quinta-feira, 29 de outubro de 2026

“Fim de uma era: Lucinda Brand já tem data marcada para a última grande Batalha na estrada”


Por: José Morais

A veterana neerlandesa Lucinda Brand está a preparar uma das mudanças mais marcantes da fase final da sua carreira. Aos 37 anos, a corredora deixará a Lidl-Trek no final de 2026 para abraçar um novo desafio com a Canyon//SRAM Scalable Capital, equipa onde pretende concluir o percurso no ciclismo de estrada e iniciar uma nova etapa fora da competição.

A transferência, que entrará em vigor em 2027, não se limita à vertente desportiva. O acordo entre ambas as partes contempla igualmente uma futura integração de Brand na estrutura da equipa, permitindo à experiente ciclista continuar a contribuir para o desenvolvimento do projeto após abandonar o pelotão profissional.

A despedida da estrada já tem palco escolhido. A neerlandesa apontou a Paris-Roubaix Femmes de 2028 como a corrida ideal para encerrar um percurso repleto de conquistas. A clássica francesa ocupa um lugar especial na sua história competitiva, depois de ter alcançado um pódio em 2022 e de continuar a ser uma das provas mais emblemáticas do calendário mundial.

Até esse momento, Brand deverá desempenhar um papel importante na Canyon//SRAM, trazendo experiência e liderança para as clássicas do norte e outras competições de elevado prestígio internacional. Paralelamente, começará a preparar a transição para funções ligadas ao acompanhamento e formação de novas gerações de atletas.

 

Estrada termina, mas a competição continua no ciclocrosse

 

Apesar de já ter definido o fim da carreira na estrada, Lucinda Brand não pensa afastar-se da alta competição. A neerlandesa continuará ligada ao ciclocrosse, modalidade onde construiu uma carreira de enorme sucesso e onde permanece entre as principais referências mundiais.

A renovação com a Baloise Glowi Lions garante a sua continuidade até à temporada de 2027-2028, prolongando uma ligação de sucesso à formação orientada por Sven Nys.

O currículo recente confirma que a campeã continua ao mais alto nível. Em janeiro de 2026 conquistou o seu segundo título mundial de ciclocrosse, reforçando um palmarés já impressionante. Na mesma temporada somou ainda as vitórias finais na Taça do Mundo e no Troféu X2O, consolidando o estatuto de uma das atletas mais dominadoras da modalidade.

A nova época arrancou igualmente de forma positiva, com um triunfo em Dendermonde, sinal claro de que Brand continua competitiva e motivada para enfrentar os próximos desafios.

 

Nova fase para uma das grandes figuras do ciclismo neerlandês

 

Com a aproximação do final da carreira na estrada, Lucinda Brand prepara-se para abrir um novo capítulo sem abandonar o desporto que marcou a sua vida. Entre a competição no ciclocrosse e uma futura função técnica na Canyon//SRAM, a neerlandesa demonstra que o seu contributo para o ciclismo está longe de terminar.

A Paris-Roubaix Femmes de 2028 promete assim transformar-se num momento simbólico, marcando o adeus de uma das corredoras mais consistentes e respeitadas da sua geração às corridas de estrada.

"Giro 2027 aposta na montanha contra o relógio e promete agitar a geral desde os primeiros dias”


Por: José Morais

A próxima edição da Volta a Itália começa a revelar os primeiros contornos e tudo indica que o espetáculo arrancará muito antes das grandes etapas alpinas. Entre as novidades previstas para 2027 destaca-se uma exigente cronoescalada nos Apeninos, desenhada para provocar diferenças entre os candidatos à camisola rosa logo na semana inaugural.

Apesar de a apresentação oficial do percurso apenas estar marcada para novembro, informações divulgadas pela imprensa italiana apontam para um contrarrelógio individual com cerca de 20 quilómetros de extensão, agendado para 14 de maio. O desafio terá início em Sulmona e terminará na estância de Campo di Giove, numa jornada em constante ascensão que poderá desempenhar um papel decisivo nas ambições dos favoritos à classificação geral.

O traçado acumulará aproximadamente 650 metros de desnível positivo. Embora a maior parte da distância decorra por uma estrada relativamente acessível, os derradeiros cinco quilómetros apresentarão inclinações suficientes para selecionar o pelotão e premiar os ciclistas mais completos. Com uma pendente média superior a 4%, este segmento final exigirá uma gestão criteriosa do esforço e poderá criar diferenças importantes no cronómetro.

Sem atingir a dureza extrema de algumas cronoescaladas que marcaram os últimos anos, esta etapa surge como uma oportunidade perfeita para especialistas em contrarrelógio capazes de subir com eficácia. Nomes como Remco Evenepoel poderão encontrar aqui um terreno favorável para ganhar segundos preciosos sobre os principais rivais.

