quarta-feira, 2 de julho de 2025

“Prudhomme espera que mais ciclistas se juntem ao duelo Pogacar-Vingegaard no Tour”


Diretor da Volta a França deseja que haja suspense na 112.ª edição

 

Por: Lusa

Foto: EPA

O diretor da Volta a França espera que haja suspense na 112.ª edição, admitindo ter vontade que a disputa entre Tadej Pogacar e Jonas Vingegaard continue e que a ela se juntem outros ciclistas como Florian Lipowitz.

Em entrevista à agência France-Presse, Christian Prudhomme reconheceu que para o Tour é importante que exista um duelo, sinónimo de que haverá luta pela geral da edição que arranca no sábado, em Lille, e termina em 27 de julho, em Paris.

"Não há nada melhor do que um duelo, é o sal de todas as competições desportivas. Nos últimos cinco anos, temos um 3-2 em favor de Pogacar contra Jonas Vingegaard [campeão em 2022 e 2023] e temos vontade de que o jogo continue com um [Remco] Evenepoel ou um terceiro homem, talvez [Florian] Lipowitz", declarou.

A inclusão no lote de favoritos do alemão da Red Bull-BORA-hansgrohe, que se irá estrear na 'Grande Boucle' após ter sido sétimo na Vuelta2024 e terceiro há duas semanas no Critério do Dauphiné, não deixa de surpreender, ao contrário do desejo manifestado por Prudhomme de que haja suspense até Paris.

"Todos esperamos luta e nós, organizadores, não somos exceção", pontuou, antes de abordar as críticas endereçadas por corredores como Vingegaard ou Wout van Aert à organização por ter decidido replicar o espetacular percurso da prova de fundo dos Jogos Olímpicos Paris 2024, que coroou Evenepoel, na derradeira etapa.

O diretor do Tour disse "compreender perfeitamente" as críticas pela inclusão de três subidas à colina de Montmartre no circuito final da última tirada, antes da tradicional chegada aos Campos Elísios, mas equiparou-as às recebidas no passado pela aposta em setores de 'pavé' ou caminhos de terra, ausentes nesta edição.

"Juntamente com o Thierry [Gouvenou, diretor de corrida], escolhemos procurar rampas por todo o lado onde existem. Em Bolonha, Rouen, Vire, o Mûr-de-Bretagne, que se tornou um clássico. [...] Optámos por rampas e não apenas rampas íngremes, mas outras em que os corredores vão sair à descoberta ou o vento pode fazer grandes estragos", salientou.

Christian Prudhomme acredita mesmo que é nessa primeira semana que os restantes favoritos poderão conseguir fazer diferença para Pogacar, o campeão em título que procura o quarto triunfo na 'Grande Boucle'.

Embora as primeiras jornadas possam ser cruciais, assim como a passagem nos Pirenéus, o diretor do Tour espera que a geral só seja decidida na mortífera última semana.

"Fizemos de tudo para que se decidisse no último momento", afirmou, aludindo à sucessão de chegadas alpinas previstas para os derradeiros dias.

Fonte: Record on-line

“Biografia de José Poeira juntou nomes do ciclismo para homenagear selecionador”


Apresentação de "Alguma Coisa Boa Há-de Acontecer-me - Biografia de José Poeira" aconteceu na sede do COP

 

Por: Lusa

Foto: COP

A biografia de José Poeira, o selecionador que tem a capacidade de motivar os seus ciclistas com o olhar, foi esta terça-feira apresentada, com o "extraordinário contador de histórias" a juntar rostos da modalidade no reconhecimento ao seu legado.

"Há um antes e um depois" de José Poeira no ciclismo nacional, cujo futuro o selecionador de estrada ajudou a construir, enalteceu o antigo ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues.

Intervindo na apresentação de "Alguma Coisa Boa Há-de Acontecer-me - Biografia de José Poeira", na sede do Comité Olímpico de Portugal (COP), em Lisboa, o atual presidente da Comissão de Ética do organismo olímpico recordou que a sua amizade com o odemirense de 66 anos nasceu há mais de uma década, quando foi adido da missão portuguesa a Londres'2012.

Brandão Rodrigues elogiou a "tranquilidade no meio do caos", o "olhar atento aos pormenores" e "a capacidade de motivar com o olhar" de Poeira, que assumiu o cargo de selecionador nacional de estrada em 2001.

"Naqueles Jogos Olímpicos, pude entender quem era José Poeira. Era uma personagem diferente daquilo a que estamos habituados a ver num selecionador. Era alguém que se notava que os atletas confiavam nele", anotou.

Também o jornalista Eduardo Dâmaso, que nasceu em Odemira, tal como Poeira, e acompanhou de perto os primeiros anos no pelotão do ex-ciclista, que se retirou em 1990, falou do amigo como um dos primeiros heróis que teve.

"[Foi uma] figura da nossa adolescência, porque o percurso dele tornou-se um orgulho odemirense. [...] Todos nós projetámos nele os primeiros sonhos que tivemos", destacou, agradecendo ao selecionador pela sua "ambição libertadora".

Já José Carlos Gomes, o autor de Alguma Coisa Boa Há-de Acontecer-me", falou de um "extraordinário contador de histórias".

"O José Poeira é isto: é muito simples e profundo naquilo que diz", sintetizou diante de uma plateia na qual estavam Nelson Oliveira, ciclista da Movistar que a partir de sábado vai alinhar pela nona vez na Volta a França, António Morgado, bicampeão nacional de contrarrelógio e o seu 'vice' Rafael Reis.

