sábado, 29 de novembro de 2025

“A tradição está a travar o ciclismo” Presidente da CPA apoia proposta de Pogacar”


Por: Carlos Silva

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

O debate sobre o calendário das Grandes Voltas ganhou nova dimensão após Tadej Pogacar defender publicamente que a Volta a Itália e a Volta a Espanha deveriam trocar de posição no calendário. A proposta, inicialmente vista como improvável por razões históricas e logísticas, recebeu apoio imediato de Adam Hansen, presidente da CPA (sindicato de ciclistas), que validou a ideia numa publicação no X.

Durante o estágio do UAE Team Emirates – XRG na Gran Canaria, Pogacar explicou a sua posição ao AS: “Digo sempre que, se a Volta a Itália e a Volta a Espanha trocassem o calendário, seria muito melhor, quer pelas condições meteorológicas, mas também porque permitiria a participação de mais corredores.”

 

Hansen reage: “Nunca fizeram o Giro com neve, ou a Vuelta com calor abrasador”

 

Adam Hansen foi rápido a responder nas redes sociais, sublinhando que o tema já tinha sido discutido informalmente.

“Tenho dito isto nos últimos anos durante o PCC e outras reuniões. Riram-se de mim, mas, obviamente, nunca fizeram o Giro com chuva gelada e neve, ou a Vuelta com um calor abrasador. Esse é o maior problema no ciclismo: a tradição está a travar o ciclismo.”

As palavras de Hansen reforçam a percepção de que as condições extremas - frio intenso em maio no Giro, calor sufocante em agosto/setembro na Vuelta - podem influenciar diretamente o desempenho dos ciclistas e a própria saúde dos mesmos.

 

A visão de Pogacar: ambição e gestão de esforço

 

Pogacar tem apontado a 2026 como o ano da tentativa de completar o trio de Grandes Voltas, mas admite que a sequência atual dificulta conciliar um esforço máximo na Volta a França com uma candidatura forte na Vuelta.

A troca de datas permitiria:

melhores condições meteorológicas para ambas as provas

recuperação mais eficaz entre Grandes Voltas

participação de mais líderes em ambas as provas, potenciando a competitividade

evitar exigências extremas num calendário já altamente comprimido.

 

Gran Canaria como palco futuro?

 

Na mesma entrevista, o esloveno elogiou Gran Canaria como potencial anfitriã da Volta a Espanha no futuro. A ilha não integra o percurso de 2026, mas Pogacar reforçou que o clima e as condições de treino fazem dela um destino ideal para competições nesta fase da época.

 

Um debate que pode ganhar força - mas não a tempo de 2026

 

Com uma das principais figuras do pelotão e o líder do sindicato de ciclistas alinhados na opinião, o tema deverá surgir nas discussões estratégicas futuras. Porém, é altamente improvável que tenha impacto imediato, dado que a estrutura base do calendário de 2026 está praticamente definida.

Ainda assim, a intervenção de Hansen é o sinal mais forte até agora de um apoio institucional à proposta. O conflito entre tradição e modernização volta a emergir e desta vez com porta-vozes de peso.

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/a-tradicao-esta-a-travar-a-modalidade-presidente-da-cpa-apoia-proposta-de-pogacar

“Se cobrares 5 €, isso não significa que deixe de ser para o público” – Wout van Aert junta-se ao debate sobre a cobrança de bilhetes nas maiores provas de ciclismo”


Por: Ivan Silva

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Wout van Aert entrou diretamente no debate cada vez mais aceso sobre bilhética nas grandes corridas, defendendo que pedir aos adeptos uma pequena taxa não trai as raízes populares do ciclismo.

Em declarações ao De Tijd, a estrela da Team Visma | Lease a Bike apontou o ciclocrosse como prova de que o acesso pago e um ambiente popular podem coexistir.

“Se cobrarem 5 € de entrada, isso não significa que deixa de ser para o público. No ciclocrosse cobra-se entrada, e nada é mais ‘do público’ do que isso”, afirmou.

Num momento em que ganham visibilidade, e polémica, propostas para cobrar aos espectadores em subidas icónicas e zonas de elevada procura, as palavras de Van Aert colocam uma das vozes mais influentes do pelotão ao lado de quem defende que a bilhética deve, pelo menos, ser considerada.

 

Van Aert: ciclismo é “demasiado frágil” sem receitas geradas dentro da modalidade

 

O raciocínio de Van Aert vai além de uma guerra cultural sobre se os adeptos devem pagar. Para ele, a questão liga-se à fragilidade estrutural de um desporto que ainda depende quase por completo de patrocinadores externos para sobreviver.

Alertou que o modelo atual deixa as equipas expostas no momento em que um patrocinador sai. “Acho que essa fragilidade seria muito menor se, a par das receitas de patrocínio, houvesse também receitas provenientes do próprio desporto”, explicou. “Dos direitos televisivos, por exemplo, ou de outras organizações.”

Esta linha liga de forma clara o debate da bilhética à discussão mais ampla sobre o financiamento do ciclismo. Taxas de acesso em determinadas subidas ou zonas específicas de adeptos são exploradas por alguns como parte de um leque mais vasto de novas fontes: distribuição distinta dos direitos de TV, hospitalidade mais estruturada e áreas pagas para espectadores nos pontos de maior procura do percurso.

