quarta-feira, 18 de março de 2026

"A maior preocupação dos pais não é que lugar o filho vai chegar..." José Azevedo pede sanções mais duras, depois da onda de atropelamentos a ciclistas”


Por: Miguel Marques

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O diretor-desportivo da Efapel Cycling alertou para o aumento preocupante de incidentes envolvendo ciclistas e veículos nas estradas, depois de Joaquim Silva ter sido ontem atropelado. José Azevedo considera que a situação começa a atingir níveis alarmantes e defende a aplicação de sanções mais duras para os condutores responsáveis por este tipo de acidentes.

"Num espaço de seis dias, tivemos cinco corredores envolvidos em situações de acidentes com veículos. Mas não somos só nós [...], isto é algo que tem vindo a ocorrer com alguma frequência nas estradas, ciclistas atropelados, e eu acho que isto se deve, essencialmente, a falta de respeito por parte dos condutores", afirmou José Azevedo, em declarações à agência Lusa, recolhidas pelo Jornal Record.

Uma das principais referências da equipa portuguesa, Joaquim Silva foi transportado para o Hospital de São João, onde realizou diversos exames médicos após o incidente.

"Não tem fraturas, felizmente, mas deixa sempre mazelas. Sei que tem várias feridas no corpo, e é sempre a parte psicológica também que é afetada", detalhou o diretor-desportivo.

O ciclista natural de Penafiel, de 33 anos, foi apenas o mais recente caso numa sequência de incidentes que têm afetado atletas de vários escalões da formação laranja. O episódio mais grave ocorreu no Prémio Cidade de Fafe, prova que marcou no sábado o arranque da temporada nacional de estrada para o escalão júnior.

Nesse dia, dois jovens corredores, Gonçalo Carvalho e David Luta, foram atropelados durante a corrida.

"Ia um grupo de 15, 20 miúdos e, ali uns 40 segundos atrás, vinham quatro miúdos que descolaram e vinham a tentar ainda encostar. Vinham em descida, a aproximar-se da meta, e houve um carro que, quando passaram os primeiros, arrancou. E os miúdos entraram na curva e bateram de frente", descreveu Azevedo.

Entre os mais afetados esteve David Luta, que sofreu uma fratura na órbita ocular, tal como João Lazarini, da Landeiro KTM ACR Roriz. Ambos já receberam alta hospitalar e encontram-se em casa.

Para o responsável da Efapel, os episódios recentes evidenciam um problema crescente nas estradas portuguesas.

"Começa a ser alarmante, começa a ser preocupante essa falta de respeito, de sensibilidade, de consciência. Começa a tornar isto bastante perigoso para quem anda de bicicleta, não é só para os nossos ciclistas da Efapel, nem só para quem é ciclista profissional ou pratica ciclismo, mas para as pessoas que gostam de andar de bicicleta", alertou.

Segundo Azevedo, a falta de respeito estende-se inclusive às indicações das autoridades. No domingo, a Guarda Nacional Republicana, através da sua Unidade Nacional de Trânsito, apelou publicamente ao cumprimento das regras de segurança durante as provas de ciclismo.

"É virem as motos da GNR dar indicações para o trânsito estar parado, e as pessoas não obedecerem. Em algumas provas que eu faço com os profissionais, [...] muitas vezes ainda vai a caravana a passar e alguns carros que deveriam estar parados já estão a arrancar em sentido contrário", relatou.

Horas antes, em declarações ao Sobrwatts, Azevedo partilhou a dura realidade de como os próprios familiares vivem em angústia até verem os filhos cortarem a linha de meta: "Eu começo a ficar muito preocupado (...), quando estamos na linha de meta, praticamente todos os pais dos miúdos, a maior preocupação dos pais não é que lugar o filho vai chegar, estão na ansiedade de ver o filho cortar a meta, porque sabem os perigos que correm".

A mentalidade das pessoas também não é a correta e o diretor fez questão de o exemplificar no mesmo fórum: "Eu fui ver a prova (referindo-se à corrida de juniores) e num local que havia um cruzamento numa estrada nacional, estava-se a ver os miúdos nessa reta de 300/400 metros, mais grupos a vir e as pessoas a arrancar. Arrancar a ver que vinham mais corredores em sentido contrário, havia pessoas a dizer 'Pare que estão a vir aí miúdos', mas não paravam, inclusive um respondeu 'Eu moro ali à frente'".

Tirou uma conclusão mais impactante, referindo que, atualmente, há uma grande falta de respeito para com as autoridades "As pessoas parece que já não respeitam a polícia. Mesmo que se diga 'Epá até nem gosto de ciclismo, estou aqui a apanhar uma seca de 10 minutos', mas a estrada é para todos", recordou.

Na opinião do antigo ciclista profissional, as campanhas de sensibilização já não são suficientes para travar este tipo de comportamentos numa sociedade cada vez mais apressada e distraída, muitas vezes devido ao uso do telemóvel.

