quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

“CURIOSIDADES: CONHEÇA A DOENÇA DO SÉCULO 19 QUE IMPEDIA AS MULHERES DE ANDAR DE BICICLETA”


Por: José Morais

No final século 19, o uso da bicicleta como meio de transporte e de lazer já estava difundido em alguns países. As mulheres também foram cada vez mais aderindo à utilização do veículo de duas rodas, sendo que passou a ser um dos primeiros sinais de independência e feminismo.

Talvez por isso uma “doença” relacionada com o uso da bicicleta tenha misteriosamente surgido, fazendo com que elas se sentissem com receio de subir na bike novamente. A tal condição foi nomeada com algo como o “rosto de bicicleta”, que os médicos passaram a advertir que poderia acontecer com as moças ciclistas.

Mas o que era isso exatamente? Segundo os médicos da época, o excesso de força ao pedalar, a posição vertical em duas rodas e ainda o esforço inconsciente para manter o equilíbrio poderia produzir uma expressão fatigada e exausta nas mulheres: o tal “rosto de bicicleta”. E, percebam, essa condição era alertada mais em relação ao público feminino.


Essa descrição foi até documentada no periódico médico Literary Digest, em 1895, segundo relatou um artigo de Joseph Stromberg, do site Vox. Os especialistas daquele período ainda relataram que a condição deixava as mulheres coradas, mas às vezes pálidas, com os lábios ligeiramente deformados, olheiras e a expressão de cansaço.

Quer mais? A condição ainda foi descrita como se deixasse as mulheres com a mandíbula rígida e apertada e olhos esbugalhados. Será que tudo isso era um tipo de “recalque” masculino para as mulheres não se divertirem e se deslocarem mais com as suas bicicletas? Provavelmente, sim, sendo uma forma de eles cortarem as asinhas das moças que queria ser mais independentes.

 

A invenção de uma doença

 

Uma menção desta “doença” também apareceu em 1897 no periódico médico National Review, em que o médico britânico A. Shadwell advertiu sobre os perigos de andar de bicicleta, especialmente para as mulheres, descrevendo "o ciclismo como uma mania de moda tem sido experimentado por pessoas que não se adequam a exercê-lo".

Além disso, havia quem dizia que a condição era permanente, enquanto outros sustentavam que se a pessoa passasse um tempo longe da bicicleta os sintomas da doença diminuiriam. Entre os judeus, era ainda alertado que se andasse de bicicleta no domingo, era culpa e condenação na certa.

Talvez na época isso tenha aterrorizado muitas mulheres, mas obviamente, a doença da “cara de bicicleta” não era algo real, o que nos leva à questão: porque os médicos estavam tão preocupados com isso? Pressão dos maridos, dos pais e de toda uma sociedade?

Como falamos anteriormente, era sim mais ou menos isso. Em 1890, na Europa e na América do Norte, as bicicletas passaram a ser vistas por muitos como um instrumento do feminismo. O veículo dava mulheres maior mobilidade, além de uma redefinição da feminilidade, de atitude e até da moda. Para os homens, era apenas mais um “brinquedo”, mas para elas a bicicleta abriu um mundo novo cheio de perspectivas.

Como não poderia deixar de ser, principalmente naquela época, a reação de médicos e homens da sociedade não foi positiva e, por isso, criaram várias razões para dissuadir a mulherada, inventando que andar de bicicleta não fazia bem. Eles diziam que era muito desgastante e inadequado para elas.

Os médicos afirmavam ainda que o uso do veículo não só causava a doença do “rosto de bicicleta” como também gerava cansaço, insônia, palpitações, dores de cabeça e depressão. Porém, ainda em 1897, a médica Sarah Stevenson Hackett, de Chicago, afirmou que o ciclismo não era prejudicial e que, na verdade, melhorava a saúde.

Isso pode ter aliviado para algumas mulheres, mas provavelmente o mito da doença do “rosto de bicicleta” ainda tenha perdurado por muitos anos, fazendo com que elas ficassem com receio de pedalar.

“Red Bull - BORA - hansgrohe e Cofidis juntam-se ao pelotão da 4.ª Edição da Figueira Champions Classic / Casino Figueira”


Há mais duas confirmações para a 4.ª edição da Figueira Champions Classic / Casino Figueira, que contará com a presença da Red Bull - BORA - hansgrohe, formação do escalão máximo WorldTour, e da UCI ProTeam Cofidis, num claro sinal do crescimento internacional desta prova integrada no calendário UCI ProSeries. A competição realiza-se a 14 de fevereiro de 2026 e irá atravessar as 17 freguesias do Município da Figueira da Foz.

A Red Bull - BORA - hansgrohe, equipa oriunda da Alemanha, ocupa atualmente o 6.º lugar do ranking mundial. Com esta confirmação, passam a ser cinco as equipas WorldTour já garantidas na Figueira Champions Classic / Casino Figueira, antecipando-se uma estreia marcada por elevado nível competitivo e grande espetáculo.

Por sua vez, a sétima confirmação entre as Pro Teams chega de França. A Cofidis, atual 20.ª classificada do ranking mundial, regressa à Figueira da Foz, voltando a competir nas belas paisagens deste município. 


A organização recorda ainda que a prova contará com transmissão televisiva, através da Eurosport e da Sport TV, assegurando uma ampla cobertura do evento.