"[Quero deixar] uma palavra de agradecimento por estes anos que temos passado [juntos]. Ensinou-me muita coisa, a principal o valor do ciclismo", disse Oliveira, que fez questão de estar presente, apesar de viajar para Lille na quarta-feira, elogiando ainda a calma do selecionador e definindo-o como uma das pessoas mais importantes da modalidade em Portugal.

Na assistência estavam também elementos das missões olímpicas portuguesas, o campeão olímpico Carlos Lopes e Artur Lopes, antigo presidente do COP e da Federação Portuguesa de Ciclismo, ou Delmino Pereira, que presidiu à federação até novembro, quando atingiu o limite de mandatos e foi substituído por Cândido Barbosa, hoje ausente.

"Quando vim para a federação, em 2004, não tinha boa impressão do José Poeira, porque nunca me tinha selecionado", confidenciou Delmino Pereira, relatando como o selecionador o conquistou por ser "efetivamente bom" e por ter "uma sensibilidade fora do comum" e "uma leitura de corrida brutal".

Último a falar embora tenha contado algumas histórias entre as intervenções da audiência , o homenageado recordou o seu trajeto difícil para sair de "uma terra onde não havia nada de desporto".

A biografia conta com depoimentos de figuras incontornáveis nas últimas duas décadas do ciclismo nacional, como o campeão mundial de fundo de 2013, Rui Costa, ou o quarto classificado do Tour'2024, João Almeida.

Fonte: Record on-line

“Jonas Vingegaard: «Temos de ser como Pogacar para vencer o Tour»”


Bicampeão da Volta a França elege esloveno como um dos melhores da história

 

Por: Alexandre Reis

O dinamarquês Jonas Vingegaard, bicampeão do Tour (2022 e 2023), concedeu uma entrevista ao programa ‘TDPedales’, da RTVE, manifestando-se confiante para atacar a sua terceira coroa na Volta a França, que começa sábado. Mas para isso há um rival a abater, o esloveno Tadej Pogacar…

“Tanto eu quanto os outros que querem vencer o Tour, precisamos ser como Tadej. É provavelmente um dos melhores da história. Para lhe ganhar, é preciso um sacrifício diário. Quando saio para treinar, concentro-me em mim, em como posso ser o melhor, em atingir o nível mais alto. Para vencer o Tour, tenho de vencê-lo”, considerou o chefe de fila da Visma Lease a Bike.

Vingegaard não poupa elogios a Pogacar, tricampeão do Tour (2020, 2021 e 2024) e à beira da sua 100ª vitória na carreira: “Pogacar estará melhor no Tour do que nos anos anteriores e isso obviamente faz-me querer ser melhor do que nunca."

O dinamarquês está em forma e recuperado das quedas que o têm afetado: “Estou a sentir-me bem. Sofri um acidente no Paris-Nice que me deixou fora por cerca de duas semanas. Desde então, estou a treinar há cerca de um mês e meio e, depois desse período, sinto que dei mais um passo na minha recuperação."

O ciclista nórdico diz que tem evoluído qualitativamente: “Não tenho me concentrado em melhorar um aspecto em particular. Tenho tentado aumentar a minha potência sob stress e convertê-la em mais desempenho. Então, sinto que estou a melhorar em todos os aspectos."

O Tour terá seis chegadas em alto de montanha, dois contrarrelógios e várias etapas complicadas. Vingegaard analisou o percurso: “Há muitas etapas importantes, algumas extremamente difíceis, tanto nos Pireneus quanto nos Alpes, e depois outra etapa no Maciço Central, que também é muito exigente. Na primeira semana, pode haver ventos cruzados e chegadas em subida. Sinceramente, não acho que haja muitas etapas para poder relaxar. Não se pode escolher e dizer: 'OK, a etapa do Col de la Loze é a mais importante, ou a Plagne'", porque  “todas serão igualmente importantes."

Em relação aos dois contra-relógios, Vingegaard tem preferência pela cronoescalada ao Peyragudes (11 km), em detrimento do crono de 33 km para especialistas: “Para ser sincero, prefiro o segundo, o contra-relógio em subida, embora também possa ser muito ruim. Obviamente, o primeiro é muito importante, um contra-relógio longo de 33 km, que exige treino com bicicleta de contra-relógio. Depois, o contra-relógio em subida pode fazer uma grande diferença.”

O grande admirador do espanhol Alberto Contador planeia participar também na Vuleta’2025. Recordou o seu aparatoso acidente no Itzulia’2024 (Volta ao País Basco). “Não tenho lembranças agradáveis. Para ser sincero, não me lembro de tudo, desde a queda, a transferência de ambulância e depois o hospital. Fiquei lá por cerca de duas semanas. Nunca é agradável ir ao hospital, mas, felizmente, trataram-me muito bem e foram muito gentis comigo”, agradeceu.

O último dia do Tour tem subida a Montmartre, como nos Jogos Olímpicos de Paris’2024. Vingegaard destacou possíveis perigos: “Pode ser potencialmente muito perigoso. Temos falado muito sobre segurança no ciclismo nos últimos anos, e colocar o palco em Montmartre pode torná-lo ainda mais perigoso. Já vimos nos últimos Jogos Olímpicos que foi bastante épico, com muita gente dos dois lados da rua. Foram 15 os ciclistas que chegaram a Montmartre para a corrida olímpica, mas no Tour serão 115 ou talvez mais, e todos estarão extremamente cansados ??após 21 dias de corrida. Acredito sinceramente que será muito perigoso.”

Fonte: Record on-line

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