversários e equipas a alterar estratégias, quebram rotinas táticas e mudam o rumo das corridas muito antes dos momentos decisivos.

Também Alberto Contador destaca a ambição sem limites do esloveno. O antigo vencedor do Tour de France acredita que Pogacar não se contenta com um objetivo específico e procura conquistar tudo o que estiver ao seu alcance, desde Monumentos e Grandes Voltas até Campeonatos do Mundo e vitórias de etapa nas mais prestigiadas provas do calendário.

Para o espanhol, o domínio exercido por Pogacar é raro na história do desporto. A superioridade demonstrada ao longo de vários meses e em terrenos tão distintos torna difícil encontrar paralelos noutras modalidades. A única comparação que lhe surge é a de um atleta que se destaca muito acima da concorrência, mas com a diferença de que o esloveno consegue fazê-lo repetidamente, de fevereiro a outubro, em qualquer tipo de corrida.

O próprio Pogacar atribui grande parte do seu sucesso ao prazer que continua a sentir sobre a bicicleta. O líder da UAE Team Emirates defende que os resultados são uma consequência natural da paixão pelo desporto e acredita que a motivação desaparece quando deixa de existir entusiasmo pelo desafio diário.

Nos momentos de maior dificuldade, o campeão recorda o trabalho e os sacrifícios realizados ao longo da preparação. Para ele, é precisamente essa dedicação que permite ultrapassar os períodos de sofrimento, mantendo a convicção de que, depois de uma fase menos favorável, surgirão inevitavelmente oportunidades melhores.

A superioridade física do esloveno também impressiona os seus rivais. Geraint Thomas recorda um episódio vivido na Liège-Bastogne-Liège, quando Pogacar o alcançou numa subida enquanto mantinha um ritmo extremamente elevado. O britânico confessa que estava totalmente concentrado no esforço para acompanhar o andamento, enquanto o esloveno encontrava margem para conversar com aparente tranquilidade.

Entre o respeito dos antigos campeões e a admiração dos adversários atuais, cresce a sensação de que o ciclismo está a assistir a uma era excecional. E quando até Eddy Merckx, considerado por muitos o maior de todos os tempos, admite que Pogacar atingiu um nível superior ao seu, a dimensão do fenómeno torna-se ainda mais evidente.

“Giro 2027 mantém acesso gratuito, mas organização admite restringir público nas montanhas”


Por: José Morais

O Giro d’Italia 2027 continuará, para já, a ser um evento de acesso livre para os adeptos. A apresentação das equipas, as zonas de meta e grande parte do percurso permanecerão gratuitas, mas a organização já estuda a possibilidade de limitar a presença de espectadores em algumas das principais subidas da prova devido a preocupações relacionadas com a segurança.

À frente da corrida está agora Luca Guercilena, novo diretor da competição, que garante que a prioridade passa por manter o contacto direto entre os adeptos e o espetáculo. Ainda assim, reconhece que o crescimento do público em determinados locais obriga a encontrar soluções que permitam proteger tanto os ciclistas como os espectadores.

As montanhas surgem como o principal foco de atenção. Entre os pontos analisados está o temido Monte Zoncolan, previsto para desempenhar um papel decisivo na edição seguinte da prova. O objetivo passa por controlar a lotação em zonas consideradas mais sensíveis, evitando situações de excesso de público nas estradas estreitas das subidas.

Apesar de afastar, para já, a cobrança de entradas, Guercilena não descarta a criação futura de áreas VIP e experiências premium para adeptos que pretendam acompanhar a corrida com serviços adicionais. Segundo o responsável, qualquer modelo pago terá de oferecer condições diferenciadas e justificar o valor cobrado aos fãs.

O debate sobre a gestão das multidões tem ganho força no ciclismo internacional, sobretudo após a enorme afluência registada em algumas etapas do Tour de France, onde a presença massiva de adeptos levantou questões de segurança e organização.

 

Il Lombardia serviu de teste para o novo modelo

 

A RCS Sport já experimentou uma solução semelhante durante o Il Lombardia, ao criar uma área controlada para espectadores junto à subida de San Fermo della Battaglia. O acesso ao espaço era gratuito, mediante registo prévio, enquanto a presença noutras zonas da ascensão foi limitada para garantir melhores condições de visão da corrida e maior segurança para os corredores.

