sábado, 27 de junho de 2026

“Paula Ostiz: A ascensão serena da jovem que recusa a pressa no ciclismo mundial”


Por: José Morais

Aos 19 anos, recém-chegada ao Movistar Team e ao exigente universo do World Tour, Paula Ostiz representa uma nova geração de ciclistas que preferem construir o futuro com calma, longe da ansiedade que tantas vezes consome talentos precoces. A navarra fala devagar, pensa antes de responder e parece ter decidido que o ritmo da sua carreira não será imposto pelo barulho exterior.

 

Uma promessa que não quer saltar etapas

 

Paula Ostiz chega ao mais alto nível depois de um 2025 brilhante, mas mantém os pés firmes no chão. “Ainda sou muito jovem”, repete como quem estabelece um pacto consigo mesma. A mudança para o World Tour trouxe velocidade, exigência e ciclistas que não perdoam um metro, mas ela não se deixa engolir pela urgência.

Aprender absorver cada detalhe das corridas.

Ajudar cumprir ordens, trabalhar para a equipa.

Crescer sem atalhos, sem pressa.

São os três verbos que ela repete como um mantra para sobreviver num pelotão que muda de ritmo e de regras quando se entra na elite.

 

A adaptação invisível

 

O salto não é apenas físico. É cultural, linguístico, logístico. Ostiz admite que o inglês ainda é um obstáculo, mas nada que não se resolva com tempo. As espanholas da equipa funcionam como porto seguro. “Estou feliz, e isso é o que importa”, resume.

 

A elite onde “todos andam”

 

Acostumada a vencer nas categorias jovens, Paula Ostiz percebeu rapidamente que o World Tour é outro planeta. “Há muito nível, toda a gente anda”, diz com uma simplicidade que revela maturidade. Aqui, talento não basta é preciso cabeça, paciência e coragem.

Quando lhe perguntam que tipo de ciclista é, ela sorri:

“Ainda é cedo para saber.” 

Não quer rótulos. Não quer atalhos. Quer descobrir-se.

 

Objetivos no horizonte

 

O Mundial e o europeu estão no radar, mas a prioridade é clara: a equipa. “É assim que se ganha espaço numa equipa grande”, afirma. Sem barulho, sem promessas vazias.

 

Uma geração que começa a explodir

 

Paula Ostiz observa o ciclismo feminino espanhol com entusiasmo: “Estão a aparecer ciclistas muito boas.” Entre elas, Paula Blasi, nome que desperta expectativas. Paula Ostiz elogia, mas pede calma:

“Paula Blasi tem um potencial incrível, mas não precisa de pressão. Quando estás tranquila, as coisas acontecem.”

 

Ciclismo em tempos de calor extremo

 

Sobre o debate dos limites físicos em ondas de calor, Ostiz não dramatiza: “Temos de nos adaptar.” Simples, direta, sem certezas absolutas outra virtude rara.

E quando o tema é Pogacar, não há rodeios:

“Hoje, Tadej Pogacar é imbatível.”

 

A jovem que sabe onde quer chegar

 

Paula Ostiz fala pouco, mas diz muito. Não quer ser empurrada para a frente antes do tempo. Não quer ser definida por outros. Não quer prometer o que ainda está a aprender. E talvez seja exatamente isso que a torna tão interessante: uma ciclista de 19 anos que ainda não sabe quem será…, mas sabe perfeitamente como quer chegar lá.

“Daniel Lima impõe-se na Guarda e garante o título de Campeão Nacional Sub-23”


Foto: Rodrigo Rodrigues / FPC

Daniel Lima é o novo Campeão Nacional de Estrada em Sub-23. O corredor da Bourg en Bresse Ain Cyclisme venceu este sábado a Prova de Fundo dos Campeonatos Nacionais de Ciclismo de Estrada, ao superar Gabriel Baptista (Technosylva Rower Bembibre), segundo classificado e medalha de prata. O bronze foi atribuído a João António (Aviludo-Louletano-Loulé), que terminou quatro segundos depois do vencedor.

O pelotão Sub-23 enfrentou hoje 146,2 quilómetros pelas estradas da Guarda, para disputar o título nacional de Fundo. Toda a corrida foi muito atacada e as movimentações começaram cedo. Contudo, com 15 quilómetros percorridos, apesar das constantes tentativas de fuga, o pelotão seguia compacto.

Foi aos 50 quilómetros que se deu a fuga do dia, com sete corredores: João António, Daniel Lima, Gabriel Baptista, Afonso Lopes (Feira dos Sofás-Boavista), Guilherme Mesquita (Feirense - Beeceler), José Moreira (GI Group Holding-Simoldes-UDO) e Guilherme Mestre (Team Tavira - Crédito Agrícola). O grupo chegou a pedalar com 1m20s de vantagem sobre o pelotão.

Na sequência das várias movimentações, que se iam sucedendo, a situação da corrida mudou. Aos 78 quilómetros eram apenas quatro os corredores que resistiam na frente. João António, Daniel Lima, Guilherme Mestre e Gabriel Baptista ganharam uma larga vantagem, de 3m50s sobre o pelotão. Atrás seguia Guilherme Mesquita, a 30 segundos, e nove corredores em segunda posição intermédia, a 01m45s da fuga.

O quarteto em fuga entrou nos últimos 20 quilómetros com cerca de um minuto de vantagem sobre o grupo perseguidor, que tinha agora oito unidades. Guilherme Mestre descolou e a cinco quilómetros da meta, Daniel Lima atacou. Mas a menos de dois quilómetros do final, o trio voltou a juntar-se. A chegada seria discutida num sprint a dois, entre Gabriel Baptista e Daniel Lima, onde o corredor da Bourg en Bresse Ain Cyclisme foi o mais forte, conquistando o título nacional.

