sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

“Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua vive contrarrelógio atípico na 3.ª etapa da Volta ao Algarve 2026”


O terceiro ato da Volta ao Algarve 2026 disputou-se hoje num contrarrelógio individual de 19,5 quilómetros, com partida e chegada em Vilamoura e passagem por Quarteira, num traçado urbano com início técnico e uma segunda parte mais rápida, ideal para os especialistas do esforço solitário. A Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua apresentou Daniel Dias como principal aposta para a etapa, mas o dia ficou marcado por circunstâncias atípicas antes mesmo do arranque.

Durante o controlo de medição das bicicletas, vários corredores do pelotão viram as suas bicicletas reprovar, o que obrigou a ajustes de última hora na posição, na aerodinâmica e no conforto dos atletas, acrescentando um nível de stress inesperado a minutos de entrarem na rampa de lançamento. Daniel Dias foi o primeiro corredor da equipa a partir e, dentro deste contexto, respondeu com grande concentração, seguindo de perto as indicações de Gustavo Veloso, que o foi guiando ao longo de todo o exercício contra o cronómetro.

Já em pleno percurso, o extensor de braço do guiador acabou por descer ligeiramente, alterando a posição prevista e obrigando o corredor a adoptar uma postura mais agressiva, menos confortável. Apesar de tudo, Daniel Dias nunca deixou de tentar tirar o máximo do dia e concluiu o contrarrelógio a 3m46s do vencedor da etapa, Filippo Ganna, da INEOS Grenadiers. O restante bloco da Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua terminou dentro de diferenças semelhantes, na ordem de mais um minuto para lá desse registo, numa jornada que serviu também como aprendizagem e afinação para futuros exercícios individuais.


Daniel Dias:“Foi um dia atípico desde o início, com muitas alterações nas bicicletas e na posição em cima da hora. Tive de me adaptar rapidamente e, já em prova, o extensor de braço baixou, o que me obrigou a mudar a postura e tornou o esforço menos confortável, sobretudo para as costas. Mesmo assim, tentei manter o foco, seguir as indicações do Gustavo e tirar o máximo deste contrarrelógio. Não foi o resultado que ambicionava, mas levo daqui uma experiência importante para o futuro. Foi uma ótima primeira experiência ter o Gustavo Veloso a dar me indicações no carro e que não tenho dúvidas que será uma enorme mais valia num próximo contrarrelógio em que esteja tudo alinhado nas melhores condições.”

Gustavo Veloso: “Sabíamos que este contrarrelógio podia ser uma boa oportunidade para o Daniel mostrar o seu valor, mas a situação com as medições das bicicletas condicionou o dia de muitos corredores, incluindo os nossos. O Daniel reagiu com profissionalismo, foi o primeiro a sair, ouviu tudo o que lhe fomos passando e lutou até ao fim, mesmo com desconforto físico. A equipa, no seu conjunto, cumpriu, chegou dentro de tempos controlados e, acima de tudo, ganhou mais experiência num contexto de alto nível.”

Amanhã disputa-se a 4.ª etapa, entre Albufeira e Lagos, com um circuito final de 32 quilómetros que abre novamente a porta a uma chegada ao sprint. A Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua pretende manter a identidade ofensiva: tentar, sempre que possível, entrar na fuga do dia e, se o desfecho for ao sprint, trabalhar para colocar Leangel Linarez na melhor posição possível para discutir a etapa em Lagos.

