segunda-feira, 6 de julho de 2026

“Tadej Pogacar vira o jogo nas montanhas e assume o Tour com ataque devastador em Les Angles”

 


Por: José Morais

O Tour de França deixou para trás o brilho catalão do Grand Départ e mergulhou, sem cerimônia, no território onde a corrida realmente fala: as montanhas. Entre Granollers e Les Angles, a terceira etapa nasceu abrasadora, tensa e imprevisível e terminou com Tadej Pogacar reclamando o que parecia inevitável desde o primeiro metro: vitória e liderança geral.

O ritmo explodiu logo na largada. O pelotão avançou como se alguém tivesse acendido um pavio, com ataques sucessivos, quedas, furos e uma disputa feroz para entrar na fuga. Ninguém queria esperar, ninguém queria economizar forças. O cheiro de oportunidade estava no ar.

Entre os mais insistentes surgiu Raúl García Pierna, que tentou, falhou, tentou de novo até finalmente se instalar numa escapada numerosa e de forte presença espanhola, ao lado de Álex Aranburu e Abel Balderstone. A fuga ganhou corpo com nomes como Pedersen, Cort, Plapp, Schmid, Bennett e Tejada. Egan Bernal até tentou juntar-se ao grupo, mas um furo o tirou da jogada no momento decisivo.

O dia, porém, não estava para calmaria. Um acidente coletivo deixou Bruno Armirail com o joelho comprometido. A estrada catalã, quente e irregular, castigava sem piedade. A Movistar dividiu esforços: García Pierna e Nelson Oliveira na frente, enquanto Cian Uijtdebroeks sofria atrás antes de conseguir se recompor.

A fuga, inicialmente robusta, começou a perder peças na Collada de Toses, o primeiro grande teste da etapa. García Pierna atacou com coragem logo no início da subida, abrindo espaço como quem quer deixar sua assinatura antes que os favoritos entrem em cena. No topo, restavam apenas seis sobreviventes da aventura.

Mas atrás deles, algo maior se movia. A Visma-Lease a Bike controlava o ritmo com Jonas Vingegaard de amarelo, até que os Emirados Árabes Unidos decidiram mudar a música. Vermeersch, Wellens e Politt aceleraram um após o outro, transformando perseguição em aviso: Pogacar queria o dia para si.

A fronteira simbólica apareceu em Puigcerdà. O Tour deixou a Catalunha e entrou na França, onde a corrida sempre parece pesar mais. O Col du Calvaire aguardava como um presságio: dali em diante, só sobreviveria quem tivesse fé, força e pulmão.

Na frente, Baudin tentou resistir com Prodhomme, mas o trem dos Emirados devorava segundos sem piedade. A vantagem caiu para menos de um minuto, e a chegada em Les Angles já se desenhava como palco para os grandes nomes.

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