“No último ano tentei este título, não consegui. Este ano sofri muito, mas valeu a pena. Quando Gabriel Baptista me apanhou, pensei que já não ia conseguir responder. Mas mantive a frieza suficiente para o deixar fazer o trabalho e no final sabia que podia conseguir, foi à morte até à meta. Esta é a minha primeira vitória nos Campeonatos Nacionais de Estrada, levar esta Camisola até ao final da época é muito importante para mim”, adiantou Daniel Lima.

O programa deste domingo - que encerra a edição de 2026 dos Campeonatos Nacionais de Ciclismo de Estrada - arranca com a Prova de Fundo de Paraciclismo, às 9h00. A aguardada Prova de Fundo de Elites masculinos terá partida às 12h00 e também vai ser transmitida em direto na RTP2 e na RTP Play, entre as 15h20 e as 17h00.

 

PROGRAMA OFICIAL

 

Domingo, 28 de junho

Provas de Fundo

09h00 - 10h30 | Paraciclismo (1h30)

12h00 - 16h50 | Elite Masculino (181 km)

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

“Maria Martins é a nova Campeã Nacional de Estrada em Elites”


Foto: Rodrigo Rodrigues / FPC

Maria Martins (CANYON-SRAM zondacrypto) venceu este sábado a Prova de Fundo, na categoria de Elites Femininas, do Campeonato Nacional de Ciclismo de Estrada, que decore na Guarda até amanhã. A atleta impôs-se ao sprint, batendo Raquel Queirós (Atum General/Tavira/Madre Fruta) e Beatriz Roxo (ODL Team), medalhas de prata e bronze, respetivamente. Nas Sub-23 femininas foi Marta Carvalho (Cantabria Deporte - Rio Miera) quem se evidenciou, ao revalidar o título que já lhe pertencia desde 2025, após terminar na quarta posição.

Segundo dia de Campeonatos Nacionais e que começou cedo para as Femininas. A partida foi dada às 9h00, para um percurso de 67,6 quilómetros para as Masters femininas e 102,4 quilómetros para as Sub-23 e Elites femininas.

Numa fase inicial, o pelotão foi rolando compacto. Houve um ataque aos 51 quilómetros, por parte de Emília Baía (Korpo Activo/Penacova), mas a atleta seria alcançada 10 quilómetros depois.

Foi na penúltima subida que se deu a movimentação decisiva, protagonizada por Raquel Queirós e Ana Caramelo (Matos Mobility-Flexaco-lhs). Após lançarem um ataque, aos 80 quilómetros pedalavam com 40 segundos de vantagem para um grupo perseguidor com 10 atletas.

A quatro quilómetros para a chegada as duas fugitivas iam resistindo na frente. Mas com a meta cada vez mais próxima, juntaram-se mais três unidades: Maria Martins, Marta Carvalho e Beatriz Roxo. As cinco ciclistas entraram juntas no último quilómetro. Contudo, foi Maria Martins que se revelou a mais forte, ao vencer num sprint final reduzido.

A corredora da CANYON-SRAM zondacrypto já tinha conquistado o título de Campeã Nacional de Fundo em 2021. Hoje, na cidade mais alta de Portugal, celebrou-o ainda com mais emoção, por tratar-se da terra do avô, a quem dedicou a vitória: “É uma sensação muito especial, vinha com alguma pressão, tendo em conta os últimos meses, mas vinha também na expectativa de conseguir este título, sempre com muito respeito pelas minhas adversárias, que têm muita qualidade. Foi toda a dinâmica da forma como se desenrolou a corrida que ditou o resultado. A dado momento senti que já não conseguia chegar à Camisola, mas no fundo, nunca deixei de acreditar e fui muito na base da persistência e da resiliência. Ainda não acredito que a três quilómetros do final chegamos de novo à frente e tudo aconteceu”, referiu.

No que diz respeito às Sub-23 femininas, Marta Carvalho, que terminou três segundos depois da nova Campeã Nacional em Elites, seria a melhor da sua categoria, revalidando o título. O pódio Sub-23 ficou completo com Raquel Dias (Team Farto-Kiroot) – que ontem conquistou o título nacional em contrarrelógio individual – e Emília Baía (Korpo Activo / Penacova), respetivamente.

“Estou muito feliz, foi uma corrida muito dura, desde o início até ao fim, lutámos sempre pelo melhor lugar e estou muito satisfeita por ter alcançado esta vitória. Este era o meu principal objetivo da época, segue-se a Volta a Portugal. Vão ser cinco dias muito duros, com equipas de muita qualidade, mas tudo faremos para chegar ao melhor resultado”, revelou Marta Carvalho.

Quanto às Masters femininas, Tamára Branco venceu o título em M30, Sónia Rodrigues (Atum General/Tavira/Madre Fruta) em M40, Sylvia Read (CDASJ/Cyclin’Team/Município Albufeira) em M50 e Leontina Palhas (Team Vertentability-JDC) em M60.

A Prova de Fundo dos Sub-23 masculinos teve início nesta tarde de sábado, às 13h15 e ainda decorre. Vai ter transmissão em direto na RTP2, a partir das 16h00 e até às 17h15, com resumos na RTP Play.

O programa deste domingo arranca com a Prova de Fundo de Paraciclismo, às 9h00, para depois dar-se início à aguardada Prova de Fundo de Elites masculinos (12h00), que também vai ser possível acompanhar em direto na RTP2, entre as 15h20 e as 17h00.

 

PROGRAMA OFICIAL

 

Domingo, 28 de junho

Provas de Fundo

09h00 - 10h30 | Paraciclismo (1h30) 12h00 - 16h50 | Elite Masculino (181 km)

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

Ficha Técnica

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