Por: Miguel Marques
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Marlen Reusser assinou um
notável regresso vitorioso à competição na Dwars door Vlaanderen, batendo Demi
Vollering por escassos centímetros após um final caótico e quase um colapso
auto infligido nos quilómetros decisivos.
A suíça, que apenas alinhou
pela quinta vez esta época depois de uma lesão ter condicionado o arranque da
sua campanha, triunfou numa fuga a duas que parecia controlada até a hesitação
e o jogo tático quase oferecerem a vitória ao pelotão.
Quando o duo abrandou no
último quilómetro, Lieke Nooijen saiu do pelotão e transformou por instantes o
desfecho numa disputa a três, expondo o quão perto a jogada esteve de ruir por
completo.
“Na verdade, estou um pouco
surpreendida. Não esperava que fosse assim. Estou muito feliz”, admitiu Reusser
na entrevista pós-corrida.
Do
controlo ao caos no final
A movimentação decisiva
formou-se dentro dos últimos 20 quilómetros, quando Vollering fechou o espaço
até Reusser, criando uma dupla perigosa que rapidamente cavou diferença sobre
uma perseguição fragmentada.
Atrás, a UAE Team ADQ assumiu
a responsabilidade, com Elisa Longo Borghini a impor o ritmo para Eleonora
Gasparrini, enquanto a SD Worx-Protime se refugiava na superioridade numérica
através de Lotte Kopecky, Mischa Bredewold e Julia Kopecky para não trabalhar.
Apesar dessa vantagem coletiva, a falta de coesão na perseguição permitiu ao
duo da frente ampliar a margem.
Ainda assim, a fuga esteve
longe de ser linear. Reusser reconheceu que sofreu no início, sobretudo na
colocação, antes de ganhar ritmo à medida que o final se aproximava. “No começo
da corrida, senti: ‘Ahh.’ Tive mesmo dificuldades na colocação e assim, mas
mantive a confiança para ajudar toda a equipa, porque acho que temos uma equipa
super forte”, explicou.
Essa confiança transportou-se
para a fase decisiva, onde a tática pesou tanto como as pernas. “Acho que foi
mesmo chave ter a Cat Ferguson atrás, porque sabia que não tinha de estar
sempre a puxar”, disse Reusser. “Disse à Demi: ‘Fico na roda.’ Depois foi
ideal, porque ela teve de ir, e eu consegui seguir durante bastante tempo”.
Quase
deitar tudo a perder antes do sprint
Essa abordagem, porém,
contribuiu para um último quilómetro tenso e desgarrado. Com ambas a hesitar e
relutantes em assumir por completo, a vantagem encolheu rapidamente quando
Lieke Nooijen atacou do pelotão e fechou o espaço.
Por um momento, pareceu que a
vitória podia escapar totalmente, com a corrida a recompor-se por instantes.
“Fiquei tipo, ‘Mas que…’,” recordou Reusser, entre risos, ao rever o momento em
que o perigo se tornou evidente.
Mas o gasto para fazer a ponte
deixou Nooijen sem a aceleração final para discutir o triunfo. Com a estrada a
empinar até à meta em Waregem, o sprint decidiu-se entre as duas da frente.
Apesar da reputação de
Vollering como finalizadora mais rápida, Reusser acertou no tempo, passou nos
metros finais e garantiu uma vitória por margem mínima. “Tive muita sorte no
sprint”, reconheceu. “Acho que foi bom poder ficar tanto tempo na roda”.
Nooijen segurou o terceiro
lugar após o seu esforço tardio, completando um pódio moldado tanto pela
hesitação como pela força nos quilómetros finais.

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