Por: José Morais
O Giro d’Italia 2027
continuará, para já, a ser um evento de acesso livre para os adeptos. A
apresentação das equipas, as zonas de meta e grande parte do percurso
permanecerão gratuitas, mas a organização já estuda a possibilidade de limitar
a presença de espectadores em algumas das principais subidas da prova devido a
preocupações relacionadas com a segurança.
À frente da corrida está agora
Luca Guercilena, novo diretor da competição, que garante que a prioridade passa
por manter o contacto direto entre os adeptos e o espetáculo. Ainda assim,
reconhece que o crescimento do público em determinados locais obriga a
encontrar soluções que permitam proteger tanto os ciclistas como os
espectadores.
As montanhas surgem como o
principal foco de atenção. Entre os pontos analisados está o temido Monte
Zoncolan, previsto para desempenhar um papel decisivo na edição seguinte da
prova. O objetivo passa por controlar a lotação em zonas consideradas mais
sensíveis, evitando situações de excesso de público nas estradas estreitas das
subidas.
Apesar de afastar, para já, a
cobrança de entradas, Guercilena não descarta a criação futura de áreas VIP e
experiências premium para adeptos que pretendam acompanhar a corrida com
serviços adicionais. Segundo o responsável, qualquer modelo pago terá de
oferecer condições diferenciadas e justificar o valor cobrado aos fãs.
O debate sobre a gestão das
multidões tem ganho força no ciclismo internacional, sobretudo após a enorme
afluência registada em algumas etapas do Tour de France, onde a presença
massiva de adeptos levantou questões de segurança e organização.
Il
Lombardia serviu de teste para o novo modelo
A RCS Sport já experimentou
uma solução semelhante durante o Il Lombardia, ao criar uma área controlada
para espectadores junto à subida de San Fermo della Battaglia. O acesso ao
espaço era gratuito, mediante registo prévio, enquanto a presença noutras zonas
da ascensão foi limitada para garantir melhores condições de visão da corrida e
maior segurança para os corredores.
A experiência é considerada
positiva pela organização e poderá servir de base para futuras medidas em
várias provas do calendário. Entre os eventos em análise estão a Strade
Bianche, onde os famosos sectores de gravilha da Toscânia poderão receber áreas
reservadas ao público, e também a Milano-Sanremo.
Embora ainda não exista uma
decisão definitiva, a RCS Sport admite avançar com sistemas de controlo de
capacidade em alguns dos pontos mais concorridos das suas competições, numa
tentativa de equilibrar a paixão dos adeptos com as exigências crescentes de
segurança e logística.

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