No dia seguinte à clássica, 15 de fevereiro de 2026, realiza-se o Granfondo Figueira Champions Day, evento destinado a ciclistas amadores que, em pleno período de Carnaval, animará a cidade da Figueira da Foz. A prova percorrerá parte do percurso dos profissionais e as inscrições encontram-se abertas no site oficial do evento - https://www.figueirachampionsclassic.com  

 

CONFIRMAÇÕES ATÉ AO MOMENTO 

12 equipas do pelotão internacional

 

World Tour: 

- Movistar Team (Espanha); 

- Lidl-Trek (Estados Unidos da América);

- NSN Cycling Team (Suiça);

- EF Education (Estados Unidos da América);

- Red Bull - BORA - hansgrohe (Alemanha).

 

Pro Teams:

- Caja Rural - Seguros RGA (Espanha); 

- Kern Pharma (Espanha); 

- Polti - VisitMalta (Itália); 

- Team TotalEnergies (França);

- Tudor Pro Cycling Team ( Suiça); 

- Euskaltel - Euskadi (Espanha); 

- Cofidis (França).

Fonte: Figueira Champions Classic

“Tadej Pogacar vai correr ciclocrosse na Bélgica este fim de semana? Organizadores de Gullegem tentaram torná-lo possível”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Este inverno de ciclocrosse podia ter tido um momento de destaque: os organizadores do Gullegem Cross, marcado para 03/01/2026, contactaram a gestão de Tadej Pogacar para o tentar trazer à corrida. Não resultou, mas pode acontecer no futuro.

No meio da segunda metade do bloco natalício, a prova da Superprestige surge encaixada entre vários eventos de alto nível. Isso significa, porém, que será uma das raras corridas deste período sem Mathieu van der Poel nem Wout van Aert. Um duro golpe para os organizadores.

Havia orçamento e, por isso, foi feita uma chamada a Alex Carera, agente de Tadej Pogacar, numa tentativa de garantir a grande surpresa à partida. “Começámos a procurar outra figura de cartaz para a nossa corrida de ciclocrosse. Um corredor mesmo muito bom, por assim dizer. Essa descrição encaixa em Tadej Pogacar”, explicou o organizador Stijn Tant à Sporza.

Embora pareça fora do comum, não seria um choque total: o esloveno correu na disciplina, foi campeão nacional nos escalões jovens antes de assinar pela UAE Team Emirates - XRG, e competiu pela última vez em dezembro de 2022, na Eslovénia.

Recentemente, o diretor desportivo da UCI, Peter van den Abeele, também defendeu que, se a equipa lhe desse luz verde, Pogacar gostaria de voltar a competir em ciclocrosse.

Pogacar gosta de introduzir variáveis no calendário para se manter fresco mentalmente, e não se pode descartar um regresso à disciplina no futuro. Mas isso não acontecerá para já.

“No fim, disseram-nos que não, porque Pogacar estaria ausente em estágio. Não encaixava no planeamento”, explicou Tant. “Pensámos que encontraríamos alguém representativo, ao nível de Tadej. Mas não chegámos a acordos concretos. Ainda assim, temos de acreditar”. Mas acrescentou também que “já estabelecemos contactos”.

Quanto ao evento, haverá uma grande after-party para atrair mais público além das corridas de ciclocrosse. “Somos uma organização entusiasta, sempre à procura de novidades. Por exemplo, vamos abrir um ‘Kuhstall’, onde combinaremos ciclocrosse e après-ski”.

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclocrosse/tadej-pogacar-vai-correr-ciclocrosse-na-belgica-este-fim-de-semana-organizadores-de-gullegem-tentaram-torna-lo-possivel

"O Cicloturismo em Palmela 35° Anos de Rigor vs. a Realidade dos Bastidores"


A propósito da recente notícia de José Morais sobre a segurança e os seguros no cicloturismo, a Associação Desportiva Palmela (ADP) considera necessário esclarecer, com total transparência, a realidade de quem organiza eventos com responsabilidade, rigor e respeito pela lei.

No nosso 35.º Passeio Cicloturista (2025), com quase 200 inscritos, o valor de inscrição foi de apenas 7,50€.

Perguntam se o ciclista está seguro?

Na ADP, a resposta não se baseia em opiniões — baseia-se em factos, contratos e faturas.

1. O que garantimos por 7,50€?

Para que cada participante pudesse pedalar com segurança, conforto e dignidade, a ADP assumiu os seguintes custos:

Segurança e Legalidade (custos fixos):

Foram pagos 1.166,79€, devidamente faturados, referentes a:

Escolta e pareceres da GNR

Seguro de Acidentes Pessoais

Seguro de Responsabilidade Civil

Apoio da Cruz Vermelha

Licenças Municipais

Só nisto.

E falta isto tudo.

Logística e Alimentação (qualidade, não mínimos):

1000 garrafas de água

230 kg de melancia

36 garrafas de sumo (2L)

1000 carcaças

Etc...

Mérito e Tradição:

Lembrança individual (oferta parceiros)

Troféus para Equipas: Participação, Mais Numerosa e Mais Distante

Troféus para participantes Masculino e Feminino: Mais Jovens e Veteranos

Flores para todas as senhoras (ramos não flores, oferta parceiros)

Nada disto é improvisado.

Tudo isto tem custos reais.

2. A irresponsabilidade que sufoca as associações clubes núcleos etc...

Um dos maiores problemas enfrentados pelas organizações é a irresponsabilidade de muitas equipas, e também alguns indivíduais.

Inscrevem números elevados de ciclistas e, no dia do evento, uma parte significativa não comparece.

Como o pagamento é feito no local, a ADP suporta sozinha:

Este ano já fizemos pressão para muitos pagarem antecipadamente, se em praticamente todas as iniciativas se pagam antes porque não o cicloturismo também não pagarem..

o desperdício de alimentos já comprados. (desperdício e dado sempre a instituições)

o custo do policiamento, que é calculado e pago à GNR com base no número de inscritos

Ou seja, quando uma equipa falta, a organização paga uma escolta sem necessidade.