"E quando há este tipo de acidente, que se consegue ver a falta de respeito à autoridade, ou um ciclista é atropelado e é notória a falta de cuidado por parte do condutor, eu acho que aqui as penas têm que ser pesadas. Não é como é agora; pagam 500 euros de multa e o resto é o seguro que trata", destacou.

José Azevedo defende mesmo medidas mais severas, como a retirada da carta de condução por períodos prolongados e a aplicação de coimas mais elevadas, uma posição semelhante à tomada pela Efapel num comunicado divulgado ontem.

A seu ver, apenas sanções mais duras poderão levar os condutores a refletir sobre o risco das suas ações e a respeitar verdadeiramente quem partilha a estrada sobre duas rodas.

 

ATUALIZAÇÃO

 

O próprio Joaquim Silva, o mais recente visado num incidente deste tipo, veio reagir esta tarde, nas redes sociais: "Bom dia. Antes de mais, obrigado a todos que ontem enviaram mensagem de apoio e preocupação.

Infelizmente vivemos e lidamos todos os dias com muitos sustos no trânsito, com muita incompreensão, com muita irresponsabilidade e com muita agressividade.

Por vezes o sentido de superioridade do condutor perante o ciclista é tão grande que se esquecem que é uma vida humana que vai em cima da bicicleta. Um pai, um filho, um marido, alguém com família, gente que se preocupa e que se encontra à espera deles em casa.Ninguém é mais que ninguém, quer vá de carro, quer vá de motociclo, trotinete, a pé, a treinar de bicicleta ou simplesmente a desfrutar da mesma. Ninguém tem mais direito de ocupar a estrada do que o outro...

O planeta é de todos embora muitos o queiram destruir.Ontem aconteceu me a mim, mas tem acontecido com cada vez mais frequência. Nós últimos 6/7 dias só na nossa equipa foram 5 atletas atropelados. Enquanto não houver mão pesada para os infractores nada vai mudar.Felizmente, não tenho nada fraturado, mas tenho a chapa e pintura toda feita num oito.... Resta recuperar e dentro de uns dias penso estar apto para voltar á estrada.

Obrigado a todos pelas mensagens de carinho e força.@efapelcycling

“Ciclismo caminha para rastreio obrigatório por GPS após novas preocupações de segurança, com a UCI a alertar para um “perigo fundamental”


Por: Miguel Marques

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O impulso do ciclismo rumo ao rastreio obrigatório por GPS deu um passo significativo, mas a sua força não surgiu isoladamente. Foi moldada por uma série de incidentes que expuseram uma vulnerabilidade persistente na modalidade. Quando um corredor sai da estrada, a deteção nem sempre é imediata.

Essa realidade ficou em evidência no Campeonato do Mundo de Estrada de 2024, em Zurique, onde Muriel Furrer caiu na prova de fundo de juniores femininas e foi depois encontrada inconsciente fora do percurso. Morreu no dia seguinte. Embora as investigações não tenham estabelecido de forma definitiva que um eventual atraso na sua localização tenha causado a morte, as circunstâncias levantaram questões urgentes sobre a rapidez com que os corredores podem ser encontrados após desaparecerem de vista.

Mais recentemente, o tema voltou à tona no Tour de la Provence. Soren Kragh Andersen, da Lidl-Trek, caiu na etapa inaugural após atacar em descida, mas o pelotão assumiu inicialmente que tinha seguido em frente. No podcast Forhjulslir, o colega de equipa Mattias Norsgaard descreveu como demorou até a equipa perceber o que acontecera, dizendo que houve “uma hora e meia até sabermos que o Soren Kragh Andersen tinha caído”.

Dois incidentes, desfechos diferentes, mas a mesma preocupação de fundo.

 

UCI delineia caminho para o rastreio obrigatório

 

Neste contexto, a UCI fez avançar a discussão.

Segundo noticiado pela Domestique, o presidente da UCI, David Lappartient, escreveu a equipas, organizadores e representantes dos corredores para iniciar a próxima fase de implementação do rastreio por GPS, com a expectativa de que estes sistemas se tornem, a prazo, obrigatórios em todo o ciclismo profissional.

O organismo pediu aos intervenientes propostas que cubram aspetos técnicos e operacionais, com prazo até ao final de abril. Embora o processo seja apresentado como colaborativo, a direção é clara. Se não houver uma solução amplamente consensual, a UCI está preparada para definir o sistema e impor a sua adoção.

Crucialmente, a federação qualificou o risco de um corredor sair do percurso sem ser detetado como um “perigo fundamental” no atual ambiente de corrida.

Esta formulação reflete uma mudança de perspetiva. O que antes era debatido como um potencial aprimoramento surge agora como requisito central de segurança.

