Por: José Morais
O ciclismo despede-se de uma
das suas figuras mais marcantes do século XXI. Chris Froome, quatro vezes
vencedor do Tour de França e dono de um currículo que inclui também dois
triunfos na Vuelta e um no Giro, confirmou aos 40 anos que não voltará ao
pelotão profissional. A decisão encerra uma carreira brilhante, profundamente
condicionada pela queda devastadora que sofreu em 2019, quando ainda era
considerado o melhor corredor de grandes voltas da sua geração.
O anúncio, há muito
antecipado, surgiu de forma quase casual. Durante um evento da Skoda, em
Barcelona, na véspera do arranque da Volta a França, o britânico foi
questionado pelo portal Sporza sobre o futuro. Froome limitou-se a responder
com um “sim”, admitindo que a carreira tinha chegado ao fim. Depois, explicou
que a queda sofrida num treino em agosto de 2025 que o afastou das competições
e precipitou várias cirurgias apenas confirmou aquilo que já sentia: “Não era
assim que queria terminar, mas naquele momento percebi que estava acabado.”
Durante meses, Froome evitou
abordar o tema. Em dezembro, na apresentação da Vuelta em Monte Carlo, tinha
garantido que ainda não estava pronto para falar sobre o futuro. O contrato com
a Israel-Premier Tech terminara no final de 2025, mas a última temporada ficou
irremediavelmente marcada pelas lesões que o impediram de competir.
A carreira do ciclista nascido
no Quénia começou em 2008, na Barloworld, antes de ingressar na Team Sky, onde
se tornaria uma das maiores referências da modalidade. O segundo lugar na
Vuelta de 2011 convertido mais tarde em vitória após a desclassificação de Juan
José Cobo foi o primeiro sinal de que estava a nascer um campeão de grandes
voltas.
Em 2012, Froome foi segundo no
Tour, atrás de Bradley Wiggins, mas já demonstrava ser o mais forte na
montanha. No ano seguinte, assumiu a liderança da Sky e conquistou a primeira
camisola amarela. Seguiram-se os triunfos de 2015, 2016 e 2017, além da Vuelta
de 2017 e do Giro de 2018, onde protagonizou o célebre ataque de longa
distância no Colle delle Finestre. Com essas vitórias, tornou-se um dos raros
ciclistas a vencer as três grandes voltas.
A queda no Critérium du
Dauphiné, em 2019, mudou tudo. Froome regressou ao pelotão em 2020, mas nunca
recuperou o nível que o tornara dominante. A transferência para a Israel
Start-Up Nation trouxe esperança, mas apenas um terceiro lugar no Alpe d’Huez, no
Tour de 2022, se destacou numa fase final marcada pela luta contra o tempo e
contra o corpo.
Agora, o britânico despede-se
discretamente, deixando para trás uma carreira que, apesar de interrompida
antes do desejado, permanece entre as mais impressionantes da história do
ciclismo moderno.




