domingo, 16 de agosto de 2026

“O dia perfeito de Rui Oliveira: Vitória, camisola laranja e porto ao peito, o sonho da primeira vitória faz história na Volta a Portugal”


Por: José Morais

Foto: Volta Portugal

Rui Oliveira viveu este domingo um dos momentos mais marcantes da carreira ao vencer a derradeira etapa da Volta a Portugal, numa chegada vibrante à Avenida dos Aliados, no coração do Porto. O corredor da UAE Emirates, natural de Gaia, celebrou como quem cumpre um destino: triunfar “ao lado de casa”, perante família, amigos e milhares de adeptos que transformaram a avenida num corredor de emoção.

A vitória, a primeira da carreira profissional, teve um peso especial para o ciclista de 29 anos, que não escondeu a incredulidade ao cruzar a meta. “É difícil explicar o que sinto. Ganhar aqui, no Porto, na minha terra, é algo que nunca imaginei viver desta forma”, afirmou, visivelmente emocionado, após erguer os braços diante de um público que o empurrou desde os últimos quilómetros.

Além do triunfo na etapa, Rui Oliveira garantiu também a camisola laranja, destinada ao líder da classificação por pontos um objetivo que, revelou, estava traçado desde o momento em que conheceu o percurso final da prova. “Quando soube que a Volta terminava no Porto, falei com a equipa e definimos esta etapa como prioridade. Eles acreditaram em mim desde o primeiro dia. Concretizar isto aqui, com todos os que me acompanham, é simplesmente extraordinário.”

O gaiense fez questão de dedicar o momento à família, aos amigos e ao público português, que o acompanhou de forma massiva. “É impossível pedir mais. Estão todos aqui, é a minha casa. Se alguém me dissesse que a minha primeira vitória profissional seria assim, não acreditava.”

Num gesto de grande sensibilidade, Rui Oliveira dedicou ainda o triunfo à família de Finlay Tarling, jovem ciclista da NSN Development que perdeu a vida na etapa 8. “Foram dias muito duros para todo o pelotão. Esta vitória também é para ele e para quem sofre com a sua perda”, sublinhou, destacando o espírito de união vivido entre os corredores ao longo da competição.

“Porto é o primeiro município a associar-se ao centenário da Volta a Portugal”


Fotos: Miguel Simão / FPC - Rodrigo Rodrigues / FPC

O Porto é o primeiro município a associar-se à Volta a Portugal de 2027, ano do centenário da prova. O anúncio foi feito este domingo, após a etapa final da Grandíssima de 2026, precisamente na cidade portuense. 

“Tendo no próximo ano o centenário, faço questão de que o Porto faça parte deste roteiro e somos o primeiro município a dizer que queremos estar na Volta em 2027”, revelou o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte.

O autarca lembrou o acidente que vitimou o jovem corredor Finlay Tarling, este ano. “Nenhum de nós se esquece de um acidente que marcou esta Volta, e que nos angustia a todos. Mas por vezes há fatores que não controlamos. No que era controlável, acho que esta edição foi um sucesso e temos condições para fazer igual no centenário. Somos o primeiro município a associar-se à Volta em 2027 e tenho a certeza de que muitos outros se associarão”, acrescentou. 

 

Federação já prepara 2027

 

Numa conferência de imprensa de balanço da edição da Prova Rainha do ciclismo nacional que agora termina, o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, também recordou o desaparecimento de Tarling, “numa edição especial para a Federação” devido à falta de tempo para organizar o evento. 


“Tivemos poucas semanas para organizar esta Volta”, reconheceu, antes de continuar: “Queremos agradecer aos municípios, aos parceiros e patrocinadores, que acreditaram no nosso projeto, acreditaram na modernização, internacionalização e na proximidade aos portugueses.” 

“Queríamos abranger todo o território e, com a ajuda do Ezequiel [Mosquera, diretor da prova] conseguimos. Se retirássemos esses segundos que infelizmente não dão para retirar [acidente de Tarling], teria sido perfeito. Estamos a começar a trabalhar para 2027. Queremos fazer mais. Quero agradecer também à RTP pela ajuda, pela entrega e pelo gosto que têm neste trabalho. Permitiram que se desse a conhecer a Volta a Portugal”, rematou. 

A mesma ideia foi partilhada por Ezequiel Mosquera. “Foi um trabalho muito intenso para nós e para a Federação, foi um contrarrelógio. Felizmente, a resposta do público foi sensacional”, disse. 

“Apesar do stress, apesar de termos de fazer tudo a correr, bateram-se recordes de audiência de dez anos, isso significa muito para nós. A única nota negativa foi um lapso de tempo que foi dramático, se não tivesse acontecido o acidente teria sido perfeito. Lamentamos tudo isto, a única opção agora é continuar”, acrescentou. 

 

“Foi uma aposta ganha”

 

Presente na conferência de imprensa esteve também Paulo Sousa. O Provedor da Santa Casa de Misericórdia revelou que a instituição será novamente parceira da Volta no próximo ano.  


“Foi uma aposta ganha. Os Jogos Santa Casa regressam agora de uma forma mais expressiva, com mais proximidade a esta competição. Foi o ano do regresso, e para o ano, quando comemorarmos 100 anos da Volta, os Jogos Santa Casa estão juntos com a Volta a Portugal. É uma forma de retribuir a confiança dos portugueses”, defendeu. 

