quarta-feira, 28 de outubro de 2026

“Primoz Roglic fora dos planos da Visma: Regresso sonhado ao passado chega ao fim”


Por: José Morais

O cenário de um regresso de Primoz Roglic à equipa onde construiu alguns dos maiores triunfos da sua carreira chegou ao fim. A Visma | Lease a Bike decidiu encerrar as conversações exploratórias com o veterano esloveno e afastou definitivamente a hipótese de o voltar a integrar no projeto para 2027.

 

Visma fecha a porta ao campeão esloveno

 

Nas últimas semanas, surgiram informações que apontavam para contactos preliminares entre a estrutura neerlandesa e o corredor de 37 anos. A possibilidade de um reencontro despertou curiosidade no pelotão internacional, mas a direção da equipa optou por seguir um caminho diferente.

A decisão surge numa fase em que Roglic continua a avaliar o seu futuro desportivo após três temporadas ao serviço da Red Bull - BORA. Apesar da experiência e do prestígio acumulados ao longo da carreira, a Visma entendeu que a operação não se enquadrava na estratégia delineada para os próximos anos.

 

Uma época de contrastes

 

A temporada de 2026 foi marcada por momentos distintos para o esloveno. Os primeiros meses ficaram aquém das expectativas, com resultados discretos em várias provas importantes e desempenhos pouco habituais para um corredor do seu estatuto.

No entanto, a segunda metade da época trouxe sinais claros de recuperação. Roglic voltou a demonstrar competitividade ao conquistar o segundo lugar na Volta a Espanha, destacou-se pela atitude ofensiva no Campeonato do Mundo e reforçou o seu palmarés com uma vitória no contrarrelógio dos Campeonatos da Europa.

Essas prestações mostraram que continua capaz de competir ao mais alto nível, mesmo numa fase avançada da carreira.

 

Um encaixe difícil para ambas as partes

 

Apesar do valor desportivo do corredor, o eventual regresso à Visma apresentava vários obstáculos. Num plantel liderado por Jonas Vingegaard, Roglic dificilmente teria liberdade total para definir os seus objetivos e preparar a temporada de acordo com as suas preferências.

Por outro lado, a equipa neerlandesa continua concentrada na renovação gradual do seu grupo de líderes e na identificação de talentos capazes de garantir o futuro do projeto. A contratação de um corredor experiente e com elevado valor de mercado poderia limitar outras movimentações consideradas prioritárias.

 

Mercado aberto para roglic

 

Com a via Visma encerrada, o campeão esloveno passa a concentrar-se noutras possibilidades. Várias equipas continuam a acompanhar a situação, entre elas a Tudor, Q36.5, Lotto Intermarché e Unibet Rose Rockets, que procuram reforçar as suas ambições para as próximas temporadas.

A decisão final deverá ser conhecida nas próximas semanas, num dos processos de mercado mais acompanhados do ciclismo internacional.

 

Visma procura outra solução

 

Embora tenha descartado a contratação de Roglic, a formação neerlandesa mantém a intenção de reforçar o plantel para 2027. A estratégia passa agora por aguardar uma oportunidade de mercado que possa surgir nos próximos meses ou por promover um dos talentos da equipa de desenvolvimento.

Entre os nomes que mais agradam internamente destacam-se Eliott Rowe e Ashlin Barry, dois jovens vistos como apostas sólidas para assegurar a renovação geracional da estrutura.

A novela terminou antes de começar. O regresso que muitos adeptos imaginavam não acontecerá e Primoz Roglic seguirá um caminho diferente daquele que o levou ao topo do ciclismo mundial. A próxima camisola que vestirá continua a ser uma das grandes incógnitas da próxima época.

“Segurança no ciclismo em debate: Organizadores alertam para o risco de desaparecimento de provas”


Por: José Morais

A discussão em torno da segurança nas corridas de ciclismo continua a gerar preocupação entre dirigentes, organizadores e responsáveis pelas principais competições internacionais. Enquanto a União Ciclista Internacional (UCI) procura reforçar as exigências de proteção dos atletas, alguns organizadores receiam que as novas regras possam tornar insustentável a realização de muitas provas.

