segunda-feira, 19 de outubro de 2026

“Tour de França 2027 da Escócia às grandes montanhas, um percurso que promete batalha até Paris”


Por: José Morais

O traçado do Tour de France 2027 será oficialmente apresentado em Paris no próximo dia 22 de outubro, mas vários elementos já começam a desenhar o perfil de uma edição que promete grandes emoções, tanto para os trepadores como para os especialistas do contrarrelógio.

A prova arrancará na cidade de Edimburgo, na Escócia, dando início a três etapas consecutivas em solo britânico. As chegadas previstas em Carlisle, Liverpool e Cardiff marcam uma abertura histórica antes da entrada do pelotão em território francês.

Depois do início nas Ilhas Britânicas, os indícios apontam para uma primeira semana de corrida repartida entre a Normandia e a Bretanha, onde o vento, as estradas estreitas e os constantes pequenos relevos poderão provocar diferenças importantes na classificação geral.

Contudo, o verdadeiro desafio deverá surgir nas altas montanhas. Os Alpes e os Pirenéus surgem como os grandes palcos da luta pela camisola amarela, com várias chegadas em altitude e jornadas de elevada exigência física. Entre as ascensões apontadas ao percurso estão o mítico Tourmalet, o desafiante Aubisque, o duro Col du Portet e uma possível chegada ao imponente Grand Colombier, locais habitualmente decisivos na história da competição.

 

Contrarrelógios podem ganhar peso na classificação

 

Outra das grandes expectativas prende-se com a presença de dois contrarrelógios individuais. As localidades de Chambord e Toulouse surgem entre as hipóteses mais fortes para acolher estas etapas, que poderão representar uma oportunidade valiosa para os especialistas conquistarem tempo sobre os rivais da montanha.

A extensão e o grau de dificuldade destes exercícios contra o relógio serão fatores determinantes para perceber o equilíbrio da corrida e a estratégia das principais equipas.

 

Paris continua envolta em mistério

 

O tradicional encerramento na capital francesa permanece envolvido em alguma incerteza. Depois das recentes experiências que incluíram a passagem pela zona de Montmartre, cresce a possibilidade de um regresso ao desfecho clássico nos Campos Elísios, devolvendo à avenida mais famosa de Paris o protagonismo da última etapa.

Até à apresentação oficial, apenas o arranque escocês e as três primeiras jornadas britânicas estão totalmente confirmados. Tudo o resto permanece em aberto, alimentando a expectativa em torno de uma edição que poderá combinar tradição, inovação e algumas surpresas no caminho até Paris.

“Luta pelos convites das grandes voltas de 2027 agita o pelotão: Euskaltel garante lugar na corrida aos Wildcards e Bardiani fica de fora”


Por: José Morais

Com o encerramento da temporada de 2026, ficou finalmente definido o ranking internacional que determinará quais as equipas profissionais elegíveis para lutar pelos desejados convites das Grandes Voltas e das principais corridas do calendário mundial em 2027. A reta final da época foi marcada por uma intensa batalha por pontos, levando várias formações a competir em provas distantes na tentativa de assegurar um lugar entre as 30 melhores equipas do mundo.

 

Ranking fecha portas a algumas equipas e abre oportunidades a outras

 

A presença nas grandes provas do ciclismo internacional não depende apenas do prestígio ou da tradição. Para ambicionar um convite para o Giro d'Italia, Tour de France ou Vuelta a España, uma equipa Professional Continental tem obrigatoriamente de terminar a temporada entre as 30 primeiras do ranking mundial.

Foi precisamente essa exigência que provocou uma verdadeira corrida aos pontos nas últimas semanas. A Euskaltel Euskadi apostou em deslocações a provas realizadas fora dos principais circuitos europeus, enquanto outras equipas procuraram oportunidades em diferentes continentes para reforçar a sua posição classificativa.

