sexta-feira, 28 de novembro de 2025

"Se a Volta a Itália e a Volta a Espanha trocassem de datas, seria muito melhor" - Tadej Pogacar propõe reestruturação do calendário das Grandes Voltas”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Tadej Pogacar lançou uma ideia radical para o calendário das Grandes Voltas, sugerindo que a Volta a Itália e a Volta a Espanha troquem de lugar na época para facilitar que os corredores apontem a várias provas de três semanas.

À margem do estágio da UAE Team Emirates - XRG em Gran Canaria, o esloveno afirmou, em declarações recolhidas pelo AS, que realidades de calendário enraizadas estão cada vez mais difíceis de ignorar.

“Digo sempre que, se a Volta a Itália e a Vuelta fossem trocadas, seria muito melhor, pelas condições meteorológicas e porque permitiria que mais corredores participassem”, admitiu.

Pogacar continua, segundo se relata, empenhado em fechar “o círculo” das Grandes Voltas acrescentando o título da Vuelta em 2026, mas a dificuldade de combinar duas provas de três semanas ao mais alto nível permanece um tema central.

 

Ausência de Gran Canaria ‘é uma pena’ enquanto Pogacar elogia a base de treinos ‘paraíso’

 

Um elemento da Volta a Espanha 2026 já está definido: Gran Canaria não fará parte do percurso após recusar receber etapas devido à presença da antiga equipa Israel - Premier Tech no pelotão.

Pogacar classificou esse desfecho como “uma pena”, por retirar a opção de terminar a corrida na ilha, mas sublinhou que as prioridades locais são compreensíveis.

Recordou que “as corridas de ciclismo não são a prioridade número um” e aceitou que todos os lados do debate têm as suas razões.

Ao mesmo tempo, foi perentório quanto ao potencial da ilha como palco da Vuelta e como centro de treinos de alto nível. “Gran Canaria tem potencial para acolher três ou quatro etapas de topo para a Volta a Espanha”, disse. “A ilha tem tudo para melhorar os corredores. Tem boas estradas, pouco trânsito e bom tempo para desfrutar. Qualquer um é capaz de evoluir graças às condições desta ilha. É a minha primeira vez aqui, mas é uma boa forma de redefinir bem o meu treino”.

Após uma curta pausa na off-season, Pogacar está de volta ao trabalho na Gran Canaria e vai participar na TotalEnergies Gran Fondo Pico de las Nieves como parte da preparação, com um objetivo claro: “explorar” a ilha. Disse ao AS que tenciona regressar, chamando a Gran Canaria “um paraíso como base de treinos”.

 

Volta a França 2026, Monumentos em falta e Mundiais de Montreal

 

Pogacar já analisou de perto o percurso da Volta a França 2026, onde tentará novamente aumentar a sua coleção de camisolas amarelas.

Desvalorizou grandes surpresas no traçado, dizendo que é “nada de especial” em termos de mudanças, e vincou que continuarão a ser três semanas de “subidas e etapas duras”. O que lhe prendeu a atenção foi a Grand Départ em Barcelona, que considerou “interessante”. “Tenho o Tour no horizonte, mas ainda falta muito”, explicou.

Fora das corridas por etapas, Pogacar mantém duas lacunas importantes no palmarés: Milan-Sanremo e Paris-Roubaix. Não escondeu a vontade de voltar a ambas e compensar desilusões anteriores.

Em ambas poderá cruzar-se com Remco Evenepoel, corredor que destacou ao abordar essas Clássicas. Chamou o belga “um rival a ter debaixo de olho e alguém com hipóteses de vencer”, graças à forte adaptação de Evenepoel às exigências das duas corridas.

Olhando mais além, Pogacar tem também em mira um terceiro título mundial consecutivo em 2026, quando o Campeonato do Mundo se disputar em Montreal. Espera um percurso “muito bonito e difícil de ganhar”, mas afirmou que irá “dar o meu melhor” na perseguição a outra camisola arco-íris.

Pressão, motivação e contornar comparações com Merckx

Em 2026, Pogacar já terá oito épocas ao mais alto nível. Encadear anos de sucesso nessa intensidade, admitiu, muda a forma como um corredor gere a motivação e a pressão.

“Não diria que é mais difícil motivar-te, mas a pressão é diferente e o stress à tua volta muda”, contou. “Quando tens épocas como a última, é difícil voltar no ano seguinte e fazer melhor”.

