sábado, 3 de outubro de 2026

“Primoz Roglič no mercado: Entre a ambição da Tudor e a tradição da Lotto, decide-se o último grande contrato”


Por José Morais

O futuro de Primoz Roglič continua a alimentar o mercado de transferências do ciclismo internacional. Com a saída da Red Bull BORA já assumida há vários meses, o veterano esloveno mantém-se como uma das peças mais cobiçadas do pelotão, numa altura em que se aproxima da fase final da sua carreira profissional.

Apesar das dúvidas que marcaram parte da temporada, Roglič conseguiu recuperar prestígio ao alcançar um lugar de destaque na Vuelta a España. O resultado devolveu visibilidade ao corredor de 36 anos e reacendeu o interesse de equipas que procuram um líder experiente capaz de continuar a lutar pelos lugares cimeiros das grandes corridas por etapas.

Inicialmente, a Lotto surgiu como o destino mais provável. A possibilidade gerou debate no mundo do ciclismo, sobretudo devido à diferença de dimensão competitiva entre a histórica formação belga e as equipas de topo do pelotão mundial. No entanto, a forte prestação do esloveno em Espanha voltou a alterar o cenário e recolocou a Tudor na corrida pela sua contratação.

Depois da Vuelta, Roglič preferiu adiar qualquer anúncio, indicando que a decisão sobre o próximo capítulo da sua carreira seria tomada apenas após os compromissos internacionais. Desde então, as negociações intensificaram-se e a definição parece estar cada vez mais próxima.

 

Um veterano que continua a oferecer garantias

 

Aos 36 anos, Roglič demonstrou que ainda possui argumentos para competir ao mais alto nível. Embora tenha reduzido a intensidade de alguns aspetos da preparação, privilegiando uma abordagem mais equilibrada entre a carreira desportiva e a vida familiar, continua a apresentar rendimento suficiente para discutir classificações gerais nas principais provas do calendário.

Essa consistência é precisamente o que atrai equipas como Tudor e Lotto. Nenhuma das estruturas dispõe atualmente de um corredor com o currículo e a capacidade competitiva do esloveno, tornando a sua contratação uma oportunidade rara no mercado.

Segundo várias informações ligadas às movimentações da próxima temporada, ambas as equipas analisam cuidadosamente o espaço disponível nos respetivos plantéis. A gestão dos recursos será um fator determinante para concretizar uma operação que representa um investimento significativo.

 

Dois projetos diferentes para um mesmo objetivo

 

A escolha de Roglič coloca frente a frente duas filosofias distintas. A Tudor dispõe de maior capacidade financeira e tem vindo a reforçar-se de forma ambiciosa, apostando em nomes sonantes e em corredores capazes de elevar rapidamente o estatuto da equipa.

Nos últimos meses, a formação suíça consolidou um projeto cada vez mais competitivo, complementando contratações de peso com a promoção de jovens talentos que já começaram a justificar a confiança depositada pela estrutura liderada por Fabian Cancellara. Além disso, a equipa tem conseguido presença regular nas principais competições internacionais, uma vantagem importante para qualquer líder de classificação geral.

Do outro lado está a Lotto, uma equipa de enorme tradição no ciclismo belga, mas com recursos mais limitados. A formação mantém uma política de mercado mais prudente e tem apostado em reforços de perfil menos mediático, procurando equilibrar competitividade e sustentabilidade financeira.

Ainda assim, o peso histórico da equipa e a possibilidade de Roglič assumir um papel central no projeto continuam a ser argumentos relevantes na negociação.

 

Tudor parte na frente pela assinatura

 

Com o processo de decisão na reta final, a formação suíça parece reunir as melhores condições para garantir o acordo. A combinação entre estabilidade financeira, calendário competitivo e ambição desportiva coloca a Tudor numa posição privilegiada para assegurar os serviços do antigo vencedor de grandes voltas.