A estratégia revelou-se decisiva. A formação basca conseguiu assegurar a permanência no grupo das 30 melhores equipas, enquanto a histórica Bardiani CSF ficou abaixo da linha de corte, perdendo o direito de ser considerada para os convites das Grandes Voltas em 2027.

 

World Tour mantém estabilidade até 2028

 

As 18 equipas pertencentes ao WorldTour continuam com presença garantida nas três Grandes Voltas da próxima temporada. Não são esperadas alterações na principal divisão do ciclismo mundial, uma vez que o atual ciclo de avaliação de três anos apenas termina no final de 2028.

Apesar dos rumores que apontavam para uma eventual saída voluntária da Picnic PostNL do World Tour devido a dificuldades financeiras e desportivas, a equipa rejeitou esse cenário, mantendo-se tudo inalterado para 2027.

 

Convites automáticos e wildcards continuam a decidir o pelotão

 

Aos 18 conjuntos World Tour juntam-se equipas Pro Team através de um sistema de convites automáticos e wildcards atribuídos pelos organizadores.

As formações Pinarello Q36.5, Tudor e Cofidis voltaram a garantir automaticamente o direito de participar nas provas World Tour graças à sua posição no ranking. Estas equipas podem alinhar em todas as corridas da principal categoria e, ao contrário das formações World Tour, têm a possibilidade de recusar algumas participações.

Já os restantes convites serão distribuídos pelas organizações das corridas, que tradicionalmente privilegiam equipas dos seus próprios países. Entre as equipas elegíveis encontram-se a TotalEnergies, Unibet Rose Rockets, Caja Rural, Burgos Burpellet BH, Polti VisitMalta, Solution Tech Nippo Rali, MBH Bank CSB e Euskaltel Euskadi.

A lista poderá, contudo, sofrer alterações caso se confirme o desaparecimento da Kern Pharma, cenário que tem sido apontado nos bastidores do ciclismo profissional.

 

Bardiani paga caro a quebra no ranking

 

A grande derrotada desta disputa foi a Bardiani CSF. A equipa italiana terminou a época no 31.º lugar da classificação mundial, ficando a cerca de 150 pontos da Euskaltel. Nem os esforços finais em provas italianas permitiram recuperar o atraso.

A consequência é pesada para uma estrutura com mais de quatro décadas de história: será apenas a segunda vez em 45 anos que a equipa fica impedida de sonhar com uma presença no Giro d'Itália.

 

Mais do que Grandes Voltas: ranking define toda a época

 

As implicações do ranking não se limitam às Grandes Voltas. A TotalEnergies conquistou o estatuto de quarta melhor equipa profissional e garantiu presença automática em todas as corridas de um dia do calendário World Tour.

Além disso, Pinarello Q36.5, Tudor, Cofidis, TotalEnergies e Unibet Rose Rockets asseguraram lugares garantidos nas provas Pro Series, o escalão intermédio entre o   e as corridas da categoria .1.

Com os lugares elegíveis definidos, a atenção vira-se agora para os organizadores das grandes corridas, que nos próximos meses anunciarão os wildcards que completarão o pelotão das principais provas de 2027. Até lá, algumas equipas respiram de alívio, enquanto outras ficam obrigadas a repensar o futuro.

“A EBU PROLONGA O SEU ACORDO COM A A.S.O. E A UNIPUBLIC ATÉ 2032”


Por: Daniel Peña Roldán

Foto: © Unipublic / Agência Criativa Cxcling

Pontos-chave:

• Os principais eventos do calendário internacional de ciclismo organizados pela A.S.O. e pela Unipublic, incluindo La Vuelta, o Tour de France e Paris-Roubaix, tanto nas edições masculina como feminina, continuarão a ser transmitidos por toda a Europa até 2032.

• A extensão deste acordo assenta numa relação consolidada há quase 60 anos: o primeiro acordo abrangente com um grupo de operadores europeus, então conhecido como Eurovisão, foi assinado em 1968.

