domingo, 19 de julho de 2026

“Testes antidoping de madrugada geram indignação no Tour de France e abalam favoritos”


Por: José Morais

Os líderes do Tour de França viveram uma madrugada inesperada e tensa. Jonas Vingegaard e Tadej Pogacar, protagonistas da luta pelo título, foram submetidos a controlos antidoping em horários improváveis um às duas da manhã, outro às cinco numa operação que deixou ambas as equipas revoltadas pela perturbação do descanso em plena fase decisiva da prova.

 

Noite interrompida para os dois principais candidatos ao título

 

De acordo com o jornal Le Parisien, Jonas Vingegaard foi surpreendido por agentes antidoping por volta das 2h00, enquanto Tadej Pogacar recebeu a visita às 5h00. O esloveno, que costuma adormecer tarde, admitiu que não conseguiu voltar a dormir antes da etapa seguinte, uma das mais exigentes do Tour.

“Alguém bateu à minha porta às duas da manhã. Fiquei muito surpreendido. Os testes são necessários, mas quando começam a afetar o sono e o desempenho…”, lamentou Vingegaard aos jornalistas da Eurosport.

 

Pogacar também não escondeu o desconforto:

 

“Dormi quatro horas. Fui examinado às cinco da manhã. Normalmente fazem isto de manhã, mas desta vez escolheram a noite. Acabei por ouvir músicas do Eminem para passar o tempo.”

 

Regulamento permite, mas timing irrita equipas

 

Os controlos noturnos são autorizados desde 2016, podendo ser realizados entre as 23h00 e as 6h00. Ainda assim, tanto a UAE Team Emirates como a Visma-Lease a Bike consideram que acordar os dois principais candidatos ao título no meio das montanhas compromete a recuperação física num momento crucial da competição.

As equipas sublinham que não existe qualquer suspeita sobre os ciclistas trata-se de procedimentos rotineiros, mas criticam a escolha do horário, sobretudo na véspera de uma etapa determinante.

 

Pressão máxima antes de um dia decisivo

 

Com o Tour de France ao rubro e diferenças mínimas entre os líderes, cada detalhe conta. A interrupção do descanso de Pogacar e Vingegaard reacende o debate sobre o equilíbrio entre rigor antidoping e proteção do rendimento dos atletas.

“Explosão no Tour: Remco Evenepoel brilha no caos que derrubou o duelo Pogacar‑Vingegaard”


Por: José Morais

O essencial: Remco Evenepoel transformou o Planalto de Solaison num palco de redenção, vencendo uma etapa marcada por polémica, tensão e um abandono que abalou o Tour. Jonas Vingegaard, vítima de uma queda violenta, deixou a corrida e encerrou abruptamente o duelo que vinha definindo a era moderna do ciclismo. Tadej Pogacar, sem necessidade de atacar, controlou tudo e abriu caminho para Isaac del Toro subir na geral.

 

O despertar que ninguém queria

 

As primeiras horas do dia foram um choque para os dois gigantes do Tour. Entre as 02h00 e as 05h00, agentes antidoping bateram à porta de Pogacar e Vingegaard, interrompendo o descanso numa das jornadas mais duras da edição.

As equipas UAE Team Emirates e Visma reagiram com indignação: num Tour decidido ao milímetro, tirar horas de sono aos líderes é quase mexer no resultado.

A polémica dos “vampiros” dominou a manhã até ser engolida por algo muito mais grave.

 

Uma etapa que virou tempestade

 

Os 183,9 km entre Champagnole e o Planalto de Solaison começaram com ataques incessantes. Só depois de muita luta surgiu uma fuga de 24 ciclistas, com nomes de peso como Carapaz, Pidcock, Bernal, Rubio e Balderstone.

A UAE deixou a vantagem crescer, mas sempre com Adam Yates a controlar. A Visma, por sua vez, montou uma operação de desgaste perfeita: seis homens a trabalhar para Vingegaard, ritmo infernal e a promessa de um duelo épico na subida final.

Parecia tudo alinhado para o grande confronto.

 

O plano da Visma desmorona

 

A cerca de 20 km da meta, numa rotunda, o Tour mudou de rumo.

Vingegaard caiu com violência, ficou no chão a agarrar o ombro e não voltou a montar a bicicleta. Pouco depois, era evacuado de ambulância. O pelotão congelou. A Visma, que preparara a etapa inteira para o ataque decisivo, ficou sem líder.

O Tour perdeu o seu antagonista principal.

O duelo PogacarVingegaard terminou ali.

 

Solaison decide quem sobe ao pódio

 

Com Quinn Simmons ainda isolado na frente, o grupo dos favoritos entrou na subida final 11,3 km a 9% com a Red Bull a assumir o comando.

