Por: Miguel Marques
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Isaac del Toro vai estrear-se
na Volta a França em 2026, fruto de uma progressão natural após já ter
disputado as outras duas Grandes Voltas. Contudo, este não foi sempre o plano:
na UAE Team Emirates - XRG chegou a existir a ideia inicial de juntar Del Toro
e João Almeida na Volta a Itália.
“Para mim, porém, é um
processo natural e perfeito. A Volta a Espanha no primeiro ano, a Volta a
Itália no segundo e a Volta a França no terceiro”, partilhou o manager Joxean
Matxin em declarações à Bici.Pro. Em França, será o principal gregário de Tadej
Pogacar na montanha, embora a evolução ao longo deste ano possa permitir ao
mexicano lutar ele próprio por um lugar no pódio final, ao lado de Jonas
Vingegaard, Remco Evenepoel e Florian Lipowitz.
“Esse é o caminho certo, não
acha? E, já agora, já vos disse que este é mais ou menos o meu método de
trabalho com os jovens”. Muitos esperavam que Del Toro regressasse ao Giro após
ter estado tão perto de o vencer este ano, apenas superado por Simon Yates na
última etapa de alta montanha rumo a Sestrières.
“Inicialmente, sim. Pensámos
nisso e falámos sobre o assunto. A ideia era enviar João Almeida e Del Toro ao
Giro para tentar ganhá-lo. Mas depois surgiram outras considerações”,
prosseguiu o espanhol. “Estamos a falar de um mexicano de 22 anos, de um país
com um entusiasmo enorme pelo ciclismo graças ao Isaac, mas ainda sem grande
tradição. E se ele ficasse em segundo? Para eles, ele tem de ganhar”.
Emparelhar
com Pogacar
A pressão sobre Del Toro no
seu país é real, e a UAE quer manter a série positiva. No início do ano terá
essas oportunidades, liderando a equipa no UAE Tour, Tirreno–Adriático e Volta
ao País Basco. No verão, também comandará a equipa no Tour Auverge - Rhône
Alpes antes de seguir para o Tour, enquanto Tadej Pogacar optará por competir
na Volta à Suíça.
“Não devemos colocar Del Toro
numa situação em que tenha de fazer algo e nós também não queremos isso. Ele
tem de desfrutar do ciclismo, abordar cada corrida com paixão e calma. Ir agora
à Volta a França, juntamente com o melhor ciclista do mundo e a melhor equipa
do mundo, é uma oportunidade para nós”, explica Matxin. Só numa equipa como a
UAE teria Del Toro, neste momento, a possibilidade de se estrear na Volta a
França fora dos holofotes. O Campeão do Mundo assumirá esse foco, ao tentar
igualar o recorde de cinco camisolas amarelas.
“O Pogacar não é apenas uma
referência para nós, mas para todo o ciclismo. Por isso, ter o Del Toro no Tour
não significa responsabilidade, mas sim confiança e experiência para o futuro”,
defende a equipa.
Porém, tal como Adam Yates em
2023 (terceiro) e João Almeida em 2024 (quarto), Del Toro deverá também ter
margem para discutir a geral. “É claro que ele não será apenas um gregário. Não
lhe pedimos nada, exceto que esteja lá. É um talento enorme e merece esta
oportunidade, tal como o João mereceu antes dele”.
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