sexta-feira, 16 de outubro de 2026

“Fim da linha para a Volta a Andaluzia feminina: Falta de apoio ditou cancelamento da corrida”


Por: José Morais

A Volta a Andaluzia Feminina não regressará às estradas em 2026. A decisão foi confirmada pela Deporinter, empresa responsável pela organização da prova, que apontou dificuldades financeiras e a ausência de apoio institucional como os principais motivos para o cancelamento da quinta edição da competição.

Apesar dos esforços desenvolvidos nos últimos meses para manter a corrida no calendário, todas as tentativas acabaram por se revelar insuficientes. Entre as soluções estudadas esteve a possibilidade de realizar uma versão reduzida da prova, limitada a uma única jornada de competição. No entanto, a falta de condições necessárias acabou por inviabilizar igualmente essa alternativa.

Joaquín Cuevas, diretor-geral da Deporinter, explicou que a organização procurou diferentes vias para evitar o desaparecimento temporário do evento, mas reconheceu que não foi possível encontrar uma solução viável a tempo de salvar a corrida deste ano.

Ainda assim, a entidade organizadora garante que não desistiu do projeto. O objetivo passa por devolver a Volta a Andaluzia Feminina ao calendário internacional em 2027, desde que sejam reunidos os apoios indispensáveis para assegurar a sua sustentabilidade e continuidade.

A União Ciclista Internacional (UCI) já reservou datas para uma futura edição, demonstrando que a prova continua a ter espaço no panorama competitivo. Contudo, o seu regresso dependerá da capacidade de mobilizar instituições e parceiros que permitam garantir a realização do evento.

A suspensão representa mais um revés para o ciclismo feminino espanhol, numa fase em que a modalidade procura consolidar o seu crescimento e aumentar a visibilidade no panorama internacional.

Desde a sua estreia, em 2022, a corrida andaluza acolheu várias vencedoras de renome. A cubana Arlenis Sierra inaugurou o palmarés, seguida pela norueguesa Katrine Aalerud em 2023. Em 2024, o triunfo sorriu à espanhola Mavi García, enquanto a britânica Catrin Ferguson conquistou a última edição disputada, realizada em 2025 sob o formato de etapa única.

O futuro da competição permanece, para já, em suspenso, mas a organização mantém a esperança de que a Andaluzia volte a receber uma das mais importantes provas femininas da Península Ibérica já em 2027.

“Queda coletiva afasta Lorena Wiebes da luta pelo título mundial de Omnium”


Por: José Morais

A corrida de Scratch do Campeonato do Mundo de Pista, que decorre em Xangai, ficou marcada por uma aparatosa queda coletiva que envolveu mais de uma dezena de ciclistas e comprometeu de forma decisiva as aspirações da campeã mundial Lorena Wiebes à revalidação do título no Omnium.

O incidente ocorreu quando a neerlandesa seguia na dianteira do pelotão e perdeu o controlo da bicicleta, desencadeando uma reação em cadeia que levou ao chão mais 12 corredoras. O forte embate gerou momentos de grande tensão no velódromo, obrigando mesmo à interrupção da prova para assistência às atletas envolvidas.

Lorena Wiebes foi uma das ciclistas mais afetadas pela queda. Visivelmente combalida, abandonou a pista a coxear e com o braço imobilizado por uma ligadura provisória, levantando preocupações quanto ao seu estado físico. O acidente acabou por ditar o fim das suas ambições de defender o título conquistado anteriormente nesta disciplina.

Não é a primeira vez que a neerlandesa enfrenta um contratempo desta natureza em grandes competições de pista. Na época passada, já tinha sofrido uma queda durante a prova de Madison, poucos dias depois de se ter sagrado campeã do Omnium.

Na altura, Wiebes descreveu as consequências do acidente com sinceridade: “Não parti nada, mas sinto-me como se tivesse levado uma bola de bowling nas costelas. Os joelhos ficaram bastante arranhados e continuo com dores nas costelas e nos ombros. Fui empurrada para o lado e o guiador bloqueou”, recordou a ciclista.

O novo acidente representa mais um duro golpe para a atleta neerlandesa, que chegou a Xangai entre as principais favoritas à conquista da medalha de ouro, mas viu as suas esperanças desaparecerem num dos momentos mais dramáticos da competição.

