sábado, 12 de setembro de 2026

“Remco Evenepoel Arrasa no Quebec e Conquista Clássica Canadiana Após Ataque Demolidor, Afonso Eulálio em 33.º lugar a 2.47 minutos”


Por: José Morais

Remco Evenepoel voltou a mostrar porque é um dos corredores mais explosivos do pelotão mundial ao triunfar no Grande Prémio do Quebec, primeira etapa do díptico canadiano. O belga da Red Bull-BORA-hansgrohe bateu Giulio Ciccone num emocionante sprint a dois, após uma corrida marcada por ataques sucessivos e constantes mudanças na frente da prova.

A clássica canadiana ganhou verdadeira intensidade a cerca de 80 quilómetros da meta, quando o pelotão anulou uma fuga matinal de seis corredores que chegou a dispor de mais de três minutos de vantagem. A partir daí, as ofensivas sucederam-se e a seleção entre os favoritos tornou-se inevitável.

Um primeiro movimento ofensivo, protagonizado por nomes como Quinn Simmons e Ben Healy, não teve sucesso, mas abriu caminho para novas investidas. Mais tarde, já dentro dos últimos 50 quilómetros, um grupo de onze ciclistas conseguiu destacar-se, levando para a dianteira corredores de peso como Giulio Ciccone e Alberto Bettiol.

A corrida endureceu ainda mais quando Paul Seixas aumentou o ritmo na frente, reduzindo drasticamente o grupo dos candidatos ao triunfo. Nessa fase, destacavam-se também Juan Ayuso, Matteo Jorgenson e Tom Pidcock. Mesmo depois de ter perdido contacto temporariamente, Remco Evenepoel conseguiu regressar aos lugares dianteiros e recolocar-se na luta pela vitória.

O momento decisivo surgiu após uma nova aceleração de Bettiol. Evenepoel respondeu prontamente e levou consigo Ciccone, Anthon Charmig e Alessandro Pinarello. Pouco depois, o grupo foi-se reduzindo até ficar apenas o trio formado por Evenepoel, Ciccone e Charmig.

Já dentro dos dois quilómetros finais, o campeão olímpico lançou um ataque poderoso na última subida, eliminando Charmig da discussão pela vitória. Apenas Ciccone conseguiu resistir à aceleração do belga, mas no sprint decisivo Evenepoel revelou-se mais forte e levantou os braços na cidade do Quebec.

O dinamarquês Anthon Charmig assegurou o último lugar do pódio, enquanto Tom Pidcock e Quinn Simmons completaram o top-5 da classificação final.

A corrida ficou ainda marcada por uma queda no sprint do grupo perseguidor, incidente que envolveu Juan Ayuso e condicionou o desfecho das posições seguintes.

Entre os destaques da jornada esteve também Paul Seixas, que animou a corrida em vários momentos, embora tenha acabado por cortar a meta apenas na 18.ª posição, a 57 segundos do vencedor. Já o português Afonso Eulálio concluiu a prova no 33.º lugar, a 2.57 minutos de Evenepoel, depois de uma corrida exigente e marcada por um ritmo elevado desde os quilómetros decisivos.

“Mikel Landa renasce na montanha, Kuss e Carapaz agitam a geral e Enric Mas fica a um passo da conquista da Volta Espanha”


Por: José Morais

A 20.ª etapa da Volta a Espanha ofereceu um espetáculo digno das grandes jornadas de alta montanha. Ao longo dos 186,8 quilómetros entre La Calahorra e a chegada explosiva ao Collado del Alguacil, as movimentações na classificação geral voltaram a incendiar a corrida, enquanto Mikel Landa regressou aos triunfos numa Grande Volta cinco anos depois. No final do dia, Enric Mas saiu ainda mais perto de assegurar a vitória final.

A etapa começou a alta velocidade, com inúmeras tentativas de fuga até se formar um numeroso grupo na frente da corrida. Wout van Aert e Nelson Oliveira estiveram entre os primeiros a lançar-se ao ataque, sendo posteriormente acompanhados por vários corredores, incluindo Fisher-Black, Vermeersch, Chamberlain, Miquel, Coquard e Rouland. A Uno-X assumiu um papel de destaque na movimentação da fuga, colocando vários dos seus homens entre os escapados.

Atrás, a Movistar foi obrigada a assumir responsabilidades na perseguição e ajudou a formar um vasto grupo intermédio que chegou a reunir mais de quarenta corredores. Com o pelotão principal a reduzir o ritmo, os homens da frente conquistaram uma margem superior a dez minutos, transformando a etapa numa autêntica batalha em várias frentes.

Quando a corrida parecia entrar numa fase mais controlada, a primeira passagem pelo Alto de Purche mudou completamente o cenário. Sepp Kuss lançou um ataque surpreendente e, poucos minutos depois, Richard Carapaz respondeu com uma ofensiva própria. Entretanto, várias equipas reforçavam posições na frente, com EF Education-EasyPost e Visma-Lease a Bike a colocarem homens importantes ao serviço das suas ambições.

