quinta-feira, 2 de julho de 2026

“Chris Froome põe fim à carreira: o adeus silencioso de um gigante que nunca voltou a ser o mesmo”


Por: José Morais

O ciclismo despede-se de uma das suas figuras mais marcantes do século XXI. Chris Froome, quatro vezes vencedor do Tour de França e dono de um currículo que inclui também dois triunfos na Vuelta e um no Giro, confirmou aos 40 anos que não voltará ao pelotão profissional. A decisão encerra uma carreira brilhante, profundamente condicionada pela queda devastadora que sofreu em 2019, quando ainda era considerado o melhor corredor de grandes voltas da sua geração.

O anúncio, há muito antecipado, surgiu de forma quase casual. Durante um evento da Skoda, em Barcelona, na véspera do arranque da Volta a França, o britânico foi questionado pelo portal Sporza sobre o futuro. Froome limitou-se a responder com um “sim”, admitindo que a carreira tinha chegado ao fim. Depois, explicou que a queda sofrida num treino em agosto de 2025 que o afastou das competições e precipitou várias cirurgias apenas confirmou aquilo que já sentia: “Não era assim que queria terminar, mas naquele momento percebi que estava acabado.”

Durante meses, Froome evitou abordar o tema. Em dezembro, na apresentação da Vuelta em Monte Carlo, tinha garantido que ainda não estava pronto para falar sobre o futuro. O contrato com a Israel-Premier Tech terminara no final de 2025, mas a última temporada ficou irremediavelmente marcada pelas lesões que o impediram de competir.

A carreira do ciclista nascido no Quénia começou em 2008, na Barloworld, antes de ingressar na Team Sky, onde se tornaria uma das maiores referências da modalidade. O segundo lugar na Vuelta de 2011 convertido mais tarde em vitória após a desclassificação de Juan José Cobo foi o primeiro sinal de que estava a nascer um campeão de grandes voltas.

Em 2012, Froome foi segundo no Tour, atrás de Bradley Wiggins, mas já demonstrava ser o mais forte na montanha. No ano seguinte, assumiu a liderança da Sky e conquistou a primeira camisola amarela. Seguiram-se os triunfos de 2015, 2016 e 2017, além da Vuelta de 2017 e do Giro de 2018, onde protagonizou o célebre ataque de longa distância no Colle delle Finestre. Com essas vitórias, tornou-se um dos raros ciclistas a vencer as três grandes voltas.

A queda no Critérium du Dauphiné, em 2019, mudou tudo. Froome regressou ao pelotão em 2020, mas nunca recuperou o nível que o tornara dominante. A transferência para a Israel Start-Up Nation trouxe esperança, mas apenas um terceiro lugar no Alpe d’Huez, no Tour de 2022, se destacou numa fase final marcada pela luta contra o tempo e contra o corpo.

Agora, o britânico despede-se discretamente, deixando para trás uma carreira que, apesar de interrompida antes do desejado, permanece entre as mais impressionantes da história do ciclismo moderno.

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