Este comportamento penaliza diretamente quem cumpre a lei e organiza com seriedade.

3. Desmistificar o mito do “lucro”

No início deste ano, fomos acusados de a ADP ( Madaíl Claro) se estar a "aproveitar “da modalidade, em Palmela.

Os números são claros e irrefutáveis:

2024: saldo final negativo

2025: saldo positivo inferior a 30€

Trabalhar durante meses, mobilizar voluntários, assumir riscos legais e financeiros para terminar com menos de 30€ não é negócio.

É carolice extrema.

Tal como no Moscatel que, apesar do nome de Setúbal, todos sabem que o melhor nasce em Palmela, a qualidade exige respeito, rigor e recursos.

4. O futuro: 2026 com mudanças inevitáveis

O espírito de sacrifício tem limites.

O passeio realizar-se-á em 2026, mas com mudanças profundas.

Não apenas por razões financeiras, mas pelo cansaço acumulado, pela falta de reconhecimento e pela irresponsabilidade recorrente de quem não honra as inscrições que faz.

Organizar com o rigor que a lei exige tem custos que 7,50€ já não suportam.

Uma coisa, porém, é inegociável:

a ADP nunca cortará na segurança.

Se não existirem condições para manter o nível de exigência dos últimos 35 anos, preferimos parar com a consciência tranquila de dever cumprido, no passado também já fizemos como muitas organizações, tem seguros pessoais podem vir, tem seguros de alguma federação! Podem vir.

E já agora! A organização não se responsabiliza por nada.

Por isso e que mais ou menos a uns 15 anos atrás no passeio de cicloturismo de Palmela ouve uma queda uma pessoa que dizia ter seguro da FPCUB, o Presidente da mesma me contactou a mim e a junta de Palmela para pagarmos as despesas porque o evento não tinha solicitado seguro.

E que o seguro do atleta não cobria, na altura nem questionei pagamos as despesas. Foi basicamente só medicação mas ainda foi algum €€€.

Enfim...

Em 2026, as estradas de Palmela continuarão a ver-nos passar,

mas apenas com a dignidade que o trabalho voluntário da ADP merece.

A Direção

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Feliz Ano Novo

 


“Resultados Superprestige Diegem: Puck Pieterse supera um furo e conquista a primeira vitória da época”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Puck Pieterse conquistou a primeira vitória da época com uma exibição controlada na corrida feminina do Superprestige Diegem, intocável mesmo após um furo tardio no circuito iluminado.

A corrida tornou-se rapidamente um duelo. Pieterse e Marie Schreiber destacaram-se cedo, com a zona de areia a ditar as diferenças. Pieterse superou repetidamente a areia de forma limpa, enquanto Schreiber, apesar de se manter na bicicleta, teve de lutar para manter embalo. Essa vantagem estabilizou perto dos dez segundos na fase intermédia.

O momento decisivo surgiu à entrada das voltas finais, quando Pieterse foi obrigada a parar na zona de assistência devido a um furo. Schreiber aproximou-se a poucos segundos e ameaçou, por instantes, recolocar a corrida sob controlo. A dúvida durou pouco. Retomado o ritmo, Pieterse voltou a impor cadência, alargando novamente o fosso com mais uma passagem fluida pela areia.

A iniciar a última volta com cerca de 11 segundos de vantagem, Pieterse manteve a compostura, mesmo ao dobrar atletas, e seguiu em segurança até à meta.

Schreiber garantiu com clareza o segundo lugar, o melhor resultado da sua época, enquanto Ceylin Alvarado foi terceira após perder a roda do duo da frente. Para Pieterse, foi um triunfo dominante que confirmou o seu controlo da corrida, com ou sem furo.

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclocrosse/resultados-superprestige-diegem-puck-pieterse-supera-um-furo-e-conquista-a-primeira-vitoria-da-epoca

"Sabia que não podia esperar por um sprint" - Lucinda Brand joga na antecipação para bater a "sua fã" Zemanova em Loenhout”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Lucinda Brand admitiu que foram precisos paciência, afinações de material e timing criterioso para garantir o mais recente triunfo no Troféu X2O Azencross Loenhout, após uma corrida muito diferente das suas recentes exibições a solo.

“Foi difícil fazer a diferença aqui”, disse Brand à Sporza após a meta. “Quis claramente esperar um pouco e estava escorregadio”.

Ao contrário de outras corridas, Brand não conseguiu isolar-se cedo no circuito enlameado de Loenhout. Foi forçada a uma batalha tática com um pequeno grupo de rivais, com destaque para Kristyna Zemanova, que neutralizou repetidamente as suas acelerações e se manteve colada à roda até bem dentro da volta final.

Percebendo que a corrida não se decidiria apenas à força, Brand ajustou a bicicleta à medida que as condições pioravam. “Mudei para um pneu com um piso mais agressivo para conseguir colocar mais potência no chão”, explicou. “E sabia que não podia esperar por um sprint. A Zemanova acabou por ceder”.

Esse momento só chegou já tarde, fruto de pressão contínua e não de um ataque demolidor. Brand voltou a subir o andamento na fase final, limpou as zonas técnicas sem erros e acabou por abrir espaço num traçado onde qualquer falha se pagava caro.

Desta vez, não houve longa cavalgada a solo até à meta, algo que Brand até acolheu de bom grado.

“Muito divertido”, gargalhou. “Mas foi difícil perceber onde é que podia mesmo fazer a diferença”.

 

Zemanova saboreia exibição de afirmação

 

Kristyna Zemanova, segunda classificada, foi a opositor mais incisiva, levando Brand ao limite como nenhuma outra nas últimas semanas. A campeã checa igualou o ritmo durante grande parte da prova e foi presença constante na frente até aos quilómetros finais.

