quarta-feira, 1 de abril de 2026

“Resultados Dwars door Vlaanderen 2026: De partir o coração! Wout Van Aert perde para Filippo Ganna a 80 metros da meta”


Por: Miguel Marques

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A Dwars door Vlaanderen 2026 transformou-se numa corrida implacável e veloz que foi crescendo até um desfecho dramático, com Filippo Ganna a anular o ataque de longo alcance de Wout van Aert nos metros finais para vencer em Waregem.

Desde a bandeira em Roeselare, correu-se a toda a velocidade. Uma série de ataques iniciais impediu a formação imediata de uma fuga, com o pelotão a recompor-se repetidamente nos quilómetros iniciais apesar das tentativas constantes de clarificar a corrida.

Esse início agressivo teve custos. Uma queda a meio da prova fraturou o pelotão e levou ao abandono de Dylan Teuns e Jenno Berckmoes, este último encaminhado para o hospital, enquanto outros foram obrigados a perseguir para regressar. Problemas mecânicos afetaram brevemente vários corredores, incluindo Van Aert e Jasper Philipsen, acrescentando instabilidade a um grupo já em tensão.

Apesar das acelerações sucessivas, só após a aproximação às primeiras colinas, incluindo o Volkegemberg e o Berg Ten Houte, é que surgiu um movimento com real consequência. Um grupo numeroso e poderoso, com cerca de 20 corredores, destacou-se, com representação de quase todas as equipas principais.

Entre os presentes estavam Christophe Laporte e Matthew Brennan pela Team Visma | Lease a Bike, Mads Pedersen, Soren Kragh Andersen e Mathias Vacek pela Lidl-Trek, e Florian Vermeersch e Benoit Cosnefroy pela UAE, além de nomes como Alberto Bettiol, Jonas Abrahamsen e Mick van Dijke. Notaram-se ausências de peso, porém, incluindo Van Aert e toda a Alpecin-Premier Tech.

Esse desequilíbrio moldou de imediato a corrida atrás. Sem a Alpecin na frente, a equipa foi obrigada a trabalhar no comando do pelotão, juntando-se a INEOS Grenadiers e Lotto-Intermarche num esforço de perseguição sustentado até a fuga ser neutralizada na zona de colinas.

 

A movimentação de longo alcance de Van Aert redefine a corrida

 

Após uma série de acelerações que afinaram o pelotão sem produzir uma seleção clara, a corrida partiu-se finalmente nas rampas empedradas do Eikenberg.

Van Aert desferiu um movimento decisivo, primeiro distanciando os rivais diretos e depois fazendo a ponte até aos líderes para formar uma nova frente com Romain Gregoire e Larsen. Atrás, a desorganização, incluindo outro problema mecânico para Filippo Ganna, complicou ainda mais a perseguição.

O trio estabeleceu rapidamente uma vantagem, com Van Aert a impor grande parte do andamento enquanto a diferença se aproximava dos 40 segundos e o pelotão lutava para organizar uma resposta coerente.

No Nokereberg, o belga voltou a aumentar a pressão. Gregoire cedeu sob as acelerações repetidas, deixando Van Aert na dianteira com Larsen quando a corrida entrou na fase decisiva.

Em vez de gerir pela superioridade numérica, Van Aert continuou a forçar o ritmo, acabando por descarregar também Larsen e seguir isolado, comprometendo-se a fundo com um esforço solitário prolongado enquanto a corrida se mantinha em aberto atrás.

 

Perseguição tardia aproxima-se e Ganna desferra o golpe decisivo

 

Atrás, a corrida reorganizou-se gradualmente. Um pelotão fragmentado voltou a compor-se, com corredores como Ganna e Laurence Pithie a regressarem à frente da perseguição, enquanto Soudal-Quick Step e Lidl-Trek deram estrutura ao esforço coletivo.

Apesar disso, Van Aert manteve-se firme. Já dentro dos últimos 10 quilómetros, segurava ainda uma margem curta, acelerando repetidamente à saída das curvas para manter os perseguidores à distância.

A diferença, porém, começou a cair sob pressão contínua. Desceu para 15 segundos, e depois menos, com Ganna a comandar a perseguição em relevos potentes que destacaram um grupo selecionado atrás de si.

Nos quilómetros finais, tudo se comprimiu. O pelotão alongou-se em fila na perseguição, com vários corredores a contribuírem, enquanto Van Aert insistia a solo, resistindo metro a metro.

