No triatlo, os hidratos de carbono continuam a ser o principal combustível para o treino e para a competição. Apesar da popularidade de abordagens restritivas em hidratos de carbono, a evidência científica mostra que reduções excessivas podem comprometer a performance, a recuperação e a saúde do triatleta.
A primeira razão é a
manutenção da intensidade de treino. Sessões de qualidade, como intervalos,
treinos de ritmo ou blocos exigentes no ciclismo e corrida, dependem fortemente
do glicogénio muscular. Quando as reservas estão baixas, o atleta vê-se obrigado
a reduzir intensidade, acumula mais fadiga e perde estímulos fundamentais para
a evolução da performance.
A segunda razão prende-se com
a recuperação entre sessões. O triatlo envolve frequentemente treinos diários
ou duplos. Um consumo insuficiente de hidratos de carbono dificulta a reposição
de glicogénio, levando a uma recuperação incompleta e a um efeito acumulativo
de fadiga que compromete o treino seguinte.
A terceira razão é a proteção
da massa muscular. Em contexto de baixa ingestão de hidratos de carbono, o
organismo aumenta a utilização de proteína como fonte energética. Isto favorece
o catabolismo muscular, especialmente quando o volume de treino é elevado ou
existe défice energético, prejudicando força, potência e economia de movimento.
A quarta razão é o impacto no
sistema nervoso e na perceção de esforço. Níveis baixos de glicose estão
associados a maior fadiga central, pior capacidade de concentração e aumento da
perceção de esforço. No triatlo, onde a tomada de decisão e o pacing são
determinantes, isto pode traduzir-se em erros estratégicos e quebra de
rendimento.
Por fim, a quinta razão é o
aumento do risco de baixa disponibilidade energética e RED-S. Reduções crónicas
de hidratos de carbono dificultam o alcance das necessidades energéticas
totais, aumentando o risco de alterações hormonais, comprometimento da saúde
óssea e maior suscetibilidade a lesões e doença.
No triatlo, hidratos de
carbono não são um inimigo, mas uma ferramenta estratégica. O foco não deve ser
cortar, mas ajustar quantidades, timing e contexto de forma inteligente e
individualizada.
Joana Santos Romão (CP: 4894N)
– Founder of ROMÃO sports
nutrition
– Performance nutritionist
Fonte: Federação Triatlo
Portugal

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