Por: Miguel Marques
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A clavícula partida tornou-se
tão recorrente no ciclismo profissional que já se diz que, se nunca partiste
uma ao longo da carreira, não és um verdadeiro profissional. Mas será mesmo
impossível reduzir o risco nas quedas? Na Picnic PostNL, estuda-se minuciosamente
uma solução: airbags.
Ferramenta para amortecer
impactos severos, os airbags protegem condutores de automóveis e salvam vidas
há várias décadas. O ciclismo também é um desporto de alta velocidade, em que
as quedas, goste-se ou não, fazem parte da ação. Porém, os ciclistas sempre
estiveram protegidos apenas por fatos de tecido fino. A Picnic PostNL pretende
liderar a mudança.
O sistema inovador
desenvolvido pela Aerobag monta-se nas costas e integra um pequeno módulo
operativo e cartuchos de CO2. Quando dispara, o airbag protege as ancas,
costelas, clavículas e pescoço. A promessa é aumentar a segurança no pelotão. O
sistema foi recentemente apresentado na feira Velofollies.
Quinton van Loggerenberg,
responsável de desenvolvimento da Aerobag, afirmou: “A marca de vestuário
Nalini criou isto para a Team Picnic PostNL e é uma adotante precoce para nós.
Estão a colaborar connosco na próxima época, tornando-o mais amplamente disponível
ao público”.
No podcast In de Waaier, Piet
Rooijakkers, diretor de Investigação & Desenvolvimento da Team Picnic
PostNL, falou sobre o airbag e a sua eficácia real. “Não, provavelmente não vai
evitar uma clavícula partida”, explicou o ex-profissional, explicando de
imediato porquê e em que situações poderá falhar a missão:
“Talvez tenhamos de fazer
treino de queda para isso, porque se confiares no airbag e mantiveres os braços
juntos, então sim. Mas a maioria dos ciclistas estica as mãos à frente, o que
acaba por levar à fratura da clavícula na mesma. Se, a certo ponto, começarem a
pensar: esse airbag vai absorver o meu impacto, então é possível”.
Contudo, este sistema não foi
necessariamente concebido para impedir uma clavícula partida. “Uma clavícula
partida nunca arruinou a carreira de ninguém. É chato, mas partir a anca é mais
crítico. Uma costela recompõe-se facilmente, mas uma costela a perfurar o
pulmão é bem mais complicado”.
Idealmente, portanto, os
airbags não devem apenas cobrir as zonas mais expostas do corpo do ciclista,
mas oferecer uma proteção de corpo inteiro, sobretudo nas áreas críticas que
mais frequentemente deixam sequelas difíceis de superar.

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