Para Roglič, a escolha poderá representar o derradeiro grande desafio de uma carreira repleta de conquistas. Resta agora saber se optará pela força financeira e pelo crescimento acelerado da Tudor ou pela tradição e identidade histórica da Lotto, naquela que poderá ser a última grande decisão do seu percurso profissional.

“Davide Piganzoli Brilha em San Luca e Assina a Maior Vitória da Carreira no Giro dell’Emilia”


Por: José Morais

Foto: Eurosport

Piganzoli confirmou o estatuto de nova referência do ciclismo internacional ao conquistar uma vitória memorável no Giro dell’Emilia. O corredor italiano da Visma | Lease a Bike aproveitou na perfeição a força coletiva da sua equipa e deixou para trás adversários de peso como Tom Pidcock e Oscar Onley, alcançando o triunfo mais importante da sua trajetória profissional.

Dois anos depois de ter surpreendido o pelotão com um lugar de destaque na clássica italiana, apenas superado por Tadej Pogacar, Piganzoli regressou ao Giro dell’Emilia para escrever um capítulo ainda mais marcante. A mudança para a Visma | Lease a Bike revelou-se decisiva na sua evolução, culminando agora numa vitória de enorme prestígio numa das corridas mais exigentes do calendário.

A prova arrancou em Ferrara e seguiu rumo a Bolonha, onde os corredores enfrentaram várias passagens pela emblemática subida da Madonna di San Luca, uma rampa curta, mas extremamente dura, capaz de fazer diferenças entre os principais candidatos. A jornada começou com uma fuga numerosa, que chegou a dispor de uma vantagem confortável antes de o pelotão assumir o controlo das operações.


A Visma | Lease a Bike e a Pinarello Q36.5 assumiram a perseguição e garantiram que a corrida permanecesse sob vigilância. Com a aproximação do circuito final, todas as tentativas de fuga foram anuladas, abrindo caminho para a batalha entre os favoritos.

Já nas fases decisivas, o recém-coroado campeão mundial Brandon McNulty procurou surpreender os adversários com uma ofensiva a cerca de 19 quilómetros da meta. O movimento acabou neutralizado, mas serviu para aumentar o ritmo e reduzir significativamente o grupo dos principais candidatos. A partir daí, os ataques sucederam-se e apenas os mais fortes conseguiram resistir.

 

Superioridade da Visma fez a diferença

 

Na penúltima ascensão a San Luca, a corrida entrou definitivamente na sua fase decisiva. As acelerações de Matteo Jorgenson e Ben Healy fragmentaram novamente o grupo da frente, deixando um reduzido conjunto de corredores na disputa pela vitória. Entre eles encontravam-se Piganzoli, Jorgenson, Pidcock e Onley.

Com dois homens na dianteira, a Visma utilizou de forma exemplar a vantagem numérica. Jorgenson assumiu o papel de atacante, obrigando os rivais a perseguir sucessivamente e desgastando as suas energias. Quando o momento certo chegou, Piganzoli lançou a cartada decisiva.

A menos de cinco quilómetros da meta, o italiano acelerou numa descida rápida e técnica, conseguindo abrir uma diferença importante para os perseguidores. Pidcock tentou organizar a resposta e liderou a perseguição, mas o atraso aumentava a cada curva.

A partir desse momento, Piganzoli pedalou isolado rumo ao triunfo, gerindo com maturidade a vantagem conquistada. Atrás, os perseguidores reorganizaram-se, mas já era tarde para impedir a fuga do italiano.

 

Pidcock volta a esbarrar no segundo lugar

 

Na reta final, Piganzoli confirmou a vitória com nove segundos de vantagem, celebrando o maior sucesso da sua carreira. Tom Pidcock teve de contentar-se novamente com a segunda posição, repetindo um desfecho que já se tornou familiar na clássica italiana.

Pelo terceiro ano consecutivo, o britânico terminou como vice-campeão do Giro dell’Emilia. Depois de ter sido derrotado por Tadej Pogacar e Isaac del Toro em edições anteriores, voltou agora a ficar à porta da vitória, desta vez diante de um inspirado Davide Piganzoli.

