Por: Letícia Martins
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A Team SD Worx - Protime
contou durante muito tempo com Demi Vollering, Lotte Kopecky e Lorena Wiebes no
auge a liderarem a formação. Para lá dos atritos internos, Vollering procurava
continuar a evoluir apesar do domínio absoluto da equipa na modalidade, e isso
foi parte da razão pela qual saiu.
“Sentia que tínhamos batido
numa parede. Perguntava muitas vezes ‘qual é o plano para sermos ainda mais
bem-sucedidas?’ E a resposta da equipa era ‘porquê? Somos a melhor equipa
feminina do mundo.’ Mas para mim isso não chegava. Queria dar os passos seguintes”,
disse Vollering em entrevista ao AD.
Outros episódios também
conduziram ao desgaste da relação, com destaque para a Volta a França Feminina
2024, que a neerlandesa perdeu por escassos segundos; depois de ceder tempo
importante numa etapa acidentada, sem apoio da equipa após uma queda.
Foi uma situação difícil de
gerir, mas sempre possível numa equipa com tantas ciclistas capazes de vencer e
com ambições próprias. “Esperavam de mim uma certa imagem, que eu fosse muito
fria”, explicou.
“A Lotte Kopecky e a Anna van
der Breggen são personalidades muito diferentes da minha. Tudo bem, mas eu não
queria deixar de ser quem sou. Pensei: talvez noutro lado consiga ser mais eu
própria.”
Pesadelos
durante a Volta a Espanha Feminina
Ela também fala abertamente
sobre as suas lutas, como aconteceu no ano passado durante a Volta a Espanha
Feminina. “Mesmo antes de partir para Espanha, visitei alguém próximo que
estava num estado muito mau. Durante a Vuelta tive pesadelos”, revela.
“Preocupava-me imenso com essa
pessoa, e numa corrida por etapas não há tempo nenhum para lidar com isso.
Consegui continuar a render, consegui continuar a ganhar. Mas fez-me pensar na
força mental. Vencio corridas porque sou forte mentalmente, mas há pessoas que
lutam tanto consigo próprias que simplesmente deixam de conseguir ganhar.
Pensei ‘sou a líder, não posso mostrar emoção’, mas na verdade isso também é
força.”
É uma viagem de navegação
pelos muitos altos e baixos de ser ciclista profissional, sobretudo no topo,
sempre sob enorme pressão para performar, tanto dela própria como da equipa e
dos patrocinadores que dependem dos seus resultados e exposição.
No fim de contas, Vollering
decidiu não tentar passar a imagem de pessoa fria. “Eu sou assim, aceitem ou
não. Como atletas de elite fazemos imenso trabalho físico, mas no final a
componente mental é a maior parte. Se aqui em cima algo não está bem, os resultados
nunca aparecem.”
Isso mudou de forma
significativa após a sua transferência para a FDJ United-SUEZ, onde conseguiu
ser mais plenamente ela própria, contribuindo para maior estabilidade e
consistência.
“Quando aquela reunião online
(a primeira com a equipa antes de assinar, ed.) terminou, fechei o portátil e
senti imediatamente aquela faísca. Aquela felicidade. De repente tinha um
grande sorriso na cara e nem sabia bem de onde vinha. Mas soube: é isto. Era a
intuição que procurava e que não tinha encontrado noutras equipas. Fiquei tão
feliz por ter esperado.”

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