Por: José Morais
O Tour de França terminou, mas
o pós corrida continua a fervilhar. Entre análises, projeções e leituras
técnicas, uma voz experiente voltou a marcar posição: Patrick Lefevere, figura
histórica do ciclismo mundial, decidiu olhar com lupa para dois dos nomes que
mais surpreenderam nesta edição Paul Seixas e Isaac Del Toro.
A
ascensão meteórica de Paul Seixas
Lefevere, antigo mentor de
Remco Evenepoel, não escondeu o espanto perante o desempenho do jovem francês
de 19 anos. Mas, ao mesmo tempo, deixou claro que não teria tomado a mesma
decisão da equipa Decathlon.
Seixas no Tour
“Impressiona-me, mas eu não o levaria ao Tour tão jovem”, afirmou.
O francês terminou em 4.º
lugar, sem quedas graves e com uma consistência notável ao longo das três
semanas.
Patrick Lefevere
reconheceu que o desgaste dos últimos dias era “normal”, mas insistiu que “não
se deve saltar etapas” na formação de um talento desta dimensão.
Mesmo assim, o belga admitiu
que, com Vingegaard e Lipowitz em prova, Seixas talvez tivesse sido 6.º,
resultado que, no seu entender, continuaria a ser extraordinário para alguém
com tão pouca experiência.
A
polémica: Del Toro teria chegado ao pódio sem Pogacar?
A crítica mais dura surgiu
quando Patrick Lefevere analisou o desempenho de Isaac Del Toro, terceiro
classificado, vencedor de etapa e melhor jovem.
Del_Toro no pódio “Sem
Pogacar, Del Toro provavelmente não teria chegado ao pódio e certamente não
teria vencido a etapa”, disparou.
O mexicano enfrentou problemas
de saúde na última semana, mas Patrick Lefevere
sublinhou que Pogacar foi decisivo: protegeu-o na etapa da vitória e colocou-o
em posição favorável nas montanhas.
Ainda assim, o veterano
reconheceu que Del Toro não foi apenas passageiro no “comboio” esloveno:
Atacou Seixas quando sentiu o
terceiro lugar ameaçado.
Soube responder nos momentos
críticos.
E mostrou personalidade
competitiva quando a corrida apertou.
Ou seja, para Patrick
Lefevere, o apoio de Pogacar foi determinante, mas não suficiente para apagar o
mérito próprio do jovem talento da UAE.
Evenepoel:
o antigo pupilo que surpreendeu
No fecho da entrevista,
Patrick
Lefevere voltou-se para Remco Evenepoel, ciclista que treinou e acompanhou de
perto durante anos.
Admitiu que tinha dúvidas
sobre a capacidade de Remco para manter o nível durante três semanas.
Mas reconheceu que o belga
“provou que ele estava errado”.
E deixou no ar uma previsão:
quando Pogacar mostrar fragilidade, Evenepoel poderá finalmente disputar o Tour
“de igual para igual”.
Para onde
segue o debate?
As palavras de Patrick
Lefevere reacendem uma discussão antiga no ciclismo: até que ponto o talento
puro explica resultados extraordinários e quanto depende do contexto, da equipa
e das estrelas que os rodeiam?

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