terça-feira, 27 de janeiro de 2026

“Primeira etapa do AlUla Tour expõe fragilidades coletivas e confirma poderio da Lidl–Trekcom o português Afonso Eulálio, a terminar em 19.º”


Por: José Morais

A etapa inaugural do AlUla Tour ofereceu um retrato claro das dinâmicas que deverão marcar a corrida: vento como fator decisivo, equipas com profundidade desigual e sprinters capazes de transformar qualquer corte em oportunidade. Afonso Eulálio, ao terminar em 19.º, integrou o grupo dos que conseguiram limitar danos num dia em que a gestão de posicionamento foi mais determinante do que a força pura.

 

Vento como juiz da corrida

 

Os ventos cruzados foram o elemento central da etapa. A fuga inicial — composta por quatro corredores de equipas locais nunca teve margem real para prosperar, não por falta de vontade, mas porque o pelotão rodou permanentemente em tensão. A luta pelo posicionamento anulou qualquer hipótese de estabilização, criando um ambiente propício a cortes sucessivos.

O momento-chave surgiu a 44 quilómetros da meta, quando a queda de Jan Christen coincidiu com uma aceleração decisiva no pelotão. A conjugação destes fatores abriu espaço para um grupo de 18 ciclistas se destacar. A presença de quase todos os sprinters de topo nesse grupo demonstra que as equipas mais fortes estavam preparadas para o caos.

 

Falta de coesão compromete fuga dos favoritos

 

Apesar da qualidade dos nomes na frente, o grupo nunca funcionou como bloco. A ausência de gregários especializados e a presença de vários sprinters todos com ambições próprias criaram um ambiente de colaboração mínima. A vantagem de cerca de 30 segundos poderia ter sido suficiente para decidir a etapa, mas a falta de organização permitiu ao pelotão estabilizar e, mais tarde, reduzir a diferença.

O terreno plano acentuou esta tendência: sem trepadores ou roladores dedicados, ninguém tinha interesse real em sacrificar forças para manter o corte.

 

O caso Christen e a gestão de danos

 

A segunda queda de Jan Christen, já dentro dos 15 quilómetros finais, acrescentou um elemento polémico. O regresso do suíço ao grupo principal, com apoio visível do carro da equipa, não passou despercebido e poderá gerar debate. Ainda assim, o episódio ilustra bem a fragilidade de algumas equipas perante condições de vento: quando o posicionamento falha, tudo se complica.

 

Sprint inevitável e domínio de Milan

 

Nos metros finais, Cofidis e Lidl–Trek optaram por uma abordagem prudente, evitando expor-se demasiado cedo. Essa hesitação abriu espaço para o ataque de Timo de Jong, mas a tentativa foi rapidamente neutralizada. No sprint, Jonathan Milan confirmou o estatuto de favorito: potência superior, timing perfeito e uma equipa que soube protegê-lo nos momentos críticos.

 

O que significa para Afonso Eulálio

 

O 19.º lugar de Eulálio, a 21 segundos, deve ser lido como um resultado positivo num dia de elevada complexidade tática. Não se tratou de uma etapa para fazer diferenças pela força, mas sim pela capacidade de evitar erros. O português conseguiu manter-se no grupo certo durante os cortes mais perigosos, mostrando leitura de corrida e consistência.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
  • Diretor: José Manuel Cunha Morais
  • Subdiretor: Helena Ricardo Morais
  • Periodicidade: Diária
  • Registado: Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº: 125457
  • Proprietário e Editor: José Manuel Cunha Morais
  • Morada: Rua do Meirinha, 6 Mogos, 2625-608 Vialonga
  • Redacção: José Morais
  • Fotografia e Vídeo: José Morais, Helena Morais
  • Assistência direção, área informática: Hugo Morais
  • Sede de Redacção: Rua do Meirinha, 6 Mogos, 2625-608 Vialonga
  • Contactos: Telefone / Fax: 219525458 - Email: josemanuelmorais@sapo.pt noticiasdopedal@gmail.com - geral.revistanoticiasdopedal.com