quarta-feira, 15 de abril de 2026

“Rafael Reis conquista a liderança em O Gran Camiño após etapa dramática e reacende ambição portuguesa na Galiza”


Por: José Morais

A Volta à Galiza ganhou novo protagonista. Rafael Reis, ciclista português da AnicolorCampicarn, assumiu esta quartafeira a liderança de O Gran Camiño depois de uma etapa marcada pela estratégia, sofrimento e inteligência competitiva. Aos 33 anos, o especialista em prólogos voltou a mostrar que não é apenas um homem de contrarrelógio: é também um corredor capaz de resistir, calcular e decidir no momento certo.

Reis entrou no dia com a convicção de que teria de “sofrer” para recuperar o tempo perdido na véspera, após um pequeno erro tático. E sofreu mesmo. Mas transformou esse desgaste em oportunidade. Julius Johansen, então líder da geral e corredor da UAE Emirates, começou a ceder na subida ao Alto de Noceda, a 21 quilómetros da meta. O português percebeu a fragilidade do adversário, hesitou por instantes para avaliar o desgaste do dinamarquês, mas acabou por ser ele próprio a fechar o grupo decisivo.

“Sabia que a qualquer momento o Julius podia passar dificuldades. Quando vi que estava a quebrar, tive de reagir. Consegui encostar ao grupo da frente e controlar o Nelson Oliveira. Vestir a amarela é muito especial para mim e para a equipa”, afirmou Rafael Reis, visivelmente emocionado após cruzar a meta em Barreiros, no final dos 148,6 quilómetros da segunda etapa.

A luta pela liderança ganhou ainda mais sabor português com Nelson Oliveira (Movistar), que tentou surpreender na parte final. O veterano de Viana do Castelo terminou o dia a apenas um segundo de Reis, prometendo manter a pressão na etapa seguinte.

“Vou fazer a minha corrida. A parte final é complicada. Vamos ver como me sinto”, disse Nelson Oliveira, deixando no ar a possibilidade de atacar a amarela.

 

Uma liderança construída contra gigantes

 

A AnicolorCampicarn não dispõe dos mesmos recursos tecnológicos das grandes equipas do World Tour, algo que Reis reconhece sem rodeios. Ainda assim, o português tem compensado com experiência, leitura de corrida e uma capacidade notável de se superar em momentos decisivos.

“Sabíamos que seria difícil ganhar o contrarrelógio, porque aqui estão equipas com meios muito superiores. Mas tínhamos de tentar. Hoje conseguimos vestir de amarelo e isso é enorme para nós”, sublinhou.

Com 11 vitórias em prólogos na Volta a Portugal, Reis volta a mostrar que continua a evoluir e a surpreender fora de território nacional. A liderança em solo galego reforça a ambição da equipa e dá visibilidade a um projeto português que tem crescido de forma sustentada.

 

O que vem aí

 

A etapa de quintafeira, entre Carballo e Padrón (169 km), promete ser decisiva. Reis parte com apenas um segundo sobre Nelson Oliveira e 12 sobre o norueguês Jorgen Nordhagen (VismaLease a Bike). A responsabilidade de defender a amarela recai agora sobre a formação portuguesa, que terá de gerir ataques, controlar ritmos e proteger o seu líder até ao limite.

“Agora temos de assumir a liderança. Vamos estudar bem as táticas para tentar manter a amarela”, garantiu Reis.

A corrida segue aberta, vibrante e com forte presença portuguesa no topo. A Galiza volta a ser palco de uma história escrita em esforço, estratégia e orgulho nacional e Rafael Reis é, por agora, o protagonista maior.

“Percurso seletivo e bonificações colocam tudo em aberto no GP O JOGO 2026”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

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A 14ª edição do GP O Jogo / Leilosoc promete uma luta renhida até aos últimos quilómetros, com as bonificações e as novas dificuldades montanhosas antes de Paredes a poderem ter influência direta na definição do vencedor. Ao longo da história da prova, apenas uma vez um corredor com características puras de sprinter conseguiu conquistar a geral, mas entre os dias 23 e 26 os homens rápidos voltam a ter uma oportunidade, desde que consigam ultrapassar um percurso marcado por constantes subidas e descidas, numa edição que terá apenas 4 etapas, uma redução face às 5 de 2025.

"Será uma corrida rápida e intensa, que pode ser ganha por um sprinter com capacidade para resistir nas montanhas", explicou Delmino Pereira, antigo presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo e responsável pela direção da corrida nesta edição. O traçado inclui quatro etapas, três nas Beiras e a última em Paredes, todas relativamente curtas e com finais planos.

A existência de bonificações tanto nas metas volantes como nas chegadas pode favorecer os velocistas, embora a tirada decisiva, com duas novas ascensões nos derradeiros 20 quilómetros, abra espaço a surpresas semelhantes à registada no ano passado, quando Artem Nych atacou perto do final, venceu isolado, vestiu a camisola amarela diante de Tomas Contte e Raul Rota e lançou uma temporada marcada por sucessos como o Douro Internacional e a Volta a Portugal.

