quarta-feira, 15 de julho de 2026

“Será este ano?”


Por: José Morais

No início deste ano fazia um artigo falando das dificuldades do cicloturismo em Portugal, e se a modalidade teria o seu final em breve.

Nos últimos dois anos, e verificando os eventos anuais realizados, as dificuldades, os apoios e a promoção tem ficado muito abaixo do que a modalidade merece, da parte das federações pouco ou nada tem feito, e naquela que se dedica à modalidade, parece que já colocou os objetivos que se propôs quando foi criada.

Há muito que os grandes eventos, as clássicas morreram, falamos do Caldas Espanha, o Sesimbra Algarve, o Minho Florido, a Serra Acima, o Lisboa Santarém, o Encontro Anual de Sesimbra no seu encerramento, entre outros grades passeios que ficaram pelo caminho.

Este ano infelizmente já três grandes passeios foram cancelados, primeiro Pombal, estando ainda na dúvida se irá realizar, depois surgiu a Musgueira em Lisboa, e agora Palmela, passeios de tradição, com muitos anos de realização, morrem em 2026.

Será esta a morte do cicloturismo em Portugal, deixo a pergunta, e esperemos a resposta.

“Será este ano?”

“Do castigo ao pódio: Jasper Philipsen vive meia hora de caos no Tour”


Por: José Morais

O belga Jasper Philipsen protagonizou um dos momentos mais insólitos da 11.ª etapa do Tour de França, numa sequência que misturou penalização, polémica e reviravolta administrativa em apenas trinta minutos.

A tirada que terminou em Nevers parecia encerrada com a vitória de Soren Waerenskjold, da UnoX, e com Jasper Philipsen a garantir o terceiro posto no sprint. Porém, poucos minutos depois, o corredor da AlpecinDeceuninck foi surpreendido com uma decisão dura dos comissários: despromoção imediata para o 119.º lugar e atribuição de um cartão amarelo por alegada manobra irregular nos metros finais.

A infração nunca foi detalhada oficialmente, mas as imagens televisivas mostravam um contacto de ombro entre Jasper Philipsen e um ciclista da Picnic PostNL a cerca de 450 metros da meta, num momento em que o pelotão se deslocava para a esquerda em bloco. A interpretação inicial apontou para comportamento perigoso até que nova análise mudou tudo.

Meia hora depois, Christoph Roodhooft, presidente do colégio de comissários, reviu as imagens e anulou a penalização. Jasper Philipsen recuperou o terceiro lugar e voltou ao pódio, num volteface que promete alimentar discussões sobre critérios e consistência nas decisões da organização.

Aliviado, o belga não escondeu a satisfação com o desfecho: «Estou muito contente. É uma decisão justa e mantém a camisola verde ao meu alcance. Amanhã será outra oportunidade», afirmou após ser reintegrado na classificação.

“Polémica na Volta a Portugal 2026: a etapa do Gerês que está a incendiar o debate ambiental”


Por: José Morais

A polémica mais falada da Volta a Portugal 2026 está relacionada com a 7.ª etapa, marcada para 13 de agosto, que liga Vieira do Minho às Termas do Gerês e atravessa zonas do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

 

O que aconteceu?

 

A organização apresentou um percurso com uma passagem inédita pelo Gerês, incluindo a Mata da Albergaria e uma subida final em Germil, parcialmente em calçada.

A associação ambiental ZERO criticou o trajeto e pediu esclarecimentos públicos, alegando que a prova atravessa áreas com estatuto de proteção elevado, incluindo zonas de proteção parcial e total do parque nacional.

A ZERO questiona se foram cumpridos todos os procedimentos necessários e se existe parecer favorável das entidades responsáveis pela conservação da natureza.

Não foi divulgada documentação que comprove autorizações ou avaliações de impacto ambiental;

 

E o ICNF?

 

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) confirmou que recebeu um pedido de parecer sobre o percurso e que esse pedido está em análise. Ou seja, até ao momento das notícias mais recentes, o ICNF não tinha anunciado publicamente uma decisão final sobre o assunto.

 

Porque é que o percurso é controverso?

 

Os críticos argumentam que:

A Mata da Albergaria é uma área de elevado valor ecológico e classificada como Reserva Biogenética.

Um evento desportivo desta dimensão pode aumentar o tráfego, a presença de público e a pressão sobre habitats sensíveis.

É necessário garantir que a realização da etapa é compatível com as regras do plano de ordenamento do parque.

 

E o que diz a organização?

 

A organização da Volta apresentou esta etapa como uma das grandes novidades da edição de 2026, destacando a passagem pelo Gerês e a subida inédita a Germil como elementos que tornam a corrida mais espetacular e internacional. A prova decorrerá de 5 a 16 de agosto de 2026, entre Lisboa e Porto.

Resumindo: a polémica não é um caso de doping ou de resultados desportivos; trata-se sobretudo de uma controvérsia ambiental sobre a adequação da passagem da Volta a Portugal por zonas sensíveis do Parque Nacional da Peneda-Gerês e sobre os pareceres e autorizações necessários para essa etapa.

Neste momento não há evidências de que a organização da Volta a Portugal tenha garantido previamente todas as autorizações necessárias, e sim, existe um risco real de a etapa ter de ser alterada ou mesmo cancelada caso o ICNF não aprove o percurso.

Então, o que pode acontecer se o ICNF não autorizar?

1) Alteração do percurso

É o cenário mais provável.

A organização teria de:

retirar a passagem pela Mata da Albergaria;

redesenhar a etapa para zonas permitidas;

ajustar logística, segurança, horários e transmissão televisiva.

Isto já aconteceu noutras provas internacionais quando trechos em áreas protegidas não foram autorizados.

2) Cancelamento da etapa tal como foi apresentada

Se não houver alternativa viável dentro do parque, a etapa pode:

ser substituída por outro percurso;

ser encurtada;

ou ser totalmente redesenhada fora do PNPG.

3) Autorização condicionada

O ICNF pode aprovar com restrições, como:

limitar o número de veículos de apoio;

restringir público em certas zonas;

impor horários específicos;

exigir medidas de mitigação ambiental.

Este tipo de autorização é comum em eventos que atravessam áreas sensíveis.

Fica a pergunta, a organização não garantiu previamente que o percurso era permitido, e fez a apresentação do mesmo sem ter uma resposta?

Fica a espectativa para ver o que vai acontecer.

Ficha Técnica

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