terça-feira, 3 de novembro de 2026

“Giro d’Itália 2027 promete espetáculo absoluto: montanhas lendárias regressam para uma das edições mais duras de sempre"


Por: José Morais

O Giro d’Itália 2027 foi oficialmente apresentado em Roma e deixa desde já uma certeza: os candidatos à vitória final terão de conquistar a camisola rosa nas montanhas. Com partida marcada para Trieste, a 8 de maio, e chegada em Roma, a 30 de maio, a próxima edição apresenta um percurso exigente, desenhado para trepadores puros e recheado de etapas capazes de provocar diferenças significativas na classificação geral.

Ao longo de 3.418 quilómetros e mais de 50.000 metros de desnível acumulado, os corredores enfrentarão sete chegadas em alto, dois contrarrelógios individuais e algumas das ascensões mais emblemáticas da história da corrida italiana. Entre os grandes regressos destacam-se o Passo Gavia, ausente desde 2014, e o temível Monte Zoncolan, dois nomes que continuam a representar o lado mais épico e brutal do ciclismo de montanha.

 

Montanha no centro das atenções

 

A edição de 2027 foi claramente desenhada para favorecer os homens da classificação geral capazes de brilhar nas subidas. Os Apeninos e os Alpes surgem como palco principal de uma corrida que acumulará sucessivas jornadas de desgaste antes de entrar na decisiva terceira semana.

Além das chegadas em alto, haverá dois contrarrelógios com características muito distintas. O primeiro será uma prova de escalada até Campo di Giove, enquanto o segundo, totalmente plano, ligará Monza a Milão e poderá beneficiar os especialistas contra o cronómetro.

Esta será também a primeira edição concebida sem a intervenção de Mauro Vegni, histórico diretor da prova, que terminou funções após mais de uma década à frente da organização.

 

Quem pode lutar pela camisola rosa?

 

Entre os nomes apontados como possíveis protagonistas surge naturalmente Remco Evenepoel. A presença do belga continua incerta, sobretudo devido às características favoráveis do Tour de France, mas a combinação entre montanha e contrarrelógio torna o Giro particularmente atrativo para o campeão olímpico.

Jonas Vingegaard aparece igualmente entre os potenciais candidatos. O dinamarquês poderá optar por centrar a temporada numa Grande Volta alternativa ao Tour, encontrando em Itália uma oportunidade para enriquecer o seu palmarés.

Já Paul Seixas poderá apostar numa preparação orientada para o Campeonato do Mundo, enquanto equipas como UAE Team Emirates, Red Bull-Bora-Hansgrohe e Lidl-Trek deverão apresentar líderes alternativos de grande qualidade. Isaac del Toro, Florian Lipowitz, Giulio Pellizzari e Mattias Skjelmose são alguns dos nomes que poderão assumir papel de destaque.

Por outro lado, Tadej Pogacar dificilmente marcará presença. O esloveno deverá concentrar os seus objetivos no Tour e na Vuelta, depois de ter visto fugir o sonho de conquistar as três Grandes Voltas.

 

Sprinters terão vida difícil

 

Apesar de existirem várias etapas teoricamente favoráveis aos velocistas, o percurso está longe de ser amigável para os homens rápidos. Muitas jornadas apresentam finais acidentados, subidas próximas da meta e terreno ideal para ataques tardios de puncheurs e escapados.

Na prática, as oportunidades para chegadas ao sprint poderão ser bastante inferiores às inicialmente previstas pela organização.

 

Primeira semana já promete seleção

 

A corrida arranca em Trieste com uma etapa nervosa e propícia a diferenças imediatas entre os favoritos. Logo nos primeiros dias surgem percursos ondulados capazes de favorecer corredores explosivos, antes da primeira chegada em alto na subida para Sassotetto.

Outro dos momentos marcantes da semana inaugural será o contrarrelógio de montanha até Campo di Giove, a primeira grande oportunidade para os candidatos à geral medirem forças individualmente.

O encerramento da primeira semana acontecerá em Monte Livata, numa chegada em altitude que poderá consolidar os primeiros homens fortes da corrida.

 

Segunda semana combina equilíbrio e armadilhas

 

Depois do primeiro dia de descanso, o Giro entra numa fase mais equilibrada, alternando oportunidades para fugitivos, velocistas resistentes e candidatos à classificação geral.

A chegada ao Passo Due Santi deverá provocar nova seleção entre os favoritos, enquanto o contrarrelógio de 37,3 quilómetros entre Monza e Milão poderá alterar significativamente as posições na luta pela camisola rosa.

 

Mortirolo, Gavia e Zoncolan: a trilogia do sofrimento

 

A terceira semana concentra os momentos mais aguardados da corrida.

 

A etapa com chegada a Aprica deverá ser uma das mais difíceis da última década. O percurso inclui duas passagens pelo Mortirolo e uma travessia do lendário Passo Gavia, ultrapassando os 5.700 metros de desnível acumulado. Trata-se de uma jornada concebida para destruir resistências e criar diferenças substanciais entre os favoritos.

Poucos dias depois, Madonna di Campiglio servirá de cenário para mais um duro teste de montanha, antes do derradeiro confronto na subida ao Monte Zoncolan.

Com rampas que rondam os 12% de inclinação média, o Zoncolan voltará a assumir o papel de juiz supremo da corrida. A subida poderá decidir definitivamente o vencedor do Giro ou confirmar a superioridade de quem chegar vestido de rosa à última montanha.

 

Roma volta a fechar a festa

 

Após três semanas de grande dureza, a corrida terminará novamente em Roma. A capital italiana receberá a tradicional etapa final, destinada aos velocistas sobreviventes e às celebrações do vencedor da classificação geral.

Tudo aponta para um Giro d’Itália 2027 construído à medida dos grandes escaladores, com uma combinação rara de montanhas históricas, etapas extremamente exigentes e um percurso capaz de proporcionar uma das lutas pela camisola rosa mais emocionantes dos últimos anos.

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