“Fantástico”, expressou Zemanova no final. “Sonhei tantas vezes com isto”.

O pódio teve um significado especial, pela companhia que manteve ao longo da corrida.

“Não tenho palavras, porque a Lucinda é a minha grande heroína”, acrescentou Zemanova. “É incrível poder correr contra ela. A minha foto no pódio vai ser o meu novo papel de parede”.

Para Brand, a vitória em Loenhout sublinhou a versatilidade. Quando a dominância a solo não era opção, adaptou-se, esperou e atacou no momento certo, provando que o controlo e a tomada de decisão contam tanto como a potência bruta nas corridas mais técnicas do inverno.

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclocrosse/sabia-que-nao-podia-esperar-por-um-sprint-lucinda-brand-joga-na-antecipacao-para-bater-a-sua-fa-zemanova-em-loenhout

“Zoe Bäckstedt “de regresso ao rumo certo” na Taça do Mundo de Dendermonde, enquanto Puck Pieterse lamenta derrota frente a Brand após ter ficado “um pouco fechada”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

A Taça do Mundo de Dendermonde trouxe várias histórias na corrida feminina: da vitória dominante de Lucinda Brand; a luta de Puck Pieterse para conquistar o primeiro triunfo do inverno; e a campeã do mundo sub-23 Zoe Bäckstedt, que iniciou aqui a sua campanha após meses marcados por lesões.

O talento britânico correu em Dendermonde pela primeira vez nesta época de ciclocrosse, após ter sofrido fraturas na mão e no punho na sequência de uma queda no início do inverno.

“Tudo o que normalmente fazes em alguns meses, agora temos de fazer em duas semanas. Mesmo para um supertalento como a Zoe, é impossível atingir logo um bom nível”, explicou o seu treinador Geert Wellens ao Wielerflits. Assim, foi delineado um calendário a arrancar no bloco de Natal, que se iniciou com um 27º lugar, a 3m45s de Lucinda Brand.

“O resultado em Dendermonde diz muito. Mentalmente, temos de voltar aos eixos. Eu já o antecipava, tendo em conta a preparação. Podemos continuar a adiar o início da época, mas tínhamos de começar em algum lado”. A britânica quer ganhar forma e, sobretudo, retomar a técnica durante o próximo mês, com várias corridas no plano, antes do Campeonato do Mundo. Mas os resultados deixaram de ser prioritários, até porque a época de estrada se aproxima a passos largos.

“Temos de manter o bom ponto de partida que tivemos em Dendermonde. Depois é uma questão de encontrar o feeling certo e as capacidades técnicas. Passo a passo, diria. Não podemos olhar para a situação dela como no ano passado. Talvez tenhamos sido um pouco mimados então. A Zoe nunca teve tanto azar como agora, e terá de aprender a aceitar isso também. Faz parte do seu crescimento como ciclista”.

A duas vezes detentora da camisola arco-íris de sub-23 pode agora escolher entre tentar a quarta ou competir entre a elite, onde estará a tempo inteiro a partir da próxima época. Mas a elite parece ser a opção pré-definida: “Temos de ser realistas agora. Ficaria muito contente se ela ainda chegasse ao Campeonato do Mundo em Hulst e competisse ‘entre as melhores’ lá. Mas não podemos esperar um resultado. Mesmo um top 10 é demasiado ambicioso se alinhar com as profissionais”.

 

Pieterse em ascensão rumo ao Campeonato do Mundo

 

Na dianteira, Puck Pieterse, que regressou à competição há duas semanas, procurava a primeira vitória num traçado seco. Porém, quando chegou à cabeça de corrida, a compatriota Brand já seguia longe.

“Fiquei um pouco fechada na partida e esperava que abrandassem um pouco no asfalto a caminho da meta para eu fechar o espaço”, disse Pieterse na flash interview. “No entanto, a Lucinda atacou nesse momento porque me viu a chegar, por isso tive de perseguir outra vez. Nunca cheguei realmente a fechar essa diferença”.

Pieterse terminou em segundo, a confirmar o excelente momento de forma. Mas ainda não venceu com a camisola de campeã nacional dos Países Baixos. E o risco de isso não acontecer cresce corrida após corrida, já que Brand não dá sinais de abrandar.

“Disse à minha mãe antes da partida que mesmo cinco segundos nesta volta seriam muito. Portanto, se eu estivesse nessa diferença, ela não deveria gritar para eu ir buscar, porque é uma margem grande neste percurso. Corri para o segundo lugar”.

Ainda assim, a ciclista da Fenix-Deceuninck tem como grande objetivo o Campeonato do Mundo e a possibilidade de uma primeira camisola arco-íris.

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclocrosse/zoe-backstedt-de-regresso-ao-rumo-certo-na-taca-do-mundo-de-dendermonde-enquanto-puck-pieterse-lamenta-derrota-frente-a-brand-apos-ter-ficado-um-pouco-fechada

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

“ATUALIZAÇÃO: Incidente com Mathieu van der Poel envolvendo um espectador - polícia interroga adepto e UCI apresenta queixa em Loenhout”


Por: Miguel Marques

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Mathieu van der Poel esteve envolvido num incidente logo no início da prova masculina do Troféu X2O Azencross Loenhout, após aparente contacto com um espetador que perturbou brevemente a primeira volta.

O momento ocorreu pouco depois da partida, quando o campeão do mundo saiu de uma curva e foi obrigado a corrigir bruscamente a trajetória. Van der Poel perdeu o equilíbrio por instantes, olhou para a multidão e pareceu gesticular em resposta, antes de prosseguir sem perder terreno relevante.