A organização parece determinada a reforçar o peso do esforço individual na corrida. Depois de a Volta a França apostar fortemente nos contrarrelógios para 2027, também o Giro procura aumentar a influência desta disciplina, oferecendo um percurso mais equilibrado e atrativo para corredores de diferentes características. Além da etapa nos Apeninos, está igualmente prevista uma segunda luta contra o cronómetro na segunda metade da prova, com chegada ao histórico circuito de Monza.

A corrida arrancará em Trieste a 8 de maio e seguirá numa trajetória inicial em direção ao sul de Itália. Antes da jornada decisiva em Abruzzo, o pelotão deverá passar por Lanciano, enquanto a etapa seguinte conduzirá os corredores até ao coração de Nápoles. No domingo, a caravana voltará a apontar a norte para enfrentar uma chegada em altitude no Monte Livata, outra oportunidade para mexidas na classificação geral antes do primeiro dia de descanso.

Com montanha, contrarrelógio e finais seletivos concentrados nos primeiros nove dias, o Giro de 2027 prepara-se para oferecer uma batalha intensa desde o início, deixando pouca margem para estratégias conservadoras e obrigando os candidatos à vitória final a mostrar as suas cartas muito mais cedo do que o habitual.

“Molly Weaver contraria defensores da equipa e reacende polémica no Picnic PostNL”


Ex-ciclista denuncia ambiente de pressão e afirma que muitas vítimas foram desacreditadas

 

Por: José Morais

A controvérsia em torno da estrutura da Picnic PostNL continua a ganhar dimensão. Depois da divulgação de uma investigação que reuniu testemunhos de dezenas de antigos corredores e funcionários, descrevendo um ambiente marcado por medo, controlo excessivo e pressão constante, surgiram também vozes em defesa da equipa. No entanto, a antiga ciclista Molly Weaver decidiu responder publicamente a essas posições, afirmando que a sua experiência pessoal foi muito diferente.

A britânica, que integrou as equipas Liv-Plantur e Sunweb entre 2015 e 2017, utilizou as redes sociais para contestar as declarações de John Degenkolb e Warren Barguil, dois nomes históricos ligados à formação. Segundo Weaver, o facto de alguns atletas não terem vivido situações negativas não invalida os relatos daqueles que alegam ter sido prejudicados.

“O facto de algo não vos ter acontecido não significa que os outros estejam a mentir”, escreveu a ex-corredora, acrescentando que alguns atletas podem simplesmente ter tido uma experiência mais favorável dentro da estrutura.

 

“Fui desacreditada quando denunciei o que vivi”

 

Weaver afirmou ainda ter ficado surpreendida ao ver antigos e actuais membros da equipa rejeitarem as acusações reveladas pela investigação. Para a antiga atleta, este tipo de reacção não é novidade.

Segundo explicou, quando expôs as dificuldades que enfrentou durante a sua passagem pela organização, também foi alvo de críticas e descrença. A ex-ciclista garante que ninguém tem interesse em inventar histórias deste género e recorda que falar publicamente sobre o assunto acabou por trazer consequências negativas para a sua própria carreira.

“Partilhar estas experiências nunca foi vantajoso para quem as viveu”, defendeu, sublinhando que a decisão de falar teve custos pessoais e profissionais significativos.

 

Apesar das críticas dirigidas ao funcionamento da equipa, Weaver fez questão de salientar que nem tudo foi negativo. Recorda com apreço algumas pessoas com quem trabalhou e reconhece que existiram momentos positivos durante os anos passados na estrutura.

 

Acusações de vigilância permanente e controlo rigoroso

 

Entre os aspectos mais polémicos apontados pela antiga corredora está o nível de supervisão exercido sobre os atletas.

De acordo com o seu testemunho, existia a expectativa de uma disponibilidade quase permanente, obrigando os corredores a responder rapidamente a mensagens e a justificar frequentemente actividades e deslocações. Qualquer atraso ou incumprimento poderia resultar em sanções internas.

Para Weaver, este modelo de gestão criou um ambiente excessivamente controlador e acabou por afectar o bem-estar de vários atletas.

 

“As consequências foram reais”

 

A ex-ciclista considera que o debate vai muito além das discussões nas redes sociais. Na sua opinião, as marcas deixadas por determinadas práticas organizacionais tiveram impacto profundo na vida de várias pessoas.

Segundo afirmou, algumas carreiras ficaram comprometidas e muitos atletas sofreram consequências psicológicas e físicas duradouras. Weaver defende que a forma como os corredores são tratados dentro das equipas deve ser uma prioridade e alerta para os efeitos que ambientes de elevada pressão podem ter a longo prazo.

A polémica continua, assim, a dividir opiniões no pelotão internacional, entre os que defendem a estrutura da Picnic PostNL e os que consideram que a investigação revelou problemas que não podem ser ignorados. O caso promete continuar a gerar debate no mundo do ciclismo profissional.

Ficha Técnica

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