sábado, 14 de março de 2026

“Desde que não acabe na UAE Team Emirates…” - Patrick Lefevere sobre a possível transferência de Paul Seixas; e como Matxin travou a contratação de Juan Ayuso”


Por: Miguel Marques

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Na semana passada, Patrick Lefevere falou sobre como gostaria de ter assinado com Paul Seixas antes de este se tornar um grande nome internacional. Esta semana revela que a Soudal - Quick-Step esteve interessada em contratar Juan Ayuso no final de 2024, mas as condições de transferência já não eram as mesmas do ano passado. Além disso, criticou o papel dos agentes no ciclismo atual e como a UAE Team Emirates - XRG poderá avançar para a contratação de Paul Seixas.

A notícia de que o francês interessa à equipa dos Emirados foi avançada pelo Het Laatste Nieuws no início do mês e antecipa-se uma longa batalha negocial, já que o contrato do corredor vigora até ao final de 2027. As equipas de topo procuram assegurar o jovem mais cobiçado do atual pelotão.

O antigo gestor da Soudal - Quick-Step guarda um ressentimento particular em relação à equipa dos Emirados e não o esconde. “É-me indiferente, desde que ele não acabe na UAE Team Emirates”.

“Perdoem a palavra, ou não, mas, enquanto diretor-desportivo, o Matxin está um bocado excitado de mais. Assinar Seixas quando já tens Pogacar é um exibicionismo”, escreveu Lefevere na sua coluna semanal no Het Nieuwsblad.

 

Lefevere quis Juan Ayuso

 

Isso não altera a posição da Emirates no dossiê. O talento que o jovem de 19 anos tem mostrado é quase um caso único na modalidade e qualquer equipa o quereria. A Decathlon CMA CGM tem a base e, potencialmente, os meios para o manter. Já a UAE é, muito provavelmente, a equipa com mais recursos e capacidade para fechar uma contratação deste calibre.

Isto apesar de já ter Tadej Pogacar e de ser, atualmente, a formação mais forte e vencedora do pelotão. Trata-se de garantir o “próximo Pogacar”, como alguns lhe chamam.

“Podes ter mais dinheiro do que qualquer outra equipa do World Tour, mas isso traz responsabilidade e ética. Ele foi encostado no Saunier-Duval quando o trouxe para a Quick-Step como olheiro. O problema é que só me é grato em palavras, até eu pedir um favor”, continua Lefevere sobre Matxin, revelando outro alvo que interessava ao belga e que acabou por não se concretizar.

“Perguntei-lhe pelas condições de transferência do Ayuso quando ele estava num beco sem saída na UAE. Era inegociável; a cláusula de rescisão era de 28 milhões de euros. Menos de um ano depois, o Ayuso está na Lidl-Trek. É bem possível que tivessem os bolsos mais fundos do que eu, mas estou certo de que também não pagaram 28 milhões”, argumenta. “Um pouco mais de boa vontade para comigo teria ficado bem ao Matxin”.

 

Críticas aos agentes

 

Lefevere reconhece, porém, que a inflação de valores também se deve aos agentes dos corredores, que trabalham para maximizar as suas próprias comissões. “Jogam o jogo de forma muito mais agressiva do que antes. Agora são agências, com cinco ou seis representantes que querem todos marcar pontos e estão constantemente a ‘vender’ os seus corredores. Talvez os jornalistas procurem mais o exclusivo, mas tudo se vai filtrando para inflacionar o preço”.

“Disparar para todo o lado como o Clint Eastwood, por uns dólares a mais. Que agente ainda se preocupa com o planeamento de carreira do seu corredor? É terrível quando um miúdo de 19 anos acredita que pode ser o sucessor do Pogacar na UAE. O próprio Pogacar tem apenas 27 anos. Um agente que tenta vender essa história ao seu corredor merecia uma suspensão profissional”, concluiu Lefevere.

“Quando há neve, é um pouco diferente…” - Jonas Vingegaard não saiu satisfeito da 7ª etapa do Paris-Nice”


Por: Miguel Marques

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O Paris-Nice deste ano está a marcar o calendário profissional pelas más condições meteorológicas. Chuva, vento e neve não só rebentaram com a corrida além do esperado na 4ª etapa, como também obrigaram os organizadores a encurtar quase por completo a 7ª etapa, que seguia para os Alpes. Embora houvesse argumentos para manter a etapa, Jonas Vingegaard não ficou satisfeito com o local onde terminou.

A razão foi simples: neve. De camisola amarela e líder da geral, percebeu a posição dos organizadores em realizar ainda assim uma etapa, apesar do frio intenso, da chuva e do risco de nevão.

