segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

“Cometeu um erro em Florença? Não” Joaquim Rodríguez sobre ter perdido o título mundial de 2013 para Rui Costa”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/cometeu-um-erro-em-florenca-nao-joaquim-rodriguez-sobre-ter-perdido-o-titulo-mundial-de-2013-para-rui-costa

 

O Campeonato do Mundo de Florença de 2013 continua a ser uma corrida que não se explica com uma única imagem. Não basta rever o final ou isolar o último movimento decisivo. Joaquim Rodríguez analisou, no seu canal de YouTube, a prova que marcou parte da sua carreira, dissecando um Mundial que, para si, ficou decidido muito antes da fase final. Uma corrida em que Rui Costa acabou por superar o catalão e Alejandro Valverde com inteligência tática.

O ‘Purito’ insiste que uma corrida assim tem de ser entendida como um todo. Não começa na última subida nem se decide apenas com a aceleração final. Começa no quilómetro zero, quando o pelotão ainda está compacto, mas a batalha invisível já começou.

“As pessoas precisam de contexto. Para mim, a corrida divide-se em três zonas”. Desde o início, o catalão sublinha um ponto-chave: a colocação. Num Mundial, explica, não se pode correr ao acaso se és um dos marcados. Cada metro mal colocado paga-se mais tarde, quando já não há espaço para recuperar.

“Se és líder, tens de estar bem colocado para evitar o chicote, para prevenir cortes, para não teres de perseguir demasiado, sobretudo no início, porque tens de guardar muito para o final”.

Os quilómetros iniciais não são mera formalidade. São terreno de controlo constante, onde as seleções se testam sem mostrarem todas as cartas. É quando se forma a fuga e, com ela, uma das decisões mais importantes do dia.

“Por volta do quilómetro 15, 20, 25 costuma sair a fuga”. Aí começa o equilíbrio delicado entre as equipas que querem ganhar o Mundial. Não se trata só de deixar sair, mas de ver quem vai na frente. Purito explica a partir da perspetiva de quem alinhou muitas vezes como favorito.

 

Equilíbrios para vencer um Mundial

 

“Tentas evitar que outra equipa com ambição, a Liquigas com o Vincenzo no nosso caso, o Valverde com a Movistar, meta alguém na fuga, porque caso contrário és tu que ficas obrigado a trabalhar”.

Colocar um corredor na frente não é um gesto menor. É um investimento para mais tarde. Se não o fazes, assumes um encargo de trabalho que, numa corrida tão longa e dura, pode ser decisivo. “Ou se metes alguém lá, poupas trabalho no final. Neste caso, não metemos ninguém”.

Esse detalhe molda a narrativa do Mundial. A partir daí, a corrida entra numa segunda fase, em que o terreno começa a doer e a margem de erro desaparece. “Depois esperas pela segunda parte, que costuma ser numa zona muito dura. A cem da meta, uma zona muito dura”.

Florença não ofereceu descanso, com um circuito que tinha duas subidas exigentes e muita chuva, tornando também as descidas perigosas. O percurso estreitava quando ainda faltava muito, obrigando a gastar energia antes do previsto. A dificuldade não estava só nos números, mas na tensão constante para manter a posição.

“Muito dura e com uma luta stressante para entrar ali, pelas razões de que falamos sempre”. Nessa altura, Purito desenha um quadro que mostra como a corrida se rarefez. Um olhar rápido em redor, uma fotografia do grupo da frente, e a sensação de que muitos favoritos já estavam fora de posição.

“Chegámos lá os da Katusha e eu olhei para os vinte primeiros, estávamos lá os nossos oito, e não via líderes à minha volta. E continuei a olhar e a pensar ‘bolas, este já foi, aquele também’”.

O ritmo imposto cedo transformou o Mundial numa corrida sem pausas. Não houve tempo para reorganizar ou recuperar o que se perdeu. Tudo aconteceu demasiado depressa. “Foi um dia bastante rápido. Não tínhamos ninguém na fuga. E a fuga também não ia muito longe”.

 

O moedor de Florença

 

Cada um destes fatores acumulou fadiga, decisões forçadas e situações no fio da navalha. Florença tornou-se um teste de resistência em que o vencedor nem sempre é o mais forte, mas quem melhor gere o dia inteiro.

Com o tempo, o Mundial de 2013 foi analisado de todos os ângulos. Ainda assim, quando Purito é questionado diretamente sobre essa corrida, a resposta não deixa espaço para dúvidas ou arrependimentos públicos. “Cometeste um erro em Florença? Não”.

O espanhol atacou nos quilómetros finais, mas foi alcançado por Rui Costa. O incomum foi que, no pequeno grupo perseguidor, onde apenas Vincenzo Nibali os acompanhava, Alejandro Valverde não respondeu ao ataque de Costa na última zona plana.

Esse erro permitiu a Costa alcançar Rodríguez e depois sprintar para a vitória, enquanto Valverde foi terceiro ao sprint. O desastre tático da seleção espanhola colocou os dois no pódio, mas custou o triunfo em Florença.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
  • Diretor: José Manuel Cunha Morais
  • Subdiretor: Helena Ricardo Morais
  • Periodicidade: Diária
  • Registado: Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº: 125457
  • Proprietário e Editor: José Manuel Cunha Morais
  • Morada: Rua do Meirinha, 6 Mogos, 2625-608 Vialonga
  • Redacção: José Morais
  • Fotografia e Vídeo: José Morais, Helena Morais
  • Assistência direção, área informática: Hugo Morais
  • Sede de Redacção: Rua do Meirinha, 6 Mogos, 2625-608 Vialonga
  • Contactos: Telefone / Fax: 219525458 - Email: josemanuelmorais@sapo.pt noticiasdopedal@gmail.com - geral.revistanoticiasdopedal.com