Por: José Morais
Primoz Roglic vive um dos
momentos mais incertos da sua carreira. Depois da saída da Red Bull-Bora, o
esloveno continua sem equipa para 2027 e vê o leque de opções diminuir a cada
semana. Enquanto o mercado se concentra cada vez mais em jovens talentos emergentes,
o antigo vencedor de três Grandes Voltas enfrenta dificuldades inesperadas para
encontrar um novo projeto.
Equipas
recuam da corrida pelo esloveno
A primeira formação a
afastar-se foi a Visma-Lease a Bike. Apesar dos contactos mantidos ao longo dos
últimos meses e da possibilidade de um regresso à estrutura onde alcançou
alguns dos maiores triunfos da carreira, a equipa neerlandesa optou por seguir
outro caminho. Com apenas uma vaga disponível no plantel, a prioridade passou
para a promoção de um jovem talento proveniente da sua equipa de
desenvolvimento.
Também a proposta apresentada
pela Lotto-Intermarché não avançou. Neste caso, a decisão terá partido do
próprio Roglic, que não aceitou as condições colocadas em cima da mesa. Perante
essa recusa, a equipa belga voltou-se para alternativas financeiramente mais
acessíveis, procurando reforçar o setor da montanha com corredores em final de
contrato noutras formações.
Pinarello
Q36.5 e Tudor também deixam cair a hipótese
As más notícias para o campeão
esloveno não ficaram por aqui. Segundo informações reveladas nos últimos dias,
o Pinarello Q36.5 abandonou igualmente as negociações. A formação liderada por
Tom Pidcock prepara uma profunda remodelação do plantel para 2027, mas as
conversações com Roglic não resultaram num entendimento satisfatório para ambas
as partes.
Situação semelhante acontece
na Tudor Pro Cycling. A equipa de Fabian Cancellara continua a reforçar a sua
estrutura e o limite de corredores permitido pela UCI deixa pouca margem para
novas entradas. Além disso, existem questões comerciais que poderão complicar
qualquer entendimento, nomeadamente devido aos compromissos de imagem de Roglič
com marcas concorrentes dos patrocinadores da equipa suíça.
Salário,
liderança e calendário levantam dúvidas
À medida que os dias passam,
cresce a especulação sobre os motivos que estão a dificultar o acordo com uma
nova equipa. Fontes do pelotão apontam para exigências elevadas tanto a nível
financeiro como desportivo.
Fala-se de uma remuneração
próxima dos três milhões de euros por temporada, mas não será apenas a vertente
económica a gerar reservas. O estatuto de líder absoluto, a definição do
calendário competitivo e a gestão do projeto desportivo poderão estar igualmente
entre os pontos mais difíceis de conciliar.
A idade
pesa, mas os resultados continuam a falar
Apesar de já ter 37 anos,
Roglic continua a demonstrar capacidade para competir ao mais alto nível. O
segundo lugar conquistado na Volta a Espanha e o título europeu de
contrarrelógio alcançado semanas mais tarde mostram que o esloveno permanece
competitivo entre a elite mundial.
Contudo, o mercado atual
privilegia cada vez mais investimentos em corredores jovens, capazes de
garantir retorno desportivo durante várias épocas. Nesse contexto, as equipas
parecem hesitar em assumir um compromisso de longo prazo com um ciclista que se
aproxima do fim da carreira.
Relógio
corre contra Roglic
Com os estágios de
pré-temporada prestes a arrancar, a margem de manobra reduz-se rapidamente para
o tetracampeão da Vuelta e vencedor do Giro d'Itália. Sem acordo anunciado e
com várias portas já fechadas, o futuro permanece envolto em incerteza.
Nos próximos dias, Roglic
marcará presença em Taiwan, onde participará num evento de final de temporada
ao lado de centenas de ciclistas locais. A ocasião poderá servir para lançar
alguma luz sobre os seus planos, numa altura em que todo o pelotão aguarda para
saber qual será o próximo capítulo de uma das carreiras mais marcantes do
ciclismo moderno.

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