“Giro 2027 promete explodir a corrida: Mortirolo duplo, Gavia e quase 6.000 metros de desnível na etapa mais brutal da década”


Por: José Morais

À medida que se aproxima a apresentação oficial do Giro d'Italia 2027, continuam a surgir informações sobre um percurso desenhado para devolver à corrida italiana o seu carácter épico e seletivo. Sob a liderança de Luca Guercilena, a organização pretende oferecer um traçado mais duro, mais espetacular e capaz de atrair as maiores figuras do ciclismo mundial.

 

Uma jornada para fazer história

 

Entre os rumores mais fortes destaca-se aquela que poderá vir a ser a etapa-rainha da próxima edição. Marcada para a 16.ª etapa, a 25 de maio, a ligação entre Sondrio e Aprica promete transformar-se num dos dias mais exigentes alguma vez vistos na Corsa Rosa.

O percurso deverá rondar os 200 quilómetros e apresentar uma sucessão impressionante de dificuldades montanhosas. Logo nos primeiros quilómetros, os corredores enfrentarão a temida subida do Mortirolo pelo lado de Mazzo, uma ascensão lendária conhecida pelas suas rampas severas e pela capacidade de partir o pelotão.

Após a descida para Monno, a corrida seguirá em direção a Ponte di Legno, onde começará a escalada do Passo Gavia. O histórico gigante alpino deverá assumir o papel de Cima Coppi da edição de 2027, recuperando um dos cenários mais emblemáticos do Giro. A sua presença tem sido rara nos últimos anos devido ao risco de neve nas cotas mais elevadas durante o mês de maio.

Concluída a descida para Bormio e para o vale da Valtellina, os ciclistas não terão qualquer trégua. O Mortirolo surgirá novamente no percurso, numa segunda ascensão destinada a provocar diferenças significativas entre os candidatos à classificação geral.


Depois de nova descida até Monno, a corrida seguirá para Edolo antes da subida final para Aprica. Segundo a imprensa italiana, a chegada poderá estar localizada na exigente vertente de Santicolo, considerada a mais dura da zona e ideal para uma derradeira batalha entre os favoritos.

 

Perto dos 6.000 metros de desnível

 

Caso esta configuração seja confirmada, a etapa poderá aproximar-se ou mesmo ultrapassar os 6.000 metros de desnível acumulado, um número raramente alcançado na história do Giro d'Itália.

A confirmar-se, entrará diretamente para o restrito grupo das etapas mais difíceis alguma vez desenhadas para a corrida italiana, juntando-se a autênticas maratonas alpinas que marcaram épocas passadas e ficaram gravadas na memória dos adeptos.

 

Zoncolan e Madonna di Campiglio também entram em cena

 

As dificuldades não deverão terminar aí. As informações que circulam em Itália apontam ainda para uma penúltima etapa com chegada ao mítico Monte Zoncolan, considerada uma das subidas mais temidas do ciclismo mundial. O trajeto poderá incluir uma breve passagem por território austríaco antes do ataque final à montanha friulana.

Poucos dias antes, a etapa 18 deverá terminar em Madonna di Campiglio, outro dos palcos clássicos das grandes batalhas da alta montanha.

 

Dois contrarrelógios para equilibrar a corrida

 

Para criar um percurso mais completo e atrativo para todos os perfis de candidatos à vitória final, a organização deverá incluir dois contrarrelógios individuais.

Um deles terá chegada em altitude no Gran Sasso, enquanto o segundo deverá disputar-se na 15.ª etapa, utilizando parte do famoso Autódromo de Monza, numa jornada que poderá desempenhar um papel decisivo antes da última semana de competição.

O Giro d'Italia 2027 arrancará em Trieste, com uma incursão pela Eslovénia durante os primeiros dias de corrida. Já o habitual encerramento em Roma deverá voltar a oferecer uma oportunidade aos velocistas, com a meta instalada junto aos históricos Fóruns Imperiais.

Com Mortirolo, Gavia, Zoncolan e quase 6.000 metros de desnível numa única jornada, tudo aponta para que o Giro 2027 apresente um dos percursos mais duros e espetaculares das últimas décadas.

Ficha Técnica

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