Isso influencia diretamente a forma como vê os seus próprios padrões. Para Pogacar, simplesmente fazer menos não é opção. “Do meu ponto de vista, se fizer menos na próxima época é um problema. Tentamos atingir o mesmo nível e obter os mesmos resultados e mostrar que conseguimos fazê-lo outra vez”, afirmou.

Também afastou comparações com Eddy Merckx e debates sobre a hierarquia histórica da modalidade. Sobre esse tema, foi o mais simples possível: “Cada um é como é”.

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/se-a-volta-a-italia-e-a-volta-a-espanha-trocassem-de-datas-seria-muito-melhor-tadej-pogacar-propoe-reestruturacao-do-calendario-das-grandes-voltas

“João Almeida analisa Pogacar e fala da Vuelta: "Se puxasse a fundo rebentava"


Por: Carlos Silva

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

João Almeida tem construído uma carreira notável e consolidou-se como um dos raros ciclistas da UAE Team Emirates - XRG com liberdade para explorar as suas próprias oportunidades. Habitualmente colocado ao serviço de Tadej Pogacar, o português pôde assumir ambições pessoais na Volta a Espanha de 2025, onde protagonizou um momento intenso com Tom Pidcock.

O episódio ocorreu no 9.º dia da prova, numa etapa que não se previa particularmente complicada, mas cuja subida final irregular gerou bastante tensão entre os candidatos à classificação geral. Num cenário onde pouco espetáculo era antecipado, Jonas Vingegaard lançou um ataque decidido na ascensão, obrigando Almeida e Pidcock a organizar a perseguição.

A tentativa de resposta esteve longe de ser tranquila. Enquanto o britânico demonstrava estar próximo do limite, o português insistiu em acompanhar o ritmo do dinamarquês, provocando uma troca de palavras entre ambos. A questão que se impôs depois foi inevitável: o que disse Almeida a Pidcock naquele momento?

Pidcock contou o episódio com humor: “Ele disse-me para ter tomates”, revelou entre risos o ciclista da Q36.5. “Eu disse: se fores um pouco mais devagar, consigo-te acompanhar. Achei que a roda do Almeida era perfeita para tentar chegar ao Vingegaard. Chapeau para ele: eu não pude ajudar muito, ele gritou comigo, mas ele é como um trator. Naquela zona mais plana e sobretudo no último quilómetro, foi impressionante. Só consegui passar por ele.”

 

Almeida: “Pedi desculpa depois. Talvez nos tenha aproximado”

 

Meses mais tarde, numa conversa com Matt Stephens, Almeida revisitou o momento. “Não sei se disse exatamente isso, mas foi perto”, comentou, rindo da versão de Pidcock. O português admitiu que sentia claramente que o britânico estava no limite, mas não queria desperdiçar a oportunidade de responder ao ataque de Vingegaard.

“Pensei: talvez deva forçar um pouco mais. Mas ele já não tinha nada no tanque. Eu senti isso, mas podemos sempre tentar.” Ainda assim, garante que o ambiente não ficou tenso. “Pedi desculpas depois e ele disse que estava tudo bem. Não acho que tenha sido um grande problema, mas reconheço que não foi a melhor forma de dizer as coisas. No fim, até nos aproximou um pouco.”

Almeida refere mesmo que aquele confronto acabou por gerar algum vínculo entre eles. “Talvez tenha sido o início de uma pequena relação. Foi um bom momento”, acrescentou, recordando o cenário de chuva, frio e esforço máximo naquela subida final, ao perseguir Vingegaard: “Era um daqueles dias… e eu só pensava: Tom, preciso mesmo da tua ajuda agora.”

Antes da etapa, não havia expectativas. “Estávamos no autocarro e disseram que não era uma subida difícil, que nada ia acontecer. Foi precisamente ali que atacaram forte. Achei que se puxasse a fundo ia rebentar. Foi um daqueles momentos em que não sabes o que fazer.”

 

A visão de Almeida sobre Pogacar: “Se estiver sozinho, fica mais difícil…”

 

Sobre o esloveno, Almeida admite que não é fácil vencê-lo. “Se for uma etapa muito dura, não tens hipótese. Nem penses muito nisso. Guarda energia e faz o teu melhor, porque vai doer.” Ainda assim, acredita que Pogacar não é invencível em todos os cenários.