 

De um debate irresoluto a uma pressão crescente

 

O caminho até aqui não foi linear. As tentativas de introduzir sistemas de rastreio estagnaram no passado devido a divergências sobre implementação, governação de dados e controlo. Essa tensão tornou-se pública na Volta à Romandia Feminina, onde várias equipas foram desclassificadas na sequência de uma disputa sobre o uso de dispositivos de rastreio durante a corrida.

Em paralelo, partes da tecnologia já estão em utilização, fornecendo dados de localização em tempo real e alertas em eventos selecionados. A questão deixou de ser se os sistemas funcionam, para passar a ser como aplicá-los de forma consistente em todo o pelotão.

Incidentes recentes acrescentaram urgência a esta discussão.

Quando um corredor desaparece de vista numa descida ou sai da estrada fora do alcance da caravana, o tempo para identificar a situação e responder torna-se crítico. É esta lacuna que o rastreio por GPS pretende colmatar.

 

Uma solução ainda em definição

 

Apesar do tom mais assertivo da UCI, a implementação total ainda está distante.

A fase atual é de consulta, com múltiplos sistemas e abordagens em avaliação. Um quadro aberto, permitindo a diferentes fornecedores operar dentro de normas definidas, é uma possibilidade, mas subsistem dúvidas sobre como gerir e impor o sistema em todos os níveis competitivos.

O que é claro é que o debate evoluiu. A morte de Furrer em Zurique obrigou o ciclismo a encarar uma questão difícil. A Provença mostrou que o problema de base não desapareceu. Agora, a modalidade aproxima-se de uma solução.

Se essa solução será alcançada de forma colaborativa, ou imposta em última instância, definirá a próxima fase da evolução contínua da segurança no ciclismo.

“Resultados Milão - Turim 2026: Poderoso Tom Pidcock vence à frente de Johannessen e Roglic com ataque no quilómetro final”


Por: Miguel Marques

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Tom Pidcock disparou nos últimos metros para vencer a Milão - Turim 2026, escolhendo o momento perfeito nas rampas íngremes de Superga após um final implacavelmente agressivo.

O britânico atacou a cerca de 600 metros da meta, a partir de um grupo reduzido, abrindo de imediato um fosso que ninguém conseguiu fechar. Tobias Halland Johannessen foi o mais forte na perseguição e garantiu o segundo lugar, enquanto Primoz Roglic teve de contentar-se com o terceiro após assumir grande parte da seleção inicial.

 

Agressividade inicial prepara o duelo em Superga

 

A corrida ficou definida muito antes do movimento decisivo, com uma fuga de seis elementos a controlar os primeiros quilómetros, antes de ser gradualmente anulada por um esforço combinado da Pinarello Q36.5 Pro Cycling Team, Red Bull - BORA - hansgrohe e UAE Team Emirates - XRG.

À aproximação da primeira passagem por Superga, o ritmo disparou. Roglic acelerou nas rampas mais duras, provocando uma seleção imediata e reduzindo o pelotão a um pequeno grupo de candidatos.

Mesmo antes da subida final, a corrida já se fragmentava. Pidcock e Cian Uijtdebroeks lançaram movimentos agressivos na fase de transição, procurando evitar um final controlado.

 

Ataque de Boichis e contra-ataques esticam a corrida

 

A ofensiva continuou com Adrien Boichis a atacar para se isolar, dando por momentos à Red Bull - BORA - Hansgrohe uma vantagem tática com Roglic e Pellizzari a resguardarem-se no grupo perseguidor. Atrás, a corrida manteve-se instável. Os contra-ataques sucederam-se, com Pidcock e Uijtdebroeks novamente entre os mais ativos na tentativa de fazer a ponte.

Boichis foi apanhado pouco antes da última ascensão, mas o dano estava feito. A corrida ficou reduzida a um pequeno núcleo de favoritos sob pressão constante.

 

Grupo de elite forma-se sob acelerações repetidas

 

Na subida final, as mudanças de ritmo foram afinando gradualmente o grupo dianteiro. Roglic continuou a testar os rivais com novas acelerações, enquanto a Movistar assumiu brevemente o controlo através dos gregários para estabilizar o andamento em favor de Uijtdebroeks.

Dentro dos últimos dois quilómetros, a corrida fragmentou-se novamente num grupo selecionado com Pidcock, Roglic, Johannessen e Uijtdebroeks, enquanto outros, como Giulio Pellizzari, perderam contacto perante a pressão contínua.

 

A decisão chega com o timing perfeito

 

Com o grupo reduzido e o ritmo já elevado, o movimento decisivo chegou tarde. Roglic aumentou a cadência dentro do último quilómetro e Uijtdebroeks respondeu com novo ataque, mas nenhuma das ações abriu espaço.

Foi Pidcock quem escolheu melhor o momento. Lançou o esforço a cerca de 600 metros da meta, ganhou imediatamente terreno na inclinação mais severa e não mais olhou para trás.

Johannessen limitou as perdas e assegurou o segundo posto, enquanto Roglic, depois de moldar grande parte da corrida, não teve resposta para a aceleração final e foi terceiro.

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
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