Por: Miguel Marques
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Isaac del Toro venceu a 7ª
etapa do Tour Auvergne-Rhône-Alpes e deu sinais positivos para Tadej Pogacar
com à vista à Volta a França, num dia marcado pela queda e recuperação
impressionante de Paul Seixas.
O guião da 7ª etapa do Tour
Auvergne-Rhône-Alpes estava bem escrito e prometia espetáculo desde início, com
6 subidas categorizadas e final no conhecido Grand Colombier, onde nomes como
Tadej Pogacar, Primoz Roglic ou Thibaut Pinot já tinham erguido os braços. A
jornada foi para a estrada com uma série de baixas, entre elas João Almeida,
Jorgen Nordhagen, Oscar Onley e Ben Healy.
Depois do dia negativo ontem,
Kevin Vauquelin foi um dos primeiros a atacar na fase inicial da etapa, mas a
primeira subida do dia, o Col de la Crusille (2.9km à 4.2%), não trouxe fumo
branco quanto à fuga, serviu apenas para Clément Braz Afonso somar mais uns
pontos e reforçar a liderança da montanha. O homem da Groupama viria a somar a
pontuação máxima na subida seguinte, antes de ir ao chão e ficar atrasado na
corrida.
Logo a seguir, formou-se um
grupo perseguidor com 6 elementos, entre eles Valentin Paret-Peintre, Jordan
Jegat e Clément Berthet. Os atacantes nem teriam tempo para aquecer, uma vez
que a corrida seria neutralizada a 109km da meta, no topo da Côte de Saint-Maurice-de-Rotherens,
devido à presença de gravilha na descida.
Quando a corrida regressou,
más notícias para Paul Seixas, o líder da Decathlon caiu e ficou algum tempo no
chão, retomou a corrida, ao lado de Daan Hoole e Stefan Bissegger, mas a 80km
da meta já perdia 4 minutos para o pelotão, que rodava compacto novamente.
Os acontecimentos sucediam-se
em catadupa e, depois de muitas tentativas, formava-se finalmente a fuga do
dia, ou pelo menos o mais próximo disso, com 10 elementos na frente: Quinn
Simmons, Laurens de Plus, Carlos Rodríguez, Valentin Paret-Peintre, Pello
Bilbao, George Bennett, Sergio Samitier, Clément Braz Afonso e Clément Berthet.
A UAE assumia o comando do pelotão à entrada da subida de Lacets du Grand
Colombier, uma declaração de intenções de Isaac del Toro.
A fuga não conseguia
distanciar-se do pelotão e perdia elementos, restando apenas Bennett, Valentin
Paret-Peintre, Rodríguez e De Plus, ao passo que, lá mais para trás, surgiam
notícias animadores, Paul Seixas estava apenas a 2 minutos do grupo principal,
aproveitando algum cone de vento dos carros, e já tinha a companhia de Aurélien
Paret-Peintre e Nicolas Prodhomme.
A Decathlon concluiu a missão
a 37km da meta, momento em que Seixas regressou ao pelotão, depois do falhanço
tático de ontem, hoje foram uma verdadeira equipa, restava saber qual era o
estado físico do luso descendente de cara às 2 subidas finais. A UAE manteve o
comando do grupo, não houve ataques na penúltima subida e tudo estava reservado
para o Grand Colombier, onde já não chegaria a fuga, apanhada a 13km da meta.
A Lidl-Trek entrou a top na
subida final, impondo um forte ritmo e destruindo o pelotão. Paul Seixas cedeu
a 8km da meta, juntamente com o camisola amarela Luke Tuckwell, mas não ficava
definitivamente para trás, quantas vidas tem este rapaz?
O ritmo da Lidl queimou muita
gente, mas também queimou a própria equipa e, 600 metros depois de Seixas,
Mattias Skjelmose também descolava do pelotão. A Visma era a única equipa com
mais do que um elemento e assumiu o ritmo, com Ben Tulett, antes de Juan Ayuso
arrancar.
Tulett seguiu com o espanhol
numa fase inicial, mas quando se apercebeu que não tinha o colega Jorgenson na
roda, esperou e assumiu a perseguição no segundo grupo na estrada. Ainda
aguentou 3 quilómetros até deixar o líder por sua conta, numa altura em que
Ayuso já lhes ganhava 25 segundos e Seixas perdia apenas 15.
Ao analisar este cenário,
Isaac del Toro atacou e foi à procura de Ayuso, sem resposta dos rivais. O
mexicano colocou o "olhar matador" e chegou ao homem da Lidl-Trek a
1600 metros da meta, descarregando-o logo de seguida. Atrás Johannesen e Uijtdebroeks
colocavam Jorgenson em dificuldades.
A comer metros, Isaac del Toro
cortou a meta com 3h41m41s de esforço e conseguiu a sua primeira vitória
profissional em França. Juan Ayuso foi 2º, a 24 segundos, e Tobias Johannessen
3º, a 38. Jorgenson e Uijtdebroeks chegaram apenas 3 segundos depois. Paul
Seixas minimizou perdas e cedeu 1:21 na meta, bem melhor que o líder Luke
Tuckwell, 11º, a 2:33, conseguindo ainda, no entanto, segurar a amarela.

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