Mas nos metros derradeiros, o esforço cobrou a fatura. Impulsionado pela perseguição, Ganna lançou o sprint na reta final, passou Van Aert em potência e venceu em Waregem, com o belga a resignar-se ao segundo lugar após um número de longo alcance que moldou a corrida.

Foi um desfecho amargamente familiar. Um ano depois de perder num final a três contra um, Van Aert voltou a ser negado já tarde, apesar de ter sido o homem que ditou a corrida, desta vez apanhado nos metros finais após se comprometer totalmente com o ataque.

Amparado por um forte apoio do público ao longo dos quilómetros finais, ficou a milímetros de pôr fim a três anos de espera por um triunfo nas Clássicas da Primavera, só para o ver escapar no último instante.

"Resultados Dwars door Vlaanderen Feminina 2026: Marlen Reusser bate por pouco Demi Vollering após dupla da frente quase deitar a vitória a perder no final"


Por: Miguel Marques

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Marlen Reusser venceu a Dwars door Vlaanderen Feminina 2026 após um quilómetro final caótico, em que ela e Demi Vollering estiveram perto de desperdiçar o triunfo antes de recuperarem para discutir a vitória ao sprint.

A dupla da frente, que construíra a vantagem com um movimento decisivo na fase final da corrida, hesitou já dentro do último quilómetro e permitiu que Lieke Nooijen quase fizesse a ponte a partir do grupo perseguidor. Só uma aceleração tardia garantiu que a vitória ficasse entre as duas da dianteira, com Reusser a bater Vollering num photo finish e Nooijen relegada para o terceiro lugar.

 

Da fuga inicial à seleção do pelotão

 

A corrida ficou inicialmente marcada por uma fuga de sete ciclistas, que construiu uma vantagem considerável na fase de abertura enquanto o pelotão se mantinha relativamente passivo. Esse movimento foi finalmente anulado nos paralelos da Mariaborrestraat, desencadeando uma segunda metade muito mais agressiva e seletiva. O ritmo aumentou de forma constante nas subidas, com a FDJ-Suez, a UAE Team ADQ e a SD Worx a assumirem a dianteira.

A primeira seleção significativa surgiu no Eikenberg, onde Vollering acelerou e formou por instantes um grupo com Puck Pieterse, Letizia Borghesi e Fleur Moors. A tentativa foi neutralizada, mas sinalizou uma clara subida de intensidade.

A partir daí, a corrida tornou-se uma sequência de ataques e contra-ataques, com ciclistas como Elise Chabbey e Mischa Bredewold a testarem o grupo, enquanto problemas mecânicos de Moors e Marta Paternoster reduziram o número de candidatas.

 

Vollering e Reusser desferem o movimento vencedor

O ataque decisivo surgiu longe das subidas.

 

Reusser atacou primeiro em terreno plano, antes de Vollering fechar o espaço para formar uma dupla líder poderosa. Juntas, estabeleceram rapidamente um fosso sobre um grupo perseguidor reduzido que incluía Lotte Kopecky e Elisa Longo Borghini.

Atrás, a resposta nunca estabilizou por completo. A UAE Team ADQ assumiu grande parte da perseguição, enquanto a SD Worx, apesar de ter várias ciclistas presentes, adotou uma abordagem mais controlada. Essa hesitação permitiu às líderes ampliar a vantagem nos momentos-chave.

Embora a diferença tenha encolhido brevemente quando o grupo perseguidor deu sinais de organização, as líderes responderam elevando novamente o ritmo, estendendo a vantagem para perto dos 20 segundos à entrada dos quilómetros finais.

 

Sprint a duas quase desmorona antes do desfecho decisivo

 

Dentro do último quilómetro, a corrida sofreu uma reviravolta súbita e inesperada. Depois de trabalharem eficazmente para construir a vantagem, Vollering e Reusser começaram a hesitar na frente, relutantes em assumir por completo o esforço final. Essa curta desaceleração revelou-se cara. Atrás, Lieke Nooijen aproveitou a oportunidade, lançando um movimento tardio a partir do grupo perseguidor e fechando rapidamente o espaço.

Por momentos, a dupla líder pareceu em risco de deitar a corrida a perder. Nooijen continuou a ganhar terreno enquanto Vollering e Reusser travavam, com a diferença a diminuir rapidamente à medida que a meta se aproximava.

A ciclista da Visma chegou à frente e lançou o sprint como uma bala, Vollering fechou o espaço e arrancou, mas este esforço foi o "prego do caixão" da campeã da Europa, que viu Marlen Reusser arrancar pelo lado oposto e carimbar a vitória, por meia roda.

