segunda-feira, 25 de outubro de 2021

“Iuri Leitão e a prata nos Mundiais de pista: «É o feito mais alto da minha carreira»”


Português foi vice-campeão na vertente de eliminação

 

Por: Lusa

Foto: EPA

O ciclista português Iuri Leitão disse esta segunda-feira que a medalha de prata conquistada, no domingo, em França, nos campeonatos do mundo de ciclismo de pista, na vertente de eliminação, foi "o maior feito" da sua carreira.

"Ter sido campeão da Europa [em 2020] foi um dos grandes pontos da minha carreira, mas o Campeonato do Mundo tem um nível de exigência muito elevado, e fazer segundo lugar numa prova desta dimensão é o feito mais alto da minha carreira", disse o ciclista de 23 anos, na chegada ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, acompanhado da restante comitiva nacional.

Apesar de "muito feliz" pela conquista, Iuri Leitão reconheceu ainda não estar a saber lidar com a sensação de ser vice-campeão do mundo, revelando que não ter chegado ao pódio na corrida de omnium, no sábado, na qual foi quarto classificado, deu "motivação para fazer melhor" na prova do dia seguinte, em que fez o segundo lugar.

"Parti para a corrida de omnium sem muitas expectativas, porque o nível era muito exigente, frente a adversários com muito currículo. Perdi o pódio, mas fiquei com um quarto lugar que me deixou orgulhoso e, apesar de desgastado, muito motivado para a prova de domingo [eliminação]", disse o ciclista natural de Viana do Castelo.

Questionado sobre o segredo do sucesso do ciclismo nacional na vertente de pista nos últimos anos, com várias medalhas e títulos, em campeonatos do mundo e da Europa, Iuri Leitão realçou o "espírito de família" que se vive na seleção nacional.

"Temos um grupo único, que, apesar de pequeno em número de atletas e técnicos, funciona como uma família. Não tendo os recursos de outros países, temos um selecionador que nos une nos bons e nos maus resultados", sublinhou o vice-campeão do mundo, que já se prepara para o novo desafio profissional, no ciclismo de estrada, ao serviço da equipa espanhola Caja Rural.

As palavras de Iuri Leitão deixam Gabriel Mendes, selecionador nacional, "cheio de orgulho" pelo trabalho desenvolvido, lembrando o percurso vitorioso do ciclismo de pista português.

"Trabalhamos literalmente em alto rendimento, porque, com pouco investimento, maximizamos o que temos como poucos no mundo. No rácio entre o que gastamos e o que conquistamos e produzimos, já temos 51 medalhas nos últimos anos", vincou o técnico.

Gabriel Mendes considera que "para manter o atual nível de resultados é preciso aumentar recursos e investimento" na vertente de pista, considerando que a modalidade "tem grande potencial de crescimento e de atração de novos atletas".

"Estes resultados geram o interesse nos mais jovens, e já temos vários atletas que fazem um processo paralelo entre o ciclismo de estrada e pista. É natural que haja mais jovens a querem participar e é importante que o país tire partido desse interesse para o rentabilizar em ainda melhores resultados", vincou o selecionador nacional.

Delmino Pereira, presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, mostrou-se ciente da necessidade de dar sequência aos bons resultados na pista, e aponta um trabalho feito nesse sentido, espelhado num aumento de 15% no número de atletas filiados.

"Temos batido recordes nos êxitos conquistados nos mundiais e europeus, com uma onda positiva que nos dá boas perspetivas para o futuro. Os atuais atletas da seleção nacional têm sido fantásticos e ajudam a estimular novos praticantes", disse o dirigente.

Delmino Pereira lembrou que o "novo ciclista é global", com os corredores a participarem nas diferentes vertentes da modalidade, considerando que o ciclismo de pista "é uma escola de excelência que frequentemente alavanca a carreira na estrada".

Com o êxito de Iuri Leitão nestes campeonatos do mundo, Portugal já soma, no seu historial, três presenças no pódio na maior competição de ciclismo de pista, depois da prata de Ivo Oliveira, em perseguição individual, em 2018, e do bronze de Maria Martins, em scratch, em 2020.

Fonte: Record on-line

domingo, 24 de outubro de 2021

“Curso de Comissário Regional de Ciclismo”


Estão abertas as inscrições para um Curso de Comissário Regional de Ciclismo (b-learning) a realizar de 6 a 27 de novembro.

Os Comissários são os árbitros do ciclismo, competindo-lhes fazer cumprir os regulamentos e defender a verdade desportiva. Os Comissários, individualmente e/ou em Colégio, assumem a direção das provas de ciclismo (de todas as vertentes) no plano desportivo e zelam para que a mesma se desenrole, em todos os aspetos, em conformidade com os regulamentos. Através do site da Associação de Ciclismo do Minho www.acm.pt  podem ser obtidas mais informações e efetuadas as inscrições até ao dia 31 de outubro.

