Por: José Morais
O cenário para Primoz Roglic
em 2027 tornou-se consideravelmente mais limitado depois de cair por terra uma
das hipóteses mais credíveis para prolongar a carreira. A Pinarello-Q36.5
afastou-se definitivamente da corrida pelo esloveno, com as negociações entre
ambas as partes a terminarem sem entendimento, reduzindo ainda mais as opções
disponíveis para o antigo vencedor de Grandes Voltas.
A equipa suíça, que continua a
consolidar o seu projeto desportivo em torno de Tom Pidcock, optou por seguir
outro caminho no planeamento do plantel para a próxima temporada. Depois de
reforçar significativamente a sua estrutura com várias contratações já
confirmadas, a formação helvética deixou de considerar prioritária a integração
do experiente corredor esloveno.
A saída da Red
Bull-Bora-hansgrohe abriu espaço para diversos cenários, mas, ao longo dos
últimos meses, as alternativas foram diminuindo. A Visma | Lease a Bike chegou
a avaliar a possibilidade de um regresso de Roglic à estrutura onde alcançou
alguns dos maiores sucessos da sua carreira, mas acabou por não avançar. Também
a Lotto-Intermarché manifestou interesse e apresentou uma proposta concreta,
embora as conversações não tenham resultado num acordo.
Outras equipas acompanharam a
situação com atenção. A Unibet Rose Rockets estudou a possibilidade de
contratar o veterano antes da Vuelta a Espanha, enquanto a Tudor nunca
demonstrou verdadeira disposição para entrar na disputa pelo corredor.
Perante um mercado cada vez
mais restrito, a continuidade de Roglic no pelotão profissional parece longe de
estar garantida. Aos 37 anos, e apesar de continuar competitivo ao mais alto
nível, o esloveno enfrenta uma das decisões mais importantes da sua carreira. A
segunda posição na Vuelta a Espanha e a conquista do título europeu de
contrarrelógio provaram que continua capaz de lutar por resultados de relevo,
mas isso poderá não ser suficiente para assegurar um projeto à altura das suas
ambições.
Os sinais deixados pelo
próprio atleta também alimentam as dúvidas quanto ao futuro. Na despedida da Il
Lombardia, última prova disputada com as cores da Red Bull-Bora-hansgrohe,
Roglic admitiu que cada corrida pode representar um adeus inesperado ao ciclismo
profissional.
Enquanto o mercado continua a
definir os últimos movimentos, o esloveno prepara-se para marcar presença no
Taiwan Masters Ride, agendado para 9 de novembro. Numa fase em que as
oportunidades começam a escassear, os próximos dias poderão ser determinantes
para perceber se Roglic ainda encontrará lugar no pelotão em 2027 ou se se
aproxima o capítulo final de uma carreira que marcou uma geração.



