sábado, 25 de abril de 2026

“Miguel Salgueiro vence terceira etapa do GP O Jogo e Hugo Nunes veste Amarela”


Fotos: Artur Machado / O Jogo

Miguel Salgueiro (Team Tavira-Crédito Agrícola) venceu hoje a terceira etapa do Grande Prémio de Ciclismo O Jogo / Leilosoc, impondo-se ao sprint na chegada a Castanheira de Pêra. Contudo, foi Hugo Nunes (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car) quem vestiu a Camisola Amarela, ao terminar em segundo lugar a tirada que viria a revolucionar a classificação geral. São 14 os corredores separados por apenas 10 segundos e que partem amanhã para a última etapa, em Paredes, para lutar pela vitória da 14.ª edição da prova.

A terceira tirada teve partida e chegada em Castanheira de Pêra, para um trajeto com 132,2 quilómetros, que não contaram com Carson Miles (Anicolor / Campicarn) à partida, reduzindo o pelotão a 94 corredores.

Com ataques desde cedo, um grupo de 13 unidades ganhou vantagem e entrou isolado na segunda e última montanha do dia, de terceira categoria. O grupo era composto por Artem Nych, Louis Ferreira e Alexis Guérin (Anicolor / Campicarn), Jorge Galvez (Aviludo-Louletano-Loulé), Emanuel Duarte e João Medeiros (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car), Rafael Durães, Pedro Pinto e Joaquim Silva (Efapel Cycling), Pedro Silva (Feira dos Sofás-Boavista), Abner González (Feirense-Beeceler) e André Ribeiro e José Neves (GI Group Holding-Simoldes-UDO).


Quando faltavam 10 quilómetros para a meta, o pelotão voltava a rolar compacto e a alta velocidade, com ataques constantes na frente da corrida e a estrada molhada pelos fortes aguaceiros que afetaram a etapa. Tudo podia acontecer.

O pelotão, nervoso, partiu em dois grupos, a cerca de cinco quilómetros do final, com o Camisola Amarela Tomás Contte (Aviludo-Louletano-Loulé) a ficar para trás, no segundo grupo. A três quilómetros da meta, o argentino estava em dificuldades, perdendo mais de 20 segundos para o grupo da frente, com 14 unidades.

Miguel Salgueiro e Hugo Nunes eram dois dos elementos que conseguiram entrar no grupo de 14, que terminaria isolado. O corredor da Team Tavira-Crédito Agrícola seria o mais forte, ao conquistar a vitória, ao sprint, com o tempo de 03h11m39s. Uma vitória emocionante e com um sabor especial, dois meses depois de ter sofrido uma queda grave no Europeu de Pista, que o levou a uma recuperação longa e dolorosa. Hugo Nunes foi o segundo classificado na etapa e Pedro Silva terceiro, ambos com o mesmo tempo do vencedor.

Nas contas da Geral, Hugo Nunes vestiu de Amarelo e parte para a quarta e última tirada, este domingo, com três segundos de vantagem em relação a Pedro Silva, estando a seis segundos do destronado Tomás Contte, oito segundos para Tiago Antunes e nove segundos em relação a Artem Nych, sendo desta forma que está ordenado o top-5.

Nas classificações secundárias, Hugo Nunes lidera também a Geral dos Pontos, João Silva (Feira dos Sofás-Boavista) reforçou hoje a liderança da Geral da Montanha, mantendo a Camisola Azul, tal como João Martins (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car), que também prossegue na liderança das Metas Volantes. Quanto à Juventude, é Duarte Domingues (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car) quem continua de branco. Na Geral por Equipas, a Efapel Cycling passa ao comando.

Amanhã o Grande Prémio O Jogo / Leilosoc terá o seu desfecho em Paredes, que recebe a derradeira etapa. A partida (13h00) e chegada (16h31) serão da Praça José Guilherme e no total o trajeto percorrido terá 137,3 quilómetros. A viagem será marcada por duas contagens de montanha de terceira categoria e por três metas volantes (Felgueiras, Lousada e a primeira passagem pela meta).

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

“Era um trabalho e fui pago para vencer, por isso foi isso que fiz” - Lance Armstrong afirma que foi vítima da cultura do cancelamento após passar de herói a vilão de um dia para o outro”


Por: Letícia Martins

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Mais de uma década após o colapso da sua carreira, Lance Armstrong fez uma reflexão franca sobre como processou as consequências, enquadrando a sua experiência como um dos primeiros exemplos do que hoje se descreve como cultura do cancelamento.

Em conversa no podcast Frodeno Going Mental, apresentado por Jan Frodeno, Armstrong revisitou o período em torno da sua admissão de dopagem em 2013, quando anos de negativas cederam, enfim, numa entrevista televisiva que redefiniu a sua imagem a nível mundial.

