domingo, 7 de junho de 2026

“João Almeida regressa em dia amargo: português perde mais de 24 minutos na dura abertura do Tour Auvergne-Rhône-Alpes”


Por: José Morais

A etapa inaugural do Tour Auvergne-Rhône-Alpes sucessor direto do histórico Critérium du Dauphiné ficou marcada pelo brilho francês e pelas dificuldades sentidas por João Almeida, que regressou à competição após uma longa paragem por doença.

 

Baudin estreia-se a vencer no World Tour

 

O herói do dia foi Alex Baudin (EF Education–EasyPost). O francês de 25 anos integrou a fuga inicial, resistiu ao pelotão e cruzou isolado a meta em Saint-Ismier, depois de 146,2 quilómetros de esforço contínuo. A vitória, conquistada praticamente “em casa” e diante da família, valeu-lhe a liderança da geral.

Atrás dele chegaram Ramses Debruyne (Alpecin–Deceuninck) e Léo Bisiaux (Decathlon), a 32 segundos, num grupo que também incluía nomes fortes como Luke Plapp, Kévin Vauquelin e Oscar Onley.

 

João Almeida regressa, mas paga caro o ritmo da montanha

 

O regresso de João Almeida (UAE Emirates) não teve o desfecho desejado. O português perdeu contacto logo na subida ao Col de l’Arzelier, ainda nos primeiros 30 quilómetros. Chegou a reentrar no pelotão, mas voltou a ceder definitivamente na Côte de Quaix-en-Chartreuse, já a mais de 50 quilómetros da meta.

Acabou por cortar a meta na 147.ª posição, a 24m09s do vencedor.

O outro português em prova, Ivo Oliveira, terminou em 95.º, a 21m11s.

 

Etapa dura faz estragos entre favoritos

 

A jornada, com cinco contagens de montanha — incluindo uma de primeira categoria provocou danos significativos no pelotão. Entre os favoritos à geral, Isaac del Toro, Paul Seixas, Juan Ayuso e Matteo Jorgenson chegaram a 44 segundos de Baudin.

Outros nomes de peso ficaram ainda mais atrasados, como Daniel Martínez, Ben Healy e Tobias Halland Johannessen.

O jovem norte-americano Matthew Riccitello, melhor jovem da última Vuelta, abandonou por doença.

 

O que vem aí

 

A segunda etapa, entre Saint-Martin-le-Vinoux e Le Puy-en-Velay, apresenta-se como um verdadeiro teste de resistência: 234,3 quilómetros e cinco contagens de montanha, três delas de segunda categoria.

“Resultados 1a etapa do Tour Auvergne-Rhône-Alpes: Alex Baudin faz vingar a fuga e veste a amarela; Onley e Vauquelin ganham tempo”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

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A fuga vingou no primeiro dia do Tour Auvergne-Rhône-Alpes, com o francês Alex Baudin a vencer em Saint-Ismier e a arrecadar a primeira camisola amarela para a França, ainda que o público gaulês esperasse que isso ocorresse com outro protagonista: Paul Seixas, que preferiu correr de um modo conservador, até porque perdeu o seu principal gregário de montanha.

O Tour Auvergne-Rhône-Alpes 2026 foi uma corrida de regresso à competição para muitos ciclistas, depois de lesões com maior ou menor gravidade. João Almeida, Matteo Jorgenson, Isaac del Toro, Matteo Trentin, Michael Matthews ou Ben Healy voltaram a colocar um dorsal nas costas.

A etapa de abertura mais dura de sempre do antigo Critérium du Dauphiné, superando, por exemplo, a 1ª etapa da edição de 2025, ganha por Tadej Pogacar, arrancou com um falso plano ascendente e muitas tentativas de fuga.

Inicialmente, formou-se um grupo com nomes como Georg Steinhauser, Raul Garcia Pierna ou George Bennett. No entanto, a fuga só se formaria após o sprint intermédio, com um grupo de 10 elementos na frente: Alex Baudin, Alexis Mackellar, Pepjin Reinderink, Raul Garcia Pierna, Georg Zimmermann, Matteo Vércher, Alex Diaz, Nadav Raisberg, Sergio Samitier e Clément Braz Afonso.