As repetições televisivas mostraram a mão de um espetador a tocar no guiador de Van der Poel quando este passava na secção. Não é claro se o contacto foi intencional ou acidental, mas o incidente somou-se a uma fase inicial já atribulada para Van der Poel, que lidara também com um problema nas mudanças na partida.

Apesar do susto, Van der Poel recompôs-se rapidamente e manteve-se no grupo da frente à medida que a corrida estabilizou, sem consequências adicionais decorrentes do incidente.

 

Atualização

 

De acordo com o organizador da corrida, Golazo, o espectador que entrou em contacto com o guiador de Van der Poel na primeira volta foi identificado e levado pela polícia para interrogatório logo após o incidente. A ação ocorreu após uma análise das imagens de televisão, após a qual os agentes localizaram o indivíduo no local.

A Golazo confirmou que tanto a organizadora quanto a UCI apresentaram uma queixa oficial em relação ao incidente.

Christophe Impens, falando em nome da organizadora, disse que o homem envolvido estava “claramente sob o efeito” após o incidente e afirma que não houve intenção de causar danos. Ele acrescentou que o espectador deseja pedir desculpas pessoalmente a Van der Poel.

O próprio Van der Poel abordou a situação após a corrida, reiterando que não acreditava que o contacto tivesse sido deliberado. Explicou que, por vezes, os adeptos ficam tão concentrados em torcer que se esquecem de que os ciclistas continuam a aproximar-se a grande velocidade, acrescentando que teve sorte em permanecer de pé após o contacto numa secção rápida do percurso.

Golazo salientou que a grande maioria da multidão em Loenhout se comportou de forma adequada durante todo o evento, descrevendo o episódio como um momento isolado e lamentável num dia de corrida que, de resto, foi bem gerido.

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclocrosse/video-mathieu-van-der-poel-apanha-um-susto-apos-contacto-com-espectador-em-loenhout

“Remco Evenepoel visto no Paterberg e no Oude Kwaremont - Será que o campeão olímpico se vai estrear na Volta à Flandres?”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Durante o período de Natal, muitos profissionais regressaram a casa para estar com a família e passar alguns dias longe do foco total no ciclismo. Foi o caso de Remco Evenepoel, que voltou à Bélgica e, num treino, foi visto nas subidas da Volta à Flandres. Poderá isto significar algo?

É um tema que parecia encerrado após o anúncio do calendário do campeão olímpico, mas que agora voltou à discussão. Deve ser visto com cautela, já que o plano dificilmente mudará, mas é legítimo levantar questões após os detalhes partilhados pelo Het Nieuwsblad.

O jornal belga divulgou um pequeno vídeo de Evenepoel a treinar na zona e, segundo relatos, fê-lo ao lado do futuro colega de equipa Gianni Vermeersch, apontado para liderar a equipa na Flandres, e dos diretores desportivos Klaas Lodewyck e Sven Vanthourenhout. Pode simplesmente ter acontecido que Evenepoel, local, embora atualmente passe a maior parte do tempo em Espanha, se tenha juntado ao grupo por estar nas redondezas.

Mas pode não ser coincidência, e os planos para correr a Flandres podem estar a ser mantidos em privado para reduzir perguntas e pressão externas. Há precedentes claros, como o Mundial de ciclocrosse de Wout van Aert e a estreia de Tadej Pogacar no Paris-Roubaix em 2025, decisões aparentemente tomadas semanas antes, mas só partilhadas quando já eram incontornáveis. Poderá Evenepoel estar na mesma lógica?

 

A Flandres encaixa no calendário?

 

Embora Vermeersch ofereça algumas garantias, não haverá grande discussão sobre as ambições da Red Bull - BORA - Hansgrohe se Evenepoel não alinhar à partida. O fator tático nas clássicas do empedrado tem perdido peso ao longo dos anos, especialmente com a ascensão de corredores como Mathieu van der Poel, Tadej Pogacar e Mads Pedersen, que na primavera passada dominaram qualquer setor em mau piso, mostrando um nível acima da concorrência em quase todas as corridas.

Mas a questão central é se Evenepoel quererá encaixar esta corrida. Se for possível, a resposta é naturalmente sim. Vai correr a Volta à Catalunha em março e depois as Ardenas em abril. Não é uma primavera carregada, enquadrada no plano de ter uma época “normal”, reduzindo riscos de lesão e afinando o pico de forma onde realmente interessa.

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/remco-evenepoel-visto-no-paterberg-e-no-oude-kwaremont-sera-que-o-campeao-olimpico-se-vai-estrear-na-volta-a-flandres

“EXCLUSIVO: Ciclista da UAE explica desentendimento entre João Almeida e Jan Christen na Volta à Suíça”


Por: Miguel Marques

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No pelotão profissional, raramente se fala em público de conflitos internos. Há, porém, exceções, e a UAE Team Emirates - XRG costuma estar no centro delas pela quantidade de líderes e corredores de topo. Um elemento da equipa partilhou com o CiclismoAtual e o CyclingUpToDate a sua perspetiva sobre o conflito entre João Almeida e Jan Christen no dia de abertura da Volta à Suíça, que quase custou a vitória à equipa na corrida.

A UAE tem muitos egos para gerir, e nem sempre isso é possível nas melhores condições. Veja-se o caso de Juan Ayuso: por mútuo acordo, a equipa rescindiu o contrato no verão passado para permitir a saída do espanhol.

Ayuso esteve envolvido num choque interno na Volta a França 2024, quando, na 4ª etapa, com final em Valloire, aparentou esconder-se no fundo do grupo dos favoritos enquanto João Almeida e Adam Yates preparavam um ataque para Tadej Pogacar. Mas não é caso único. Muitas vezes estes episódios não chegam à comunicação social e resolvem-se internamente. Outras vezes, passam pelas malhas.