 

Da dominância à queda

 

O auge desportivo de Armstrong permanece um dos períodos mais marcantes do ciclismo moderno. Entre 1999 e 2005, venceu sete Voltas a França consecutivas com a equipa US Postal Service, impondo um controlo que redefiniu a forma de correr as Grandes Voltas.

Essa era terminou de forma decisiva em 2012, quando a Agência Antidopagem dos Estados Unidos concluiu a investigação, retirou-lhe os títulos e impôs uma suspensão vitalícia. No ano seguinte, Armstrong admitiu publicamente o recurso a substâncias para melhorar o rendimento, encerrando abruptamente uma das carreiras mais meticulosamente construídas que o pelotão conhecera.

Em retrospetiva, Armstrong descreveu a mudança imediata de perceção como abrupta. “No dia a seguir a contar ao mundo, percebi como funcionava: ontem eras herói e hoje és um zero.”

 

‘Tive de encontrar uma forma de sobreviver’

 

A participação no podcast, intitulada Built to Survive, centrou-se em como Armstrong navegou esse período. Falou da sua infância com uma mãe solteira, que o teve aos dezassete anos, e da luta anterior contra um cancro testicular, antes de abordar os anos posteriores ao desmoronar da carreira.

“Foi aí que tive mesmo de encontrar uma forma de sobreviver”, disse. “Tive de dizer a mim próprio: olha, acabou, terminou. O tempo dirá se é verdade, mas sinto que fui apanhado na cultura do cancelamento pela qual a América passou. Provavelmente fui dos primeiros a passar por isso.”

Armstrong afirmou que a prioridade imediata foi a estabilidade, não a reabilitação. “A única coisa que prometi a mim mesmo foi manter-me saudável e não ficar dependente de nada”, explicou, reconhecendo, porém, que mais tarde lutou com o álcool. Acrescentou que desaparecer não era opção. “Também sabia que não podia ficar num canto a chorar. Tinha de seguir em frente. A vida é confusa e temos de avançar e resolver as coisas.”

 

Olhar para a abordagem no auge

 

Armstrong abordou ainda as críticas recorrentes ao seu comportamento no pelotão, onde foi muitas vezes retratado como figura intransigente e dominante. “Mas acho que havia muito poucos tipos simpáticos no topo do desporto naquela altura”, disse. “Visto agora, talvez devesse ter desfrutado mais e parado para valorizar o que alcancei. Em certos aspetos, levei tudo ao limite.”

Essa mentalidade, sugeriu, era indissociável das exigências do alto rendimento. “Era um trabalho e eu era pago para ganhar, por isso foi isso que fiz”, afirmou. “Mas talvez tenha ido longe demais e, no fim, paguei por isso. Em cima da bicicleta funcionou, fora da bicicleta deixou de funcionar.”

As declarações de Armstrong surgem numa altura em que cresce novamente o interesse pela sua história além do ciclismo, com uma grande biopic de Hollywood atualmente em desenvolvimento. Resta saber se essa atenção renovada altera a forma como a sua carreira é recordada, mas as suas últimas palavras sublinham como continua a interpretar um período que remodelou a sua vida e o próprio desporto.

"Não foi um milhão, foram só 500 mil" Quintanilha denunciou em tribunal chantagem de Nuno Ribeiro ao Porto”


Por: Ivan Silva

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Meses depois de o julgamento de primeira instância ter exposto em detalhe um dos maiores escândalos do ciclismo português, continuam a emergir passagens marcantes do processo Operação Prova Limpa.

A investigação, amplamente acompanhada pela CNN Portugal, revelou não apenas o alegado esquema de doping na estrutura da W52 - FC Porto, mas também um episódio de presumida chantagem que surpreendeu a sala de audiências.

 

Chamado a reunião de urgência com Pinto da Costa

 

No Tribunal de Penafiel, Adriano Quintanilha descreveu o momento em que, segundo o próprio, foi convocado de urgência para uma reunião no Estádio do Dragão por Jorge Nuno Pinto da Costa.

“Sr. dr. juiz, eu estava a chegar de uma viagem de Itália e sou chamado ao gabinete do nosso presidente, Jorge Nuno Pinto da Costa. Chamou-me ao gabinete dele e disse-me: ‘Sr. Quintanilha, o que é que se está a passar?’”

Quintanilha explicou que, sem perceber o motivo da reunião, perguntou de imediato o que se passava. A resposta, garantiu, deixou-o incrédulo.

“Chegou-me aqui uma novidade, que eu até penso que isto é para os apanhados”, recordou, dizendo que Pinto da Costa lhe terá acrescentado: “Chegou-me aqui um pedido de um milhão de euros”.

Segundo o depoimento, a reação foi imediata. “Ó presidente, isso não pode ser, isso é impossível. Isso não é verdade.”

