segunda-feira, 23 de março de 2026

“Não consigo aceitar a bela história que nos estão a contar” - Ex-dopado levanta questões sobre o domínio de Tadej Pogacar após a Milan-Sanremo”


Por: Miguel Marques

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A arrebatadora vitória de Tadej Pogacar na Milan-Sanremo foi amplamente saudada como uma das prestações mais extraordinárias da sua carreira. Mas nem todos foram arrastados pela onda de admiração que se seguiu.

Erwann Mentheour, ex-profissional que admitiu ter recorrido ao doping durante a carreira, apelou à prudência na forma como se recebe tamanha dominância, questionando se prestações deste nível devem passar sem escrutínio.

“No ciclismo, a admiração nunca deve sobrepor-se ao pensamento crítico”, escreveu Mentheour numa longa reação publicada após a corrida. “Quanto mais extraordinária parecer uma prestação, mais deve suscitar perguntas. Sem insultos nem fantasias… apenas perguntas”.

Essa perspetiva coloca os seus comentários em claro contraste com o tom de grande parte das reações pós-corrida, em que a atuação de Pogacar foi descrita por toda a Europa como histórica, espetacular e até sem precedentes.

 

“O que estou a ver vai muito além do que experienciei”

 

O desconforto de Mentheour não se centra num único momento, mas no padrão mais amplo das prestações de Pogacar, com o esloveno a demonstrar, mais uma vez, capacidade para moldar um Monumento de múltiplas formas.

De uma queda antes da Cipressa, a perseguir para regressar, atacar sem tréguas e ainda vencer ao sprint na Via Roma, Pogacar apresentou um recital que combinou resiliência, força e controlo tático.

Para Mentheour, esse nível de consistência e versatilidade é precisamente o que suscita preocupação. “Honestamente, estou estupefacto”, escreveu. “Vejo o Pogacar correr, ganhar, encadear resultados, dominar, recuperar e recomeçar, e não consigo aceitar a linda história que nos estão a contar”.

E prosseguiu: “Um corredor que quase nunca quebra, que atravessa as épocas com uma consistência tão implacável, que parece capaz de fazer tudo, em todo o lado, o tempo todo, deveria provocar algo mais do que aplausos automáticos”.

O antigo ciclista da La Francaise des Jeux deixa claro que a sua reação é moldada pela experiência vivida noutra era do pelotão. “Pessoalmente, não escondo o meu desconforto. O que estou a ver vai muito além do que conheci, experienciei e compreendi sobre o desporto de elite”.

 

O passado do ciclismo ainda molda o presente

 

O argumento de Mentheour assenta na história do ciclismo e na convicção de que os escândalos do passado devem continuar a informar a leitura das prestações atuais. “O ciclismo tem um passado demasiado sujo para nos maravilharmos como crianças”, escreveu. “Este desporto mentiu, enganou, ocultou e destruiu reputações, corpos e gerações inteiras de corredores.”

Nesse contexto, insiste que questionar prestações excecionais não deve ser visto como polémico. “Perguntar se uma dominância tão total é plausível não é escandaloso. É o mínimo dos mínimos”.

As suas declarações contrastam fortemente com os elogios esmagadores que se seguiram ao tão aguardado triunfo de Pogacar na Milão–Sanremo, vitória que finalmente preencheu outra peça em falta no seu já notável palmarés.

Enquanto muitos se concentraram no brilho da prestação, a intervenção de Mentheour garante que os velhos fantasmas continuam a teimar aparecer, mas quando olhamos para o passado deste sujeito, devemos dar-lhe pouco crédito...

“Agora está claro que ele não tem limites” - Eddy Merckx ficou ‘sem palavras’ após a incrível vitória de Tadej Pogacar na Milan-Sanremo”


Por: Letícia Martins

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A vitória de Tadej Pogacar na Milan-Sanremo, este sábado, desafiou toda a lógica. O Campeão do Mundo soma feitos enormes, mas poucos esperariam que vencesse da forma como o fez, depois de cair com violência a poucos quilómetros do sopé da Cipressa. Eddy Merckx, com quem Pogacar é frequentemente comparado, ficou sem palavras perante a exibição do esloveno.

“Deixou-me sem palavras. Esperava que ele ganhasse assim? Sinceramente, não. Acho que isto pode ser considerado uma das suas maiores performances”, disse o Canibal em entrevista à Eurosport. “A reação que teve após a queda foi a de um verdadeiro campeão.”

Pogacar esteve envolvido numa queda a alta velocidade na aproximação nervosa à principal subida do dia e, apesar da sua qualidade, não era esperado que conseguisse regressar ao pelotão, chegar à frente e ainda atacar a subida de 5,6 quilómetros praticamente no mesmo ponto de há 12 meses.

O plano foi executado como previsto, mesmo que o contexto fosse totalmente inesperado. Só Mathieu van der Poel (que também caiu) e Tom Pidcock conseguiram segui-lo ali, apesar do claro handicap no início da ascensão.