A pressão aumentou no grupo dos favoritos, onde Enric Mas chegou a ficar isolado quando a Decathlon tentou neutralizar as investidas dos seus adversários diretos. A corrida fragmentou-se na subida, voltou a recompor-se na descida e deixou apenas os principais candidatos à geral na luta pela vitória da Vuelta.

Com Roglič, Mas, Carapaz, Kuss e Gall na dianteira, as diferenças começaram a ganhar peso na classificação. A EF passou então a trabalhar em benefício do campeão olímpico equatoriano, enquanto Kuss aproveitava cada oportunidade para recuperar posições na geral.

Na segunda passagem pelo Purche, o norte-americano voltou a atacar e conseguiu abrir espaço sobre os restantes favoritos. Carapaz tentou repetir a estratégia, mas sem o mesmo sucesso. A luta pela classificação geral estava totalmente aberta e cada segundo conquistado na montanha assumia uma importância decisiva.

Mais à frente, a subida ao Puerto de El Duque partiu definitivamente a fuga. Mikel Landa, Debruyne e Johannessen destacaram-se dos restantes companheiros, enquanto Santiago Buitrago dava sinais de fragilidade. Também Wout van Aert começava a pagar o esforço acumulado ao longo da etapa, comprometendo as suas aspirações na classificação da montanha.

Entre os favoritos, Carapaz insistiu várias vezes nos ataques, mas a vigilância apertada dos adversários travou os seus planos. Já Sepp Kuss continuava a beneficiar do apoio precioso de Van Aert e Nordhagen, aumentando progressivamente a sua vantagem e escalando posições na geral.

Tudo ficou reservado para a subida final ao temível Collado del Alguacil, uma ascensão de 8,4 quilómetros com uma inclinação média próxima dos 10%. Foi aí que Mikel Landa escreveu uma das histórias mais emocionantes desta Vuelta. O basco deixou para trás os seus companheiros de fuga e lançou-se sozinho rumo à vitória, colocando fim a um jejum de cinco anos sem triunfos em Grandes Voltas.

Enquanto Landa celebrava um regresso memorável ao mais alto nível, a batalha pela geral mantinha-se acesa. Felix Gall atacou com violência nas rampas finais, provocando dificuldades aos seus rivais. Enric Mas sofreu, mas resistiu ao momento decisivo e conseguiu defender a camisola de líder. Primož Roglič limitou perdas e preservou o segundo lugar do pódio, enquanto Carapaz acabava por ceder terreno.

À entrada para a derradeira etapa, Enric Mas é o campeão virtual da Volta a Espanha. Roglič mantém-se firme na segunda posição e Gall deverá contentar-se com o terceiro lugar. Já Sepp Kuss foi um dos grandes vencedores do dia: graças a uma exibição ofensiva e ao apoio exemplar da Visma-Lease a Bike, subiu seis lugares na classificação geral e terminou a jornada instalado no quinto posto.

Foi uma etapa épica, repleta de ataques, reviravoltas e emoção até ao último quilómetro, confirmando-se como uma das mais espetaculares jornadas de uma Grande Volta nesta temporada.

“Alenquer-GDM-Anipura domina contrarrelógio coletivo e Simão Ribeiro veste de amarelo no GP Alves Barbosa”

Fotos: Licínio Florêncio / FPC

A equipa Alenquer-GDM-Anipura foi a equipa mais forte no contrarrelógio coletivo que abriu o 26.º Grande Prémio Alves Barbosa, impondo-se nos 9,6 quilómetros disputados esta sexta-feira em Montemor-o-Velho. Simão Ribeiro é o primeiro camisola amarela da edição de 2026 da prova que homenageia um dos maiores nomes da história do ciclismo português.

O trio formado por Simão Ribeiro, Tomás Pereira e Luís Ferreira registou o melhor tempo do dia, 12m07s, à média de 47,54 km/h. A formação de Alenquer bateu a Landeiro|Matinados|Matias&Araújo por três segundos, e a Paredes/Reconco completou o pódio na terceira posição, a 12 segundos dos vencedores.

Na classificação geral individual, Simão Ribeiro assumiu a liderança e enverga a camisola amarela. Tomás Pereira e Luís Ferreira, seus colegas de equipa, ocupam respetivamente a segunda e a terceira posições, todos com o mesmo registo. José Gomes, campeão nacional de contrarrelógio, segue em quarto lugar, a três segundos.

Nas restantes classificações, Luís Ferreira assumiu a liderança da juventude, Martim Quitério (Paredes/Reconco) vestiu a camisola da montanha, José Gomes a camisola por pontos, Bruno Nogueira (Cantanhede Cycling/VESAM) a das metas volantes e Francisco Trovão (Caldas Ecosprint-E.Leclerc) a dos sprints especiais.

O 26.º Grande Prémio Alves Barbosa prossegue este sábado com a segunda etapa, entre Montemor-o-Velho e Águeda, numa ligação de 83,5 quilómetros que poderá começar a provocar diferenças mais significativas na classificação geral.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

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