E que grande “falha” foi a da etapa inaugural da Volta à Suíça? A equipa alinhou com o principal favorito, João Almeida, mas logo no primeiro dia ele perdeu mais de 3 minutos para o vencedor da etapa Romain Grégoire, e quase três para corredores como Kévin Vauquelin (que segurou a camisola amarela até ao último dia, quando Almeida finalmente o ultrapassou) e Julian Alaphilippe. A chuva e um arranque caótico explicam o desfecho. A UAE tinha Felix Grossschartner no grupo da frente, com mais de 20 homens, mas não era prioridade para a equipa.

O que aconteceu atrás tinha tudo para ficar em privado. A transmissão teve falhas por causa do mau tempo e praticamente não houve imagens do pelotão. Romain Grégoire atacou a partir da fuga, venceu a etapa e esteve no centro das atenções. Mais de 3 minutos depois, chegou o grupo dos favoritos com Almeida, Jan Christen e cerca de 15 corredores. O que a TV não mostrou foi um choque interno entre os homens da UAE, com Christen no centro do problema.

 

Mikkel Bjerg atiça a polémica

 

João Almeida acelerou no subida final de 3 quilómetros que terminava a 15 quilómetros da meta. Não se abriram grandes diferenças. Já na aproximação a Küssnacht, Jan Christen atacou. O suíço parecia ter carta branca no alinhamento e não quis sacrificar a hipótese de um bom resultado. Algo que, apesar da decisão na 1ª etapa, não se confirmou.

Em declarações à TV2 nesse dia, o colega Mikkel Bjerg deixou um comentário duro sobre o companheiro: “Fiquei muito surpreendido por ele ter atacado. É bom ver que tem boas pernas. É uma pena que ainda não perceba como ajudar o resto da equipa, mas é o que é”.

Mesmo que o problema tenha sido resolvido em privado, esta crítica pública foi invulgar e um sinal claro de que o ambiente no autocarro da UAE estava longe do ideal nesse dia.

 

Christen não retribuiu o favor

 

A surpresa foi maior tendo em conta que, quatro meses antes, Almeida “ofereceu” literalmente uma vitória a Christen. Na Volta ao Algarve, a 2ª etapa com chegada ao Alto da Fóia foi um jogo tático. Christen integrou um grupo atacante no sopé da subida final, enquanto Almeida ficou com Jonas Vingegaard e Primoz Roglic. Para sorte da UAE, ambos foram os mais fortes nos respetivos grupos.

Christen atacou para vencer e, atrás, Almeida deixou Vingegaard em dificuldades de forma surpreendente, alcançou Christen, mas não o ultrapassou à vista da meta. Na sua “corrida de casa”, teria sido um triunfo muito prestigiante para Almeida, e o primeiro da época.

Com Almeida como homem a bater na Suiça e Christen a partir sem estatuto de favorito, sem o mesmo histórico em longas subidas do português, a opção de não ajudar o colega soou estranha e deixou muitos sem resposta. “Se fosse eu, também teria retribuído o favor, é óbvio”, partilhou um corredor anónimo da UAE Team Emirates - XRG connosco.

 

Corredor da UAE partilha descontentamento com Christen

 

A mesma fonte explicou porque Christen não puxou por Almeida, num dia que podia ter sentenciado as aspirações da equipa à geral. “Pelo que sei, o Jan queria começar a Volta à Suiça como líder”. O suíço de 21 anos acabou por abandonar na 6ª etapa e não teve um papel-chave na perseguição de Almeida à amarela, que no fim foi bem-sucedida.

Relata ainda que Almeida pediu a Christen para trabalhar nesse dia e que houve recusa num terreno traiçoeiro. “Com a chuva e tudo, ficaram só o João e o Jan. O João disse ao Jan para puxar e o Jan respondeu ‘não, não vou’. Então o João atacou, irritado”.

Em 2025, Christen teve vários papéis de liderança, incluindo na Clásica San Sebastián, onde ele e Isaac del Toro falharam taticamente na subida final, incapazes de se distanciarem antes de serem descarregados por Giulio Ciccone. Foi também quarto na Volta à Polónia e somou vários top-10 no início do ano.

Em 2026, ambos vão alinhar juntos na Volta a Itália, com Almeida como claro favorito à maglia rosa e uma guarda de luxo que inclui Christen, Adam Yates, Jay Vine, António Morgado, Florian Vermeersch e Igor Arrieta. Esperemos que desta feita o suíço entenda que deve proteger o seu líder e não lutar por ambições individuais.

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domingo, 28 de dezembro de 2025

“Resultados da Taça do Mundo de Dendermonde: Thibau Nys regressa às vitórias quase 1 mês depois, Wout Van Aert fora do pódio”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Thibau Nys conquistou uma vitória suada na Taça do Mundo de Ciclocrosse UCI em Dendermonde, transformando pressão constante e posicionamento cirúrgico num sprint decisivo após uma das corridas mais rápidas e táticas da época.

Desde as primeiras voltas, a corrida recusou estabilizar. Um longo comboio manteve-se compacto, enquanto o ritmo imposto por Niels Vandeputte, Ryan Kamp e Felipe Orts esticou o pelotão sem provocar seleção. Wout van Aert e Nys rodaram atentos logo atrás da frente, a poupar energias enquanto o elástico esticava e encolhia repetidamente.

Quando a prova entrou na fase intermédia, Nys assumiu mais responsabilidades. O campeão belga passou voltas inteiras a comandar, a forçar reordenamentos constantes em vez de abrir diferenças decisivas. Michael Vanthourenhout e Tibor Del Grosso responderam na mesma moeda, enquanto Laurens Sweeck se manteve com regularidade na cabeça de corrida, a ler o momento com calma.