A primeira subida categorizada do dia, o Col de l'Arzelier (8.5km à 5.9%), chegou num ápice e a Decathlon CGA CGM de Paul Seixas mostrou as suas intenções, controlando o pelotão. O ritmo e a dureza do terreno faziam descolar Wout Van Aert, João Almeida e Matthew Riccitello, os dois primeiros conseguiriam reentrar, enquanto que o último viria a abandonar. Na fuga, observaram-se algumas movimentações táticas, com Raisberg a descair para levar George Bennett à frente. O israelita viria a ficar integrado no grupo principal, tal como o neerlandês da Soudal - Quick-Step.

Na subida mais inclinada do dia, o Côte de Quaix-en-Chartreuse (2.4km à 10.2%), João Almeida voltou a mostrar que está aqui para ir dia a dia, sem pressão, cedendo a 54km da meta. Não ficou sozinho, mas sim integrado num grupo, com elementos como Wout Van Aert, Dorian Godon ou Pello Bilbao. Mais adiante, e de forma mais surpreendente, Benoit Cosnefroy, também ficava para trás, ele que era considerado à partida um dos favoritos para hoje.

A fuga também se partia, sobrando apenas 3 elementos na frente, os mais fortes a subir - Bennett, Baudin e Braz Afonso. Para o Côte de Rousset (8.3km à 7.6%), estavam reservadas mais algumas surpresas negativas no pelotão, com Jordan Jegat, Daniel Martínez e Pavel Sivakov a ligarem a marcha-atrás, depois da Visma se juntar à Decathlon no comando do grupo.

Alex Baudin arrancou a 29km da meta, descarregou os rivais e foi em busca da primeira amarela da corrida, tentando tirar vantagem do facto de Paul Seixas ter perdido o seu principal gregário, Matthew Riccitello. No pelotão, continuavam homens de geral a cair que nem tordos, Tobias Johannessen, Ben Healy e Jefferson Cepeda também mostravam dificuldades, ao passo que Daniel Martínez reentrava.

O francês coroou o topo com 1:20 de vantagem para o pelotão, onde Kevin Vermaerke arrancava, pouco depois foi Valentin Paret-Peintre a mexer, obrigando a uma reação da Visma e Decathlon. O próprio Del Toro respondeu a ataques, tentando iniciar a descida na frente, mas foi a equipa de Seixas quem conseguiu esse intento, não sem ver descolar outro elemento, desta feita Aurélien Paret-Peintre.

O homem da EF ultrapassou o último topo do dia e entrou na descida final com todas as condições para lograr a vitória de etapa, mesmo com o pelotão a rodar a 85km/h em certas zonas. Vermaerke foi finalmente apanhado a 5km da meta, numa altura em que um grupo com cerca de 10 unidades, entre eles Oscar Onley e Kevin Vauquelin, ganhava alguns segundos. Apesar de pouco entendimento, o grupo intermédio abriu 30 segundos para o pelotão, o que levou Juan Ayuso e Paul Seixas a trabalharem atrás.

Quanto à vitória de etapa, não havia dúvidas, Alex Baudin, um homem da região, celebrou a sua primeira vitória no worldtour e deu um importante triunfo à EF Education-EasyPost. Ramses DeBruyne ganhou o sprint pela segunda posição no grupo perseguidor e Leo Bisiaux foi terceiro. Onley, Vauquelin e Plapp acabaram por ganhar apenas 12 segundos ao grupo de Seixas/Ayuso/Del Toro, que cortou a meta a 44 segundos do vencedor do dia, liderado pelo mexicano.

“Resultados Volta a Itália Feminina 2026 – Demi Vollering completa a tripla coroa das Grandes Voltas após emboscada na última etapa, enquanto Elisa Longo Borghini vence a 9.a etapa”


Por: Carlos Silva

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

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Demi Vollering completou a tripla coroa das Grandes Voltas femininas em grande estilo no Giro d’Italia Women, destronando a Maglia Rosa de Anna van der Breggen na etapa final após um duelo de longo curso e alto risco em redor de Saluzzo.

A líder da FDJ - SUEZ partiu a um minuto de Van der Breggen, mas a última etapa de montanha nunca acalmou. Depois de Antonia Niedermaier ter ameaçado virar a corrida do avesso, Vollering desferiu o ataque decisivo na Colletta di Brondello, distanciou Van der Breggen e alcançou o grupo da frente antes de entrar na liderança virtual da prova.