Nooijen chegou instantes depois para selar o terceiro posto, a sua investida tardia a sublinhar quão perto as líderes estiveram de perder o controlo da corrida.

“Quase morri por causa de uma transfusão” - Ciclista italiano condenado por doping fala dos riscos da era negra do ciclismo”


Por: Miguel Marques

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A vida de Riccardo Riccò tomou um rumo radical, longe do ciclismo profissional. Banido para sempre após vários episódios ligados a doping, o italiano reconstruiu o quotidiano fora da competição, focado no negócio e numa relação mais serena com a bicicleta. Numa entrevista ao La Stampa, o antigo corredor revisita o passado, assume os erros e explica como conseguiu reerguer-se após os momentos mais duros.

Trepador puro, no auge bateu-se por algumas das provas mais prestigiadas do seu país natal, como a Volta a Itália e a Il Lombardia, roçando o triunfo em ambas, mas somando várias vitórias de nível durante a carreira profissional. Riccò integrou a desacreditada Saunier Duval, onde rendeu muito acima das expectativas nos primeiros anos, com três vitórias de etapa na Volta a Itália. Em 2008 foi segundo atrás de Alberto Contador, mas esse patamar não foi alcançado de forma natural, e sim através do uso de CERA, uma terceira geração de EPO.

Contudo, os hábitos de doping não cessaram após a suspensão aplicada. Em 2011 confessou transfusões sanguíneas, depois de uma delas quase lhe ter custado a vida, apesar de inicialmente ter negado o recurso ao procedimento proibido.

Riccò reconhece o impacto da queda em desgraça: “Destruíram-me, passei por momentos duros, caí em depressão e noutras situações complicadas, mas não quero fazer-me de vítima”. Durante anos, o ciclismo foi uma memória dolorosa: “Voltei à bicicleta há três anos, depois de dez em que me doía ver os antigos rivais a correr e a vencer. Lembrava-me do que eu já não podia fazer. Nem via as corridas”.

Com o tempo e ajuda profissional, a perspetiva mudou: “Depois comecei a processar tudo, também graças à terapia. Agora estou em paz, embora a ferida ainda exista”. Hoje, o ciclismo já não é profissão, mas permanece como hobby: “Uso apps para me comparar com os tempos dos profissionais e continuo competitivo”.

O italiano mantém também ligação à modalidade através dos amadores, a quem aconselha: “Além de dar dicas, faço algum acompanhamento. Sei duas ou três coisas sobre ciclismo. Sofri e venci, por isso disse para comigo: porque não? Estou a treinar oito amadores, gosto, é o meu mundo”.

Sobre o passado, não foge à responsabilidade, embora enquadre a época: “Não procuro desculpas e aceito a minha culpa, mas com o tempo muitos outros casos vieram a público”.

O italiano lançou ainda uma observação contundente sobre dois compatriotas, alguns dos mais bem-sucedidos do século XXI. “Se olharmos para a lista de corredores, todos os mais fortes foram apanhados por doping, exceto o [Damiano] Cunego e o [Paolo] Bettini”.

“Quando há negócio envolvido, é assim que funciona”. Na mesma linha, afirma que fez parte de uma dinâmica generalizada: “Eu estava dopado quando todos estavam dopados”.

Um dos episódios mais graves da carreira foi a autotransfusão que quase lhe custou a vida, prática que descreve sem rodeios: “Não foi a primeira vez que a fiz. Andava a fazê-la há um ano, porque era a única forma de não dar positivo: tiras o teu sangue e depois voltas a pô-lo”. Como explica, não foi uma ideia isolada: “Não a inventei. O Moser estabeleceu o Recorde da Hora na Cidade do México e disse publicamente que o tinha feito”.

 

Agir sem pesar os riscos

 

Riccò admite que agiu sem avaliar os riscos: “Com transfusões autoaplicadas, é algo que pode acontecer. Não tinha medo e fiz aquilo com leviandade. Se tivesse injetado cortisona de imediato, nada teria acontecido, mas eu não sabia e, aos vinte anos, sentes-te omnipotente”.

Quanto à suspensão vitalícia, sustenta que a situação foi agravada por um caso em que, diz, não teve responsabilidade direta: “Fui enredado num processo de tráfico de substâncias dopantes com o qual nada tinha a ver, e provei-o em tribunal, mas a justiça desportiva quis afastar-me de vez e conseguiu”.

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