quinta-feira, 8 de outubro de 2026

“Lombardia Sem Rei: Pogačar Fica de Fora e Abre a Porta a uma Nova Era em Como”


Por: José Morais

O último Monumento da temporada prepara-se para escrever um capítulo inédito. Pela primeira vez em seis anos, o Il Lombardia terá um vencedor diferente de Tadej Pogačar, o homem que dominou a clássica italiana de forma absoluta desde 2021. Com a ausência do esloveno, a edição de 2026 apresenta-se como uma das mais imprevisíveis dos últimos tempos.

No sábado, 10 de outubro, o pelotão enfrentará 239 quilómetros entre Bergamo e Como, num percurso exigente que acumula cerca de 4.600 metros de desnível positivo e nove subidas. Será uma jornada de desgaste constante, desenhada para separar os mais fortes e decidir o derradeiro Monumento do calendário.

Ao contrário das últimas temporadas, não existe um favorito incontestável. A ausência do pentacampeão da prova deixa o cenário completamente em aberto e transforma cada ataque numa potencial jogada vencedora.

 

Evenepoel vê finalmente o caminho livre para a vitória

 

Entre os grandes candidatos destaca-se Remco Evenepoel. O campeão europeu tem sido uma das figuras mais consistentes em Lombardia e chega a esta edição depois de dois segundos lugares consecutivos. Sem Pogačar no alinhamento, o belga surge naturalmente como uma das principais referências para conquistar a clássica das folhas mortas.

A dureza do percurso favorece as suas características e poderá oferecer-lhe a melhor oportunidade de vencer pela primeira vez nas estradas que terminam junto ao Lago de Como.

 

Percurso promete seleção natural até aos quilómetros finais

 

A corrida inicia-se em Bergamo e entra rapidamente num terreno acidentado. As ascensões a Selvino, Colle di Berbenno e Valpiana irão provocar o primeiro desgaste significativo, antes da passagem por Giovenzana.

Mais adiante surge a lendária Madonna del Ghisallo, um dos locais mais simbólicos da história do ciclismo. A cerca de 60 quilómetros da meta, esta subida poderá começar a revelar quem ainda terá forças para discutir o triunfo.

Daí para a frente, a prova entra na sua fase decisiva, onde a resistência física e a capacidade de recuperação serão colocadas à prova.

 

Dupla passagem por San Fermo pode decidir tudo

 

O desfecho concentra-se nos arredores de Como. Depois da primeira passagem por San Fermo della Battaglia, os corredores enfrentam Civiglio, uma subida curta mas extremamente exigente, com rampas capazes de provocar diferenças importantes entre os favoritos.

Quando o pelotão regressar a San Fermo della Battaglia pela segunda vez, restarão apenas cerca de cinco quilómetros para a meta. A partir desse ponto, o vencedor poderá emergir de um ataque na subida ou de uma descida agressiva em direção a Como.

A combinação entre inclinações duras e um final técnico favorece ciclistas explosivos, capazes de subir ao mais alto nível sem comprometer a velocidade nas descidas.

 

Pidcock, Ciccone e a nova geração sonham com a glória

 

Num ano marcado pela ausência da grande referência da prova, vários nomes acreditam poder aproveitar a oportunidade.

Tom Pidcock apresenta um perfil ideal para um final técnico e montanhoso, enquanto Giulio Ciccone surge motivado perante uma corrida desenhada para escaladores agressivos. Ambos possuem recursos para fazer a diferença nas últimas dificuldades.

A lista de candidatos inclui ainda Paul Seixas, Matteo Jorgenson e Isaac del Toro, corredores com capacidade para resistir ao ritmo brutal de uma clássica de quase 240 quilómetros. Já Davide Piganzoli chega moralizado após recentes exibições de destaque e poderá assumir o papel de surpresa da jornada.

 

O Monumento que encerra a temporada

 

Depois de Milão-San Remo, Volta à Flandres, Paris-Roubaix e Liège-Bastogne-Liège, chega o momento de fechar o ciclo dos Monumentos de 2026.

Tradicionalmente considerada a mais montanhosa das cinco grandes clássicas, Lombardia volta a apresentar um traçado exigente que privilegia trepadores e corredores completos. Este ano, porém, existe um ingrediente adicional: a certeza de que haverá um novo nome inscrito no troféu.

Sem o campeão das últimas cinco edições, o Il Lombardia regressa à incerteza que torna o ciclismo tão fascinante. E, quando o pelotão entrar em Como, apenas um corredor terá o privilégio de inaugurar uma nova era na clássica italiana.

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