A passagem da Volta a Portugal por uma das áreas de maior valor natural do Parque Nacional da Peneda-Gerês foi autorizada pelo ICNF e estará sujeita a um conjunto particularmente exigente de condicionantes, algumas inéditas no ciclismo. A organização decidiu ainda alargar as medidas de proteção previstas, reduzindo a caravana ao mínimo indispensável e estendendo a cerca de 11 quilómetros o troço interdito ao público.
A passagem da 7.ª etapa da
87.ª Volta a Portugal em Bicicleta Jogos Santa Casa, que na próxima
quinta-feira, 13 de agosto, ligará Vieira do Minho à Vila do Gerês, atravessará
a Mata de Albergaria sob um dispositivo excecional destinado a proteger e valorizar
uma das áreas de maior sensibilidade ecológica do país.
A passagem da prova foi
autorizada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), na
sequência de uma análise que teve em consideração não apenas a circulação do
pelotão, mas também os diferentes elementos associados à realização de um
evento desta dimensão.
Reconhecendo o excecional
valor natural da Mata de Albergaria, integrada no Parque Nacional da
Peneda-Gerês, a organização da Volta a Portugal cumprirá escrupulosamente todas
as condicionantes estabelecidas pelo ICNF, adotando ainda medidas adicionais de
proteção, algumas delas inéditas no contexto da prova, para reduzir ao mínimo a
presença e o impacto da caravana naquele território.
Troço de
11 km interdito ao público
Uma das principais
condicionantes estabelecidas pelo ICNF determina a interdição da presença de
público entre a Preguiça e a Portela do Homem.
A organização da Volta a
Portugal decidiu, porém, alargar esta restrição alguns quilómetros, fazendo-a
começar ainda antes, junto ao Parque de Campismo do Vidoeiro. No total, serão
aproximadamente 11 quilómetros de percurso sem presença de público.
Neste setor, os adeptos não
poderão permanecer junto à estrada para assistir à passagem dos corredores. A
organização apela, por isso, ao cumprimento rigoroso das indicações das
autoridades e à escolha de outros locais do percurso para acompanhar a etapa.
Também a circulação automóvel
estará condicionada em ambos os sentidos, entre as 00h00 e as 18h00 do dia 13
de agosto.
De acordo com os dados
oficiais disponíveis, cerca de 22.500 veículos atravessaram a Mata de
Albergaria durante o mês de agosto de 2025, o equivalente a uma média
aproximada de 725 viaturas por dia.
Tendo em consideração o
período de condicionamento estabelecido para esta quinta-feira, a organização
estima que a medida evitará a circulação de mais de 600 viaturas pela Mata de
Albergaria durante as 18 horas em que vigorarão as restrições.
Caravana
reduzida ao mínimo indispensável
A habitual dimensão da
caravana da Volta sofrerá igualmente uma redução significativa durante a
travessia deste setor. Não haverá caravana publicitária e cada uma das 17
equipas só poderá fazer-se acompanhar, junto do pelotão, por apenas um dos seus
dois carros de apoio.
Os segundos carros das equipas
serão encaminhados antecipadamente e de forma faseada, reduzindo a concentração
de tráfego e garantindo que, no momento da passagem da corrida, permanece no
troço apenas o apoio considerado indispensável.
A caravana que acompanhará os
corredores que permanecem em competição ficará, assim, reduzida aos meios
estritamente necessários ao funcionamento desportivo e à segurança da prova.
Além dos carros de apoio das
equipas, estarão autorizadas duas ambulâncias e 25 viaturas da organização,
onde se incluem os carros dos comissários e dois veículos de apoio neutro. Das
25 motos que integram habitualmente a caravana, apenas 15 atravessarão este
troço junto da corrida.
O objetivo é reduzir ao mínimo
indispensável o número de veículos presentes na Mata de Albergaria durante os
poucos minutos necessários à passagem do pelotão, assegurando simultaneamente
todas as condições de segurança e assistência exigidas por uma competição desta
dimensão.
A passagem ficará, assim,
limitada aos corredores que permanecem em competição e aos meios considerados
indispensáveis à segurança e ao funcionamento desportivo da corrida.
Sem
helicóptero, drones ou amplificação sonora
O dispositivo especial
implicará também alterações significativas na habitual operação de cobertura e
acompanhamento da Volta a Portugal.
Durante a passagem pela área
abrangida pelas restrições, não serão utilizados meios aéreos de captação de
imagem, nomeadamente o helicóptero e os drones que habitualmente acompanham a
corrida.
Estará igualmente proibida
qualquer amplificação sonora, bem como a instalação de estruturas fixas
associadas ao Prémio de Montanha localizado neste setor.
A passagem da corrida será,
desta forma, deliberadamente discreta, reduzindo não apenas a circulação, mas
também o ruído e a presença de estruturas habitualmente associadas à
competição.
Sem área de descarte e
exclusão para quem deixar resíduos
As medidas excecionais
estendem-se também ao comportamento dos próprios corredores. Ao contrário do
que acontece noutros pontos das etapas, não existirá qualquer área de descarte
ao longo deste troço.
Será absolutamente proibido
aos corredores atirar bidões, embalagens de gel ou qualquer outro resíduo para
o chão, estando prevista pela organização a exclusão da prova em caso de
incumprimento.
A medida pretende assegurar
que nenhum resíduo resultante da passagem do pelotão permanece numa área de tão
elevado valor ambiental.
Após a passagem dos corredores
e das viaturas autorizadas, todo o troço será ainda percorrido e verificado,
procedendo-se à recolha de qualquer eventual resíduo que possa ser encontrado.
O ICNF acompanhará a
realização da etapa e será posteriormente elaborado um relatório de avaliação,
destinado a verificar o cumprimento das condições estabelecidas.
Respeitar, valorizar e
homenagear a Mata de Albergaria
A organização da 87.ª Volta a
Portugal encara a passagem pela Mata de Albergaria não apenas como um momento
desportivo, mas também como uma oportunidade para chamar a atenção para o valor
excecional deste património natural e para a importância da sua preservação.
Por essa razão, todas as
condições determinadas pelo ICNF serão integralmente cumpridas e, em alguns
casos, reforçadas por decisão da própria organização.
Sem público ao longo de cerca
de 11 quilómetros, sem caravana publicitária, sem meios aéreos, sem
amplificação sonora, sem áreas de descarte e com a circulação da caravana que
acompanha o pelotão reduzida ao mínimo indispensável, a passagem da Volta será
efetuada sob um conjunto de regras particularmente restritivas e algumas
inéditas nesta prova.
A organização está a trabalhar
em estreita articulação com as autoridades para compatibilizar a passagem da
maior prova do ciclismo nacional com a preservação dos valores naturais do
Parque Nacional da Peneda-Gerês.
A Volta passará pela Mata de
Albergaria para dar a conhecer um património único, mas sobretudo para o
respeitar, valorizar e homenagear.
Mais informações em https://avoltaportugal.com/
Fonte: Federação Portuguesa
Ciclismo

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