Por: José Morais
A decisão de autorizar a
passagem da Volta a Portugal pela Mata de Albergaria, no coração do Parque
Nacional da Peneda-Gerês, desencadeou uma onda de críticas de ambientalistas e
partidos políticos, que alertam para riscos ecológicos, falta de transparência
e um possível precedente para futuros eventos em áreas protegidas.
Contestação
ambiental sobe de tom
A Quercus veio a público
contestar a autorização dada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das
Florestas (ICNF), argumentando que as medidas de proteção anunciadas como a
interdição ao público, a limitação de veículos de apoio e a ausência de meios
aéreos não eliminam os impactos ambientais numa das zonas mais sensíveis do
país.
A associação sublinha que a
Mata de Albergaria integra áreas de proteção parcial de tipo I e é ladeada por
zonas de proteção total, defendendo que “não é lugar” para acolher uma etapa de
uma competição nacional acompanhada por uma vasta comitiva e logística.
A organização ambientalista
alerta ainda para a ausência de uma avaliação pública da capacidade de carga da
mata e dos efeitos cumulativos da visitação, considerando que a decisão “abre
um precedente perigoso” para a realização de eventos de grande dimensão em
áreas de elevado estatuto de proteção.
ICNF
defende medidas de proteção reforçadas
O ICNF justificou a
autorização com a implementação de “fortes medidas de proteção da
biodiversidade”, garantindo que a passagem da 7.ª etapa será altamente
condicionada. Entre as restrições impostas estão a proibição de público nos
setores mais sensíveis e a limitação de meios de apoio.
Ainda assim, ambientalistas e
antigos responsáveis do parque, questionam a compatibilidade da decisão com o
Plano de Ordenamento do PNPG e alertam para o sinal transmitido à sociedade ao
permitir um evento desta dimensão numa área de elevada fragilidade ecológica.
PAN exige
transparência total
O PAN juntou-se às críticas e
enviou um requerimento ao Ministério do Ambiente e Energia, pedindo a
divulgação de todos os documentos que sustentaram a autorização. O partido quer
conhecer:
O pedido da organização da
Volta ao ICNF
O plano de gestão de resíduos
exigido
A avaliação dos impactos sobre
fauna, flora e habitats
A forma como será garantida a
interdição ao público
A razão pela qual não foi
respondido o pedido da FAPAS para divulgação do parecer técnico
Para Inês de Sousa Real, “a
transparência não pode ser opcional quando se trata do único Parque Nacional
português”, defendendo que a proteção do Gerês não deve depender de
condicionantes anunciadas apenas depois da decisão tomada.
Entre a
promoção do território e a proteção ambiental
A Quercus reconhece o valor da
Volta a Portugal enquanto evento desportivo e instrumento de promoção
territorial, mas insiste que essa valorização deve ser compatível com os
objetivos de conservação das áreas protegidas. A associação pede a revisão
imediata do percurso e a exclusão da Mata de Albergaria desta e de futuras
edições.

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