Milhões de fãs de ciclismo por toda a Europa continuarão a desfrutar da La Vuelta, do Tour de France e de outras corridas icónicas até 2032, após a extensão de dois anos do acordo de direitos audiovisuais entre a União Europeia de Radiodifusão (EBU), a Amaury Sport Organisation (A.S.O.) e a Unipublic, anunciado hoje.

Pouco depois de os parceiros terem anunciado o acordo para o período 2026-2030, esta extensão oferece ao público uma garantia a longo prazo e assegura que os principais eventos de ciclismo europeus continuem amplamente acessíveis através das emissoras públicas durante muitos anos.

A extensão do acordo abrange o mesmo catálogo de eventos masculinos e femininos, incluindo:

• Carreras masculinas: La Vuelta, Tour de France, Paris-Roubaix Hauts-de-France, Liège-Bastogne-Liège, La Flèche Wallonne, Paris-Nice, Tour Auvergne-Rhône-Alpes, ADAC Cyclassics Hamburg, Eschborn-Frankfurt, Clásica San Sebastián, Paris-Tours, Tro Bro Leon e Volta a Catalunya.

• Carreras femeninas: La Vuelta Femenina, Tour de France Femmes avec Zwift, Paris-Roubaix Femmes Hauts-de-France, Liège-Bastogne-Liège Femmes e La Flèche Wallonne Femmes.

No momento da assinatura da extensão para o período 2031-2032, todas ou parte das corridas serão transmitidas em sinal aberto pelos seguintes membros da EBU: RTBF (Bélgica), ČT (República Checa), TV2 (Dinamarca), DUNA (Hungria), RAI (Itália), NOS (Países Baixos), TV2 (Noruega), RTP (Portugal), RTVS (Eslováquia), RTV (Eslovénia) e SRG SSR (Suíça).

Graças a uma sublicença concedida pela EBU, a Eurosport continuará a transmitir a La Vuelta, o Tour de France e as outras corridas incluídas no acordo por toda a Europa*, enquanto a TNT Sports o fará no Reino Unido e Irlanda.

Frédéric Sanz, Diretor de Desportos de Verão e Ciclismo na EBU, afirmou: "Tendo renovado recentemente o nosso acordo com a A.S.O. e a Unipublic para o período 2026-2030, estamos muito satisfeitos por prolongar esta colaboração bem-sucedida até 2032. A nossa relação nunca esteve tão forte e baseia-se numa ambição partilhada de levar o melhor do ciclismo ao maior público possível. Este catálogo extraordinário reúne algumas das corridas mais icónicas do desporto, juntamente com um compromisso igual com o ciclismo masculino e feminino, enquanto o alcance incomparável dos canais públicos continuará a ligar milhões de fãs em toda a Europa a estes grandes eventos ciclísticos. Esta expansão é um forte sinal de confiança na nossa colaboração e do nosso compromisso em manter o ciclismo de classe mundial acessível a todos."

Julien Goupil, Chefe de Media e Parcerias na A.S.O. : "A extensão do nosso acordo com a UEB confirma a força de uma relação construída ao longo de várias décadas. Esta relação de longa data baseia-se numa visão partilhada: tornar os nossos eventos acessíveis ao maior público possível, em toda a Europa e em todas as plataformas. Hoje, perto de 150 milhões de pessoas em todo o continente seguem o Tour de France todos os verões. Esta ambição partilhada permitiu-nos alcançar novos públicos e, ao mesmo tempo, atrair espectadores mais jovens. Na verdade, cada vez mais jovens seguem o ciclismo em todas as plataformas. Juntamente com a EBU e os seus membros, partilhamos também o compromisso de apoiar a transição para o consumo digital de conteúdos desportivos nas plataformas oficiais dos operadores. E esta transição já está bem encaminhada."

*Exceto França (exceto La Vuelta, La Vuelta Femenina, Volta a Catalunya, Clásica San Sebastián, ADAC Cyclassics Hamburgo e Eschborn-Frankfurt).

Fonte: Unipublic

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