Por: José Morais
A comparação entre gerações
volta a incendiar o mundo do ciclismo, mas para Eddy Merckx a discussão parece
ter chegado ao fim. O lendário campeão belga reconhece que Tadej Pogacar está a
redefinir os limites da modalidade e admite que o esloveno já ultrapassou tudo
o que alguma vez imaginou ver sobre uma bicicleta.
As declarações fazem parte de
“Anatomia de um G.O.A.T.”, documentário dedicado ao fenómeno esloveno, que
estreia este sábado no Eurosport 2 e ficará igualmente disponível na plataforma
HBO Max. No filme, Merckx não esconde a admiração pelo atual campeão,
destacando a sua forma agressiva de correr e a capacidade de transformar cada
corrida num espetáculo imprevisível.
Segundo o belga, Pogacar
devolveu ao ciclismo uma atitude ofensiva que parecia ter desaparecido do
pelotão moderno. Os seus ataques constantes obrigam adversários e equipas a
alterar estratégias, quebram rotinas táticas e mudam o rumo das corridas muito antes
dos momentos decisivos.
Também Alberto Contador
destaca a ambição sem limites do esloveno. O antigo vencedor do Tour de France
acredita que Pogacar não se contenta com um objetivo específico e procura
conquistar tudo o que estiver ao seu alcance, desde Monumentos e Grandes Voltas
até Campeonatos do Mundo e vitórias de etapa nas mais prestigiadas provas do
calendário.
Para o espanhol, o domínio
exercido por Pogacar é raro na história do desporto. A superioridade
demonstrada ao longo de vários meses e em terrenos tão distintos torna difícil
encontrar paralelos noutras modalidades. A única comparação que lhe surge é a de
um atleta que se destaca muito acima da concorrência, mas com a diferença de
que o esloveno consegue fazê-lo repetidamente, de fevereiro a outubro, em
qualquer tipo de corrida.
O próprio Pogacar atribui
grande parte do seu sucesso ao prazer que continua a sentir sobre a bicicleta.
O líder da UAE Team Emirates defende que os resultados são uma consequência
natural da paixão pelo desporto e acredita que a motivação desaparece quando
deixa de existir entusiasmo pelo desafio diário.
Nos momentos de maior
dificuldade, o campeão recorda o trabalho e os sacrifícios realizados ao longo
da preparação. Para ele, é precisamente essa dedicação que permite ultrapassar
os períodos de sofrimento, mantendo a convicção de que, depois de uma fase
menos favorável, surgirão inevitavelmente oportunidades melhores.
A superioridade física do
esloveno também impressiona os seus rivais. Geraint Thomas recorda um episódio
vivido na Liège-Bastogne-Liège, quando Pogacar o alcançou numa subida enquanto
mantinha um ritmo extremamente elevado. O britânico confessa que estava
totalmente concentrado no esforço para acompanhar o andamento, enquanto o
esloveno encontrava margem para conversar com aparente tranquilidade.
Entre o respeito dos antigos
campeões e a admiração dos adversários atuais, cresce a sensação de que o
ciclismo está a assistir a uma era excecional. E quando até Eddy Merckx,
considerado por muitos o maior de todos os tempos, admite que Pogacar atingiu um
nível superior ao seu, a dimensão do fenómeno torna-se ainda mais evidente.

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