As mesmas condições obrigaram a cortar a etapa por duas vezes, restando apenas 47 quilómetros de corrida, viabilizados pelo facto de haver preparação prévia; sem descidas e num traçado muito simples que, inicialmente, levaria o pelotão até à base da subida para Auron.

 

A favor de correr, mas não na neve

 

Mas, nos quilómetros finais, o pelotão entrou na cota de neve. “Nós éramos, e continuamos a ser, muito a favor da ideia de correr. É preciso perceber que a Paris-Nice é uma das maiores corridas do mundo; há muitos patrocinadores e querem organizar a sua etapa, por isso estávamos de acordo. Mas quando a meta é colocada aqui, então talvez não seja possível”, disse Vingegaard no pós-corrida.

Embora não técnico, o final não foi neutralizado e viu um pelotão rápido por estradas recentemente limpas, mas com neve acumulada nas bermas. Para o corredor da Team Visma | Lease a Bike, a solução era evidente: “Teria sido melhor colocar a meta 10 quilómetros antes”.

“Para nós, a chuva faz parte do trabalho, mas quando há neve, é um pouco diferente. Houve algumas quedas no final, provavelmente porque estava muito escorregadio”, considera. “Nessa situação, teria sido melhor dizer: ‘Vamos pôr a meta um pouco antes.’ Era isso que queríamos, na verdade”.

Ainda assim, a etapa terminou sem grandes sobressaltos para o trepador, não obstante de ter ficado cortado numa queda no final, na qual não ficou envolvido. Vingegaard tem a geral praticamente assegurada salvo desastre na etapa de amanhã, em Nice, embora a previsão aponte novamente para chuva. O trabalho só ficará feito quando cruzar a meta amanhã.

“Mathieu van der Poel sobre Pogacar e a Milan-Sanremo: “Isso pode ter um papel crucial no plano da UAE para atacar com Tadej na Cipressa”


Por: Miguel Marques

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O Tirreno-Adriatico está a oferecer etapas longas e vários dias recheados de esforços explosivos em perfis quebrados. É a preparação ideal para a Milan-Sanremo e muitos favoritos estão presentes. Mathieu van der Poel falou sobre o monumento italiano, Tadej Pogacar e a Cipressa.

“Acho que a minha forma é mais do que suficiente. Estou satisfeito com a preparação que fiz. Na próxima semana tenho de fazer um pouco o mesmo do ano passado, com alguns ajustes. Depois, deverá resultar”, disse van der Poel esta manhã à VTM. “Estou muito satisfeito com as prestações desta semana; senti-me bastante bem a subir também. Ontem, sem forçar demasiado, consegui acompanhar o primeiro grupo durante muito tempo”.

Van der Poel já soma duas vitórias de etapa, uma onde pareceu o mais forte a subir no setor de sterrato da 2ª etapa; e a outra num sprint após um final duro que incluiu subidas explosivas. Foram testes-chave para o neerlandês, que mostrou ter a forma ideal para entrar nas Clássicas da Primavera, onde aponta a vitórias nos três primeiros monumentos.

Pelo que vê de Jasper Philipsen e Tibor del Grosso (sobretudo, mas não só), o bloco da Alpecin–Premier Tech pode encarar com confiança os principais objetivos da época. “Eles também estão em boa forma. Nas clássicas, somos uma equipa que está muitas vezes no sítio certo nos momentos decisivos. Isso tem resultado nos últimos anos, por isso assumo que deverá voltar a resultar este ano com estes ciclistas”.

 

Tadej Pogacar e Milan-Sanremo

 

Questionado se está no melhor nível de sempre, o neerlandês respondeu: “Essa é sempre uma pergunta difícil. Acho que estou simplesmente num bom nível, mas dizer que estou na melhor forma de sempre… não sei. Mas estou certamente satisfeito”. Seguramente, está num patamar que lhe pode permitir defender o título da Milan-Sanremo na próxima semana.

Confrontado sobre escolher uma vitória em Sanremo ou na Flandres, opta pelo monumento belga, onde poderá ser recordista se vencer dentro de três semanas. “Acho que preferia vencer a Volta à Flandres pela quarta vez do que Sanremo pela terceira”.

Mas primeiro está Sanremo, onde sabe que terá de resistir ao impulso da UAE na Cipressa, provavelmente com Jan Christen e Isaac del Toro desta vez, e ao ataque de Tadej Pogacar, que recentemente bateu o recorde da subida num treino.

“As pernas têm de responder, mas as condições meteorológicas também têm de ser boas. Não necessariamente seco ou chuvoso, mas sobretudo o vento. Pode desempenhar um papel crucial no plano da UAE para atacar com o Tadej na Cipressa”, responde van der Poel.

“Penso um pouco o mesmo dos anos anteriores. No ano passado o Tadej ficou muito perto, mas é preciso que o vento seja favorável para repetir o que se viu no ano passado”.

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