Delmino Pereira, que continua a ser o único corredor a triunfar por duas vezes nesta competição, em 1990 e 1992, ainda na fase inicial da corrida, procurou desenhar um percurso equilibrado, capaz de beneficiar ciclistas rápidos mas resistentes, como aconteceu com Luís Mendonça, vencedor da edição de 2019.

"A primeira etapa será na Beira Alta, de Mêda ao Sabugal e passando pelo Parque Natural da Serra da Estrela, mas sem o escalar. A única montanha será na Guarda. A ligação da Lousã a Vila Nova de Poiares será diferente, com várias subidas não muito acentuadas, permitindo um jogo estratégico. E a etapa de Castanheira de Pêra será curta e dura. A subida depois do rio Zêzere convida a atacar", detalhou o diretor da prova, reservando para o último dia o cenário mais exigente: "A etapa de Paredes conta com duas subidas novas, que sendo seguidas permitem fazer a diferença. Podemos ter surpresas mesmo antes de terminar".

Com bonificações distribuídas ao longo da corrida - três, dois e um segundo nas dez metas volantes, além de 10, seis e quatro segundos nas chegadas - a classificação geral deverá resultar de um equilíbrio entre quem somar segundos intermédios e quem apostar em ataques nas zonas mais duras. "Daremos uma oportunidade aos sprinters, mas eles não se podem deixar surpreender", reforçou Delmino.

Para além da competição, a jornada final em Paredes contará com uma iniciativa dedicada às famílias e ao público em geral. "Vai chamar-se Passeio da Família em Bicicleta e convidamos todos a experimentar", revelou o responsável, explicando que será criada uma área segura em estrada fechada ao trânsito, "para que os pais possam ensinar os filhos a andar de bicicleta". Num ambiente de festa, Delmino adiantou ainda que alguns antigos vencedores da prova já manifestaram intenção de marcar presença com as gerações mais novas: "Já sei que alguns antigos vencedores vão levar os netos...".

O último dia de competição voltará igualmente a integrar provas dedicadas ao desporto adaptado, com destaque para as corridas da ANDDI - Associação Nacional de Desporto para o Desenvolvimento Intelectual - que incluirão os Campeonatos Nacionais Individuais, etapas da Taça Nacional e provas de formação em distâncias mais curtas.

 

Etapas do GP O Jogo

 

1ª etapa: Mêda - Sabugal, 138,2km

2ª etapa: Lousã - Vila Nova de Poiares, 155,3km

3ª etapa: Castanheira de Pêra - Castanheira de Pêra, 132,2km

4ª etapa: Paredes - Paredes, 137,3km

“Macron entra em cena para segurar o novo prodígio do ciclismo: Decathlon acelera para renovar Paul Seixas com contrato milionário”


Por: José Morais

A França encontrou finalmente um novo rosto para sonhar alto no ciclismo mundial. Paul Seixas, apenas 19 anos, tornouse a revelação da temporada e a sua vitória esmagadora na Volta à Catalunha onde conquistou três etapas colocou o país novamente a acreditar num triunfo no Tour, algo que não acontece desde 1985. O talento é tão evidente que até o Presidente francês, Emmanuel Macron, decidiu envolverse pessoalmente no futuro do jovem fenómeno.

Segundo informações avançadas pela Eurosport, Macron terá manifestado total apoio à Decathlon AG2R La Mondiale nas negociações para prolongar o contrato de Seixas, que termina no final da próxima época. A intervenção presidencial, que remete para o célebre episódio vivido com Kylian Mbappé durante as negociações com o Paris SaintGermain, incluiu mesmo contactos diretos com o agente do ciclista de ascendência portuguesa.

Os valores em cima da mesa permanecem sob sigilo, mas fontes próximas do processo admitem que o novo contrato poderá atingir cifras inéditas no ciclismo francês aproximandose dos cerca de 8 milhões de euros anuais que Tadej Pogacar recebe na UAE Emirates. Um número que, a confirmarse, colocaria Seixas entre os atletas mais bem pagos do pelotão mundial antes mesmo de completar 20 anos.

A comparação com Mbappé não surge por acaso. Em 2022, durante o processo de renovação com o PSG, o avançado recebeu uma chamada direta de Macron. O próprio jogador revelou mais tarde o teor da conversa: “Ele ligoume e disse: ‘És importante para a França e gostava que ficasses. Tens a oportunidade de fazer história aqui.’ Foi surreal. O Presidente ligarte para pedir que fiques…”.

Agora, o cenário repetese, mas sobre duas rodas. E não é só França que está atenta. O diretor da UAE Emirates, Mauro Gianetti, já admitiu publicamente o interesse no jovem prodígio: “Juntar Pogacar e Seixas seria mais do que um sonho. Como todas as equipas, estamos atentos ao futuro, mas no fim é o ciclista quem decide”.

Ficha Técnica

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