Mas, apesar da queda e do esforço extra, tinha pernas para fazer a diferença. Depois de recuperar, conseguiu deixar o neerlandês no Poggio. “O facto de Van der Poel ceder no Poggio surpreendeu-me. O facto de Mathieu não ter conseguido sustentar o esforço é, verdadeiramente, mérito de Pogacar.”

A vitória esteve longe de garantida, com um Tom Pidcock em grande forma a não ceder na descida e a apresentar armas semelhantes ao sprint. Mas a resistência do esloveno foi evidente, ao conseguir repetir esforços máximos várias vezes sem quebrar e depois sprintou para a victoria, algo que não seria expectável após a queda e também face ao esforço adicional a que foi obrigado.

“Lançou o sprint na frente, com a mesma força e convicção de Van der Poel no ano passado. Se sprintas assim e ninguém te consegue ultrapassar, não restam dúvidas sobre quem é o mais forte”, argumenta Merckx. Com isto, Pogacar soma agora 11 vitórias em monumentos, face às 19 de Merckx. Mas conquistou aquela que, talvez, menos se adequava às suas características, o quarto monumento no seu palmarès.

A lenda belga, hoje com 80 anos, admite surpresa por só em 2026, à sexta tentativa, Pogacar ter vencido o monumento italiano. “O Pogacar já merecia uma Sanremo e, na verdade, é estranho que ainda não a tivesse ganho. Agora ficou claro que não tem limites. O que mais lhe falta fazer?”

 

Pogacar e Roubaix

 

Para completar uma lista de vitórias quase inalcançável, os cinco monumentos do ciclismo, falta Paris-Roubaix, onde foi segundo na estreia, no ano passado. Mas Merckx sugere que esta perseguição pode não se alongar muito.

“No ano passado caiu no empedrado, caso contrário teria chegado ao velódromo com Van der Poel para discutir a vitória e quem sabe como isso teria terminado”, defende. “Claro que a sorte tem um papel maior no empedrado do que o habitual, por isso vai precisar que ela esteja do seu lado.”

“Uma das corridas que me favorece, mas os adversários estão muito fortes” - João Almeida avalia o teste com Vingegaard e Evenepoel na Volta à Catalunha”


Por: Miguel Marques

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João Almeida chega à Volta à Catalunha 2026 com um percurso que favorece as suas características, mas também com uma preparação que não foi totalmente linear. Após uma doença tê-lo afastado do Paris-Nice, o português alinha perante um pelotão de geral de alto nível, liderado por Jonas Vingegaard e Remco Evenepoel.

Nesse contexto, a Catalunha torna-se não apenas uma oportunidade, mas um primeiro teste ao seu estado de forma. “Acho que estou bem. Fiz um bom bloco de treino. Não muito grande, mas acho que foi bom. Vamos ver como corre”, disse o português ao Cycling Pro Net.

Essa avaliação ponderada reflete confiança e cautela. Embora o traçado favoreça Almeida, a profundidade da concorrência deixa pouca margem para erro.

“Grandes candidatos, um pelotão muito forte. Espero que o tempo se mantenha bom todos os dias e, sim, vai ser uma corrida dura. Está tudo lá para ser uma boa semana, mas também com muitas dores nas pernas”.

 

Uma corrida que encaixa, mas não só para ele

 

No papel, poucas provas de início de época se alinham tão bem com o perfil de Almeida. Sem contrarrelógio para abrir diferenças, o foco recai totalmente na consistência a subir e no posicionamento ao longo de várias chegadas em alto e esforços explosivos em subida. “Acho que me favorece. Talvez seja uma das corridas que melhor me favorece. Mas os adversários são muito fortes e também lhes assenta bem”.

Esse equilíbrio define o desafio. A Catalunha não se resume a adequação ao percurso, mas a como cada um rende frente a rivais igualmente talhados para o terreno.

Na UAE Team Emirates - XRG, Almeida será o líder absoluto, assim a equipa se coloque totalmente ao seu dispor. Brandon McNulty e Jay Vine oferecem alternativas na montanha, dando à equipa flexibilidade caso a corrida se torne agressiva cedo ou se fracione ao longo de várias etapas.

 

Sem riscos antecipados na 1ª etapa

 

A etapa inaugural costuma criar um cenário delicado para os homens da geral, com o risco de cortes ou diferenças de tempo a forçar decisões desconfortáveis. Embora sprints reduzidos pontualmente tenham atraído candidatos à geral para a luta de posicionamento, Almeida mostra relutância em assumir riscos desnecessários tão cedo. “Duvido um pouco disso, mas talvez… quem sabe".

É uma resposta típica, contida, mas alinhada com uma abordagem mais ampla. Com terreno decisivo reservado para mais tarde na semana, a prioridade deverá ser evitar problemas em vez de forçar movimentos prematuros.

Perante a combinação da força de Vingegaard, Evenepoel e um leque profundo de apoios em várias equipas, a missão de Almeida está clara. A corrida favorece-o, mas favorece quase todos aqueles que precisa de bater.

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