Por: Miguel Marques
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As consequências da 15ª etapa
de domingo da Volta a Itália prolongaram-se no dia de descanso, com os
organizadores a criticarem o apelo liderado por Jonas Vingegaard que levou à
neutralização dos tempos da classificação geral durante a corrida, após os ciclistas
alertarem para os perigos do circuito de Milão.
O que estava desenhado para
ser um dia deslumbrante de corrida nas ruas da cidade do Norte de Itália,
frequentemente um final icónico da Corsa Rosa, transformou-se num duelo tenso
entre o pelotão e o colégio de comissários, que acabou por resultar numa alteração
das regras em plena etapa.
Enquanto os ciclistas
enfrentavam um circuito urbano pelas ruas de Milão, o camisola rosa Jonas
Vingegaard passou longos períodos junto ao carro dos comissários a contestar a
segurança do traçado em nome do pelotão. Um percurso com buracos, linhas de elétrico
e irregularidades no piso levou também Giulio Ciccone e Victor Campenaerts a
intervirem nas conversações.
Os comissários pareceram
inicialmente decidir-se por fixar os tempos da geral a cinco quilómetros da
meta. Mas, após novas discussões, os tempos da CG passaram a ser tomados quando
o pelotão cruzou a linha para iniciar a última volta, ainda com 16,3 quilómetros
por percorrer.
Jonas
Vingegaard explica o protesto
“Talvez hoje tenha passado
mais tempo no carro do diretor de corrida do que no carro da minha própria
equipa”, brincou o dinamarquês após a etapa no Cycling Pro Net. Por detrás do
tom leve, deixou uma crítica clara ao desenho do percurso e, em particular, ao
piso das ruas de Milão. “Enquanto ciclistas, todos sentimos hoje que talvez
este não fosse o circuito mais seguro para competir”, acrescentou.
Prosseguiu: “A estrada aqui
não era a melhor”. Enumerou depois uma série de obstáculos que dificultavam o
controlo do pelotão: “Havia muitos buracos, muitas lombas na estrada
praticamente o tempo todo. Diria que, basicamente, não houve um único momento em
que me sentisse seguro para agarrar o bidon ou tomar um gel”.
O dinamarquês apontou ainda as
linhas do elétrico: “Eram muitas, e passar por cima delas era muito, muito
irregular”.
RCS Sport
não está satisfeita
A RCS Sport, organizadora da
Volta a Itália, deixou claro que não concorda com a iniciativa de Vingegaard e
dos restantes ciclistas. Num claro contragolpe à decisão, o CEO da RCS Sport,
Paolo Bellino, defendeu a utilização do circuito de Milão e a sua segurança.
“Inspecionámos cada metro e a
segurança estava totalmente garantida”, disse Bellino à Gazzetta dello Sport.
Após o dia de descanso de
segunda-feira, a Volta a Itália prossegue e ruma a mais um final em alto. A 16ª
etapa de terça-feira oferece nova oportunidade para Vingegaard e a Team Visma |
Lease a Bike reforçarem a autoridade na corrida e darem mais um passo decisivo
rumo à Maglia Rosa.


