Por: José Morais
A 103.ª edição da Clásica de
Ordizia, uma das provas mais antigas do calendário espanhol, ganhou novos
protagonistas este sábado. O uruguaio Guillermo Thomas Silva, da Astana,
surpreendeu o grande favorito Igor Arrieta e conquistou uma vitória de enorme prestígio,
enquanto o português António Morgado (UAE Emirates) assinou mais uma exibição
de classe ao terminar em terceiro lugar.
Thomas Silva completou os 167
quilómetros com partida e chegada em Ordizia em 3h54m19s, impondo-se num sprint
tenso e explosivo frente a Arrieta, que defendia o título e parecia ter a
corrida controlada até aos metros finais. António Morgado, sempre atento e
combativo, cruzou a meta a apenas um segundo do vencedor, reforçando a sua
afirmação entre os jovens talentos mais consistentes do pelotão internacional.
A corrida contou ainda com a
presença das equipas portuguesas Efapel e Feirense-Beeceler, que animaram a jornada,
mas não conseguiram colocar ciclistas no top‑10.
Lucas Lopes foi o melhor representante nacional destas formações, terminando em
26.º.
Uma fuga
que agitou a clássica centenária
A prova ganhou intensidade a
meio do percurso, quando uma fuga de cinco corredores entre eles o português
Lucas Lopes, o sueco Oscar Nilsson e o espanhol Ibai Azanza conseguiu abrir um
minuto de vantagem sobre o pelotão a 70 quilómetros do fim. Nilsson, mais
habituado às pistas, surpreendeu pela capacidade de resistência nas rampas
bascas.
O traçado incluía cinco
passagens pelo alto de Abaltzisketa, uma subida de terceira categoria que
tradicionalmente decide a corrida. Foi aí que a Astana acelerou o ritmo, anulou
a fuga e começou a selecionar o grupo principal.
Últimos
quilómetros ao rubro
Nos derradeiros 20
quilómetros, o asturiano Hugo de la Calle tentou um ataque solitário, mas
acabou neutralizado na última ascensão. A descida final abriu espaço para o
duelo decisivo: Arrieta lançou o ataque, Silva respondeu de imediato e os dois
entraram juntos na reta da meta.
O uruguaio mostrou sangue-frio
e potência, batendo o espanhol no sprint e assinando uma das vitórias mais
marcantes da sua carreira.
António
Morgado confirma evolução e consistência
Com apenas 22 anos, António
Morgado voltou a demonstrar maturidade tática e capacidade de leitura de
corrida. Sempre bem colocado, resistiu às acelerações no Abaltzisketa e esteve
na luta pela vitória até ao fim. O terceiro lugar reforça o seu estatuto de
promessa sólida do ciclismo português.

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