Van Aert traçou também um contraste evidente com a forma como as ligas americanas gerem as finanças. “Quando vejo como a NBA controla o seu campo de jogo, permitindo ao mesmo tempo que as equipas beneficiem do dinheiro da TV: o ciclismo pode aprender muito com isso.”

Neste sentido, a bilhética não é apresentada como solução mágica, mas como um elemento de uma mudança mais ampla rumo a receitas centralizadas e partilháveis que outros desportos já adotaram.

 

A visão de um corredor a partir do coração da modalidade

 

Crucialmente, Van Aert enquadrou os comentários não como exercício teórico, mas como reflexo do funcionamento real das corridas para as equipas no terreno. Sublinhou que os maiores eventos do calendário dependem inteiramente de corredores e equipas que comparecem, e que essas mesmas equipas recebem pouco retorno financeiro por o fazer.

“Corrijam-me se estiver errado, mas uma grande corrida como a Ronde ou o Tour existe por nossa causa, os ciclistas e as equipas que lá vão competir. Mas, enquanto equipa, não recebemos sequer uma compensação que cubra o custo dessa participação. Isso deveria ser o mínimo. A fatia poderia ser dividida de forma mais justa.”

Esta perspetiva ajuda a explicar por que razão os corredores estão hoje mais abertos a ideias antes intocáveis. Para equipas com orçamentos apertados, qualquer receita adicional e estável que regresse ao desporto, seja da TV, da hospitalidade ou de uma bilhética cuidadosamente gerida, é vista como forma potencial de reduzir a fragilidade a que Van Aert volta repetidamente.

 

Ajustar-se a um debate sobre bilhética já ruidoso

 

Embora a entrevista de Van Aert se sustente por si, surge num debate que tem crescido em torno de propostas para cobrar em locais específicos e de elevada pressão.

O antigo diretor desportivo Jerome Pineau projetou o tema para o centro das atenções ao defender, de forma mediática, “privatizar” uma etapa de montanha-chave e introduzir acesso pago e estruturas VIP numa das subidas mais famosas do desporto.

As vozes italianas também ganharam destaque na conversa: um dos nossos artigos anteriores sublinhou a posição de Paolo Bettini sob o título “É justo que os adeptos paguem”, enquanto outro centrou-se no argumento de Filippo Pozzato de que os adeptos têm de perceber que “não estão a deitar dinheiro fora” quando pagam por acesso e serviços em grandes corridas.

Num debate tantas vezes colocado em termos de tudo ou nada, a tomada de posição de Van Aert é um sinal claro, vindo de uma das maiores figuras da modalidade, de que o ciclismo pode explorar novas receitas sem abandonar os adeptos que o construíram. Se esses adeptos concordarão, porém, é outra questão.

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/se-cobrares-5-isso-nao-significa-que-deixe-de-ser-para-o-publico-wout-van-aert-junta-se-ao-debate-sobre-a-cobranca-de-bilhetes-nas-maiores-provas-de-ciclismo

“Não me incomoda. Não muda nada na minha vida” Tadej Pogacar reage pela primeira vez às duras críticas de Roger De Vlaeminck”


Por: Carlos Silva

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Tadej Pogacar quebrou o silêncio e reagiu, pela primeira vez, às duras declarações de Roger De Vlaeminck, que no início do ano contestou de forma frontal a crescente admiração em torno do tetracampeão da Volta a França. A resposta do esloveno surgiu durante uma participação no Rai Sport Radiocorsa e foi tudo menos incendiária.

De Vlaeminck, conhecido pela sua franqueza e fidelidade à era Merckx, afirmara anteriormente: “Tadej Pogacar não está à altura de apertar os sapatos ao Eddy Merckx! Se eu estivesse no pelotão, ele não me deixaria para trás.” Chegou mesmo a descrever Pogacar como “sobrevalorizado”, declarações que rapidamente alimentaram debate no pelotão internacional e entre especialistas.

Questionado sobre essas afirmações, Pogacar evitou qualquer confronto direto e manteve um registo sereno. “Eu avalio-me a mim próprio. Se alguém me sobrevaloriza, não me incomoda. Se alguém me subvaloriza, também não me incomoda. Não muda nada na minha vida.”

 

Duas eras, um contraste evidente

 

Enquanto De Vlaeminck optou por palavras contundentes, Pogacar recusou entrar no jogo das comparações ou responder com hostilidade. A sua posição foi clara: não pretende legitimar o conflito nem prolongar uma discussão que considera estéril.

As palavras de Pogacar reforçam a sua abordagem focada na performance e não na polémica, deixando implícito que o julgamento da sua carreira será feito na estrada e não no campo retórico.

 

Debate sem escalada

 

A reação, marcada pela contenção, reduziu a temperatura de um tema que poderia ter escalado entre figuras de gerações diferentes. Pogacar não comenta o mérito das críticas, não contesta a visão de De Vlaeminck e não se coloca no centro da comparação com Eddy Merckx.

Ao recusar alimentar a controvérsia, o esloveno recentra a atenção na corrida, no futuro e no seu próprio desempenho, num momento em que continua a construir um legado que muitos consideram histórico, independentemente de opiniões externas.

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/nao-me-incomoda-nao-muda-nada-na-minha-vida-tadej-pogacar-reage-pela-primeira-vez-as-duras-criticas-de-roger-de-vlaeminck

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