 

Classificação Volta ao Algarve 2026

3ª Etapa

Vilamoura > Vilamoura (CR)

Classificação da etapa

 

1. GANNA Filippo (INEOS Grenadiers), 21m53s

128. DIAS Daniel (Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua), a 3m46s

129. SILVA Bruno (Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua), a 3m49s

133.  LINAREZ Leangel Rubén (Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua), a 4m04s

143. CARVALHO Gonçalo (Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua), a 4m20s

146. MARTINGIL César (Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua), a 4m23s

153. BARBAS Rafael (Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua), a 4m38s

161. MORAIS Francisco (Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua), a 5m11s

 

Classificação Geral Individual - Amarela

 

1. AYUSO Juan (Lild-Trek), 8h32m43s

67.CARVALHO Gonçalo (Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua), a 10m14s

96. BARBAS Rafael (Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua), a 16m51s

131. MORAIS Francisco (Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua), a 21m13s

140. SILVA Bruno (Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua), a 23m02s

157. DIAS Daniel (Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua), a 32m35s

158.  LINAREZ Leangel Rubén (Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua), a 32m53s

160. MARTINGIL César (Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua), a 33m12s

 

Classificação por equipas

 

1. INEOS Grenadiers, 25h40m15s

23. Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua, a 43m42s

 

Dia do “Dias” | Contrarrelógio da Volta ao Algarve 2026 com Daniel

 

Passámos o dia de contrarrelógio com o nosso estreante Daniel Dias, num dia atípico, cheio de imprevistos, mas também de força de vontade e espírito de equipa.Do autocarro à rampa de partida, dos ajustes na bicicleta às últimas indicações do carro de apoio, mostramos tudo o que não se vê na televisão: rotinas, nervos, foco e o apoio dos colegas em cada metro do percurso.

Se queres acompanhar os bastidores completos da Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua nesta Volta ao Algarve 2026, subscreve o nosso canal e ativa as notificações Todos os dias, a partir das 21h, há um novo episódio com histórias de dentro da equipa.

Fonte: Equipa Ciclismo Tavfer - Ovos Matinados - Mortágua

“Juan Ayuso reforça liderança no Algarve, mas mantém João Almeida sob vigilância”


Por: José Morais

O espanhol Juan Ayuso consolidou esta sexta-feira a liderança na Volta ao Algarve, ao terminar na segunda posição o contrarrelógio individual da terceira etapa, disputado em Vilamoura, num percurso de 19,5 quilómetros. O corredor da Lidl-Trek apenas foi superado pelo especialista italiano Filippo Ganna (Ineos Grenadiers), considerado um dos melhores do mundo na disciplina.

Com este resultado, Ayuso ganhou 37 segundos ao português João Almeida (UAE Emirates), que concluiu o exercício individual no 10.º lugar e manteve a terceira posição da classificação geral, agora a 44 segundos do camisola amarela. Na segunda posição segue o jovem francês Paul Seixas (Decathlon AG2R), a apenas sete segundos da liderança, deixando tudo em aberto para as etapas decisivas.

 

“A UAE vai tentar algo”

 

Apesar da vantagem confortável sobre João Almeida, Ayuso não dá a corrida por decidida e antevê movimentações da formação dos Emirados nas derradeiras dificuldades montanhosas.

“É uma diferença já considerável e só resta um dia realmente duro, mas a UAE tem uma equipa muito forte e de certeza que vão tentar algo. Não vão ficar sem tentar e temos de estar atentos”, afirmou o espanhol no final da etapa.

O líder da geral espera igualmente forte oposição de Paul Seixas na última tirada, que termina na exigente subida ao Alto do Malhão, agendada para domingo. “Vendo como o Paul esteve forte hoje e depois de ter vencido na Fóia, acredito que no último dia vai colocar pressão. As diferenças são curtas e ainda há muito para jogar”, sublinhou.

 

Derrota “contra um dos melhores do mundo”

 

No que diz respeito ao contrarrelógio, Ayuso mostrou-se satisfeito com o desempenho, apesar de ter falhado a vitória por escassos cinco segundos para Ganna.

“A equipa foi-me dando referências ao longo do percurso, sobretudo comparando com o tempo do meu colega Jacob Söderqvist, que tinha feito um registo muito competitivo. Saber quase ao quilómetro como estava a evoluir ajudou-me a gerir o esforço. Perder por cinco segundos custa sempre, mas quando é contra um dos melhores do mundo, não há drama”, comentou.