Mas, de acordo com Quintanilha, Pinto da Costa insistiu: “É verdade. Chegou-me pelos meus advogados aqui um pedido.”

Foi então que decidiu, nas suas palavras, “tirar isso a limpo”.

O momento em que o juiz interrompeu

Durante o testemunho, o juiz Miguel Paredes procurou clarificar quem estaria por trás dessa exigência milionária.

“Mas quem é que foi pedir um milhão de euros? É isso que eu não estou a perceber.”

Quintanilha respondeu sem hesitar: “Foram pedir um milhão de euros ao Porto.”

O magistrado voltou a insistir: “Quem, quem?”

E recebeu a resposta direta: “O Sr. Nuno Ribeiro.”

Nuno Ribeiro era uma das figuras centrais do processo e antigo diretor desportivo da equipa.

 

O encontro no armazém

 

Quintanilha contou ainda que decidiu confrontar Nuno Ribeiro pessoalmente. Segundo relatou, o encontro aconteceu em março de 2024, pouco antes das eleições presidenciais do FC Porto, nas quais Pinto da Costa acabaria derrotado por André Villas-Boas.

“Chega ao meu armazém e eu fui mais o meu filho, António Jorge, e o Sr. David.”

Quando o encontrou, lançou-lhe a pergunta diretamente: “Nuno, o que é que se passa? Tu foste ao Porto pedir isto?”

Segundo Quintanilha, a resposta foi reveladora. “Não foi um milhão, foram 500 mil, foi só…”

O empresário disse então ter exigido explicações:

“Mas o que é que se passa aqui? Explica-me. Porque é que estás a pedir isso? É por causa das eleições? O que é que o Porto tem a ver com este caso?”

A resposta atribuída a Nuno Ribeiro apontava para o processo judicial e para os depoimentos prestados perante a Autoridade Antidopagem de Portugal.

“Ah, os ciclistas foram para a ADoP dizer tudo, botar tudo para cima de mim, eu não posso ficar com estas coisas…”

Quintanilha afirmou ter reagido em tom duro: “Quem tem de pagar por isto tudo és tu e os ciclistas, se houver alguma coisa a pagar. És tu e os ciclistas.”

Segundo disse ao tribunal, a conversa terminou aí. “Falei mais alto um bocadinho e ele veio-se embora, fugiu. E a partir daí não tive mais conversa com o Sr. Nuno Ribeiro.”

 

Como nasceu a Operação Prova Limpa

 

A investigação judicial começou após uma denúncia enviada em fevereiro de 2020 ao inspetor-chefe Luís Ribeiro, então ligado ao conselho consultivo da Autoridade Antidopagem de Portugal.

A W52 dominava então o ciclismo nacional, com sucessivos triunfos na Volta a Portugal. O alegado esquema foi desmontado através de vigilâncias prolongadas e milhares de horas de escutas telefónicas.

No acórdão de primeira instância ficou assente que, “pelo menos desde o ano de 2020”, dirigentes ligados à estrutura teriam procurado aumentar artificialmente o rendimento competitivo dos ciclistas para obter melhores resultados desportivos.

 

Os códigos usados ao telefone

 

Uma das partes mais impressionantes do processo passou pela linguagem codificada utilizada, segundo o tribunal, para esconder referências a substâncias proibidas.

Entre os termos identificados surgiam:

“Branca”, “Dipro”, “Profes”, “Riscos” ou “Corticoides”, associados à Betametasona

“Força”, “F” ou “FR”, associados à hormona de crescimento

“Feminina”, “Femenina” ou “Meno”, associados à Menotropina

“TB”, para TB-500

“Insu”, para insulina de ação rápida

O acórdão refere ainda que aplicações como WhatsApp e Telegram eram usadas para dificultar o rastreio das comunicações.

 

A defesa contestou a gravidade social do caso

 

No recurso para a Relação do Porto, a defesa de Adriano Quintanilha contestou a forma como o tribunal avaliou o impacto público do processo.

Os advogados sustentaram que a decisão exagerava os efeitos sociais das práticas dopantes e argumentaram que uma intensa cobertura mediática não equivale automaticamente a alarme social.

Foram mais longe: admitindo que o doping prejudica a justiça competitiva, defenderam que o tribunal nunca provou que atletas de outras equipas estivessem limpos, colocando em causa a avaliação da igualdade competitiva.

 

Um caso que continua a marcar o ciclismo português

 

Anos depois do início da investigação e meses após o julgamento, o processo continua a ser uma referência inevitável quando se fala de credibilidade no ciclismo nacional. Entre escutas, códigos secretos, substâncias proibidas e alegações de chantagem envolvendo centenas de milhares de euros, a Operação Prova Limpa deixou marcas profundas no desporto português.

Ficha Técnica

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