Fonte:  ACM - Associação de Ciclismo do Minho

“Seleção Nacional/Mundial de pista termina com prata para Iúri Leitão”


Por: José Carlos Gomes

Portugal fechou o Campeonato do Mundo de Pista, hoje, em Roubaix, França, com a medalha de prata de Iúri Leitão em eliminação. João Matias e Rui Oliveira, em Madison, e Maria Martins, na corrida por pontos, concluíram a participação no Mundial com o sexto lugar.

A última corrida do programa do Campeonato do Mundo foi aquela que deu a Portugal uma medalha. Depois de ontem ter mostrado estar em excelente forma ao longo de todo o concurso de omnium, saindo das posições de pódio apenas no derradeiro sprint da última corrida, Iúri Leitão confirmou hoje a capacidade física e tática na disciplina de eliminação.

A prova até começou com algum sobressalto para o vianense, que salvou duas eliminações com pouca margem. Só que o representante de Portugal subiu no pelotão e acabou a fazer uma exibição muito personalizada, alternando períodos em cabeça de corrida com outros em que vinha mais atrás, mas em que demonstrou clara facilidade para eliminar os rivais e reposicionar-se.

Foi Iúri Leitão que fez a seleção final dos homens que ficaram com o pódio. Menos disponível fisicamente, o russo Sergei Rostovtsev teve de contentar-se com a medalha de bronze. Iúri Leitão enfrentou uma das maiores estrelas internacionais do ciclismo de estrada e de pista, o italiano Elia Viviani. Mais experiente, o transalpino ficou com a medalha de ouro e o português enriqueceu o palmarés com a de prata.

A dupla formada por João Matias e Rui Oliveira marcou a presença nacional em disciplinas olímpicas neste domingo, competindo nos 50 quilómetros (200 voltas) do madison. A competição, intensa e muito rápida (média de 57,307 km/h), marcou um fosso entre as seleções mais fortes e as menos capazes. Das 17 equipas que iniciaram a corrida, sete perderam voltas para o pelotão. E seis conseguiram dobrar o grupo principal.

João Matias e Rui Oliveira estiveram entre os corredores que se adiantaram face ao pelotão, conseguindo 20 pontos com a volta de avanço, aos quais somaram sete em sprints intermédios, num total de 27. Foi um desempenho que valei à equipa nacional a sexta posição. A luta pelo pódio foi equilibrada, englobando cinco duplas, separadas por dez pontos.


Os mais fortes foram os dinamarqueses Lasse Norman Hansen e Michael Mørkøv, com 68 pontos. Seguiram-se os italianos Simone Consonni e Michael Scartezzini, com 64, e os belgas Kenny de Ketele e Robbe Ghys, com 62. Britânicos e franceses somaram 58 e ocuparam os postos imediatos.

Maria Martins foi a primeira portuguesa a entrar em cena neste domingo, competindo numa eletrizante corrida por pontos. A prova, disputada pela grande maioria das melhores corredoras de pista de cada país, foi disputada em toada de ataques constantes. Isto traduziu-se no facto de dez das vinte participantes terem dado, pelo menos, uma volta de avanço ao pelotão.

A corredora portuguesa esteve entre as mais bem-sucedidas na dobragem às rivais, somando duas voltas de vantagem. Além disso, conseguiu um ponto num dos sprints intermédios, o que lhe valeu somar 41 pontos. Este desempenho colocou Maria Martins como sexta classificada. A vencedora foi a belga Lotte Kopecky, única ciclista a somar três dobragens, que finalizou com 76 pontos, mais quatro do que a britânica Katie Archibald e mais 16 do que a neerlandesa Kirsten Wild, que também garantiram a presença no pódio.

“Cumprimos todos os objetivos a que nos tínhamos proposto. Fizemos um campeonato de excelência e hoje fechámos com a medalha, que foi um prémio para toda a equipa e staff. Estamos orgulhosos do desempenho e dos resultados que obtivemos”, afirma o selecionador nacional, Gabriel Mendes, em jeito de balanço à participação nacional no Campeonato do Mundo.

Sobre o último dia, Gabriel Mendes considera que o desempenho nacional foi um sucesso: “No madison tínhamos como objetivo ficar nos 12 primeiros e conseguimos a sexta posição, numa corrida muito exigente. A Maria fez uma boa corrida por pontos e o Iúri fechou de forma de exemplar esta participação no Campeonato do Mundo, sabendo gerir bem o esforço, depois do omnium de ontem, para conseguir chegar ao pódio”.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

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