terça-feira, 11 de agosto de 2026

“Impacto Ambiental em Albergaria Lança Volta a Portugal para o Centro da Polémica, Quercus e PAN contestam”


Por: José Morais

A decisão de autorizar a passagem da Volta a Portugal pela Mata de Albergaria, no coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês, desencadeou uma onda de críticas de ambientalistas e partidos políticos, que alertam para riscos ecológicos, falta de transparência e um possível precedente para futuros eventos em áreas protegidas.

 

Contestação ambiental sobe de tom

 

A Quercus veio a público contestar a autorização dada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), argumentando que as medidas de proteção anunciadas como a interdição ao público, a limitação de veículos de apoio e a ausência de meios aéreos não eliminam os impactos ambientais numa das zonas mais sensíveis do país.

A associação sublinha que a Mata de Albergaria integra áreas de proteção parcial de tipo I e é ladeada por zonas de proteção total, defendendo que “não é lugar” para acolher uma etapa de uma competição nacional acompanhada por uma vasta comitiva e logística.

A organização ambientalista alerta ainda para a ausência de uma avaliação pública da capacidade de carga da mata e dos efeitos cumulativos da visitação, considerando que a decisão “abre um precedente perigoso” para a realização de eventos de grande dimensão em áreas de elevado estatuto de proteção.

 

ICNF defende medidas de proteção reforçadas

 

O ICNF justificou a autorização com a implementação de “fortes medidas de proteção da biodiversidade”, garantindo que a passagem da 7.ª etapa será altamente condicionada. Entre as restrições impostas estão a proibição de público nos setores mais sensíveis e a limitação de meios de apoio.

Ainda assim, ambientalistas e antigos responsáveis do parque, questionam a compatibilidade da decisão com o Plano de Ordenamento do PNPG e alertam para o sinal transmitido à sociedade ao permitir um evento desta dimensão numa área de elevada fragilidade ecológica.

 

PAN exige transparência total

 

O PAN juntou-se às críticas e enviou um requerimento ao Ministério do Ambiente e Energia, pedindo a divulgação de todos os documentos que sustentaram a autorização. O partido quer conhecer:

O pedido da organização da Volta ao ICNF

O plano de gestão de resíduos exigido

A avaliação dos impactos sobre fauna, flora e habitats

A forma como será garantida a interdição ao público

A razão pela qual não foi respondido o pedido da FAPAS para divulgação do parecer técnico

Para Inês de Sousa Real, “a transparência não pode ser opcional quando se trata do único Parque Nacional português”, defendendo que a proteção do Gerês não deve depender de condicionantes anunciadas apenas depois da decisão tomada.

 

Entre a promoção do território e a proteção ambiental

 

A Quercus reconhece o valor da Volta a Portugal enquanto evento desportivo e instrumento de promoção territorial, mas insiste que essa valorização deve ser compatível com os objetivos de conservação das áreas protegidas. A associação pede a revisão imediata do percurso e a exclusão da Mata de Albergaria desta e de futuras edições.

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