 

Alemanha Levanta a Voz: “Nem Todas as Corridas Têm os Meios do Tour”

 

O antigo ciclista profissional Fabian Wegmann, atualmente diretor do Tour da Alemanha, destacou a enorme diferença existente entre as grandes competições e as restantes corridas do calendário.

Segundo o dirigente alemão, os recursos dedicados à segurança têm diminuído nos últimos anos. O número de motociclos de apoio e de agentes destacados para o percurso é atualmente muito inferior ao de edições anteriores, uma realidade que atribui à crescente dificuldade em mobilizar forças policiais para este tipo de eventos.

Wegmann recorda que o Tour de França beneficia de uma estrutura excecional, apoiada por dezenas de milhares de agentes e recursos públicos, algo impossível de replicar na maioria das provas internacionais.

 

Preparação Exaustiva para Reduzir os Riscos

 

Apesar das limitações, o responsável garante que a segurança permanece a principal prioridade dos organizadores.

Antes de cada edição, as equipas técnicas percorrem repetidamente o traçado para identificar potenciais perigos. Rotundas, separadores de trânsito, ilhas centrais e zonas urbanas são analisados ao detalhe, permitindo planear a colocação de barreiras, sinalização e pessoal de apoio.

Ainda assim, os custos associados a estas medidas aumentam de forma significativa de ano para ano.

 

Milhares de Pessoas e Custos Cada Vez Mais Elevados

 

Em algumas corridas, mais de mil pessoas são mobilizadas ao longo do percurso para assegurar a proteção dos ciclistas e do público. Grande parte desse efetivo é remunerado, o que representa um encargo financeiro muito elevado para as organizações.

Além disso, as exigências variam de país para país, obrigando frequentemente a adaptações específicas que aumentam ainda mais os investimentos necessários.

 

Exigências da UCI Podem Colocar Provas em Risco

 

A principal preocupação dos organizadores está relacionada com a possibilidade de a UCI impor padrões de segurança considerados demasiado elevados para a realidade financeira da maioria das corridas.

Wegmann reconhece a importância de criar normas claras e uniformes, mas alerta que algumas medidas poderão tornar-se economicamente impossíveis de cumprir. A instalação de quilómetros de barreiras, a proteção integral de separadores de trânsito e a adaptação de infraestruturas urbanas exigem investimentos que muitas organizações simplesmente não conseguem suportar.

Na sua opinião, se forem implementadas regras demasiado exigentes sem apoio financeiro correspondente, uma grande parte das provas do calendário internacional poderá desaparecer.

 

Municípios Também Enfrentam Dificuldades

 

Outro dos obstáculos apontados prende-se com a intervenção em infraestruturas urbanas. Em determinadas chegadas, é necessário remover temporariamente ilhas de trânsito, alterar cruzamentos ou modificar elementos da via pública para garantir finais seguros.

Estas operações representam custos significativos para as autarquias, que depois têm de justificar o investimento junto dos cidadãos. Em muitos casos, trata-se de dezenas de milhares de euros destinados a alterações que serão revertidas pouco tempo depois da corrida terminar.

 

Equilíbrio Entre Segurança e Sustentabilidade

 

Apesar das críticas, Fabian Wegmann defende que a segurança dos corredores deve permanecer no centro das decisões. O dirigente revela que já recusou várias propostas de cidades interessadas em acolher etapas do Tour da Alemanha quando não era possível garantir condições adequadas para uma chegada segura.

Contudo, deixa um aviso claro: melhorar a segurança é essencial, mas as medidas têm de ser compatíveis com a realidade económica do ciclismo. Caso contrário, o desporto corre o risco de perder muitas das suas provas históricas e de reduzir drasticamente o seu calendário competitivo.

“Sem equilíbrio entre proteção e viabilidade financeira, muitas corridas poderão simplesmente deixar de existir.”

“Giro d’Itália 2027 promete revolucionar a corrida: Zoncolan regressa, Mortirolo em dose dupla e Gavia volta a assustar o pelotão”


Por: José Morais

A poucos dias da apresentação oficial do percurso, marcada para 3 de novembro, começam a surgir cada vez mais detalhes sobre aquele que poderá ser um dos Giros d’Itália mais exigentes da última década. As informações que circulam em Itália apontam para uma edição marcada pelo regresso das grandes montanhas, pela aposta reforçada nos contrarrelógios e por um traçado desenhado para desafiar os mais completos candidatos à camisola rosa.