Oscar Onley completou o pódio após uma exibição sólida e consistente, enquanto a Visma | Lease a Bike celebrou um triunfo construído através de inteligência tática, controlo da corrida e uma execução perfeita nos momentos-chave.

Em Bolonha, Piganzoli não venceu apenas uma corrida. Confirmou, de forma categórica, que está pronto para se afirmar entre os grandes nomes do ciclismo mundial.

“Juniores portugueses em destaque no Campeonato da Europa de Estrada”


Foto: UEC

A Seleção Nacional esteve em destaque este sábado no Campeonato da Europa, com Guilherme Santos e Gonçalo Costa a terminarem entre os 20 primeiros na prova de fundo de juniores. Raquel Queirós e Beatriz Roxo assinaram igualmente uma prestação positiva na prova da elite feminina.

Os juniores abriram o programa do segundo dia de competição na Eslovénia com uma prova de 110 quilómetros que incluía cinco voltas ao circuito de Šenčur. Guilherme Santos, 17.º, e Gonçalo Costa, 19.º, concluíram a corrida integrados num grupo que chegou a 15 segundos do vencedor, o norueguês Elias Dybing. Entre os restantes portugueses, Tomás Mateus foi 72.º classificado, Guilherme Ribeiro terminou na 78.ª posição e Simão Pedrosa na 84.ª. Afonso Falcão concluiu a corrida fora do tempo limite.

“Fomos ativos e estivemos no ataque decisivo. O Gonçalo Costa conseguiu passar a última subida integrado no grupo que discutia as medalhas e, a cerca de três quilómetros da meta, ainda estava na luta pelo pódio. Nos quilómetros finais o grupo acabou por se desfazer devido aos ataques e foi alcançado já perto da chegada, mas fica uma prestação muito positiva da equipa”, analisa Ricardo Senos, Selecionador Nacional de Juniores.

À tarde foi a vez da elite feminina. As portuguesas Beatriz Roxo e Raquel Queirós concluíram com sucesso os 130 quilómetros da corrida, marcada por duas voltas ao circuito final de Šenčur e outras tantas passagens pela subida de Možjanca. A neerlandesa Demi Vollering sagrou-se Campeã Europeia, com Raquel Queirós e Beatriz Roxo a terminarem nas 46.ª e 66.ª posições, respetivamente.

“A corrida correu muito bem. A Beatriz esteve sempre disponível para apoiar e proteger a Raquel e, mesmo sabendo que a dureza da subida não favorecia totalmente as suas características, surpreendeu-nos pela positiva pela forma como conseguiu resistir. A Raquel fez um resultado muito bom, terminou junto de atletas de topo e estamos muito satisfeitos com a prestação das duas corredoras”, destaca Daniela Pereira, Selecionadora Nacional de Estrada Feminina.

O Campeonato da Europa prossegue este domingo com as últimas provas de fundo. De manhã, Portugal estará representado por Bárbara Santos e Marta Esteves na corrida de juniores femininas. Durante a tarde decorrerá a prova de elite masculina, com Afonso Silva, Nelson Oliveira, Pedro Silva e Tiago Antunes a representarem a Seleção Nacional.

 

Programa da Seleção Nacional*

 

Domingo, 4 de outubro

08h00 | Prova de Fundo Juniores Femininas

11h30 | Prova de Fundo Elite Masculina

 

Quarta-feira, 7 de outubro

09h30 | CRI Juniores Masculinos - Afonso Falcão e Gonçalo Costa

10h45 | CRI Sub-23 Feminino - Emília Baía e Raquel Dias

13h30 | CRI Elite Feminino - Beatriz Roxo

15h15 | CRI Elite Masculino - Nelson Oliveira e Tiago Antunes

*Horários de Portugal Continental

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

Ficha Técnica

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