quinta-feira, 29 de outubro de 2026

“Molly Weaver contraria defensores da equipa e reacende polémica no Picnic PostNL”


Ex-ciclista denuncia ambiente de pressão e afirma que muitas vítimas foram desacreditadas

 

Por: José Morais

A controvérsia em torno da estrutura da Picnic PostNL continua a ganhar dimensão. Depois da divulgação de uma investigação que reuniu testemunhos de dezenas de antigos corredores e funcionários, descrevendo um ambiente marcado por medo, controlo excessivo e pressão constante, surgiram também vozes em defesa da equipa. No entanto, a antiga ciclista Molly Weaver decidiu responder publicamente a essas posições, afirmando que a sua experiência pessoal foi muito diferente.

A britânica, que integrou as equipas Liv-Plantur e Sunweb entre 2015 e 2017, utilizou as redes sociais para contestar as declarações de John Degenkolb e Warren Barguil, dois nomes históricos ligados à formação. Segundo Weaver, o facto de alguns atletas não terem vivido situações negativas não invalida os relatos daqueles que alegam ter sido prejudicados.

“O facto de algo não vos ter acontecido não significa que os outros estejam a mentir”, escreveu a ex-corredora, acrescentando que alguns atletas podem simplesmente ter tido uma experiência mais favorável dentro da estrutura.

 

“Fui desacreditada quando denunciei o que vivi”

 

Weaver afirmou ainda ter ficado surpreendida ao ver antigos e actuais membros da equipa rejeitarem as acusações reveladas pela investigação. Para a antiga atleta, este tipo de reacção não é novidade.

Segundo explicou, quando expôs as dificuldades que enfrentou durante a sua passagem pela organização, também foi alvo de críticas e descrença. A ex-ciclista garante que ninguém tem interesse em inventar histórias deste género e recorda que falar publicamente sobre o assunto acabou por trazer consequências negativas para a sua própria carreira.

“Partilhar estas experiências nunca foi vantajoso para quem as viveu”, defendeu, sublinhando que a decisão de falar teve custos pessoais e profissionais significativos.

 

Apesar das críticas dirigidas ao funcionamento da equipa, Weaver fez questão de salientar que nem tudo foi negativo. Recorda com apreço algumas pessoas com quem trabalhou e reconhece que existiram momentos positivos durante os anos passados na estrutura.

 

Acusações de vigilância permanente e controlo rigoroso

 

Entre os aspectos mais polémicos apontados pela antiga corredora está o nível de supervisão exercido sobre os atletas.

De acordo com o seu testemunho, existia a expectativa de uma disponibilidade quase permanente, obrigando os corredores a responder rapidamente a mensagens e a justificar frequentemente actividades e deslocações. Qualquer atraso ou incumprimento poderia resultar em sanções internas.

Para Weaver, este modelo de gestão criou um ambiente excessivamente controlador e acabou por afectar o bem-estar de vários atletas.

 

“As consequências foram reais”

 

A ex-ciclista considera que o debate vai muito além das discussões nas redes sociais. Na sua opinião, as marcas deixadas por determinadas práticas organizacionais tiveram impacto profundo na vida de várias pessoas.

Segundo afirmou, algumas carreiras ficaram comprometidas e muitos atletas sofreram consequências psicológicas e físicas duradouras. Weaver defende que a forma como os corredores são tratados dentro das equipas deve ser uma prioridade e alerta para os efeitos que ambientes de elevada pressão podem ter a longo prazo.

A polémica continua, assim, a dividir opiniões no pelotão internacional, entre os que defendem a estrutura da Picnic PostNL e os que consideram que a investigação revelou problemas que não podem ser ignorados. O caso promete continuar a gerar debate no mundo do ciclismo profissional.

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