sexta-feira, 23 de novembro de 2018

“Qualquer maneira de pedalar vale a pena”

Todas as formas de pedalar valem a pena, são vantajosas, compensam, são úteis.

Por: André Geraldo Soares

Não nos referimos apenas aos benefícios pessoais, mas também aos sociais e ecológicos. Pedalar para ir ao trabalho, à escola e à casa do namorado é rápido e cômodo; a bicicleta é eficiente e prática para brincar, para exercitar-se e para espairecer. Além disso, também desafoga o trânsito e não empesteia o ar. Seja de barra forte, de BMX ou de triciclo, seus condutores estão demonstrando a viabilidade do ciclismo para a vida social e para o bem-estar ambiental. Que custe 150 mangos ou 14 mil dólares, a bicicleta, na rua, exprime o direito, escrito mas ainda não de todo aplicado, de movimentar- se nos espaços públicos sem constrangimentos.

Por isso é uma pena, é lamentável, é digno de compaixão, dá dó mesmo ver tantas pessoas estagnadas no trânsito, remoendo a raiva de ainda não terem chegado em casa e crentes de que o congestionamento são os outros! A realidade poderia ser diferente: as vias locais poderiam ser um espaço tranquilo e de convívio entre todas as modalidades e as vias de ligação poderiam dar fluidez ao transporte coletivo. As janelas das casas não precisariam permanecer fechadas para abafar o ruído de tantos motores imóveis e de tantas buzinadas inúteis. Com tanta ciência e tecnologia, com tanto conhecimento e imaginação, é patético constatar tantas pessoas iludidas de que uma pista a mais aqui e um viaduto a mais ali resolverão, enfim, final e definitivamente, os problemas de trânsito da cidade!

 O mais duro é que esta pena, este sofrimento, este martírio, este tormento diário e cotidiano é chamado de progresso, é considerado índice de desenvolvimento de um lugar. Mais carros significam, para a mentalidade tecno economicista, mais pessoas bem-sucedidas. Pátios de montadoras lotados denotam que o povo está com pouca grana. Já as ruas lotadas são sinal de economia aquecida. O Governo Federal diminui os impostos para atender as montadoras, a mídia glamouriza o modo de vida motorizado e o indivíduo reverbera aqui em baixo: “Eu padeço aqui engarrafado, mas com ar condicionado e DVD a bordo. E aqueles ali, amontoados no ônibus, devem reclamar para a prefeitura, porque eu não tenho nada a ver com isso”.

Essa situação não deixa de ser uma pena, um castigo, uma punição, uma penitência imposta a uma sociedade que não acredita na democracia. Ao contrário de buscarem participar, as pessoas preferem entregar o poder de todas as decisões que vão recair sobre suas cabeças a alguém mais famoso ou com campanha eleitoral mais lustrosa. Cidadãos reduzidos, quando muito, a eleitores – no mais das vezes, a apertadores de botões de urna. Ao invés de buscar conhecer as leis, de exigir espaços constantes para o planeamento urbano e de apoiar as instituições civis que tentam influenciar a adoção de políticas públicas igualitárias, o cidadão médio se desobriga disso tudo em nome do seu conforto. Enquanto isso, o mercado, o capital, as corporações, os investidores passam as diretrizes de governo, dentre as quais não constam nenhuma a favor de pedestres.

Por isso muitos ciclistas revelam pena, amargura, pesar, desgosto ao tratar da mobilidade urbana. Defendem a humanização das cidades, falam em nome das crianças que querem ir para a escola sem depender dos pais e enaltecem as velhinhas que dão exemplo para a marmanjada – mas são tratados como entraves para o desenvolvimento, como desordeiros ou como ETs. Não é de ficar triste? Tudo o que querem, estes ciclistas, é pedalar em paz e sem serem ameaçados, mas sabem que isso somente será conquistado quando a sua modalidade deixar de receber apenas as migalhas do orçamento público. Dá pra se conformar com isso? Arriscam sua pele e seus ossos, por gosto ou por necessidade, ocupando um mínimo espaço, e são acusados de atrapalharem o trânsito. É pra acabar!

De sorte que tais ciclistas compreendem seu papel para fazer das cidades um lugar melhor de se viver – e o fazem com alegria e disposição. E um dia, quiçá, todo mundo reconhecerá isso, confirmando que vale a pena pedalar. Existem muitas formas de dialogar com a sociedade para convencê-la de que um mundo viável para todos é um mundo ao alcance da bicicleta (evidentemente que, devido às dimensões do mundo, em integração com todos os demais veículos); mas a principal dessas maneiras é pedalar, ocupar os espaços, demonstrar pelo exemplo – e, evidentemente, usufruindo das vantagens de fazê-lo.

Fonte: Revista Bicicleta.com

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

“Campeonato do Mundo de Ciclismo de Sala”

Irmãos Fontinha representam Portugal no Mundial de ciclismo artístico

Fonte: José Carlos Gomes

Os irmãos Tamaris e Dominic Franke Fontinha competem, sexta-feira e sábado, nas provas individuais de ciclismo artístico, integradas no Campeonato do Mundo de Ciclismo de Sala, que se realiza em Liège, Bélgica.

