Por: José Morais
O italiano Damiano Caruso
voltou a assumir o papel de pilar decisivo na proteção e orientação de Afonso
Eulálio, reforçando uma parceria que se tornou uma das histórias mais humanas e
marcantes desta edição da Volta a Itália.
Uma
relação que fez a diferença
Ao longo de três semanas
intensas, Damiano Caruso veterano de 38 anos da equipa da Bahrain Victorious
transformou-se no mentor, escudeiro e quase irmão mais velho do jovem português
de 24 anos. A sua experiência foi determinante para que Afonso Eulálio
alcançasse um impressionante 6.º lugar na geral e conquistasse a classificação
da juventude, um feito histórico para o ciclismo português.
O
momento-chave na montanha
Na penúltima subida da etapa
decisiva, Afonso Eulálio vacilou. Sentiu o corpo a ceder.
Damiano Caruso não hesitou.
“Afonso, ninguém se sente bem
num dia como este. Vou ficar contigo e vamos lutar juntos.”
Foi o ponto de viragem. O
português recuperou, ganhou confiança e terminou a etapa com força suficiente
para atacar um gesto que surpreendeu até o próprio Caruso.
O adeus
de um mestre
Para o italiano, esta Volta a
Itália teve um sabor especial.
Depois de meses de preparação,
cumpriu o objetivo que tinha traçado para a sua última temporada.
“Trabalhei todo o inverno para
isto. Posso retirar-me feliz.”
Caruso despede-se do pelotão
deixando uma herança de companheirismo e liderança e um pupilo que promete
continuar a brilhar.
De ídolo
a mentor, de colega a amigo
Horas antes da etapa decisiva,
a equipa da Bahrain Victorious partilhou um vídeo que mostrava a cumplicidade
entre os dois ciclistas. A equipa descreveu a relação com uma frase simples,
mas poderosa: “De ídolo a mentor, de colega a amigo.”
Uma síntese perfeita da
história que conquistou os adeptos.

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