A experiência é considerada positiva pela organização e poderá servir de base para futuras medidas em várias provas do calendário. Entre os eventos em análise estão a Strade Bianche, onde os famosos sectores de gravilha da Toscânia poderão receber áreas reservadas ao público, e também a Milano-Sanremo.

Embora ainda não exista uma decisão definitiva, a RCS Sport admite avançar com sistemas de controlo de capacidade em alguns dos pontos mais concorridos das suas competições, numa tentativa de equilibrar a paixão dos adeptos com as exigências crescentes de segurança e logística.

“EUROPEUS DE CICLOCROSSE PROMETEM GRANDES DUELOS NOS PAÍSES BAIXOS COM PORTUGAL EM DESTAQUE”


Por: Vasco Simões

Foto: Getty Images

 O melhor do ciclocrosse europeu está de regresso ao Eurosport e à HBO Max, com os Campeonatos da Europa a reunir alguns dos maiores especialistas da modalidade nos dias 7 e 8 de novembro, em Zeddam, nos Países Baixos. Vinte anos depois de ter acolhido os Campeonatos do Mundo de 2006, esta localidade volta a receber uma grande competição internacional, agora com seis títulos continentais em disputa, nas categorias de juniores, sub-23 e elite, masculinas e femininas. Estão inscritos 299 atletas de 25 países, num percurso que promete exigir técnica, resistência e capacidade de adaptação, com destaque para uma escadaria emblemática, recentemente renovada, que será um dos obstáculos mais exigentes das corridas.

Na competição feminina, os Países Baixos apresentam um alinhamento de luxo, liderado por Lucinda Brand, atual campeã do mundo, e Inge van der Heijden, campeã europeia em título, que vai procurar defender a camisola conquistada em 2025. A antiga campeã mundial Ceylin del Carmen Alvarado e Fem van Empel, tricampeã europeia entre 2022 e 2024, são outros nomes a seguir. A italiana Sara Casasola e a luxemburguesa Marie Schreiber prometem dificultar a tarefa às anfitriãs. Na prova masculina, o belga Thibau Nys, campeão europeu em 2024 e vencedor do recente Koppenbergcross, surge entre os principais candidatos, ao lado do compatriota Michael Vanthourenhout, bicampeão europeu em 2022 e 2023. Laurens Sweeck, Niels Vandeputte, Joran Wyseure e o neerlandês Joris Nieuwenhuis são outros protagonistas a acompanhar.

Portugal estará representado por cinco atletas, numa convocatória que abrange três categorias. Ana Santoscompete na elite feminina, depois de vencer as quatro primeiras provas da Taça de Portugal de Ciclocrosse. Nos sub-23 masculinos alinham João Vigário e Rafael Sousa, enquanto Afonso Falcão e Rita Fontinhas representam o país nas provas de juniores. A participação nacional será também uma oportunidade para estes atletas ganharem experiência internacional perante alguns dos melhores corredores europeus. Entre as ausências de maior destaque na prova masculina estão o campeão europeu em título, Toon Aerts, e duas das maiores estrelas internacionais da modalidade, Mathieu van der Poel e Wout van Aert, que não constam da lista oficial de inscritos.

O fim de semana desportivo começa, porém, com um motivo adicional de interesse para os fãs de ciclismo. No sábado, antes da corrida feminina, o Eurosport estreia “Anatomy of a G.O.A.T.”, um documentário original de 45 minutos dedicado a Tadej Pogačar, pentacampeão da Volta a França. A produção acompanha o corpo e a mente do campeão esloveno para explicar a ciência por detrás do seu extraordinário rendimento, recorrendo a dados e análises inéditos da WHOOP e a testemunhos do próprio Pogačar, dos seus pais e de grandes figuras do ciclismo, como Eddy Merckx, Alberto Contador, Geraint Thomas e Matteo Trentin. O documentário começa às 12h50 de sábado, no Eurosport 2, e fica também disponível na HBO Max a partir de 7 de novembro. Segue-se, às 13h50, a transmissão da prova de elite feminina, com Ana Santos, enquanto no domingo, também às 13h50, chega a vez da elite masculina, numa jornada que encerra os Europeus.

Fonte: Eurosport

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