Tamaris Franke Fontinha, décima classificada no Campeonato da Europa, é a primeira a entrar em ação, às 13h15 de sexta-feira, na competição individual feminina. O irmão, Dominic Franke Fontinha, tem atuação marcada para as 14h00 de sábado, na competição individual masculina.

Tamaris e Dominic têm origens no Algarve, embora vivam na Alemanha, país em que o ciclismo de sala, especialmente as disciplinas de ciclismo artístico, estão muito desenvolvidas.

Portugal tem história nesta vertente da modalidade, pois as irmãs Carmo e Ivone Carvalho, também emigrantes, foram campeãs mundiais de duplas em 1991, 1993 e 1998.

O Campeonato do Mundo de Ciclismo de Sala realizou-se em Portugal duas vezes, em 1999, no Funchal, e dez anos mais tarde, em Tavira.

Fonte: FPC

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

“Volta ao Algarve”

Volta ao Algarve com percurso clássico em 2019

Por: José Carlos Gomes

A 45.ª edição da Volta ao Algarve, na estrada entre 20 e 24 de fevereiro de 2019, terá um percurso clássico, semelhante ao dos anos anteriores.

A corrida portuguesa de categoria 2.HC, a mais elevada do circuito Europe Tour, apresenta cinco etapas, oferecendo oportunidades para todo o tipo de corredores.

O arranque acontece em Portimão, cidade que já recebia a Volta ao Algarve desde 2012. Será dali que parte a primeira etapa, a mais longa da competição, 199,1 quilómetros até Lagos. Espera-se que seja uma chegada ao sprint, na mesmo local onde, nos dois últimos anos, venceram Fernando Gaviria e Dylan Groenwegen.

A segunda etapa começa em Almodôvar e termina no pontos mais alto do Algarve, a Fóia, no concelho de Monchique. A viagem terá 187,4 quilómetros e um acumulado de 3600 metros. A meta coincide com uma contagem de montanha de primeira categoria, onde, nos últimos anos, triunfaran Daniel Martin e Michal Kwiatkowski. A chegada à Fóia será feita por uma vertente com 8 quilómetros de subida e uma inclinação média de 6,3 por cento.

A Volta ao Algarve continua a afirmar-se como um dos primeiros "braços-de-ferro" para os contrarrelogistas no início de época, teste essencial para os especialistas experimentarem as novas "cabras". A terceira etapa será um exercício individual de 20,3 quilómetros, com início e final em Lagoa. O contrarrelógio vai disputar-se no mesmo percurso do ano passado, no qual se impôs o vencedor da Volta a França, Geraint  Thomas.

Os sprinters terão nova oportunidade ao quarto dia, aquando da ligação de 198,3 quilómetros, entre Albufeira e Tavira. À semelhança do que aconteceu nos últimos dois anos, quando se impuseram André Greipel e Dylan Groenewegen, são esperados milhares de espectadores para assistir à previsível disputa entre alguns dos melhores velocistas do pelotão mundial.

 

Como vem sendo tradição, a Volta ao Algarve termina no alto do Malhão, concelho de Loulé. A quinta e última etapa terá 173,5 quilómetros, partindo de Faro e chegando ao Malhão. A meta coincide com um prémio de montanha de segunda categoria, uma subida curta mas muito exigente - 2,5 quilómetros com inclinaçãoo média de 9,9 por cento -, onde, nos últimos dois anos se impuseram Amaro Antunes e Michal Kwiatkowski.

O percurso reúne todos os ingredientes para que a Volta ao Algarve continue a ser uma das melhores corridas do mundo e um dos eventos com maior qualidade no contexto de todo o desporto português.

 

Etapas

20 de Fevereiro - 1.ª Etapa: Portimão - Lagos, 199,1 km

21 de Fevereiro - 2.ª Etapa: Almodôvar - Fóia, 187,4 km

22 de Fevereiro - 3.ª Etapa: Lagoa - Lagoa, 20,3 km (CRI)

23 de Fevereiro - 4.ª Etapa: Albufeira - Tavira, 198,3 km

24 de Fevereiro - 5.ª Etapa: Faro - Malhão, 173,5 km

 

Últimos Vencedores da Volta ao Algarve

2018 - Michal Kwiatkowski (Team Sky)

2017 – Primoz Roglic (Team Lotto NL-Jumbo)

2016 – Geraint Thomas (Team Sky)

2015 – Geraint Thomas (Team Sky)

2014 – Michal Kwiatkowski (Omega Pharma-QuickStep)

2013 – Tony Martin (Omega Pharma-QuickStep)

2012 – Richie Porte (Sky)

2011 – Tony Martin (HTC-Highroad)

2010 – Alberto Contador (Astana)

2009 – Alberto Contador (Astana)

Fonte: FPC

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
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