A partida está prevista para a cidade de Trieste, a 8 de maio, numa jornada favorável aos homens rápidos. Depois de várias edições com arranque fora de Itália, a organização deverá apostar novamente em território nacional para dar início à corrida.

A primeira semana promete equilíbrio entre oportunidades para os velocistas e desafios para os especialistas da classificação geral. Entre os momentos mais aguardados poderá estar um contrarrelógio com chegada em altitude ao Gran Sasso, num formato que não se vê há vários anos na prova. Estão ainda previstas etapas acidentadas nos Abruzos, desenhadas para provocar diferenças sem assumir ainda um papel decisivo.

Após a passagem por Nápoles, a corrida seguirá rumo ao norte do país. O percurso deverá incluir uma passagem pelo circuito de Mugello, uma etapa movimentada na Emília-Romanha e uma chegada em subida na Toscânia. Antes dessa meta, os corredores poderão enfrentar a inédita ascensão de Zum Zeri, uma novidade que promete acrescentar espetáculo e imprevisibilidade à corrida.

A segunda metade da prova começará a ganhar contornos mais exigentes com uma chegada nos Piani di Bobbio, antes de um novo contrarrelógio previsto para a zona de Monza. Esta etapa poderá representar a última grande oportunidade para os especialistas contra o relógio antes da entrada nas montanhas mais duras da competição.

 

Alpes e Dolomitas regressam ao centro do espetáculo

 

Depois de uma edição anterior relativamente pobre em grandes colossos alpinos, o Giro de 2027 deverá recuperar toda a sua identidade montanhosa. As fugas, os ataques de longe e as grandes diferenças na classificação geral poderão voltar a ser protagonistas.

A jornada mais temida surge apontada para a terceira semana e poderá ultrapassar os 6.000 metros de desnível acumulado. O percurso incluiria duas passagens pelo lendário Mortirolo, intercaladas com a igualmente mítica subida do Gavia, um dos pontos mais altos e emblemáticos do ciclismo mundial.

Se as condições meteorológicas o permitirem, os corredores enfrentarão um autêntico teste de sobrevivência. A segunda passagem pelo Mortirolo deverá acontecer pela vertente de Mazzo di Valtellina, considerada a mais dura e seletiva da montanha, antes da chegada final a Aprica.

 

Mas o sofrimento não terminará aí

 

Os últimos dias de competição prometem uma sucessão de etapas para escaladores puros. Primeiro, uma chegada na região de Madonna di Campiglio. Depois, uma travessia exigente pelas Dolomitas em direção à Áustria. Finalmente, como derradeiro exame antes da consagração em Roma, surge o regresso de um dos monstros mais temidos do ciclismo mundial: o Monte Zoncolan.

A subida pela vertente de Ovaro, ausente do Giro desde 2018, poderá voltar a decidir o vencedor da corrida. Com rampas brutais e percentagens que ultrapassam frequentemente os dois dígitos, o Zoncolan mantém a reputação de ser uma das ascensões mais impiedosas do calendário internacional.

 

Percurso poderá favorecer corredores completos

 

Embora ainda não sejam conhecidas as distâncias exatas dos contrarrelógios, várias fontes italianas apontam para uma quilometragem significativa nesta disciplina. Essa opção poderá refletir o desejo da organização de equilibrar a luta pela geral e favorecer corredores versáteis, capazes de brilhar tanto nas montanhas como contra o relógio.

Entre os nomes que surgem associados a esse perfil destaca-se o belga Remco Evenepoel, cuja combinação de potência, resistência e eficácia nos contrarrelógios encaixaria de forma quase perfeita nas características deste possível Giro d’Itália 2027.

Se as informações agora divulgadas se confirmarem, os adeptos poderão assistir a uma edição memorável, marcada pelo regresso dos grandes cenários alpinos, pelo renascimento de subidas históricas e por uma batalha sem tréguas entre os melhores ciclistas do mundo.

Ficha Técnica

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