Por: José Morais
Os líderes do Tour de França
viveram uma madrugada inesperada e tensa. Jonas Vingegaard e Tadej Pogacar,
protagonistas da luta pelo título, foram submetidos a controlos antidoping em
horários improváveis um às duas da manhã, outro às cinco numa operação que
deixou ambas as equipas revoltadas pela perturbação do descanso em plena fase
decisiva da prova.
Noite
interrompida para os dois principais candidatos ao título
De acordo com o jornal Le
Parisien, Jonas Vingegaard foi surpreendido por agentes antidoping por volta
das 2h00, enquanto Tadej Pogacar recebeu a visita às 5h00. O esloveno, que
costuma adormecer tarde, admitiu que não conseguiu voltar a dormir antes da etapa
seguinte, uma das mais exigentes do Tour.
“Alguém bateu à minha porta às
duas da manhã. Fiquei muito surpreendido. Os testes são necessários, mas quando
começam a afetar o sono e o desempenho…”, lamentou Vingegaard aos jornalistas
da Eurosport.
Pogacar
também não escondeu o desconforto:
“Dormi quatro horas. Fui
examinado às cinco da manhã. Normalmente fazem isto de manhã, mas desta vez
escolheram a noite. Acabei por ouvir músicas do Eminem para passar o tempo.”
Regulamento
permite, mas timing irrita equipas
Os controlos noturnos são
autorizados desde 2016, podendo ser realizados entre as 23h00 e as 6h00. Ainda
assim, tanto a UAE Team Emirates como a Visma-Lease a Bike consideram que
acordar os dois principais candidatos ao título no meio das montanhas compromete
a recuperação física num momento crucial da competição.
As equipas sublinham que não
existe qualquer suspeita sobre os ciclistas trata-se de procedimentos
rotineiros, mas criticam a escolha do horário, sobretudo na véspera de uma
etapa determinante.
Pressão
máxima antes de um dia decisivo
Com o Tour de France ao rubro
e diferenças mínimas entre os líderes, cada detalhe conta. A interrupção do
descanso de Pogacar e Vingegaard reacende o debate sobre o equilíbrio entre
rigor antidoping e proteção do rendimento dos atletas.




