Por: José Morais
O reencontro de João Almeida
com o pelotão aconteceu sem sobressaltos, quase dois meses depois da última
competição. O português da UAE Team Emirates‑XRG
voltou à estrada na Volta à Polónia, prova onde brilhou em 2021, determinado a
reencontrar o ritmo e a confiança que lhe faltaram na primeira metade da época.
Uma
temporada irregular e um regresso necessário
O ano começou promissor, com João
Almeida a conquistar o 2.º lugar na Volta à Comunidade Valenciana, apenas atrás
de Remco Evenepoel. Mas o bom arranque depressa se desfez: na Volta ao Algarve,
um vírus no sangue condicionou o desempenho e transformou o pódio caseiro num
sabor agridoce.
A partir daí, tudo se
complicou. O português perdeu ritmo competitivo, acumulou dificuldades nos
treinos e saiu das provas longe do nível habitual 38.º na Volta à Catalunha e
abandono no Tour Auvergne‑Rhône‑Alpes. A decisão de abdicar do
Giro d’Italia tornou-se inevitável, obrigando a uma reestruturação total do
calendário para preparar a Volta a Espanha.
“Estou
pronto para correr”
Na conferência de imprensa
antes da partida, João Almeida mostrou serenidade e ambição:
“Sinto-me bem. Estou pronto
para correr. A Volta à Polónia é uma boa corrida de preparação e vai mostrar
como estou realmente.”
O português admitiu que o
percurso não é totalmente favorável às suas características, mas destacou a
importância do contrarrelógio final curto, mas decisivo sobretudo depois de
meses de trabalho específico.
“Obviamente que gostava de
ganhar uma etapa e a geral, mas vamos dia a dia, sem pressão. Se estiver bem,
na Vuelta posso lutar pelos lugares cimeiros, pelo pódio.”
Etapa
longa, duelo esperado e um dia sem sobressaltos
A 83.ª edição da Volta à
Polónia arrancou com uma autêntica maratona: 234,2 km entre Gdynia e Koszalin,
mais dez quilómetros neutralizados. O percurso, longe de ser plano, incluía
vários sprints intermédios e a subida de Góra Chełmska (1,9 km a 5,8%), situada
a apenas seis quilómetros da meta.
A fuga do dia contou com
Patrick Gamper, Bart Lemmen, Simon Dalby, Kamil Malecki e Radoslaw Fratczak,
mas o pelotão comandado por Soudal Quick‑Step e
Lidl‑Trek nunca permitiu grande
margem.
Como esperado, o final trouxe
novo duelo entre Jonathan Milan e Paul Magnier, rivais diretos na luta pela
camisola dos pontos do último Giro. Milan, agora campeão de Itália, encontrou
espaço pela direita e venceu com autoridade, somando o nono triunfo da
temporada.
João
Almeida discreto, mas sólido
Para João Almeida, o dia foi
exatamente aquilo que precisava: tranquilo, controlado e sem incidentes. O
português manteve-se bem colocado na aproximação à Góra Chełmska, protegido por
três colegas de equipa. Na descida, deixou-se cair no grupo, já dentro da zona
de segurança para eventuais quedas.
O outro líder da UAE, Jan
Christen, teve uma etapa mais apagada, permanecendo na retaguarda do pelotão.
O que
esperar daqui para a frente
O regresso foi discreto, mas
positivo exatamente o que João Almeida precisava para relançar a temporada. A
Volta à Polónia servirá como termómetro para avaliar a forma real do português
antes da grande meta: a Volta a Espanha, onde pretende voltar a lutar pelos
lugares mais altos.

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