Por último, o Secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, felicitou a organização por uma “Volta espetacular”, ele que acompanhou esta última etapa ao lado de Cândido Barbosa. 

“O serviço público também se faz desta forma. Quer a Santa Casa de Misericórdia, o Instituto Português do Desporto e da Juventude e a RTP, podem ajudar-nos muito a valorizar e a promover a prática desportiva, como aliás fizeram.” 

“É impressionante a capacidade que o ciclismo tem de atrair o público, para ver os ciclistas a passar à porta da sua casa ou num outro local qualquer. É esta a mensagem que queria deixar, não esquecendo que tivemos um evento muito duro nos últimos dias. Terminamos uma Volta espetacular, fico muito feliz por termos a nossa Federação Portuguesa de Ciclismo a transformar a Volta. Estou seguro de que no próximo ano, no centenário, vamos ter mais um grande evento desportivo”, antecipou. 

A edição de 2026 da Volta a Portugal Jogos Santa Casa chegou este domingo ao fim, depois de 11 dias de competição e de uma passagem por várias regiões do país. Alexis Guérin tornou-se o primeiro francês a vencer a Grandíssima.

“Volta a Portugal 10º etapa: Alexis Guérin vence Volta a Portugal e Rui Oliveira triunfa nos Aliados”


Fotos: Rodrigo Rodrigues e Igor Martins / FPC

Guérin é o vencedor da 87.ª edição da Volta a Portugal Jogos Santa Casa, que terminou este domingo, no Porto.

O corredor de 34 anos foi o mais forte dos últimos 11 dias de competição e confirmou a Camisola Amarela esta tarde, com um minuto e dois segundos de vantagem para o colega Artem Nych. Pedro Silva (Feira dos Sofás-Boavista) fechou o pódio final. A Anicolor/Campicarn soma assim a terceira vitória consecutiva na Volta a Portugal Jogos Santa Casa, depois das conquistas de Nych nas duas edições anteriores.

 

Rui Oliveira triunfa em casa

 

Mas Guérin não foi o único a festejar: a correr em casa, Rui Oliveira foi o mais rápido na emocionante chegada à Avenida dos Aliados e conseguiu o tão ansiado primeiro triunfo como profissional no ciclismo de estrada.


O ciclista luso da UAE Team Emirates XRG foi um dos mais ativos ao longo da última semana e meia, esteve perto da vitória várias vezes, mas foi na cidade portuense, perante o seu público, que conseguiu finalmente erguer os braços, confirmando da melhor maneira a Camisola Laranja Galp, dos pontos.

“Ainda não estou em mim. O circuito final foi tão duro, mas tive toda a minha equipa a apoiar-me. Não havia melhor maneira de conseguir a minha primeira vitória profissional. Ganhar em casa, no Porto, em Gaia... não tenho palavras. Obviamente que dedico a vitória à família do Finlay Tarling. Foi um dia muito duro para todos, parabéns a todos os atletas que lutaram estes dois dias”, afirmou, após a etapa.

 

Uma fuga para animar os Aliados

 

A décima e última jornada da Volta a Portugal partiu da Maia ao início da tarde, com cerca de 96 quilómetros a pedalar até entrar no circuito desenhado entre o Porto e Vila Nova de Gaia. A Avenida dos Aliados voltou a ser palco da consagração final da Grandíssima: foi a décima vez que o Porto recebeu a etapa decisiva da prova e a primeira desde 2019.


Foi precisamente nesse primeiro setor da etapa, entre a partida na Maia e a entrada no circuito final, que uma fuga de cinco corredores animou a tirada: Adam Lewis (APS Pro Cycling by Team Cadence Cyclery), César Martingil (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), Viacheslav Ivanov (Feirense-Beeceler), Gaspar Gonçalves (GI Group Holding-Simoldes-UDO) - vencedor do Prémio da Combatividade EBRO do dia - e Eduardo Perez Landaluce (Óbidos Cycling Team).

O quinteto colaborou durante algum tempo, mas com o aproximar do fim, o pelotão aumentou o ritmo. A cerca de duas voltas da última e decisiva passagem pela meta, a fuga foi definitivamente alcançada, Diogo Narciso (Credibom/LA Alumínios/Marcos Car) ainda tentou depois a sorte, mas sem sucesso. A partir daí, a corrida foi dos favoritos ao triunfo nos Aliados, onde Rui Oliveira acabou por superiorizar-se à concorrência.

 

Guérin faz história na Grandíssima

 

Guérin cortou a meta na oitava posição e garantiu definitivamente a Amarela: em 87 edições realizadas, é a primeira vez que um francês conquista a Amarela na Grandíssima, ele que leva ainda para casa a Camisola Azul Continente, da Classificação da Montanha.


“É um sonho concretizado. Ainda não estou em mim, é impressionante. Era o objetivo da equipa, o meu objetivo. Estou muito contente”, confessou.

Nas classificações finais, e apesar de ter tido novamente um furo na altura decisiva da corrida - situação que já havia vivido na véspera, na etapa nove -, Adrià Pericas demonstrou o potencial que lhe é apontado e selou a Camisola Branca Paredes Rota dos Móveis, da Juventude.

Entre a consagração histórica de Alexis Guérin e a emotiva vitória de Rui Oliveira nos Aliados, terminou mais uma edição da Grandíssima, que ficará para sempre marcada pelos feitos desportivos, mas também pela memória de Finlay Tarling.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

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