Por: José Morais
O último Monumento da
temporada prepara-se para escrever um capítulo inédito. Pela primeira vez em
seis anos, o Il Lombardia terá um vencedor diferente de Tadej Pogačar, o homem
que dominou a clássica italiana de forma absoluta desde 2021. Com a ausência do
esloveno, a edição de 2026 apresenta-se como uma das mais imprevisíveis dos
últimos tempos.
No sábado, 10 de outubro, o
pelotão enfrentará 239 quilómetros entre Bergamo e Como, num percurso exigente
que acumula cerca de 4.600 metros de desnível positivo e nove subidas. Será uma
jornada de desgaste constante, desenhada para separar os mais fortes e decidir
o derradeiro Monumento do calendário.
Ao contrário das últimas
temporadas, não existe um favorito incontestável. A ausência do pentacampeão da
prova deixa o cenário completamente em aberto e transforma cada ataque numa
potencial jogada vencedora.
Evenepoel
vê finalmente o caminho livre para a vitória
Entre os grandes candidatos
destaca-se Remco Evenepoel. O campeão europeu tem sido uma das figuras mais
consistentes em Lombardia e chega a esta edição depois de dois segundos lugares
consecutivos. Sem Pogačar no alinhamento, o belga surge naturalmente como uma
das principais referências para conquistar a clássica das folhas mortas.
A dureza do percurso favorece
as suas características e poderá oferecer-lhe a melhor oportunidade de vencer
pela primeira vez nas estradas que terminam junto ao Lago de Como.
Percurso
promete seleção natural até aos quilómetros finais
A corrida inicia-se em Bergamo
e entra rapidamente num terreno acidentado. As ascensões a Selvino, Colle di
Berbenno e Valpiana irão provocar o primeiro desgaste significativo, antes da
passagem por Giovenzana.
Mais adiante surge a lendária
Madonna del Ghisallo, um dos locais mais simbólicos da história do ciclismo. A
cerca de 60 quilómetros da meta, esta subida poderá começar a revelar quem
ainda terá forças para discutir o triunfo.
Daí para a frente, a prova
entra na sua fase decisiva, onde a resistência física e a capacidade de
recuperação serão colocadas à prova.
Dupla
passagem por San Fermo pode decidir tudo
O desfecho concentra-se nos
arredores de Como. Depois da primeira passagem por San Fermo della Battaglia,
os corredores enfrentam Civiglio, uma subida curta mas extremamente exigente,
com rampas capazes de provocar diferenças importantes entre os favoritos.
Quando o pelotão regressar a
San Fermo della Battaglia pela segunda vez, restarão apenas cerca de cinco
quilómetros para a meta. A partir desse ponto, o vencedor poderá emergir de um
ataque na subida ou de uma descida agressiva em direção a Como.
A combinação entre inclinações
duras e um final técnico favorece ciclistas explosivos, capazes de subir ao
mais alto nível sem comprometer a velocidade nas descidas.
Pidcock,
Ciccone e a nova geração sonham com a glória
Num ano marcado pela ausência
da grande referência da prova, vários nomes acreditam poder aproveitar a
oportunidade.
Tom Pidcock apresenta um
perfil ideal para um final técnico e montanhoso, enquanto Giulio Ciccone surge
motivado perante uma corrida desenhada para escaladores agressivos. Ambos
possuem recursos para fazer a diferença nas últimas dificuldades.
A lista de candidatos inclui
ainda Paul Seixas, Matteo Jorgenson e Isaac del Toro, corredores com capacidade
para resistir ao ritmo brutal de uma clássica de quase 240 quilómetros. Já
Davide Piganzoli chega moralizado após recentes exibições de destaque e poderá
assumir o papel de surpresa da jornada.
O
Monumento que encerra a temporada
Depois de Milão-San Remo,
Volta à Flandres, Paris-Roubaix e Liège-Bastogne-Liège, chega o momento de
fechar o ciclo dos Monumentos de 2026.
Tradicionalmente considerada a
mais montanhosa das cinco grandes clássicas, Lombardia volta a apresentar um
traçado exigente que privilegia trepadores e corredores completos. Este ano,
porém, existe um ingrediente adicional: a certeza de que haverá um novo nome
inscrito no troféu.
Sem o campeão das últimas
cinco edições, o Il Lombardia regressa à incerteza que torna o ciclismo tão
fascinante. E, quando o pelotão entrar em Como, apenas um corredor terá o
privilégio de inaugurar uma nova era na clássica italiana.

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