Yates voltou ao serviço de Pogacar e Del Toro.

A UAE tinha um plano: controlar a etapa e colocar Del Toro no pódio da geral.

Pogacar acelerou a sete quilómetros do topo, não para atacar, mas para selecionar o grupo. Ayuso cedeu, Carapaz perdeu contacto, Skjelmose ficou para trás.

Só Evenepoel resistiu.

 

Evenepoel muda tudo

 

Com Vingegaard fora, Evenepoel percebeu que o Tour acabara de abrir uma porta inesperada. Precisava ganhar tempo a Seixas e não hesitou em colaborar com Pogacar e Del Toro.

A UAE tentou jogar com a superioridade numérica, mas o belga não se deixou encurralar.

No último quilómetro, Del Toro atacou Evenepoel respondeu, fechou o movimento e ainda teve força para vencer a etapa.

O belga destruiu o plano da UAE e assinou uma das vitórias mais marcantes da edição.

 

O que fica deste dia brutal

 

Evenepoel vence e reforça a posição na geral.

Del Toro confirma que é candidato real ao pódio.

Seixas mantém-se entre os melhores.

Ayuso volta a fraquejar no momento decisivo.

Simmons quase concretiza uma façanha memorável.

Visma sai destroçada e sem líder.

Pogacar não ganha a etapa, mas ganha o Tour: controla tudo e todos, e perde o único rival capaz de o ameaçar.

Foi um dia cruel, intenso e histórico.

Começou com batidas à porta de madrugada e terminou com Evenepoel a erguer os braços e Vingegaard a abandonar numa ambulância.

O Tour segue.

O duelo eterno, esse, acabou.

“Ana Santos e Ricardo Marinheiro festejam dobradinha no Campeonato Nacional de XCO”


Fotos: Rodrigo Rodrigues / FPC

Ricardo Marinheiro (Clube BTT Matosinhos) e Ana Santos (Cannondale Factory Racing) conquistaram, este domingo, os títulos de Campeões Nacionais de cross-country olímpico (XCO), no Fundão. Depois de terem vencido também o Campeonato Nacional de XCC no sábado, os dois atletas encerraram o fim de semana com uma dobradinha nos Campeonatos Nacionais.

Na prova feminina, Ana Santos impôs-se com autoridade, tendo completado o percurso em 1h44m12s. Raquel Queirós (SPAC), campeã nacional em título, terminou no segundo lugar, a 3m07s, enquanto Joana Monteiro foi terceira classificada, a 9m44s da vencedora.


Já na corrida masculina, Ricardo Marinheiro conquistou a camisola de Campeão Nacional após concluir a prova em 1h29m59s. João Cruz (SCOTT Portugal JCC Racing Team) assegurou o segundo lugar, a 1m30s, e Gonçalo Amado (Guilhabreu MTB Team) completou o pódio, a 3m17s.

Entre os sub-23, Beatriz Guerra (Guilhabreu MTB Team) voltou a confirmar o favoritismo ao conquistar o título nacional feminino, superando Beatriz Sousa (24horas Altimetria | ONTRACK) e Catarina Espada (Escola de Ciclismo de Oeiras/Parracho). Nos masculinos, João Fonseca (Clube BTT Matosinhos) foi o mais forte, tendo batido Tomás Pais (Escola de Ciclismo de Oeiras/Parracho) e Rodrigo Araújo (Clube BTT Matosinhos).


Nas categorias de formação, Hugo Ramalho (Guilhabreu MTB Team) e Maria Coimbra (Guilhabreu MTB Team) conquistaram os títulos nacionais de sub-19. Em sub-17, os Campeões Nacionais foram Afonso Barros (BTT Loulé / Elevis) e Dalila Sá (Clube BTT Matosinhos). Já na categoria de paraciclismo, Ricardo Mendes (SAERTEX Portugal / CRIAZinvent) foi o vencedor.

Em masters, Ana Machado (Bombos S. Sebastião/Bolflex/ElectroMinho) e Rui Carvalho (Clube de Ciclismo de Castelo Branco) triunfaram em M30, Ângela Gonçalves (SAERTEX Portugal / CRIAZinvent) e Rúben Nunes (AXPO / FirstBike Team / Vila do Conde) em M40, Marisa Costa (Korpo Activo / Penacova) e Hugo Velho (Vasconha BTT Vouzela) em M50, Adelino Cruz (CDASJ/Cyclin'Team/Município Albufeira) em M60 e Carlos Correia (BTT Loulé / Elevis) em M70.

Destaque ainda para a classificação coletiva, na qual o Clube BTT Matosinhos levou a melhor, terminando na frente da Guilhabreu MTB Team e da Escola de Ciclismo de Oeiras/Parracho.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

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