Elisa Longo Borghini venceu a etapa a partir do grupo dianteiro, batendo ao sprint Niamh Fisher-Black, Niedermaier e Vollering em Saluzzo. Mas a história do dia pertenceu a Vollering, que somou o triunfo no Giro d’Italia Women às vitórias na Volta a França Femmes e na Vuelta a España Femenina, completando o triplo no mesmo ano em que Jonas Vingegaard assinou o equivalente masculino ao vencer o Giro d’Italia.

Van der Breggen parecia ter a corrida controlada após sobreviver à encurtada etapa da Finestre no sábado, mas o último dia depressa se revelou bem mais perigoso do que uma simples defesa do rosa. O Montoso surgiu cedo como a subida mais dura da etapa, com a SD Worx - Protime a subir no pelotão antes da ascensão e a FDJ - SUEZ a começar a apertar para Vollering.

 

Niedermaier acende o rastilho antes de Vollering atacar

 

Vollering lançou o primeiro ataque no Montoso, mas Van der Breggen e Longo Borghini responderam de imediato. A jogada não afastou a Maglia Rosa, embora o ritmo tenha partido o pelotão e reduzido o grupo dos favoritos a uma seleção curta e de elite.

Marlen Reusser sofreu na subida e teve de impor o seu próprio ritmo atrás, enquanto Van der Breggen se manteve no grupo da frente com a colega Valentina Cavallar. Vollering ainda contava com Lauren Dickson ao lado, e Niedermaier mantinha-se perto o suficiente para continuar uma ameaça séria à geral.

A corrida mudou após o Montoso, quando Niedermaier atacou e levou consigo Longo Borghini e Fisher-Black. Partindo o dia em terceira a 1:24, o movimento de três rapidamente se tornou uma ameaça direta à liderança de Van der Breggen.

À medida que a diferença crescia, Niedermaier chegou, por momentos, à Maglia Rosa virtual. Van der Breggen manteve a calma atrás, mas o perigo era evidente. A FDJ - SUEZ tentou agitar o grupo através de Dickson, enquanto Vollering aguardou pela última subida para lançar o ataque que decidiu o Giro.

No troço mais íngreme da Colletta di Brondello, Vollering acelerou e deixou Van der Breggen para trás. A vantagem abriu rapidamente para cerca de 12 segundos e aumentou até ao topo. No cume, Vollering também assegurou a classificação da montanha, tornando-se a primeira ciclista a vencer a camisola da montanha nas três Grandes Voltas femininas. O seu verdadeiro alvo continuava a ser o rosa.

 

Van der Breggen perde o Giro no último dia

 

Vollering desceu e ligou a Longo Borghini, Fisher-Black e Niedermaier, enquanto Van der Breggen ficava para trás com Femke de Vries. Assim que Vollering chegou à frente, o equilíbrio da corrida mudou por completo.

No sprint intermédio na Colletta di Rossana, Vollering arrecadou seis segundos de bonificação, reforçando a sua liderança virtual. Niedermaier não disputou o sprint, apesar de ter estado perto da geral mais cedo na etapa, e o grupo dianteiro seguiu para Saluzzo com o Giro a escapar-se cada vez mais a Van der Breggen.

Já dentro dos últimos 10 km, o quarteto tinha mais de dois minutos sobre a perseguição de Van der Breggen. Vollering já não precisava da vitória na etapa para consumar a reviravolta, mas Longo Borghini ainda via ali a oportunidade de resgatar um triunfo de peso do seu Giro após uma semana difícil na geral.

As quatro líderes mantiveram-se juntas até ao último quilómetro. Longo Borghini foi a mais forte no sprint, vencendo diante de Fisher-Black, Niedermaier e Vollering. Atrás, o colapso de Van der Breggen na jornada final confirmou a mudança de Maglia Rosa.

O Giro de Vollering passou de gestão de danos após o contrarrelógio do Nevegal a vitória inequívoca na derradeira tarde. Perdera mais de um minuto para Van der Breggen na Etapa 4, respondeu com triunfos na Etapa 5 e na etapa rainha encurtada na Etapa 8, e completou a recuperação com um último ataque na estrada para Saluzzo.

O regresso de Van der Breggen ao rosa parecia ser uma das histórias da corrida. Vollering transformou o último dia em algo maior, completando o triplo das Grandes Voltas com uma emboscada que redesenhou o Giro nos quilómetros finais.

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