Por: Miguel Marques
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Os últimos dias têm sido particularmente atribulados para Wout van Aert e para a Team Visma | Lease a Bike. Entre uma queda sofrida durante um treino, um início discreto no Tour Auvergne-Rhône-Alpes, ficando para trás logo nas primeiras subidas, até recuperar para conquistar uma vitória de etapa de grande nível e, posteriormente, o agravamento das lesões, o belga viveu um período marcado por emoções contraditórias.
O corredor de 31 anos,
vencedor do Paris-Roubaix nesta temporada, viu-se obrigado a abandonar a prova
francesa antes da chegada da alta montanha e regressar ao seu país para
realizar exames complementares ao cotovelo. As dores sentidas durante a quinta
etapa levantaram preocupações e levaram a equipa médica a reavaliar a situação.
Apesar do triunfo alcançado nessa mesma jornada, a estrutura neerlandesa
confirmou que as consequências da queda continuavam a afetar o desempenho do
ciclista.
O incidente remonta a 1 de
junho, quando Van Aert caiu durante um treino, poucos dias antes do arranque
daquela que seria uma das suas principais corridas de preparação para a Volta a
França, tendo ainda os Campeonatos Nacionais belgas no calendário antes de 4 de
julho. Embora tenha recebido autorização para competir, o belga mostrou algumas
limitações, nomeadamente no contrarrelógio coletivo da terceira etapa, onde
perdeu o contacto com os colegas mais cedo do que o previsto. Ainda assim,
respondeu da melhor forma possível ao conquistar a quinta etapa num sprint
massivo. Contudo, esse acabou por ser o único momento verdadeiramente positivo
da semana.
Infeção
obriga a travar preparação
De acordo com informações
avançadas pelo HLN, os exames realizados na Bélgica revelaram uma infeção na
ferida localizada no cotovelo. O problema obrigará o corredor a interromper
temporariamente os treinos, enquanto a evolução da lesão é acompanhada de perto
pelos responsáveis médicos.
A situação surge numa fase
particularmente delicada da preparação da Visma para a Volta a França. A equipa
tem prevista uma concentração em altitude em Tignes, considerada fundamental
para afinar a condição física antes da Grande Partida em Barcelona, mas a
participação de Van Aert nesse estágio ficou agora envolta em incerteza. Também
a presença do belga na própria Grande Boucle deixou de ser uma garantia
absoluta, dependendo da resposta ao tratamento e da velocidade da recuperação.
O relógio corre contra Van
Aert e contra a formação neerlandesa. Qualquer atraso no regresso ao trabalho
poderá comprometer a preparação para uma corrida que começa a 4 de julho, com
um contrarrelógio por equipas de 20 quilómetros, maioritariamente plano, mas
com final em subida.
Visma vê
crescer os problemas antes do Tour
A Team Visma | Lease a Bike
pretende apresentar-se na Volta a França com Jonas Vingegaard como principal
aposta para a classificação geral. O dinamarquês, vencedor da Volta a Itália
deste ano, deverá voltar a medir forças com Tadej Pogacar na luta pela camisola
amarela.
Nesse contexto, Van Aert era
visto como uma peça fundamental da estratégia da equipa, graças à sua
versatilidade e capacidade para apoiar o líder tanto em etapas de média
montanha como nos dias mais exigentes da alta montanha.
Além do duelo esperado entre
Vingegaard e Pogacar, a corrida deverá contar ainda com candidatos como Paul
Seixas, Remco Evenepoel e Florian Lipowitz, entre outros nomes de destaque do
pelotão internacional.
Como se não bastassem os
problemas físicos de Van Aert, a Visma também foi afetada por casos de doença
durante o Tour Auvergne-Rhône-Alpes. Os noruegueses Jorgen Nordhagen e Per
Strand Hagenes abandonaram a competição antes da sétima etapa, reduzindo significativamente
o apoio disponível para Matteo Jorgenson nas duas etapas de montanha finais.

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