Por: José Morais
Mathieu van der Poel
protagonizou um dos momentos mais comentados do Tour da Suíça e não foi apenas
pelo contrarrelógio brilhante que quase lhe deu a vitória. O holandês, exausto
e sufocado pelo calor extremo, acabou por ser sancionado pela UCI depois de se
despir parcialmente enquanto recuperava na tradicional “cadeira quente”.
Um
contrarrelógio monstruoso… e decidido por quatro centésimos
Van der Poel assinou o melhor
contrarrelógio da sua carreira, completando os 23,7 km em 26:28, a
impressionantes 53,3 km/h de média.
Só Tadej Pogacar num duelo
digno de titãs conseguiu superá-lo por 0,04 segundos, uma diferença
microscópica que incendiou o ambiente na meta.
O momento
polémico: calor sufocante, fato pela cintura e câmaras em direto
Exausto, ofegante e à procura
de ar, Van der Poel sentou-se na “cadeira quente” para acompanhar os restantes
adversários.
Com o calor a apertar, decidiu
baixar as mangas e o topo do fato de contrarrelógio até à cintura, ficando de
tronco nu diante das câmaras.
O gesto, natural para muitos,
tornou-se rapidamente viral nas redes sociais, gerando memes, comentários e
debates sobre o calor extremo que marcou a etapa.
A UCI não
perdoou: 500 francos por “comportamento inadequado”
Os comissários da UCI, atentos
ao detalhe, aplicaram uma multa de 500 francos suíços (cerca de 520 euros),
citando o Artigo 2.12.007, que penaliza:
“Comportamento inadequado,
incluindo despir-se em público”
“Ataque à imagem do desporto”
A decisão gerou indignação
entre adeptos, que acusam a UCI de rigidez absurda num dia marcado por
temperaturas sufocantes.
Redes
sociais ao rubro: árbitros criticados, organização na mira
A polémica não ficou pela
multa. Nas redes sociais, multiplicaram-se críticas:
à falta de sensibilidade dos
comissários perante o calor extremo
à ausência de climatização na
zona da “cadeira quente”
ao excesso de zelo num momento
claramente motivado por desconforto físico
Para muitos, a UCI voltou a
mostrar que aplica o regulamento com frieza suíça, mesmo quando o bom senso
sugeriria outra abordagem.
Síntese
Van der Poel brilhou na
estrada, quase venceu Pogacar…, mas acabou por ser notícia pelo tronco nu e
pela multa que incendiou o debate sobre o regulamento e o bom senso no ciclismo
moderno.


