domingo, 8 de novembro de 2026

“Primoz Roglic encurralado: As portas fecham-se e o futuro no pelotão continua em suspenso”


Por: José Morais

Primoz Roglic vive um dos momentos mais incertos da sua carreira. Depois da saída da Red Bull-Bora, o esloveno continua sem equipa para 2027 e vê o leque de opções diminuir a cada semana. Enquanto o mercado se concentra cada vez mais em jovens talentos emergentes, o antigo vencedor de três Grandes Voltas enfrenta dificuldades inesperadas para encontrar um novo projeto.

 

Equipas recuam da corrida pelo esloveno

 

A primeira formação a afastar-se foi a Visma-Lease a Bike. Apesar dos contactos mantidos ao longo dos últimos meses e da possibilidade de um regresso à estrutura onde alcançou alguns dos maiores triunfos da carreira, a equipa neerlandesa optou por seguir outro caminho. Com apenas uma vaga disponível no plantel, a prioridade passou para a promoção de um jovem talento proveniente da sua equipa de desenvolvimento.

Também a proposta apresentada pela Lotto-Intermarché não avançou. Neste caso, a decisão terá partido do próprio Roglic, que não aceitou as condições colocadas em cima da mesa. Perante essa recusa, a equipa belga voltou-se para alternativas financeiramente mais acessíveis, procurando reforçar o setor da montanha com corredores em final de contrato noutras formações.

 

Pinarello Q36.5 e Tudor também deixam cair a hipótese

 

As más notícias para o campeão esloveno não ficaram por aqui. Segundo informações reveladas nos últimos dias, o Pinarello Q36.5 abandonou igualmente as negociações. A formação liderada por Tom Pidcock prepara uma profunda remodelação do plantel para 2027, mas as conversações com Roglic não resultaram num entendimento satisfatório para ambas as partes.

Situação semelhante acontece na Tudor Pro Cycling. A equipa de Fabian Cancellara continua a reforçar a sua estrutura e o limite de corredores permitido pela UCI deixa pouca margem para novas entradas. Além disso, existem questões comerciais que poderão complicar qualquer entendimento, nomeadamente devido aos compromissos de imagem de Roglič com marcas concorrentes dos patrocinadores da equipa suíça.

 

Salário, liderança e calendário levantam dúvidas

 

À medida que os dias passam, cresce a especulação sobre os motivos que estão a dificultar o acordo com uma nova equipa. Fontes do pelotão apontam para exigências elevadas tanto a nível financeiro como desportivo.

Fala-se de uma remuneração próxima dos três milhões de euros por temporada, mas não será apenas a vertente económica a gerar reservas. O estatuto de líder absoluto, a definição do calendário competitivo e a gestão do projeto desportivo poderão estar igualmente entre os pontos mais difíceis de conciliar.

 

A idade pesa, mas os resultados continuam a falar

 

Apesar de já ter 37 anos, Roglic continua a demonstrar capacidade para competir ao mais alto nível. O segundo lugar conquistado na Volta a Espanha e o título europeu de contrarrelógio alcançado semanas mais tarde mostram que o esloveno permanece competitivo entre a elite mundial.

Contudo, o mercado atual privilegia cada vez mais investimentos em corredores jovens, capazes de garantir retorno desportivo durante várias épocas. Nesse contexto, as equipas parecem hesitar em assumir um compromisso de longo prazo com um ciclista que se aproxima do fim da carreira.

 

Relógio corre contra Roglic

 

Com os estágios de pré-temporada prestes a arrancar, a margem de manobra reduz-se rapidamente para o tetracampeão da Vuelta e vencedor do Giro d'Itália. Sem acordo anunciado e com várias portas já fechadas, o futuro permanece envolto em incerteza.

Nos próximos dias, Roglic marcará presença em Taiwan, onde participará num evento de final de temporada ao lado de centenas de ciclistas locais. A ocasião poderá servir para lançar alguma luz sobre os seus planos, numa altura em que todo o pelotão aguarda para saber qual será o próximo capítulo de uma das carreiras mais marcantes do ciclismo moderno.

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