A segunda tirada da Volta ao Luxemburgo transformou-se num teste de nervos e explosão, culminando num sprint feroz que coroou Marijn van den Berg como novo chefe da classificação geral. O neerlandês da EF Education-EasyPost, de 27 anos, arrancou a época com o pé direito, somando a 10.ª vitória da carreira e deixando para trás o compatriota Mathieu van der Poel, que não conseguiu responder ao último golpe de velocidade.
O dia, contudo, teve sabor
amargo para a Feira dos Sofás-Boavista, única formação portuguesa em prova, que
viu o plano inicial ruir logo nos primeiros quilómetros.
Boavista
bloqueada e sem espaço para respirar
O início técnico, desenhado num circuito estreito e sinuoso, foi fatal para a estratégia da equipa portuense. A intenção era clara: colocar um homem na fuga do dia. Mas a Alpecin-Deceuninck, equipa de Van der Poel, fechou a estrada com precisão cirúrgica, impedindo qualquer tentativa de infiltração.
“O objetivo era estar na
frente, mas o traçado inicial era demasiado apertado e a Alpecin bloqueou o
movimento”, explicou André Cardoso, diretor-desportivo da Boavista.
Sem espaço para manobrar, a
equipa portuguesa ficou presa no pelotão, que mais tarde se fragmentou com
sucessivos ataques. No sprint final, rápido e perigoso, Iker Bonillo não
conseguiu brilhar, terminando em 42.º lugar.
Cardoso
mantém, porém, o otimismo:
“O circuito final era técnico
e arriscado. O balanço é positivo e vamos procurar entrar nas fugas para lutar
por uma camisola ou uma etapa.”
O desafio de hoje promete ser demolidor: 179,6 km até Diekirch, com cinco das oito subidas concentradas nos últimos 30 km terreno perfeito para quem quiser virar a classificação do avesso.
Van der
Poel com dúvidas antes do Mundial
A presença de Mathieu van der
Poel dá brilho à Volta ao Luxemburgo, mas o campeão mundial de 2023 não esconde
que Montreal poderá ser um osso duro de roer. Com o Mundial a arrancar no
domingo, o pelotão luxemburguês perdeu profundidade devido à diferença horária
e logística, deixando MVDP como estrela maior.
Apesar disso, o neerlandês
recusa o rótulo de favorito:
“A ausência de Pogacar não
muda muito. A subida longa de Montreal será demasiado dura para mim.”
Ainda assim, Van der Poel
revelou estar dois quilos mais leve, sinal de que a preparação foi levada ao
detalhe.



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