“Se for uma etapa complicada, acho que é possível. Com uma boa equipa, talvez consigas colocá-lo numa posição mais difícil.” Para ilustrar, lembra o Tour de 2022, quando a Jumbo-Visma conseguiu desmontar o esloveno tacticamente. “Se estiver sozinho, dois contra um ou três contra um, torna-se mais difícil para ele.”

Almeida afirma já ter discutido esses momentos com o companheiro de equipa. “Já lhe disse antes, mas acho que ele pedalou muito mal naquele dia. Podia até ter vencido, ou pelo menos terminado com maior vantagem. Acho que aprendeu bastante com isso. Ninguém sabe tudo.”

Ainda assim, conclui com realismo: “Se olharmos para Paris-Roubaix ou a Volta à Flandres… até o Van der Poel tem dificuldade em superá-lo nesses terrenos. Muitos ciclistas especialistas em empedrado têm de aceitar isso. Não faz muito sentido, mas é a realidade. É simplesmente o mais forte.”

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/joao-almeida-analisa-pogacar-e-fala-da-vuelta-se-puxasse-a-fundo-rebentava

“A época de Maria Tomé: apertem os cintos!”


Se tivesse de resumir a época de 2025, Maria Tomé não tem dúvidas: “Montanha-Russa.” E percebe-se porquê. Logo no arranque, quando alcançou o melhor resultado de sempre numa WTCS, a sensação foi clara: “Ok, isto está mesmo a correr bem.” Mas, como qualquer boa montanha-russa, também houve loopings, curvas apertadas e aqueles momentos em que só apetece travar a fundo e ir comer um pastel de nata, neste caso, depois de três fins de semana seguidos a competir em três países diferentes.

No meio deste sobe e desce competitivo, houve lições importantes. A Maria percebeu que tudo o que viveu na época passada, por mais duro que tenha sido, serviu para a fazer crescer e confiar mais em si. Nem houve provas atravessadas na garganta: talvez seja esse o superpoder dela: virar a página rápido, sem dramatismos.

Houve também emoções fortes. Após a WTCS de Weihai, na China, já no terceiro fim de semana consecutivo de competição, vieram aquelas quase-lágrimas de frustração e cansaço: “sentir que se podia dar mais, mas que o corpo já estava no limite”. Faz parte, até as montanhas-russas têm travões.

E como nem só de competição vive uma triatleta, à mesa, a Maria brilhou com snacks que podem ter chocado alguns: “doritos de queijo com queijo da “vaca que ri”. Para ela, perfeitamente normal. Para quem viu, talvez menos.

Se a época tivesse banda sonora, seria uma escolha épica: “Don’t Stop Believing’”, perfeita para quem continua a acreditar mesmo quando a montanha inclina.

Momentos ou gestos que a tenham tocado profundamente? Nada a assinalar, confessa. Talvez porque esta época foi menos sobre o que veio de fora e mais sobre aquilo que ela construiu por dentro.

No fundo, 2024 foi isto: uma viagem intensa, cansativa, surpreendente e, acima de tudo, transformadora. Uma montanha-russa daquelas que dão vontade de sair a rir…e depois voltar à fila para mais uma volta.

 

Texto elaborado com base num questionário com as seguintes perguntas:

 

1 Como descreves esta época numa palavra?

2. Qual foi o momento em que pensaste: “Ok, isto está mesmo a correr bem”?

3. E o momento em que só te apetecia largar tudo e ir comer um pastel de nata?

4. Há alguma prova que tenha ficado atravessada, aquela que ainda hoje pensas “eu merecia mais ali”?

5.O que é que mais aprendeste sobre ti nesta época?

6. Quem foi o primeiro a receber uma mensagem depois da melhor prova da época?

7. Se a tua época tivesse uma banda sonora, que música seria?

8. Qual foi o momento mais divertido da época, dentro ou fora da competição?

9. E aquele momento em que quase choraste (de raiva, cansaço ou alegria)?

10. Qual foi o snack mais bizarro que comeste, este ano, antes ou depois de competir?

11. Se pudesses trocar de corpo com outro triatleta por um dia, quem escolhias  e porquê?

12. Há alguma pessoa ou gesto que te tenha tocado particularmente durante a época?

Fonte: Federação Triatlo Portugal

Ficha Técnica

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