A dureza foi reduzindo o lote de candidatos. Toon Aerts perdeu o contacto com o ritmo sempre alto, enquanto Van Aert teve de fechar sucessivas pequenas lacunas, a gastar forças para manter a ligação. Apesar de várias acelerações, incluindo um movimento comprometido de Van Aert, nenhum corredor conseguiu fraturar o grupo de forma sustentada.

Um momento-chave surgiu quando Del Grosso furou, saindo por instantes da luta pela frente juntamente com Vandeputte. Del Grosso limitou de forma impressionante os danos, regressando ao contacto com os líderes em segundos e voltando a afirmar-se antes da fase decisiva.

Com duas voltas para o fim, nove corredores seguiam juntos. O ritmo abrandou por momentos, permitindo uma nova reorganização, mas a tensão era evidente. Van Aert teve dificuldades em avançar a partir da sexta roda, à medida que o percurso tornava as ultrapassagens mais difíceis, enquanto Del Grosso e Nys começaram a posicionar-se de forma mais agressiva.

Na última volta, Sweeck segurou inicialmente a dianteira, mas Nys foi aumentando a pressão. Uma aceleração seca levou-o a segundo, antes de finalmente assumir a frente, com Del Grosso como único capaz de seguir. Sweeck teve de ceder, e o duo da frente abriu uma pequena, mas crucial, margem.

A decisão chegou ao sprint. Nys lançou primeiro, sustentou uma curta vantagem nos metros finais e selou o triunfo frente a Del Grosso, a executar com timing perfeito após uma corrida definida por velocidade, controlo e paciência. Sweeck foi 3º e Van Aert apenas 6º.

Num dia em que nenhum ataque colou por muito tempo, Nys foi decisivo quando mais importava, transformando uma Taça do Mundo de Dendermonde caótica e de alto ritmo numa vitória categórica em terreno doméstico, marcando o regresso aos triunfos quase um mês depois, numa corrida onde Mathieu Van der Poel não esteve presente.

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“Resultados da Taça do Mundo de Dendermonde: A incrível série vitoriosa de Lucinda Brand continua com mais um solo dominante”


Por: Miguel Marques

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Lucinda Brand assinou mais um triunfo isolado autoritário na Taça do Mundo de Ciclocrosse UCI em Dendermonde, transformando uma fase inicial explosiva numa gestão controlada até à meta e selando a 15ª vitória da temporada.

A corrida foi rápida desde o tiro de partida. Amandine Fouquenet fez o holeshot à frente da compatriota Gery, enquanto Brand recuperou rapidamente de um arranque ligeiramente mais lento para subir a terceiro. O primeiro momento decisivo surgiu cedo, quando Leonie Bentveld caiu violentamente numa curta secção de areia em descida enquanto rodava na dianteira. O incidente fracionou o pelotão e permitiu a Brand, Fouquenet e Gery ganharem espaço.

As voltas curtas mantiveram a pressão constante. Após a volta inicial, o trio da frente já dispunha de cerca de 15 segundos sobre o grupo perseguidor. Atrás, Puck Pieterse respondeu com autoridade, aumentou o ritmo e forçou o regresso às posições dianteiras à medida que a corrida se alongava.

Brand foi subindo o andamento de forma gradual. Gery foi a primeira a ceder, deixando Brand e Fouquenet isoladas na cabeça da prova. Pieterse lançou então um forte contra-ataque, assinou a volta mais rápida e aproximou-se para segundos de um dígito, o que motivou resposta imediata da líder.

Essa resposta foi decisiva. Brand acelerou na passagem da meta e à saída das curvas, a rolar limpa e potente. Fouquenet ficou para trás e o ímpeto de Pieterse estagnou pouco depois. Em poucos minutos, Brand consolidou uma liderança isolada clara.

A partir daí, a corrida estabilizou num padrão conhecido. Brand controlou uma vantagem estável de cerca de 20 segundos, a rodar fluida e sem erros visíveis ao entrar nas voltas finais. Atrás, o foco passou totalmente para a luta pelo segundo posto. Fouquenet e Pieterse reagruparam e andaram juntas durante várias voltas, com Ceylin del Carmen Alvarado incapaz de fechar o espaço.

O pódio decidiu-se apenas na última volta, quando Pieterse acelerou com violência nas escadas, passou Fouquenet e abriu uma pequena mas decisiva diferença. Pieterse garantiu o segundo lugar, melhorando o resultado de Gavere, enquanto Fouquenet cortou a meta em terceira.

Brand teve tempo para saborear os metros finais, erguendo o braço em celebração antes da linha. Marion Norbert Riberolle completou uma exibição sólida para fechar em quinta, coroando mais um dia dominante de Brand, com a Taça do Mundo de Dendermonde a confirmar o seu atual controlo na série feminina.

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“O livro dos 125 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo está cheio de erros e lacunas históricas”


Por: Pascal Michiels

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O livro comemorativo da Federação Portuguesa de Ciclismo acumula imprecisões graves, distorções históricas e omissões de figuras centrais da modalidade, levantando dúvidas sobre rigor editorial e prioridades institucionais.

Segundo uma publicação nas redes sociais de José Carlos Gomes, que denuncia com exactidão factos que constam do livro, como o de Afonso Eulálio venceu a 17.ª etapa da Volta a Itália em 2025. José Azevedo conquistou, como diretor desportivo, uma Volta a Espanha ao serviço da Katusha. Rui Costa foi campeão nacional de fundo em 2010, 2011 e 2012. João Almeida terminou o Giro de 2021 no terceiro lugar e sagrou-se campeão nacional de scratch em juniores no mesmo ano em que foi sétimo classificado na Volta a França do Futuro, em sub-23. David Rosa terminou a carreira após os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Ricardo Marinheiro foi vice-campeão do mundo júnior de XCO em Anadia, em 2022.