 

Questão das camisolas gera exceção

 

O contrarrelógio de Vilamoura ficou ainda marcado por uma situação particular: apenas o líder da classificação da montanha, Tomas Contte (Aviludo), competiu com a respetiva camisola azul. Ayuso não envergou a amarela, tal como Paul Seixas não utilizou as cores distintivas das classificações da juventude e dos pontos.

O espanhol explicou que a decisão resultou de um entendimento entre equipas, organização e União Ciclista Internacional (UCI), permitindo que os líderes corressem com os seus fatos específicos de contrarrelógio.

“As equipas investem muito tempo e dinheiro no desenvolvimento destes fatos. Para garantir igualdade de condições, foi-nos permitido utilizá-los. Agradeço ao organizador por compreender que esta também é uma corrida de preparação e que é importante testar material para os grandes objetivos da época”, concluiu Ayuso.

Com apenas uma etapa de montanha pela frente, a Volta ao Algarve promete emoção até aos últimos metros, com Ayuso na frente, mas sob ameaça de um ataque concertado da UAE e da juventude irreverente de Seixas na decisiva rampa do Malhão.

“Paris-Roubaix não se compara a nada” Mathieu van der Poel antes das Clássicas da Primavera”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

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Mathieu van der Poel aponta novamente à primavera com fome de monumentos. O neerlandês inicia a nova época determinado a erguer os braços outra vez na Milan-Sanremo, na Volta à Flandres e no Paris–Roubaix, três corridas que moldaram a sua carreira e que, previsivelmente, o voltarão a opor a Tadej Pogacar como principal rival. O duelo entre ambos tornou-se uma das grandes atrações do calendário, e tudo indica que esta temporada não será exceção.

Longe de mexer numa fórmula vencedora, Van der Poel mantém o plano intacto. No podcast da WHOOP deixou claro que a abordagem não muda: “Os meus objetivos são mais ou menos os mesmos dos últimos anos: primeiro construir a base com o ciclocrosse e depois focar-me nas grandes clássicas da primavera”. Essa base de inverno permite-lhe chegar com explosividade e resistência aos compromissos decisivos de março e abril, onde cada detalhe conta.

Em corridas como a Milan-Sanremo, onde a colocação antes do Poggio é determinante, ou na Flandres, com os seus bergs estreitos e explosivos, a experiência torna-se um diferenciador-chave. O próprio Van der Poel explicou a importância dessa aprendizagem tática: “Nas clássicas, quando o percurso passa de estradas largas para subidas estreitas, tens de estar entre os primeiros vinte; caso contrário, é impossível estar com o grupo da frente. Isso aprende-se, e a experiência ajuda, mas uma equipa forte também é importante”. A mensagem sublinha a leitura de corrida e o apoio coletivo necessários para lutar pela vitória.

Se há uma corrida com lugar especial no seu coração, é a Volta à Flandres. Van der Poel não escondeu a preferência pela Clássica flamenga quando questionado sobre a favorita: “Quando me perguntam a minha corrida preferida, não é surpresa: a Ronde van Vlaanderen (a Volta à Flandres). É a maior corrida que posso vencer, a par do Paris–Roubaix. São as corridas que via em miúdo e com que sempre sonhei”. As palavras captam o peso emocional que os monumentos têm para um corredor que cresceu a admirar essas mesmas estradas.

 

Paris–Roubaix, a exceção

 

Paris–Roubaix, porém, coloca um desafio diferente até para quem vem do ciclocrosse. O neerlandês descreveu a singularidade do Inferno do Norte: “Paris–Roubaix não se compara a nada. É tão dura por causa dos paralelos. A chegada no velódromo é única. Embora muitos ciclocrossistas queiram fazê-la por parecer semelhante, não concordo: é a clássica de um dia mais difícil. Vencer ali dá uma sensação indescritível. É pena acabar tão depressa. À medida que envelheço, tento desfrutar mais. Um dia vou deixar de correr.”

Ficha Técnica

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