Nenhuma destas afirmações corresponde à verdade. Ainda assim, surgem apresentadas como factos consumados no livro que a Federação Portuguesa de Ciclismo lançou esta semana para assinalar os seus 125 anos de atividade. Trata-se, por isso, de uma obra que acaba por corporizar, em formato impresso, dois conceitos muito em voga no espaço digital, as fake news e as chamadas alucinações associadas a sistemas de inteligência artificial.

Seria, no entanto, um erro pensar que os exemplos acima esgotam o catálogo de lapsos factuais presentes em “125 Anos na História do Ciclismo Português”. O leitor fica a saber que Nelson Oliveira abandonou a prova de fundo dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro por se ressentir do esforço do contrarrelógio. Na realidade, a prova de fundo antecedeu o contrarrelógio e o ciclista bairradino desistiu na sequência de uma queda. O livro afirma ainda que o madison é uma prova disputada por equipas de dois ou três ciclistas, que Acácio da Silva vestiu a Camisola Rosa do Giro a 2 de maio numa edição, a de 1989, que apenas começou no dia 21, e que, nesse mesmo ano, o transmontano perdeu a Camisola Amarela na Volta a França para Erik Breukink, quando quem herdou a liderança foi, de facto, o norte-americano Greg LeMond.

A sucessão de incongruências continua com a indicação de que no Campeonato da Europa de pista de juniores de 2025 participou um ciclista de 23 anos. Pode parecer caricato, mas consta também da narrativa que Lucas Lopes terminou no 20.º lugar da Taça das Nações, uma competição exclusivamente por equipas, sem classificação individual. Acresce ainda a informação errada de que a pista olímpica de BMX, em Sangalhos, foi construída em 2013, quando a sua inauguração ocorreu apenas em 2019.

Estes exemplos não pretendem ser exaustivos, mas são suficientemente ilustrativos do desleixo e da ignorância que atravessam as 224 páginas da obra. Há ainda um problema que ultrapassa o plano factual e entra diretamente no domínio da verdade histórica. Os doze anos de presidência de Delmino Pereira, o período de maior sucesso desportivo das seleções nacionais e aquele em que Portugal mais eventos internacionais acolheu, são resumidos a um único parágrafo, deixando implícita a ideia de que o dirigente se limitou a executar um plano herdado do seu antecessor, Artur Lopes. Essa leitura é intelectualmente desonesta e colide frontalmente com os factos.

Uma das secções mais difíceis de justificar é a que elenca as 30 personalidades mais importantes do ciclismo português. O critério parece ancorado numa visão datada, presa à década de 1990, e orientada para homenagens de conveniência.

É incompreensível que uma lista desta natureza ignore o presidente mais medalhado da história da Federação e um dos mais titulados de todo o desporto nacional, o dirigente associativo que idealizou e construiu em Portugal uma das melhores corridas do mundo, a mulher que organizou e dirigiu as provas de estrada de ciclismo e paraciclismo em Jogos Olímpicos, o selecionador nacional que transformou a mentalidade competitiva da seleção e foi campeão do mundo e medalhado olímpico, o selecionador que converteu uma vertente residual num caso de sucesso internacional, o empresário que abriu portas do ciclismo mundial a talentos portugueses com campeões do mundo e vencedores de Grandes Voltas na sua carteira, ou o português que começou como mecânico da seleção nacional, passou pela gestão do World Tour e construiu uma carreira de topo como gestor desportivo em equipas de primeira linha.

Não é necessário nomeá-los, qualquer leitor com conhecimento mínimo da modalidade saberá identificá-los.

Num livro que se propõe fixar a História do ciclismo português, é particularmente chocante a ausência de referências a dois dos ciclistas nacionais com maior sucesso em provas internacionais, José Martins e Tiago Machado. O primeiro foi oitavo classificado na Volta a Espanha, 12.º na Volta a França, terceiro na Volta à Catalunha e quarto na Volta à Suíça. Quantos ciclistas portugueses apresentam um palmarés desta dimensão?

Tiago Machado foi, durante a década de 2010, um dos ciclistas mais regulares do mundo em provas de uma semana, com múltiplos top 10 e vários pódios em competições internacionais desse perfil. Nelson Oliveira, recordista nacional de participações nas três Grandes Voltas e de top 10 em Campeonatos do Mundo, além de detentor de dois diplomas olímpicos, é também praticamente ignorado.

A evolução das vertentes de BTT, pista, paraciclismo e BMX não é explicada nem contextualizada. Não existe uma única linha dedicada à Volta a Portugal Feminina, e os feitos de Maria Martins, uma verdadeira pioneira do ciclismo feminino português, não são valorizados nem enquadrados no seu devido contexto histórico.

“Num tempo marcado pela rapidez da informação e pelas novas tecnologias, acreditamos que um livro continua a ser um instrumento único para preservar a memória, fixar a história e garantir que ela não se perde”, afirmou o atual presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, na nota de imprensa que acompanhou o lançamento da obra. À luz do conteúdo apresentado, a declaração acaba por assumir um tom involuntariamente irónico.

Resta, no entanto, uma pergunta inevitável. Quantos milhares de euros custou à Federação este objeto de mil trezentos e trinta gramas em formato de livro? A questão torna-se ainda mais pertinente quando se recorda que, há pouco tempo, o próprio presidente admitiu ter recorrido a um empréstimo bancário para assegurar a atividade corrente da Federação.

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